Capítulo 125: O Macaco Humano
Yun Yao acabou escolhendo um jogo do tipo “Macaco”.
O “Signo do Zodíaco” na porta usava uma máscara que não era de um macaco, mas sim de um grande babuíno em decomposição.
“E aí? Qi Xia, tem coragem de tentar?” perguntou Yun Yao, parada na porta.
“Eu? Tentar?” Qi Xia olhou para o babuíno e depois para Yun Yao. “Até que eu gostaria de saber o que significa ‘Sorte Extrema’, por que não me mostra?”
“Acho que você entendeu errado”, disse Yun Yao, balançando a cabeça, resignada. “Eu já tinha dito que o objetivo de formar a equipe desta vez era avaliar a força de vocês para facilitar a alocação nos próximos tipos de jogo. Como é que virou um teste para mim?”
Os três não sabiam muito bem como lidar com ela. Pelo visto, a Idol ainda era um pouco mimada.
“Ou seja, você não vai se envolver de jeito nenhum?” perguntou Qi Xia.
“É só um ‘Macaco Humano’. A maioria é de raciocínio ou destreza. Isso seria algum desafio para você?” perguntou Yun Yao, sorrindo. “Se quiser, também pode Apostar a Vida direto com ele.”
“Apostar a Vida?” Qiao Jiajin se surpreendeu. “Dá para Apostar a Vida aqui?”
Qi Xia sabia que Apostar a Vida com ele agora definitivamente não era uma boa ideia. Ele não conhecia os truques do “Macaco” e ainda não tinha obtido uma “Ressonância”. Se falhasse agora, jogaria fora todas as informações que já conhecia.
Pensando nisso, Qi Xia soltou um suspiro de resignação, caminhou até o grande babuíno e perguntou: “Você é o ‘Macaco Humano’?”
“Isso mesmo.” O Macaco Humano assentiu. “Vai participar do meu jogo?”
“Quais são as regras?” perguntou Qi Xia.
“Nós nos revezamos tirando ‘Dao’ da caixa. Quem pegar o último ‘Dao’ vence, e o vencedor fica com todos os ‘Dao’ na mesa.” O Macaco Humano não parecia ser muito velho; soava como um adolescente, e explicou as regras com muita clareza.
Qi Xia acariciou o queixo de leve e perguntou: “E os ‘ingressos’?”.
“Os ‘ingressos’ são os ‘Dao na Caixa’. Depende de quantos você quer apostar; eu coloco a mesma quantidade que você ou mais, nunca menos.”
“Uau… É um jogo de ‘ingresso variável’.” Yun Yao parecia muito feliz. “Se a gente ganhar, vamos lucrar de verdade.”
“Cacete, que aposta alta!” Qiao Jiajin gritou, virando-se empolgado para Yun Yao: “Gata! Tira logo mil e oitocentos ‘Dao’ daí! Se o Moleque Golpista ganhar essa, a gente vai direto para casa!”.
“E de onde eu vou tirar tudo isso?” retrucou Yun Yao, sem paciência. “Tudo o que eu tenho é essa bolsinha. De onde quer que eu tire mil e oitocentos ‘Dao’ num passe de mágica?”.
“Neste lugar maldito, é impossível alguém carregar mil e oitocentos ‘Dao’ e não ser descoberto pelo ‘Dao Extremo’…” murmurou Qi Xia, voltando a olhar para o Macaco Humano. “Macaco, quantos você ainda tem no total?”
“Eu…” O Macaco Humano hesitou por um instante. “Isso eu não posso dizer.”
“Está com medo de eu apostar tudo o que tenho contra você?” disse Qi Xia.
“Não importa qual seja a sua intenção, não vou revelar os meus ‘Dao'”.
“Interessante.” Qi Xia assentiu. “Então vamos começar.”
Os quatro entraram na sala, mas, como afinal era um jogo do Nível Humano, o único Participante era o próprio Qi Xia.
Assim que entrou, Qi Xia percebeu que parecia ter caído em uma armadilha.
Havia uma mesa na sala, e em cima dela estavam claramente dispostas duas caixas.
“O meu jogo se chama ‘Dao na Caixa’. Nós vamos colocar os nossos respectivos ‘Dao’ em cada uma destas duas caixas.” O Macaco Humano deu uns tapinhas nas duas caixas sobre a mesa e continuou: “A quantidade de ‘Dao’ que eu colocar só será maior do que a sua, não menor. Depois que o jogo começar, nós nos revezamos tirando qualquer quantidade de ‘Dao’ de qualquer uma das caixas. Mas preste atenção: quem esvaziar as duas caixas ao terminar o próprio turno, ganha. Em outras palavras, quem pegar o último ‘Dao’ vence”.
