Capítulo 145 – O vermelho ganha do verde
Alexander ficou extremamente animado por encontrar aquela magnetita. Ela não só era bem promissora em vários aspectos, como também o ajudaria muito em diversas “inovações tecnológicas”.
— Se esta magnetita for semelhante às da Terra, muito provavelmente existe um grande bioma vulcânico dentro da Floresta Estelar — conjecturou o dragonoid em seus pensamentos. — É isso, ou aquele {Pássaro Imortal das Chamas Infernais} passou por um bioma assim, já que ela é encontrada principalmente em áreas vulcânicas.
O possível mapeamento de uma área vulcânica “inexplorada” atraiu muito o seu interesse, especialmente porque o chefe da área, ou um deles, havia morrido, deixando um vácuo de poder naquela região.
Essa possivelmente era uma área extremamente rica nos mais variados recursos, que normalmente vão desde materiais expelidos do interior da terra até um solo circundante extremamente rico e fértil.
No entanto, ele também era realista e sabia que era muito cedo para tentar lutar pela área que era dominada por aquela aberração que quase o matou com um único ataque — o que não o impediu de pensar em ganhos menores.
Deixando tais pensamentos de lado e voltando à atividade que fazia, Alexander notou que levaria muito tempo para desmantelar aquela ave gigante. Mas como podia usar o [Anel do Deus Ladrão] para conservar o pássaro enquanto se focava apenas na cabeça, não demorou muito para preparar as partes que seriam usadas na refeição.
Ao notar que também poderia usar aquele momento sozinho para produzir sua seda, o dragonoid separou a carne e os ossos da ave para Diana e foi produzir seda.
Seus fios eram tão úteis e versáteis que ele os coletava em seu anel sempre que podia.
A proporção que coletava era ¾ da sua capacidade total quando não estava na iminência de conflitos, e ¼ quando podia acabar precisando dela. Assim, conseguia manter uma produção consistente sem nunca esgotá-la.
Concentrado no processo de produção e organização dos seus fios, Alexander só notou quanto tempo havia levado quando terminou. Naquela altura, a maior parte da comida já havia acabado.
Não se importou muito. Estava mais do que satisfeito que seu grupo tinha comido bem.
Verdade seja dita, não era como se o dragonoid precisasse comer, muito menos comer bem, em todas as refeições. Seu corpo tinha bem mais energia do que precisava consumir diariamente.
Ele comia na mesma frequência de uma pessoa normal só por conveniência social. Um pouco pelo sabor da comida.
O único que parecia um pouco descontente com a situação era Storm.
O pequeno pássaro foi o único que não comeu do ensopado. Sua comida era outra.
Comovido com o seu novo familiar, mesmo sabendo que não era o ideal, Alexander não resistiu ao olhar triste dele. Acabou lhe dando um pouco do seu ensopado.
Mesmo tendo recebido apenas uma pequena quantidade, Storm ficou muito feliz e animado. Por outro lado, o dragonoid notou que estava certo em ter cuidado.
Devido à diferença de níveis e à quantidade de energia contida na comida, Storm acabou subindo de nível duas vezes.
Ding!
[Seu familiar (Storm) subiu de nível.]
Ding!
[Seu familiar (Storm) subiu de nível.]
— Eu realmente tenho que chegar à cidade logo… — suspirou fracamente Alexander, quase em auto-repreensão.
— Não foi culpa delas — disse Diana ao ouvi-lo. — Eu que fiz pouco.
— Hmm?… Sobre o que você está falando? — perguntou o dragonoid confuso.
— A comida — disse a demi, incerta, também sem entender. — Não foi culpa delas.
— Você confundiu as coisas — esclareceu ele, sorrindo. — Não quero me livrar delas por causa da comida. Meu ponto é sobre Storm acabar evoluindo mais cedo do que eu planejava por estar subindo de nível num ritmo muito rápido.
— Normalmente, ele evoluir seria algo bom. Mas ainda preciso chegar na cidade para obter algumas coisas que farão a evolução dele ser a melhor possível — explicou levemente. — Eu sei que você lembra, mas vale lembrar: ele não pode comer como nós… Eu lhe dei apenas um pouquinho da carne do pássaro e isso já o fez subir de nível.
— Não foi você mesmo que disse para não dar criaturas acima da 2ª evolução? — indagou Diana confusa. — Então por que lhe deu carne de 4ª evolução?
— Ele parecia triste por ser o único que não comeu — explicou Alexander quase sem jeito.
— … — Diana.
— … — Ariel.
— … — Helena.
