Capítulo 116: Um Lugar para Ficar
Ao ver Yun Yao sair da sala, Qi Xia voltou a olhar para Chu Tianqiu.
“Pode soltar meus colegas de equipe?”
“Mas o ‘Dao Extremo’ da equipe de vocês…”
“Eu dou um jeito nisso.”
Chu Tianqiu assentiu. “A gente tinha até preparado uma ‘festa de boas-vindas’, mas acho que agora vamos ter que adiar por um tempo.”
Ele foi até a porta da sala de aula e a abriu. Zhang Shan estava em pé a poucos passos dali.
“Já terminaram de conversar?” Ao dizer isso, Zhang Shan travou por um instante e encarou o rosto de Chu Tianqiu. “Porra, como você se machucou?”
“Isso não é nada”, disse Chu Tianqiu, acenando com a mão. “Zhang Shan, foi tudo um mal-entendido agora há pouco. Solte os colegas de equipe do Qi Xia.”
…
Qi Xia seguiu Zhang Shan até o segundo andar da escola e encontrou seus colegas na sala de equipamentos, no final do corredor.
Chu Tianqiu até que era cauteloso; não havia trancado o grupo, apenas deixado algumas latas de comida e água engarrafada, além de ter arranjado uma senhora para puxar papo com todo mundo.
A senhora usava um amuleto budista e um crucifixo no pescoço; pelo visto, tinha uma crença bem complexa.
Naquele momento, ela estava segurando o braço do Oficial Li, contando casos em que deuses de sua vila haviam ajudado a polícia a resolver crimes.
“Qi Xia, você chegou?” Ao ver Qi Xia, o Oficial Li foi o primeiro a se levantar, como se tivesse encontrado a salvação.
“Vocês estão bem?” perguntou Qi Xia.
“O que ia acontecer com a gente?” O Oficial Li o olhou, confuso. “Mas e você, por que só chegou agora?”
“Fui me encontrar com Chu Tianqiu.” Depois de falar, Qi Xia passou os olhos pelo grupo e perguntou: “Qiao Jiajin não está aqui?”
“O arruaceiro não estava com você?” perguntou o Oficial Li.
Parado atrás dos dois, Zhang Shan balançou a cabeça, impotente. “O cachorro louco está em outra sala. Eu já tinha avisado que daria comida e água se ele não tentasse bater em ninguém, mas ele não quis me escutar de jeito nenhum.”
Guiado por ele, Qi Xia encontrou Qiao Jiajin.
Ele parecia bem, mas estava irritado demais.
“Ei! Moleque Golpista!” Embora estivesse amarrado dos pés à cabeça, a postura de Qiao Jiajin continuava firme. “Venha logo me soltar, hoje eu vou fazer esse Grandalhão chorar de tanto apanhar!”
Zhang Shan já estava ficando irritado com aquilo. “Ô braço rabiscado, está achando mesmo que sou feito de papel? Só porque não usei minhas técnicas de verdade, você realmente achou que conseguia me derrubar?”
“Como vou saber se não tentar?” Qiao Jiajin soltou um bufo frio. “Moleque Golpista, por que você está do lado do ‘inimigo’? Por acaso eles te ameaçaram e compraram?”
“Não foi nada disso”, disse Qi Xia, balançando a cabeça. “Qiao Jiajin, eles iam te soltar, mas você estava surtando muito, aí ficaram sem saber o que fazer por um momento.”
“Surtando?! Você disse que estou surtando?!” gritou Qiao Jiajin. “Os caras me amarram e não querem que eu surte?!”
“Qiao Jiajin, você também bateu neles”, disse Qi Xia. “Por que não pede desculpas logo? Assim não precisam te deixar amarrado todo torto desse jeito.”
Zhang Shan achou aquilo difícil de entender. Se era um custo ter uma “comunicação normal” com Qiao Jiajin, como seria possível ele “pedir desculpas”?
“Foi mal.” Qiao Jiajin de repente abaixou a cabeça e disse: “Peço minhas mais sinceras desculpas a todos, por favor, me desamarrem.”
“Ué?!” Zhang Shan travou, apontando o dedo para Qiao Jiajin. “Achei que você tivesse princípios, moleque! Como é que pede desculpas do nada assim?”
“Assim que escutei que me desamarrariam se eu pedisse desculpas, senti na mesma hora que tudo que rolou antes foi culpa minha.” Qiao Jiajin deu um sorriso sem graça. “Eu sou assim mesmo, sempre sei a hora de recuar e a hora de avançar.”
