Capítulo 134 – Nunca é tão simples
Após concordar em ajudar Anna, Alexander foi até Diana e explicou toda a situação para conversarem. — Desculpe por não te consultar… Mas o que você acha?
— Acho que você tomou a decisão certa. Os pais dela devem estar preocupados — respondeu Diana, observando o pequeno dragão com admiração e carinho. — Posso falar com ela?
— Claro. Mas vai precisar criar uma conexão mental — disse o dragonoid, explicando a situação de Anna. — Ela ainda não entende nossas palavras “normais”.
— Falando em conexões, que nome deu ao seu familiar? — perguntou ele.
Ouvindo a pergunta de Alexander, o mastim se encolheu como se não quisesse ouvir a resposta.
— Pequeno Preto/LittleBlack/Pretinho — respondeu Diana suavemente.
— (…) — Alexander. — Esse nome realmente combina com você… Mas será que combina com ele?
— Eu gosto de Pretinho… — respondeu Diana com um rosto inocente que quase exalava luz. — Não é um bom nome?
— Pensando bem, é mesmo um nome bem melodioso — respondeu o dragonoid, virando o rosto para contemplar o novo familiar dela. — É realmente um bom nome.
— (Não precisa ficar assim. Seu nome pode não ser o melhor possível, mas não é tão ruim assim) — disse ele para tentar consolar o mastim, que era um monte de coisas, mas “pequeno” não era uma delas. — (Acima de tudo, posso garantir que ela não te deu esse nome para zombar de você.)
— (Esse nome é uma prova de que ela gostou de você) — explicou, encorajando-o. — (O nome dela é Diana, que significa “Pequena Luz”. O seu nome foi feito para combinar a sua cor com o nome dela. Por isso você se chama Pretinho.)
— (Você é Pretinho!) — respondeu o mastim chamado Pequeno Preto em um ataque de fúria. — (Toda sua fami-)
Alexander então cortou a conexão e não o deixou terminar. Ele acreditava fortemente que não iria gostar da continuação.
Como Diana estava conversando e cuidando de Anna, o dragonoid achou que aquele era um bom momento para ver se havia algo útil dentro das carruagens do comboio antes de finalmente desativar sua transformação e descansar.
Ao vasculhar o comboio, Alexander conseguiu entender duas coisas: a primeira foi por que os aventureiros estavam tão felizes; a segunda foi que sorte e azar podem andar juntos.
Se não tivessem tido o azar de encontrá-lo, aqueles aventureiros provavelmente poderiam ter se aposentado vendendo o que carregavam. Eles conseguiram capturar uma besta mágica de terceira evolução com grande potencial — embora essa mesma ganância lhes tenha custado vários ferimentos e tornado a vida de Alexander muito mais fácil.
O surpreendente foi que, além de terem capturado o mastim e o {Monarca Vermelho (Bebê)} — Anna, que do ponto de vista objetivo foi um golpe de sorte capaz de desafiar até os céus —, Alexander também encontrou um pequeno pássaro de seis asas dentro de uma gaiola na primeira carruagem do comboio.
Apesar de sua aparência frágil e indefesa, o pequeno pássaro não era nada comum. Sua raça, {Pássaro Elemental (Pequeno)}, era um {Pássaro Elemental} que ainda não havia atingido a primeira evolução.
Embora tivesse um nome genérico e um tanto incerto, havia pouquíssimas criaturas com potencial mágico maior do que essa raça em termos de poder destrutivo, versatilidade e inteligência.
O nome desta raça deriva do fato de ela poder mimetizar e aprender habilidades mágicas de todos os elementos enquanto ainda está em seu estágio base.
Não satisfeita com isso, esta pequena criatura também desenvolve uma afinidade elemental mágica com todos os elementos das habilidades que aprendeu antes de sua primeira evolução.
Em outras palavras, tem potencial para ter afinidade com todos os elementos naturais — embora isso seja bastante raro.
O pássaro que Alexander encontrou era muito pequeno, com cerca de vinte e cinco centímetros de altura. Contudo, como os elementos que ele será capaz de usar durante sua vida são basicamente determinados por aqueles que ele consegue aprender em sua forma base, quanto menor e mais jovem for, maior será seu já elevado valor de mercado entre famílias ricas e/ou nobres.
Observando atentamente o pássaro, Alexander notou que ele estava focado em si, como se esperasse por algo; como se entendesse que ele não queria machucá-lo. Isso realmente o surpreendeu.
As criaturas em estágio base não deveriam ser tão inteligentes assim.
O fato de Anna conseguir formular pensamentos tão bem mesmo em sua primeira evolução, sendo um {Dragão}, já era surpreendente.
No entanto, os olhos cheios de inteligência daquele pássaro levaram Alexander a lhe dar uma chance e tentar conversar. — (Consegue me entender?)
— (…) — Ele esperou por um tempo, mas nada aconteceu. — (Parece que você não consegue me entender afinal…)
No momento em que o dragonoid estava prestes a encerrar a conexão, uma voz baixa, frágil e infantil soou em sua mente: — (Forte…)
— (!!!) — Alexander.
— (Forte. Você… Forte) — continuou a voz depois de um tempo. — (Quero… Força.)
