Capítulo 2936 - A Arca da Serpente
Foi somente quando o Destruidor do Tempo se aproximou dos restos mortais do Rei Serpente que eles puderam perceber o tamanho enorme do antigo esqueleto. Cada vértebra era grande o suficiente para fazer o antigo navio parecer pequeno, e seu crânio era como um porto cavernoso.
Daeron do Pesadelo era enorme em sua forma bestial… mas não era nem de perto tão colossal quanto o verdadeiro Rei Serpente parecia ter sido pouco antes de sua morte.
Sunny encarou os ossos antigos, sentindo uma poderosa mistura de reverência e melancolia. Ele havia encontrado muitos vestígios de Daeron ao longo dos anos, tanto no Reino dos Sonhos quanto no Pesadelo. E talvez por ter conhecido e conversado com sua filha, Flor do Vento, Sunny quase sentia como se ele e o Rei Serpente se conhecessem. Houve também a batalha entre eles.
Assim, ao ver o local de descanso final do antigo Supremo — o único Supremo do Mar Poente — ele não pôde deixar de sentir uma pontada de tristeza.
‘Então foi aqui que seu pesadelo terminou.’
Sunny suspirou pesadamente.
Daeron fora tão poderoso, tão astuto, tão determinado. Ele lutara com tanta dedicação para resistir ao Pesadelo e salvar seu povo. Mas sua jornada terminara ali, na escuridão… em amarga derrota. Mesmo que sua morte abrisse caminho para aqueles que viriam depois dele, Sunny não conseguia deixar de sentir que tal fim era injusto.
‘Daeron merecia algo melhor.’
Mas, pensando bem… todos eram assim.
Ananke guiou o Destruidor do Tempo até o crânio da grande serpente e o ancorou em um cais construído sobre ele. Em pouco tempo, eles estavam lá dentro. Sunny não sabia o que esperava ver, mas na verdade havia vários prédios construídos dentro do crânio do Rei Serpente, além de duas ruas que se cruzavam e uma praça… era como se ele estivesse olhando para um pequeno porto.
Não havia uma alma viva por perto. Olhando em volta, Sunny concluiu que pessoas já haviam vivido ali… mas que, por muito tempo, Ananke permaneceu sozinha. Ela os conduziu até uma das casas e acendeu uma fogueira na lareira, depois sentou-se em frente a ela para aquecer as mãos.
Sunny olhou em volta, percebendo os sinais de que alguém havia morado naquela casinha por muito tempo, e perguntou:
“Então… esta é a Arca?”
Ananke balançou a cabeça negativamente.
“Deus me livre. A Arca estava escondida dentro de uma dimensão paralela, e essa dimensão estava contida no espaço interno deste círculo de ossos. Lá, tínhamos solo, vento, grama e uma espécie de sol. Isto, por sua vez, era apenas… uma espécie de base avançada. Um lugar para aqueles que guardavam e mantinham a Arca ficarem enquanto desempenhavam suas funções.”
Ela suspirou.
“E quando a Arca começou a desmoronar, tornou-se o abrigo para aqueles que se aventuraram para fora do Estuário para explorar o Grande Rio. E no fim… foi também o abrigo final do Povo do Rio.”
Ananke permaneceu em silêncio por um breve instante, depois disse em tom sombrio:
“Quando percebemos que a situação era insustentável, tentamos encontrar uma maneira de salvar pelo menos parte do nosso povo. Mas, no fim, tudo o que conseguimos imaginar foi criar versões menores da Arca e tentar adiar nossa extinção o máximo possível.”
Ela balançou a cabeça negativamente.
“O Grande Rio não podia mais sustentar os remanescentes do Povo do Rio, então escolhemos os sete campeões Transcendentais mais fortes entre nós. A cada um dos campeões foi confiado um Amuleto da Arca — um medalhão encantado que continha uma pequena dimensão própria, com seus habitantes congelados no tempo. Os remanescentes do Povo do Rio se entregaram aos Amuletos da Arca e então… nos dispersamos.”
Ananke sorriu amargamente.
“Talvez tivesse sido melhor ficarmos juntos e nos apoiarmos uns nos outros… mas concluímos que, se cada um seguisse seu próprio caminho, mesmo que a maioria de nós perecesse, pelo menos um sobreviveria no final. Então, cada um dos sete Guardiões da Arca partiu para um canto remoto do Grande Rio, determinado a encontrar uma maneira de sobreviver.”
Sunny prendeu a respiração por um instante.
“E eles sobreviveram?”
Ananke permaneceu em silêncio por um longo tempo, depois balançou a cabeça lentamente.
“Não… um após o outro, todos morreram.”
Um sorriso triste iluminou seu lindo rosto.
“Só eu permaneci.”
Sunny também sentiu pena dela. Mas, após um momento de compaixão, ele finalmente compreendeu o significado das palavras dela.
“Espere. Se você era um dos Guardiões da Arca… isso significa que você também recebeu um desses Amuletos da Arca?”
Ananke o observou por alguns instantes, depois sorriu e puxou um cordão que estava amarrado em seu pescoço. Um instante depois, Sunny viu…
Sete jóias impecavelmente brancas, aparentemente esculpidas no mesmo osso que os envolvia, pendiam do cordão como um pesado colar. Em uma delas havia uma criatura semelhante a um cachorro esculpida, em outra um peixe, e na terceira um besouro…
Ananke soltou o cordão, escondendo os medalhões sob o manto mais uma vez.
“Os outros seis pereceram, mas consegui recuperar seus amuletos. Então, eles estão todos comigo agora — as pessoas que Daeron e Cronos salvaram.”
Enquanto Sunny e Nephis a olhavam em choque, Ananke disse com um sorriso:
“Pessoas de Graça Caída, de Weaver, das tribos de Nômades do Rio. Os descendentes dos Forasteiros do Mar Poente também — até mesmo sua princesa real, a neta do Rei Serpente. Tudo o que restou do Povo do Rio está aqui, comigo… sob minha proteção e cuidado. Dezenas de milhares de pessoas, ao todo.”
Ela deu um tapinha no peito, onde os sete medalhões estavam pendurados, escondidos pelo tecido preto de seu manto.
“Então, mesmo que eu tenha esperado por muito tempo, sozinha, nunca pareceu uma eternidade. E agora, minha longa espera acabou — graças a vocês, meu senhor e minha senhora. A salvação que Cronos me prometeu… finalmente chegou.”

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