Depois que Qiao Jiajin voltou para a equipe, o grupo seguiu as orientações de Zhang Shan e foi até a sala mais ao norte no primeiro andar.
Chu Tianqiu havia designado uma sala de aula para os nove.
Vários itens de necessidade básica já tinham sido colocados ali com antecedência.
Havia alguns cobertores velhos, porém mais ou menos limpos, pouca água engarrafada e comida enlatada, além de dois isqueiros e uma lanterna.
Parecia haver muitas pessoas morando neste andar. Todos se dividiam em equipes, e cada uma ocupava uma sala de aula.
A noite já estava caindo, e muitos conversavam sentados dentro das salas.
A vida aqui, em comparação com a última vez em que Qi Xia fez uma espécie de “sobrevivência na selva”, era da água para o vinho.
Eles entraram na sala, arrumaram as camas primeiro, e Qiao Jiajin usou uma bacia de ferro velha para acender uma fogueira no centro do local.
O Oficial Li pegou algumas latas, abriu para o pessoal e as colocou perto da bacia para esquentar.
Os nove sentaram-se em roda e ficaram esperando em silêncio; o clima estava um pouco pesado.
Qi Xia levantou os olhos e observou os homens ao seu redor: Qiao Jiajin, Han Yimo, Oficial Li e o Doutor Zhao, enquanto calculava alguma coisa em silêncio, imerso em seus pensamentos.
“Estão se acostumando?” Zhang Shan entrou pela porta e olhou para as nove pessoas na sala. “Nosso espaço também é um pouco limitado, então vocês terão que aguentar o aperto juntos.”
“Irmão Shan, muito obrigada.” Xiao Ran se levantou, sorrindo sem parar para Zhang Shan.
O Oficial Li se levantou, acenou com a cabeça para Zhang Shan de forma amigável e disse: “Parceiro, a arrumação está ótima, valeu pelo esforço… por acaso tem cigarro?”
“Cigarro…?” Zhang Shan fez uma pausa ao ouvir aquilo. Tirou menos de meia carteira do bolso, com uma expressão de quem não queria ceder. “Só tenho isso aqui…”
“Não tem problema.” O Oficial Li pegou a meia carteira com total naturalidade. “Para mim está ótimo, valeu.”
Ao ver seu “alimento espiritual” sendo levado embora, Zhang Shan entrou em pânico na mesma hora. “Espera… irmão, deixa pelo menos um para mim!”
“Sério, eu já estou me segurando faz tempo demais.” O Oficial Li tirou um cigarro, enfiou na boca e acendeu.
“Tudo bem, então”, disse Zhang Shan, balançando a cabeça. “Descansem bastante hoje à noite. Amanhã vocês já devem ir jogar.”
Após a saída de Zhang Shan, Xiao Ran lançou um olhar frio para o Oficial Li.
“Que foi?” perguntou ele, confuso.
“Pode não fumar aqui?” pediu Xiao Ran.
“Ah, claro, vou lá para fora.” O Oficial Li assentiu.
Ele virou o rosto para Qi Xia e perguntou: “Quer fumar?”
Qi Xia pensou por um momento e pegou um cigarro.
Ele tinha deixado claro para o Oficial Li que não fumava fazia muito tempo.
“Han Yimo, e você, fuma?” O Oficial Li desviou o olhar para Han Yimo.
“Hã?” Han Yimo não entendeu a intenção do Oficial Li. Deu um sorriso e disse: “Eu não sei fumar…”
“Eu te ensino.” O Oficial Li enfiou um cigarro direto na boca de Han Yimo. “Isso aqui não é difícil, num piscar de olhos você aprende.”
Em seguida, olhou para os outros que haviam ficado e disse: “Nós três fumando aqui não vai dar muito certo, afinal, tem gente que não fuma. Venham comigo.”
Qi Xia entendeu o que ele queria fazer na mesma hora, então colocou a mão no ombro de Han Yimo e seguiu o Oficial Li até o corredor.
Nenhum dos três abriu a boca. Caminhavam com cautela, sem parar de olhar ao redor.
O assunto que iam tratar era sensível demais. Para evitar que “as paredes tivessem ouvidos”, precisavam encontrar um lugar seguro.
Mas onde, afinal, seria totalmente seguro dentro desta escola gigantesca?
“Qi Xia, você acha que o terraço seria mais seguro?” perguntou o Oficial Li. “Ou talvez o porão?”
“Não”, disse Qi Xia, balançando a cabeça. “O lugar mais seguro é o centro da quadra.”

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