— (!!!!!) — o dragonoid ficou genuinamente surpreso.
Por mais rudimentar que fosse, o pequeno pássaro realmente conseguira formular um pensamento mais complexo através de seus desejos, mesmo ainda estando em seu estágio base.
Foi uma situação extremamente parecida com quando Ocean escolhera segui-lo, mas ainda mais rara.
Quando Ocean decidiu segui-lo, ela já estava perto de sua evolução e tinha a predisposição inerente dos lobos por matilhas e um líder. Mas o pequeno pássaro não parecia estar nem perto de evoluir.
— (Está vendo aquela mulher? Você também pode segui-la) — ofereceu Alexander, obviamente apontando para Diana. — (Você provavelmente não conseguiria ficar tão forte, mas ela cuidaria bem de você… Pode até ser que sua dor e sofrimento nesta vida sejam aliviados.)
— (Mas você é livre para escolher seu futuro) — pontuou, abrindo a gaiola do pequeno pássaro com as mãos. — (Pode até optar por ir embora. Não vou tentar impedi-lo.)
Alexander não acreditava que o passarinho entendera tudo o que ele dissera, devido à complexidade de alguns fatores. Mas sentiu que ele entendeu as partes principais, bem como as opções que lhe foram apresentadas.
No momento em que a gaiola foi dobrada o suficiente para que ele saísse facilmente, o pequeno pássaro voou sem hesitação para um dos ombros do dragonoid, claramente priorizando ficar mais forte.
Alexander, ou qualquer pessoa que entendesse a situação, não poderia culpá-lo por ter escolhido essa opção. Mesmo quando se tem um alto nível de inteligência, é instintivo para qualquer criatura evolutiva o ávido desejo por mais poder.
Como o {Pássaro Elemental (Pequeno)} parecia ter feito sua escolha, ele usou |Vincular Familiar| nele.
Sem qualquer resistência, o vínculo entre eles foi facilmente aceito pela criatura.
Ding!
[Você vinculou um {Pássaro Elemental (Pequeno)} com sucesso]
Com tudo finalizado, o dragonoid finalmente pôde desativar sua transformação e descansar. E isso quase o derrubou.
Forçando-se a ficar de pé e se recompondo, ele voltou-se para seu novo familiar. Ainda precisava nomeá-lo e verificar suas informações.
— De agora em diante, seu nome é Storm — disse Alexander com convicção. — Porque lhe prometo que será tão forte e implacável quanto a fúria do céu.
『 3º Familiar 』
Nome: Storm ♂
Espécie: Besta Mágica
Raça: Pássaro Elemental (Pequeno)
Nível: 02/10
Condição: Boa
HP: 6/6
Stamina: 8/8
Mana: 24/24
[Habilidades de Proficiência]:
|Controle de mana (Iniciante)| … |Pontaria (Iniciante)|
[Aprimoramentos]:
(Corpo Elemental)
[Títulos]:
[|Pontaria|: Aumenta substancialmente o senso de profundidade e precisão, bem como a capacidade de acertar os alvos.]
[(Corpo Elemental): Bênção elemental natural que permite ao portador aprender habilidades mágicas sem ser limitado por afinidades mágicas, além de gerar afinidades correspondentes à natureza das habilidades aprendidas antes de seu primeiro processo de evolução.]
Mesmo sabendo que o potencial de Storm era bem maior do que as informações apresentavam, Alexander não pôde deixar de suspirar ao vê-las: — Parece que vai demorar muito até que ele se torne tão forte quanto a própria fúria do céu… Ainda mais com um status desses.
Ele estava certo. Além da quantidade de mana e da alta inteligência, Storm não conseguia se comparar nem a um goblin de nível um, mesmo estando no nível dois.
Pior ainda, seu desenvolvimento corporal parecia risível, considerando que estava no nível dois e seu HP ainda era de um único dígito.
Se o primeiro fator era ruim, o segundo era muito pior, pois, independentemente da raça, qualquer criatura viva deveria ganhar pelo menos um ponto de vitalidade ao subir de nível pelo simples fato de ser uma criatura viva.
Em outras palavras, as taxas de conversão de Vitalidade/HP e Vitalidade/Stamina de Storm eram, provavelmente, respectivamente: 1:1 e 1:1,333.
— Consegui outro companheiro muito promissor — pensou o dragonoid de forma agridoce. — Mas já deveria saber que não existe apenas o lado bom… Nunca é tão simples.
Mesmo Storm tendo grandes perspectivas de crescimento em poder mágico e versatilidade, provavelmente estaria condenado a se tornar, no máximo, um grande “canhão de vidro” se nada fosse feito.
Felizmente para ambos, eles se encontraram. Afinal, Alexander era um dos poucos que poderia tentar reverter essa situação.
Se tudo correr bem, Storm terá a chance de se tornar uma das criaturas mais poderosas a voar nos céus.
Como todas as suas especulações eram questões para o futuro, Alexander apresentou Storm ao seu grupo e foi descansar para se recuperar o mais rápido possível de seu estado de fraqueza.
Ele sabia que o azar poderia bater à sua porta a qualquer hora, especialmente nas imediações da Floresta Estelar.

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