Mesmo sem ter o objetivo, Diana ajudou o dragonoid a sondar suas “convidadas”. Nenhuma das duas demonstrou muita reação ao sabor da comida, ou ao saber que a comida continha carne de alguma criatura de 4ª evolução.
A única reação que ele notou foi que a elfa começou a reavaliá-lo no instante em que recebeu aquela informação.
Ao contrário do que esperava, ela não aumentou a sua guarda, parecendo relaxar. Era como se não precisasse mais se preocupar com nada, já que fugir dele não parecia mais ser uma opção crível.
— Elas não são pessoas comuns, principalmente com essa percepção da elfa — concluiu Alexander pensativo.
Por mais lógica que a decisão da elfa de desistir de um confronto parecesse, ela não era fácil de ser tomada.
Controlar o seu instinto de lutar ou fugir ao medo a esse nível para preservar suas forças não é algo que uma pessoa normal possa fazer.
— É mesmo, Alexander, Ariel disse que é uma ladina — apontou Diana, alegre com aquela interação entre os grupos.
Agradavelmente surpreso com esta informação, o dragonoid se virou para a elfa em busca de confirmação. Se isso fosse realmente verdade, aquela seria uma boa notícia.
— Posso não ser uma das melhores, mas sei algumas coisas — confirmou Ariel sem muitas reações.
— Você consegue detectar armadilhas em masmorras? — perguntou ele com um interesse crescente.
— Consigo detectar a maioria delas, mas como essa não é exatamente a minha especialidade, não posso garantir que irei detectar todas — explicou a elfa dando de ombros.
— Gosto de como você aborda as coisas — disse Alexander com um sorriso emergente. — Simples e direta.
— Quando chegarmos à cidade Martelo de Ferro, você me ajudaria a detectar as armadilhas nas masmorras por um tempo? — propôs. — Podemos combinar um valor ou uma parte dos lucros. O que achar melhor.
— Helena também pode participar? — sondou Ariel, que não queria deixar a amiga.
— Você consegue protegê-la por alguns segundos em uma masmorra avançada caso seja preciso? — indagou o dragonoid, para deixar claro que até ele poderia ter atrasos de alguns segundos para protegê-la.
— Não é impossível — garantiu a elfa confiante até esse ponto. — Mas não vou conseguir lutar muito bem nesse caso.
— Você não precisará atacar, apenas defender e encontrar armadilhas — garantiu ele, confiante. — Graças às minhas escamas, lido bem com a vanguarda sozinho.
— Mas isso também levanta uma questão. Vocês podem se sentir livres para não responder — apontou, mais curioso do que sério. — Por que você a protegeu daquele ataque?
— … — Ariel.
A pergunta de Alexander era genuína e sem maldade, mas assim que foi feita, o clima ficou estranho e a dragonewt começou a chorar. Ela instinctivamente o respondeu em lágrimas: — Minhas escamas não são tão resistentes… É por isso que Ariel sempre acaba se machucando para me proteger.
Com um clima obviamente delicado estabelecido, o dragonoid não soube bem o que fazer — até porque as escamas dela não lhe pareciam meras decorações como ela parecia pensar.
Ele podia sentir um poder mágico pulsar e ressoar com mana segundo sua ótima percepção e sentidos.
— Me desculpe, não deveria ter tocado no assunto — disse Alexander, apologeticamente.
— Está tudo bem, cresci ouvindo isso — respondeu Helena cabisbaixa. — Meus irmãos têm escamas mais escuras e resistentes. Só as minhas são claras e quebradiças.
— Eu já vi um dragonewt com escamas verdes. Ele não me pareceu muito diferente de um lagarto alado — comentou, sorrindo. — Já as suas escamas são claras e brilham com o mana que flui através delas… Você não concorda, Diana?
— Sim. Elas são lindas — concordou a demi. — Mas ainda estão em segundo lugar. Para mim, o vermelho ganha do verde.
Pego de surpresa pelo final da resposta dela, o dragonoid demorou meio segundo para entendê-la.
— Hmm? Ah, obrigado — respondeu, alargando seu sorriso ao olhar para as suas lustrosas escamas.
— … — Ariel.
— … — Helena.
— Mas voltando ao assunto — disse ele, desviando os olhares que estavam deixando Diana desconfortável. — Você não precisa se sentir mal com isso. As suas escamas não são inferiores, apenas diferentes.
— Para ser honesto, elas parecem bem especiais — comentou ele com seriedade. — Posso sentir daqui que são altamente condutoras de mana, ainda mais do que a maioria das minhas. E lhe garanto que isso não é pouca coisa.
