Capítulo 067 – Escorpião Negro da Terra
Ao ouvir a ameaça de Alexander, o resto do grupo não pôde deixar de engolir em seco. Eles podiam sentir que ele não estava apenas falando por falar.
Não querendo ou não podendo prolongar mais a conversa, Stella voltou-se para Alexander. — Você tem um plano para lidar com aquilo?
— Não precisaremos de um. O combate direto é inevitável — respondeu Alexander. — Precisamos tirar essa coisa do chão.
— E como faremos isso? — questionou Stella. — Meu feitiço conseguiu causar algum dano, mas a criatura não fez a menor menção de sair do chão.
— Eu posso fazer isso — garantiu Alexander. — O único problema é que vão ter que segurar essa coisa sem mim por um tempo para que eu possa fazer isso.
Alexander então contou sua ideia à equipe, que ficou hesitante.
— Tem certeza de que isso vai funcionar? — perguntou Stella com medo.
— Tem um plano melhor? — rebateu Alexander. — Estou aberto a sugestões.
Não ouvindo qualquer sugestão da sua equipe, Alexander ajustou seu corpo, para que Stella pudesse lançar mais um feitiço explosivo; depois igualou a velocidade do cavalo de Mark, para que o mesmo pudesse puxá-la para cima; e então voltou para as costas de Ocean, para recuperar seu fôlego.
A resistência e a energia de Alexander eram gigantescas, logo estavam longe de acabar, mas a sua capacidade pulmonar tinha um limite. Ou seja, ele conseguia igualar, ou mesmo superar, a velocidade de várias criaturas de 2ª evolução, mas manter o mesmo ritmo delas por longos períodos era bem complicado.
Após se recuperar um pouco, Alexander avistou um conjunto de árvores, altas e robustas, que estavam próximas o suficiente para que ele pudesse usá-las em seu plano. — AQUELAS! Vamos usar aquelas árvores!
Ao ouvir o comando de Alexander, e já sabendo o que deveriam fazer, o grupo se preparou para enfrentar a criatura que os perseguia.
Após prenderem o cavalo em uma árvore e estabelecerem a formação 1-3-1 (Mark na frente, Diana, Stella e a raposa no meio, e Ocean na retaguarda) eles atacaram.
Alexander, que assistiu essa situação à distância, subiu em uma das árvores até atingir os galhos mais altos e grossos.
— Aqui está bom — pensou Alexander depois de pular por entre as árvores e se estabelecer em uma região de visão privilegiada. — |Nevoeiro de Vapor|.
Assim que foi lançado, o feitiço de Alexander começou a se espalhar, envolvendo e cobrindo as copas de todas as árvores ao seu redor.
Quando o feitiço finalmente parou de crescer, nada podia ser visto nas copas das árvores, exceto a densa neblina criada e alimentada pelo mana de Alexander.
|Nevoeiro de Vapor| é realmente um feitiço muito poderoso que pode ser usado em diversas situações. Pois além de promover ocultação visual, também cobre e camufla a mana do usuário enquanto ele estiver dentro da sua área.
Alexander só não usava esse feitiço com mais frequência porque ainda não tinha aprendido a controlá-lo com eficiência, e |Nevoeiro de Vapor| não diferenciava seu conjurador dos demais, muito menos os aliados dos inimigos.
PDV Mark
Aqueles não foram uns dos melhores dias de Mark. Primeiro ele acordou no chão, depois teve que passar a maior parte do dia cavalgando até um local cada vez mais perigoso.
Quando finalmente pensou que poderia descansar para se recuperar, ele teve que lutar, e sua mão foi até queimada e cortada.
Como se não bastasse tudo isso, ele ainda pensou que seria morto, pela forma como foi acordado, e estava tendo que lutar contra uma criatura que perseguia seu grupo, a qual ele nem sabia o que era.
— AGORA! — gritou Mark, acima dos outros sons da luta, enquanto se afastava.
Ouvindo e respondendo ao seu comando, Stella lançou seu feitiço explosivo no chão para afastar a criatura, que estava perigosamente abaixo dele.
— BUUUUUUM.
A explosão foi intensa e fez com que a criatura no solo recuasse, mas não foi para longe, nem por muito tempo. Assim que se recuperou, a criatura voltou a lutar como se não tivesse sofrido nenhum dano ou desgaste.
Ao ver esta situação, Mark não pôde deixar de suspirar. Ele não era uma fera ou um monstro. Mesmo com sua {Vontade de Ferro}, ele ainda era incapaz de ficar bloqueando o ferrão da criatura para sempre.
Ao notar que não conseguiria passar por Mark facilmente, a criatura recuou um pouco para atirar algumas pedras como já havia feito antes. Mas quando ele estava prestes a solidificar sua rocha, uma grande ponta de gelo atingiu a pedra e uma rajada de fogo azul atingiu a base do seu ferrão.
Frustrada com sua situação, a criatura retornou ao combate direto. Mas sua tentativa fracassada deu a Diana tempo suficiente para lançar alguns feitiços de cura e recuperação em Mark.
A luta direta então recomeçou e voltou a ser um impasse de atrito e desgaste. Mas desta vez não durou muito, pois, por algum motivo, a criatura se afastou e tentou freneticamente atirar pedras no topo das árvores, as quais Ocean sempre interceptava.
