Índice de Capítulo

    Não se importando nem um pouco com a disputa por poder e legitimidade que havia iniciado na capital — ao entregar a espada do fundador do Império a um descendente da casa Azurre e não a um membro da casa Vermillion —, Alexander conduziu seu grupo com calma em direção ao seu novo destino.

    Aquela reviravolta envolvendo um dos pilares do Império foi basicamente incompreensível para Ariel e Helena, que tiveram que passar um bom tempo fugindo de “peixes pequenos”. Diana, no entanto, não se surpreendeu muito.

    Ela já havia visto a magnitude do que era um ||Rei Dragão|| como Drayygon.

    Após o grupo chegar à cidade de Lester sem maiores problemas, o casal fez questão de apresentar a cidade às suas novas companheiras. Queriam ambientá-las da melhor forma possível antes de irem para a casa dos pais de Diana.

    Quando o grupo se separou para cuidar de seus próprios planos para o futuro, Alexander e Diana foram para a casa da família dela. Mas, ao chegarem lá, foi possível ouvir que havia outras pessoas dentro da casa com os pais dela.

    Sentindo a atmosfera pesada e a hostilidade dentro da casa, todos os familiares com o casal se eriçaram e o próprio dragonoid passou a acompanhá-los em sua hostilidade.

    — Não bastou arriscarem suas vidas e seus futuros, agora vocês ainda permitiram que aquela criança fizesse a mesma coisa com o futuro dela? — reclamou uma voz masculina desconhecida. — Justo agora que ela estava indo bem… Ela até conheceu e fez contato com pessoas importantes.

    — A vida é dela, e as escolhas também — respondeu Dimitri, o pai de Diana.

    — Você… — resmungou a voz desconhecida.

    — Você, o quê? — perguntou Alexander ao entrar na casa com Diana.

    — Vocês? — estranhou imediatamente Ánara, a mãe de Diana. — O que estão fazendo aqui?

    — A minha fuga “triunfal” deu errado — admitiu Alexander com um sorriso torto. — Nós fomos capturados pouco depois da fronteira.

    — Fuga?! Capturados?! — rugiu o homem mais velho desconhecido ao avançar contra Dimitri. — Veja onde as suas escolhas a levaram.

    Ao ver aquela situação se desenrolando, Alexander imediatamente levantou uma das mãos. Sem qualquer hesitação, ejetou o homem da casa com uma massa de energia.

    — Você se atreve a atacá-lo tão covardemente? — reclamou a outra mulher na casa, ao sacar um cajado mágico contra o dragonoid. Ela claramente estava com o homem lançado para fora da casa.

    — Eu ainda a reconheço e sou muito grata à senhora por ter me ensinado sobre magia quando eu era menor, mas é melhor abaixar o cajado — advertiu Diana ao sacar seu escudo. Ela parecia conhecer aquela mulher.

    — Saia da frente, criança — comandou a mulher, sem recuar. — Nem você irá salvá-lo de receber o que merece hoje.

    — Não é ele a quem estou tentando salvar — disse Diana, com convicção, também firmando o pé.

    — Parem as duas, ou vão acabar no meio da rua como aquele homem — advertiu Alexander, colocando-se protetoramente à frente de Ánara. — Vocês ao menos têm noção das consequências do que podem causar aqui?

    — Você… — surpreendeu-se Ánara novamente. — Como você sabe?

    — Mesmo detalhes sutis não podem se esconder dos meus olhos — disse o dragonoid com um sorriso cordial.

    Rapidamente entendendo o subtexto daquelas palavras, as duas mulheres cambalearam para trás, desnorteadas. Elas foram duramente golpeadas pela verdade ao notarem o perigo do que estavam fazendo.

    No momento em que o homem desconhecido tentou voltar para casa, sua própria companheira correu até ele. Ela começou a agredi-lo, chamando-o de todos os sinônimos possíveis de idiota inconsequente.

    Após receber uma grande repreensão de sua companheira na frente de todos e ser totalmente desmoralizado com aquela situação — mas sem poder ir embora —, o homem teve de permanecer para que todos pudessem conversar.

    Como já era óbvio àquela altura, o casal humano que estava discutindo com os pais de Diana eram os avós paternos dela, e Ánara estava grávida.

    — E então, quem vai começar? — perguntou Alexander, para quebrar o gelo.

    — Quem exatamente é você, garoto? — “exigiu” o avô de Diana, ainda guardando algum ressentimento contra ele.

    — Alexander Ocean DragonSeal — apresentou-se o dragonoid calmamente. — Eu estou com Diana.

    Surpresos com aquela introdução, mas assimilando rapidamente o que ele queria dizer com “estou com Diana”, os avós não puderam deixar de se voltar para a neta. Lançaram-lhe olhares conhecedores que a deixaram bem tímida.

    — Estranho — comentou o avô de Diana, pensativo. — Ouvi dizer que você era humano.

    — Se você está se referindo à minha “versão” no Torneio Imperial, eu realmente era bem mais humano naquele momento — respondeu Alexander após ponderar sobre aquele apontamento. — Mas, como podem ver, agora estou muito mais um híbrido dracônico do que qualquer outra coisa.