Ouvindo aquilo, Qi Xia mergulhou em pensamentos novamente. Ele examinou as duas caixas lacradas e percebeu que os buracos eram muito pequenos; mal dava para enfiar uma mão.
Se quisesse bolar uma estratégia, era óbvio que o problema giraria em torno de ser o “primeiro a jogar” ou o “segundo a jogar”.
“Então, quem tira primeiro?” perguntou Qi Xia.
“Decidimos no pedra, papel ou tesoura”, explicou o Macaco Humano com paciência. “Quem ganhar pode escolher quem vai ser o primeiro a tirar os ‘Dao’ da caixa. Quem perder escolhe de qual caixa tirar. A única coisa que não se pode escolher é a quantidade de ‘Dao'”.
“Entendi…” assentiu Qi Xia.
Yun Yao, que observava tudo de lado, perguntou: “Qi Xia, quantos você quer apostar?”
“Dez”, disse Qi Xia.
“Dez?!” Yun Yao se surpreendeu. “Tem certeza de que consegue?”
“Mais ou menos.”
Se fossem tirar os “Dao” da mesma caixa, Qi Xia tinha confiança de que conseguiria vencer.
Mas agora o Macaco Humano tinha preparado duas caixas, tornando as variáveis do jogo um pouco maiores.
Tirar qualquer quantidade de “Dao” de qualquer caixa… Esse jogo era diferente do jogo de raciocínio do “Porco Humano”; dependia inteiramente da estratégia do Participante.
“Yun Yao, o pedra, papel e tesoura inicial é muito importante”, sussurrou Qi Xia para ela. “Pode usar a sua ‘Sorte Extrema’ para me ajudar?”
“Isso…” Yun Yao abaixou a cabeça, constrangida. “Desculpa, não tenho como garantir.”
“Tudo bem.” Qi Xia já esperava essa resposta, então disse: “Eu resolvo isso sozinho, então.”
Yun Yao assentiu, com culpa, e começou a tirar os “Dao” de dentro da bolsa: “Qi Xia, me dá uma mãozinha.”.
Ela primeiro tirou quatro e enfiou nas mãos de Qi Xia; como ele não conseguia segurar tudo com uma mão só, precisou juntar as duas em formato de concha.
Em pouco tempo, Yun Yao tirou mais dois, e continuou revirando a bolsa. Parecia haver muita coisa ali dentro: não apenas vários cosméticos velhos, mas também papel de bala, guardanapos sujos e discos de algodão usados.
“Você devia dar uma arrumada nessa bolsa”, comentou Qi Xia.
“Não se mete na bolsa de uma Idol”, retrucou Yun Yao de mau humor, tirando mais três. “Quantos já foram?”
“Nove”, respondeu Qi Xia, sem jeito.
“Pronto, pronto, achei.” Yun Yao tirou o último “Dao” e o colocou nas mãos de Qi Xia.
Qi Xia caminhou até o Macaco Humano segurando o punhado de “Dao”, ergueu as mãos, deu uma sacudida e disse: “Dez. Vou colocar aqui.”
O Macaco Humano assentiu e, em seguida, tirou doze “Dao”, contou-os na frente de todos e os jogou na outra caixa.
“Macaco, vamos ao pedra, papel e tesoura”, disse Qi Xia.
Qi Xia tinha um pouco de medo desse tipo de disputa decidida em uma única rodada.
Ele conseguia garantir o resultado em várias rodadas consecutivas julgando a personalidade do oponente e a lógica das jogadas, mas se o vencedor fosse realmente decidido em uma só, tornava-se um jogo de pura sorte.
“Macaco, o que você vai jogar?” perguntou Qi Xia.
“Esse truque não funciona comigo, não vou responder”, disse o Macaco Humano. “Vamos começar.”
Qi Xia soltou um suspiro de resignação; só lhe restava deixar tudo nas mãos da sorte.
Era para ser uma rodada decisiva, mas os dois jogaram ‘papel’ ao mesmo tempo.
Logo em seguida, na segunda rodada, ambos jogaram “pedra”.
Ao ver a cena, Qi Xia sentiu que este pedra, papel e tesoura não era nada comum. O adversário estava usando exatamente a mesma estratégia que a sua.
Na terceira rodada, Qi Xia jogou “pedra”, enquanto o adversário continuou no “papel”.
“Você realmente pensou nisso. Do começo ao fim, se recusou a jogar tesoura…” murmurou Qi Xia para si mesmo.
“Obrigado por ceder”, disse o Macaco Humano. “Sempre fui muito bom no pedra, papel e tesoura.”
“É mesmo?” As pupilas de Qi Xia se moveram de leve, com um olhar enigmático.

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