Sentindo um perigo crescente situado acima das árvores, a criatura foi forçada a escolher entre recuar ou lutar seriamente, o que foi uma escolha quase óbvia, já que criaturas selvagens têm enorme dificuldade em recuar/evitar de seres que consideram mais fracos que elas.
Mark, que tentava conter o ferrão o melhor que podia, sentiu o chão tremer e pulsar sob seus pés. Assustado e pressentindo o perigo, ele começou a pular para trás até ficar a 7 m do ferrão.
Assim que Mark conseguiu se firmar no chão, um escorpião preto-amarronzado emergiu do chão. Ele não era alto, tendo no máximo 1,2 m de altura, mas seu corpo tinha pelo menos 3 m de comprimento e seu ferrão tinha de 4 a 4,5 m.
Stella, que esperou por aquele momento, lançou seu feitiço explosivo na cabeça do grande escorpião e conjurou uma |Parede de Fogo| no local onde o escorpião estava emergindo.
O escorpião soltou um barulho audível de dor e fúria quando os feitiços de Stella o atingiram, mas o exoesqueleto extremamente resistente dele apenas rachou, liberando alguns fluidos.
— O que no mundo aquele cara está fazendo lá em cima? — perguntou-se Mark. — Ele realmente fez esse escorpião se revelar.
Virando um pouco a cabeça para ver o que estava acontecendo, Mark notou que a nuvem artificial formada pelo feitiço no topo das árvores estava ficando menos densa. Mas em troca, ela começou a emitir um leve brilho azul.
Mark achou tudo aquilo muito estranho. Mas ele não teve tempo para especular muito sobre isso, ou qualquer outra coisa, pois o escorpião logo se recuperou dos feitiços de Stella e atacou o grupo, golpeando com suas pinças e ferrão.
Forçado a recuar ao receber apenas um golpe com toda a força do escorpião, Mark sentiu o perigo e se forçou a ficar de pé. Mas para sua surpresa, a cobertura/suporte que ele recebia tornou-se muito mais eficiente.
O escorpião voltou a reverberar alto, soltando sons de dor e fúria ao ser alvejado. Desta vez, parecia ser muito mais dor do que fúria; algo que se tornava especialmente evidente quando ele era atingido pelo feitiço explosivo de Stella ou pelo grande espinho de gelo de Ocean.
Quanto mais o tempo passava, e quanto mais ele era atingido, mais o escorpião perdia o controle e atacava de forma selvagem e descuidada.
Chegou ao ponto de receber todos os ataques diretamente só para tentar passar por Mark e atacar a parte de trás da formação.
Ao ver aquela criatura perigosa e letal vindo em sua direção, Stella conjurou uma grande parede de fogo alguns centímetros à frente da cabeça da criatura. Novamente, o escorpião preferiu receber o golpe em cheio, e passar pela |Parede de Fogo|, ao invés de recuar ou mesmo desviar.
A determinação de Escorpião em encerrar a luta o mais rápido possível foi admirável. Mas toda a sua determinação não rendeu quase nada quando Ocean se lançou sobre ele, mordeu seu ferrão e o puxou de volta através da parede de fogo com o peso de seu corpo no poderoso impulso de seu salto.
A dor que Ocean sentiria ao passar por um feitiço de fogo não seria pequena se ele ainda tivesse vulnerabilidade ao calor e ao fogo. Mas como ela não as tinha mais, essa dor se tornou mais um incômodo, pois sua resistência, como criatura de 2ª evolução, era gigantesca.
Irritado por ter seu ataque frustrado, o escorpião tentou agarrar Ocean com uma de suas pinças, mas Mark apareceu e o acertou com seu escudo.
A ação de Mark o deixou vulnerável ao escorpião. Mas Ocean retribuiu o favor e o salvou da grande pinça do escorpião com um jogo de corpo.
Infelizmente para Ocean, o golpe do escorpião completamente furioso não era algo para ser encarado levemente. Assim que os dois colidiram, ela levou a pior e foi jogada contra uma grande árvore.
Mark, mesmo surpreso por Ocean protegê-lo dessa forma, estava pronto para retornar ao seu papel de atrasar a criatura quando Alexander, com uma voz semelhante a que havia usado durante a luta contra o {Hobgoblin Rider}, mas ainda mais distorcida por conta da sua raiva, soou: — Afastem-se!
— Ocean — chamou Alexander forçadamente, como se tivesse dificuldade até mesmo para falar. — Barreira.
Ocean, que se levantou assim que Alexander chamou por ela, obedeceu ao seu comando e materializou a maior e melhor barreira de gelo que conseguiu.
Mark também não se atreveu a arriscar. Mesmo não sendo um especialista em feitiços ou mana, ele podia sentir a massa de mana que dançava acima de sua cabeça alternando entre um estado de ordem e caos.
Mas mesmo assim, Mark poderia jurar que, no breve momento em que se virou para as copas das árvores querendo ver o que Alexander estava fazendo, viu uma criatura humanoide com múltiplos olhos, 2 normais, 1 no peito direito e o último no seu abdômen inferior, irradiando energia/poder olhando para eles.
Ao chegar atrás da parede de gelo, Mark tentou espalhar sua {Vontade de Ferro} nela, mas era tarde demais. Tudo o que ele pôde fazer foi ver através do gelo cristalino uma luz azul atingir o que seria o pescoço do escorpião e iluminar a floresta com seu brilho azul.
— KABUUUUUUUUM.
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Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguiram normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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