Capítulo 857 – Castelo do Cabo
『 Tradutor: Crimson 』
5º mês, 19º dia, cidade imperial de Rabat, Marrocos.
O rio que descia das Montanhas do Médio Atlas fluía ao sul de Rabat, atravessava o tranquilo porto da cidade e, por fim, desaguava no Atlântico.
Ao sul do porto havia uma estreita faixa de terra que avançava sobre o oceano como um cabo. Ali se erguia uma importante base militar — a famosa Kasbah dos Udayas. 1
Suas altas muralhas, portões imponentes e torres de vigia projetadas formavam a primeira linha de defesa. Dentro da fortaleza, além do salão principal, havia diversos palácios, e no centro um jardim repleto de flores. Nas proximidades da Kasbah ficavam os alojamentos das tropas.
A Kasbah dos Udayas constituía a linha de frente da defesa de Rabat. Qualquer ataque vindo pelo mar precisava atravessá-la primeiro.
O rei de Marrocos, Muhammed VI, mantinha ali 50 mil soldados da guarda.
Dali, era possível avistar a costa do rio Bou Regreg — a região central da cidade imperial. Isso garantia a Rabat uma barreira natural pelo oeste.
A leste, encontrava-se a recém-formada Cidade Satélite, onde a maior guilda de Marrocos guardava a única entrada para o mundo subterrâneo.
No momento, essa Cidade Satélite estava ainda mais movimentada que a própria capital, atraindo mais da metade dos jogadores. Assim, na cidade imperial permaneciam principalmente trabalhadores e jogadores casuais.
Em árabe, “Rabat” significa “amarrar”. Um nome curioso — por que uma cidade imperial teria um significado tão pouco auspicioso?
Segundo a lenda, Rabat era originalmente uma pequena ilha onde prisioneiros capturados eram amarrados e enviados para trabalhos forçados. Com o tempo, o local cresceu e se tornou uma cidade, herdando esse nome peculiar.
No jogo, Rabat era uma típica cidade árabe. Suas muralhas avermelhadas, seus templos antigos e sua arquitetura marcante criavam um cenário vibrante e cheio de vida. Árvores e jardins se espalhavam pelas ruas, trazendo equilíbrio ao ambiente.
Tanto o solene Palácio Imperial quanto a grandiosa Mesquita Hassan II refletiam o estilo característico da arquitetura árabe — criativa, majestosa e elegante.
As ruas e vielas estavam repletas de oficinas artesanais, e o modo de vida lembrava o período medieval.
Ao amanhecer, o sol vermelho surgia no horizonte do oceano, anunciando um novo dia.
Sua luz dourada iluminava as mesquitas, conferindo-lhes um ar sagrado. A cidade, que repousara durante a noite, despertava novamente.
Nas oficinas, os sons do trabalho recomeçavam.
Os moradores saíam de suas casas de estilo árabe, reunindo-se para comer, trabalhar, estudar ou simplesmente iniciar mais um dia comum.
Para eles, aquele era apenas mais um dia tranquilo.
A cidade exalava um calor humano típico do mundo árabe, capaz de encantar qualquer um.
O porto também estava cheio de atividade.
Os barcos de pesca que partiram ao amanhecer já retornavam com grandes capturas. O verão era a melhor época para a pesca de atum, e cestos cheios eram dispostos ao longo do cais para venda.
Além do atum, havia uma grande variedade de frutos do mar, criando um espetáculo visual.
Sob a luz do sol, os rostos dos pescadores refletiam satisfação e orgulho.
Na Kasbah dos Udayas, os soldados que haviam patrulhado durante a noite trocavam de turno, descendo das muralhas cansados e bocejando.
Em seu lugar, novos soldados, cheios de energia, assumiam suas posições e iniciavam a patrulha sob o sol nascente.
Não havia tensão entre eles.
Afinal, Marrocos ficava em uma região afastada da África, e a guerra parecia algo distante.
Especialmente para os civis da cidade imperial… guerra era algo completamente desconhecido.
Os três Lordes restantes em Marrocos viviam em relativa paz, cada um administrando sua própria região. Nenhum tinha força suficiente para subjugar os outros, muito menos para atacar a cidade imperial.
Comparado ao caos da região da China, aquele lugar era praticamente um paraíso.
Às 7h da manhã, no horizonte distante, uma vela alta surgiu de repente. Em poucos instantes, mais velas apareceram, aumentando rapidamente em número.
“O que é aquilo?”
Os sentinelas da Kasbah dos Udayas foram os primeiros a perceber que algo estava errado.
Um soldado pegou seu telescópio e, após observar com atenção, murmurou: “São navios de guerra… não são mercantes.”
