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    De pé na sacada da mansão Valor, Mordret contemplava a vasta extensão do Lago Espelhado que se estendia à sua frente. O sol nascia e as águas tranquilas começavam a brilhar com uma bela luz dourada. Ao longe, a silhueta magnífica do grande castelo se erguia sob o brilho dourado, parecendo algo saído de um conto de fadas.

    Era uma visão linda, apesar da cortina de névoa da chuva que caía obscurecê-la. Mordret sorriu, apreciando a vista.

    Ele tomava seu café da manhã em silêncio, sem pensar em nada em particular. Esses minutos tranquilos ao amanhecer eram o único momento que ele conseguia passar em paz — no final do dia, ele estava sempre ocupado com o trabalho, resolvendo problemas urgentes e interagindo com inúmeras pessoas.

    Esses problemas eram envolventes e agradáveis ​​por si só, mas era um tipo diferente de prazer. Quando a requintada xícara de cerâmica em sua mão secou, ​​houve movimento na estrada de cascalho que levava à mansão. Ao notar um luxuoso carro preto chegando, Mordret suspirou baixinho.

    Sua expressão mudou, revelando por um instante uma sensação de melancolia. Depois, foi substituída pelo seu sorriso tranquilo de sempre, e ele saiu da sacada.

    Ainda vestindo seu pijama de seda, chinelos macios e um robe verde-esverdeado primorosamente bordado, ele saiu do quarto e desceu ao primeiro andar. As criadas, os criados e Sebastian não estavam em lugar nenhum — ao abrir a porta, ele finalmente os encontrou, reunidos em duas fileiras organizadas do lado de fora da entrada, com guarda-chuvas nas mãos.

    “Bom dia.”

    Pegando um guarda-chuva, Mordret saiu para receber o carro que chegava. A porta se abriu antes que o motorista tivesse tempo de tocá-la, e um homem imponente saiu dela, com uma expressão severa. O homem era alto e de ombros largos, com um físico magro, porém imponente. Tinha cabelos escuros e uma barba espessa e imponente. A expressão em seu rosto nobre era áspera e austera, e seus olhos cinzentos eram frios como aço temperado.

    Ele olhou ao redor friamente e seu olhar pesado pousou em Mordret. O homem permaneceu em silêncio por alguns momentos, estudando-o sombriamente. Então, um largo sorriso surgiu em seu rosto esculpido, aquecendo-o instantaneamente.

    “Filho!”

    Mordret também sorriu, escondendo sua melancolia por trás daquele sorriso.

    “Pai.”

    Antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, ele foi envolvido em um abraço de urso.

    “Vem cá, pirralho. Há quanto tempo não nos vemos? Você ainda está muito magro… Sebastian! O que você anda dando para esse cara comer?”

    De fato, era ninguém menos que Anvil, o pai de Mordret.

    “Onde está a mamãe?”

    Anvil deu a Mordret um sorriso cúmplice e levou um dedo aos lábios.

    “Shhh. Ela adormeceu no caminho do aeroporto. Não a acorde ainda.”

    Deixando a proteção do guarda-chuva de Mordret, ele deu alguns passos em direção ao lago e respirou profundamente.

    “Ah. O fedor… não percebi!”

    Olhando para trás, ele sorriu.

    “Sua mãe e eu fizemos um trabalho maravilhoso em lugares menos afortunados, e eu não trocaria isso por nada no mundo. Mas nada se compara ao lar, não é mesmo?”

    Anvil se virou para o lago e riu baixinho, admirando a vista do castelo.

    “Olhe para ele, emergindo da água. Tão magnífico quanto sempre foi… bem, talvez um pouco mais magnífico agora, depois que as reformas terminarem.”

    Sorrindo ironicamente, ele finalmente retornou para ficar sob o guarda-chuva.

    “Ouvi dizer que o castelo vai abrir ao público em breve. Museu Miragem, hein? Foi ideia sua?”

    Mordret assentiu. “Parecia triste, só de olhar de longe. Sempre fora de alcance… e vazio. Como uma miragem. Então, pensei em deixar as pessoas visitarem e darem uma olhada. Conseguir a cooperação da prefeitura deu muito trabalho, mas você sabe como são essas coisas.”

    Anvil assentiu.

    “Sim. E ouvir você dizer isso… Estou mais feliz do que nunca por ter me aposentado.”

    Ele jogou a cabeça para trás e riu.

    “Agora, vamos acordar sua mãe e entrar…”

    Sua expressão escureceu um pouco.

    “Sinto muito que não pudemos voltar antes, filho. Aquela coisa com a sua irmã… vocês dois nos deixaram muito preocupados. Se não fosse o Madoc prometendo cuidar de você e da Morgan, teríamos abandonado tudo e voltado imediatamente.”

    Mordret sorriu fracamente.

    “Sim, o tio foi de grande ajuda. Que tal…”

    Naquele momento, seu telefone tocou. Soltando um suspiro, Mordret tirou-o do bolso, olhou para a tela e atendeu a chamada.

    “Sim. O que houve?”

    Ele ouviu quem quer que estivesse do outro lado por alguns instantes e então fez uma careta.

    “O quê? Como assim, eles a perderam? E quanto a…”

    Ouviu-se um som abafado de voz masculina no telefone, e sua expressão ficou ainda mais preocupada.

    “Como isso é possível? Disseram-me que o hospital em questão…”

    Depois de ouvir por mais alguns instantes, ele encerrou a ligação e permaneceu imóvel por um tempo, olhando para longe com uma expressão preocupada. Percebendo o desconforto do filho, Anvil perguntou em tom calmo:

    “O que é que foi isso?”

    Mordret estremeceu e então olhou para o pai em silêncio. Por fim, ele respirou fundo e disse:

    “Era a assistente do tio. Aparentemente, Morgan… ela desapareceu. Não sei como isso é possível, considerando que a instituição que escolhemos para ela deveria oferecer o melhor atendimento 24 horas por dia, mas vou descobrir.”

    Anvil o estudou por alguns momentos e então suspirou.

    “Aquela garota… acho que eu a mimei demais. Ela sabe mesmo fazer birra! Mas antes de culpar seu velho, lembre-se de que você a mimava muito.”

    Um sorriso pálido apareceu no rosto de Mordret.

    “Claro que sim. Ela é minha irmãzinha.”

    Anvil balançou a cabeça.

    “Olha só você, ainda acobertando ela. Ouvi dizer que ela realmente passou dos limites dessa vez… tentando te machucar? Isso é demais, até para ela. Você não está bravo?”

    Mordret inclinou a cabeça um pouco.

    “Bravo?”

    Ele considerou a questão por alguns momentos.

    “Eu nunca fico bravo. Não consigo ficar bravo.”

    Oferecendo um sorriso ao pai, ele lhe entregou o guarda-chuva e suspirou.

    “Desculpa, pai. Vou ter que ir resolver isso… abraça a mamãe por mim. Volto para o jantar.”

    Anvil assentiu.

    “Claro. Vá fazer o que precisa fazer… arraste a Morgan para casa também. Vou dar uma bronca nela.”

    Mordret olhou para ele por alguns momentos e depois se virou. Fora da vista de Anvil, seu sorriso diminuiu um pouco. Ele ficou ali um pouco e depois foi para dentro para trocar de roupa.

    Atrás dele, as águas do lago estavam agitadas, inquietas, enquanto sua superfície era atingida pela chuva.

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