    — Também ouvi que você não parece ter nenhum apoio significativo ou família — continuou o avô de Diana, sem rodeios. — Como exatamente pretende proteger minha neta?

    — Sem nem falar de mim, acredito que o senhor e sua esposa não têm mais poder bruto do que Diana à disposição de vocês — disse o dragonoid de forma bem casual ao apontar para a janela. — Dêem uma olhada lá fora e procurem por algo grande e preto… É dela.

    Sob aquela recomendação, todos na casa que não tinham ideia do que ele estava falando foram até a janela apontada. Eles deram de cara com Pequeno Preto deitado ao sol no pátio no fundo da casa.

    — … — Avó de Diana.
    — … — Avô de Diana.
    — … — Mãe de Diana.
    — … — Pai de Diana.

    — Aquela coisa é mesmo um familiar dela? — quis confirmar o avô de Diana, basicamente perguntando por todos ali.

    — Ela até o nomeou de Pequeno Preto por causa do sobrenome dela, LittleLight, advindo de vocês — disse Alexander, confirmando novamente que o grande cão negro era dela. — Porém, recomendo fortemente que vocês apenas o chamem de Preto se não quiserem ter problemas com ele quando Diana não estiver por perto.

    — Mas voltando à pergunta que o senhor me fez, eu realmente não tenho qualquer grande apoio ou família para me dar cobertura — acrescentou ele, sem mentir ou exagerar os fatos. — Porém, acredito que, com algum tempo e preparação, não seja impossível para mim destruir uma cidade como essa.

    — … — Avó de Diana.
    — … — Avô de Diana.
    — … — Mãe de Diana.
    — … — Pai de Diana.

    Bombardeados com aquela informação, as pessoas na sala começaram a lançar-lhe olhares estranhos. Esse nível de poder era muito maior do que uma única pessoa “normal” deveria possuir.

    — Obviamente não estou dizendo que posso apenas virar uma chave e fazer uma cidade como essa simplesmente desaparecer — disse o dragonoid, contextualizando o que quis dizer. — O que estou dizendo é que posso, por exemplo, voar acima da maioria dos perigos e bombardear a cidade com feitiços e habilidades até que seja destruída.

    Sentindo que tal declaração fazia bem mais sentido com ele sendo visto como um canhoneiro em posição privilegiada, em vez de uma catástrofe viva capaz de destruir uma cidade à vontade, a família de Diana começou a entender melhor o nível de poder dele.

    Com os olhos brilhando de entusiasmo pelas possibilidades que passou a enxergar para aquele jovem como parte da família, o avô de Diana pareceu abandonar parte dos outros assuntos “menores” e perguntou-lhe: — Como vencedor do Torneio Imperial, eles devem ter lhe oferecido algumas propostas especiais, como ingressar imediatamente na Academia de Cavaleiros do Império, certo?

    — Algo assim — não negou Alexander. — Mas felizmente consegui negociar uma “neutralidade” com o Império. Afinal, nunca quis me envolver nas disputas por poder que acontecem por aqui.

    — Você não tem interesse em autoridade ou poder? — estranhou o avô de Diana, surpreso.

    — O que eu não tenho é interesse em me tornar a arma de outra pessoa por uma pequena gama de autoridade, títulos e alguns tapinhas nas costas — respondeu o dragonoid calmamente, deixando claro seu ponto de vista.

    Pego de surpresa por tais palavras, principalmente por saber que nelas havia uma boa dose de verdade, o entusiasmo do avô de Diana começou a cair rapidamente.

    Antes que a situação se perdesse completamente, Alexander acrescentou: — Não me entenda mal. Eu não julgo ou condeno o senhor… É só que as nossas perspectivas e o número de pessoas que dependem de cada um de nós são muito diferentes.

    Confirmando ali que já havia uma linha traçada sobre até onde o dragonoid iria e quem seria sua “família”, o avô de Diana suspirou.

    Engolindo um pouco do próprio orgulho, ele ainda tentou falar por sua família: — Tem mesmo que ser assim?

    — Me diga o senhor — rebateu Alexander pragmaticamente, sem condescendência. — O que acha que aconteceria se eu demonstrasse que tenho poder para tal e fosse agora à área da sua família destruir todos os seus inimigos?

    Tal pergunta era capciosa ao extremo. A resposta era óbvia: absorver, reestruturar e crescer.

    Aquelas eram metas basicamente “eternas” naquele mundo.

    Não há vácuo de poder em nenhuma esfera ou mundo. Aqueles que não estão subindo estão lentamente caindo.

    Em um mundo de esferas sociais basicamente governadas pela força, onde rancores são perpetuados por gerações, permitir-se cair era um pecado grave que poderia levar à extinção de toda a família.

    Apesar de todos os problemas que a governança moderna possa ter causado — como a burocracia excessiva —, foi justamente ela e seu conceito de “justiça igual para todos” que coibiram coisas assim de continuarem avançando impunemente em larga escala pela história.

    Em um mundo onde o poder é a justiça, é muito fácil perceber que tudo pode acabar ruindo para uma família caso sua facção não tenha uma base sólida.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (13 votos)

    Nota