“Navios de guerra? De qual país?”
“Do Esquadrão do Mediterrâneo da Grande Xia.”
No Atlântico, a bandeira do dragão dourado desse esquadrão era única e facilmente reconhecível. Meio ano antes, quando vieram eliminar piratas, haviam passado por Rabat para reabastecimento.
Por isso, os soldados não eram totalmente estranhos àquela visão.
“Ah, entendi. Ouvi dizer que estavam limpando os piratas da região. Devem ter bloqueado as águas próximas. Provavelmente vieram reabastecer.”
Mesmo assim, ninguém percebeu que uma crise estava se aproximando.
Com a guarda relaxada, os soldados começaram a conversar, e o assunto logo se voltou para a Grande Xia.
“Ouvi dizer que a situação deles aqui não está boa. A aliança acabou, e os aliados se dispersaram.”
“Agora só podem exibir força militar no Mediterrâneo.”
“Mesmo assim, um camelo magro ainda é maior que um cavalo. Não é algo com que possamos mexer. Eles têm uma dinastia inteira por trás.”
“Verdade. Dizem que o território da Grande Xia é maior que toda nossa Marrocos, e que possuem milhões de soldados blindados. São extremamente ricos.”
“Não viu os comerciantes orientais que vivem indo e vindo? Todos parecem nadar em dinheiro.”
…
Enquanto os soldados conversavam, os mercadores do porto também notaram a chegada do esquadrão. Desta vez, seus olhos brilharam intensamente.
“Peixe grande!”
“Negócio grande chegando!”
Todos esfregavam as mãos, incapazes de esconder a ganância.
Mas quando a 1ª e a 2ª divisões se aproximaram do porto, algo inesperado aconteceu.
A 1ª divisão, que vinha à frente, nem sequer parou. Em vez disso, entrou diretamente no rio Bou Regreg.
Mais de quarenta embarcações avançaram rio acima, espalhando-se — uma visão impressionante.
“O que está acontecendo?”
Os mercadores ficaram confusos.
Normalmente, o Esquadrão do Mediterrâneo sempre ancorava ali para reabastecer. Era por isso que eram recebidos com tanto entusiasmo.
Mas desta vez, ignoraram completamente o porto.
“Será que perceberam que aumentamos os preços?” — alguns começaram a ficar inquietos.
Em Rabat, além do porto principal, havia também um cais interno ao longo do rio, onde navios podiam seguir para reabastecimento.
Embora os dois cais estivessem a menos de dez milhas de distância, os preços eram diferentes. Os comerciantes frequentemente exploravam a falta de informação dos outros para inflacionar os valores e aumentar seus lucros.
“Calculamos mal…”
Ao verem os navios de guerra avançando rio acima sem hesitar, os mercadores sentiram um arrependimento tardio.
Mas esse arrependimento logo se mostrou irrelevante.
Isso porque a guerra, muitas vezes, começa em um instante.
Às 8h, o Esquadrão do Mediterrâneo já estava em posição — e então, subitamente, parou. Antes que alguém pudesse reagir, os canhões dispararam.
“BOOM! BOOM! BOOM!”
Tanto a Kasbah dos Udayas, que defendia o cabo, quanto as muralhas norte de Rabat estavam dentro do alcance. A sequência de disparos abalou toda a cidade.
“O que está acontecendo? Quem atirou?”
Muitos não conseguiam entender a situação.
“É o Esquadrão do Mediterrâneo! Foram eles!” Alguém gritou em pânico.
“Meu Deus… eles vão iniciar uma guerra?!”
Os civis, acostumados a tempos de paz, não conseguiam lidar com a mudança repentina.
Os primeiros a reagir foram os soldados da fortaleza.
O general, com o rosto sombrio, rangeu os dentes:
“Aqueles lobos… usaram nossa confiança para iniciar uma guerra descaradamente. Que vergonha!”
“Rápido! Revidem!”
A fortaleza também possuía canhões, mas devido à falta de recursos, havia apenas vinte unidades.
“BOOM! BOOM! BOOM!”
A primeira troca de disparos ecoou intensamente.
A Kasbah dos Udayas, construída sobre o cabo e cercada pelo mar, estava completamente exposta. Sob o planejamento meticuloso do Esquadrão do Mediterrâneo, os quatro lados de suas muralhas ficaram sob bombardeio constante.
Os canhões P1 modificados eram extremamente poderosos. Em poucos instantes, torres de vigia, portões e outras estruturas começaram a ceder.
O colapso total era apenas uma questão de tempo.
- Geograficamente cabo é uma porção de terra que avança para dentro do mar, tipo uma “ponta” de terra cercada por água em vários lados.[↩]

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