— Você consegue sentir até isso? — perguntou a dragonewt surpresa.
— Pode não parecer, mas meus instintos são bem aguçados e sou sensível à mana — garantiu Alexander sorrindo.
— Você tem razão, elas têm mesmo essa capacidade — admitiu a dragonewt. — Mas como não sou boa em controlar a mana, só consigo usar feitiços básicos com mais proficiência.
Bem surpreso e curioso com aquela afirmação incoerente, o dragonoid pensou um pouco e concluiu que tentar ajudá-la não lhe faria mal. — Não sou especialista, mas se você não se importar, posso verificar algumas coisas em você.
— Mas pense bem — avisou ele de forma mais séria. — A verificação pode ser um pouco… invasiva.
— Por mim, tudo bem — concordou Helena sem pensar muito.
Ariel, no entanto, prontamente assumiu a palavra e indagou: — Isso vai machucá-la?
— Pode ser invasivo, mas não vai machucá-la se ela não resistir à minha energia — disse Alexander sem hesitação.
— Isso pode ajudá-la? — prosseguiu Ariel, contrastando entre análise e algo quase esperançoso.
— Não — respondeu o dragonoid com sinceridade. — Mas pode dar algumas pistas sobre como ajudá-la.
— … — Ariel. — Tudo bem então.
Com Ariel “consentindo” a ação e saindo do caminho, Alexander tirou os seus calçados e explicou para Helena: — Tire os calçados, coloque os seus pés sobre os meus e não resista à minha energia mesmo que sinta vergonha.
— Eu prometo que não farei nada de estranho com você — disse ele em uma voz neutra.
— … — Diana.
— !!! — Ariel.
— Tudo bem — concordou Helena, quase curiosa sobre o que ele iria fazer.
Como todos pareciam de acordo, o dragonoid colocou a mão na cabeça dela e começou a injetar sua energia pela barriga dela com a outra mão.
O método só poderia ser descrito como ineficiente, mas como ele não era um especialista ou muito íntimo do alvo para ter uma “conexão” maior, o processo teve que ser lento.
Isso se deveu principalmente ao fato de ele também ter que evitar as áreas mais sensíveis dela ao invés de simplesmente preenchê-la com sua energia.
— Assim já deve estar bom… — ponderou Alexander ao conseguir ter acesso à maior parte do corpo da dragonewt com sua energia. — Comece a liberar o máximo de mana que puder, Helena… Não precisa controlá-la, só faça ela fluir.
Com a extensa colaboração dela, ele não precisou de muito tempo para encontrar o principal problema que a afetava.
A grande questão era que o problema dela era relativamente simples de entender, mas bem difícil de resolver para aqueles que não fossem uma grande potência.
— Pode parar — informou o dragonoid ficando sério. — Mas não se afaste antes que eu termine de retirar a minha energia, ou ela pode causar danos ao seu corpo se não estiver sob o meu controle.
No momento em que ele terminou de retirar sua energia para que pudessem conversar adequadamente, Helena perdeu as forças. Começou a cair, mas Ariel e Diana rapidamente a pegaram, impedindo-a de cair no chão.
— Desculpe por isso. Resquícios da minha energia devem ter restringido muito a dela — explicou Alexander de forma apologética, mas sem muita preocupação. — Mas ela deve se recuperar logo, já que tirei quase toda a minha energia.
Olhando em volta e notando que as mulheres não pareciam muito felizes com o que havia feito — Ariel até voltou a franzir a testa para ele — o dragonoid sorriu sem jeito.
No entanto, mesmo estando chateada, ambas ainda pareciam estar esperando o resultado.
— Honestamente, ela tem vários pequenos problemas que são frutos de um bem maior — explicou Alexander. — Mas acho melhor esperarmos ela se recuperar antes de falarmos sobre isso.
— Por enquanto, vamos continuar indo para a cidade — sugeriu ele, despreocupadamente. — Ela pode ir com Diana em Pequeno Preto, e você pode vir comigo, Ariel…
— Se você não quiser ir comigo, pode ir com Diana e eu ajudo Helena a se recuperar — disse o dragonoid com a certeza de que ambas as opções eram aceitáveis para ele. — Embora eu ache, por algum motivo, que vocês não querem isso.
— … — Ariel.
— … — Diana.
— Tudo bem, eu vou com você — concordou a elfa por fim.
Assim, enquanto o grupo seguia para a Cidade Martelo de Ferro em Ocean e Pequeno Preto, Diana passou a ajudá-la a se recuperar. Aparentemente a supressão sobre ela foi bem forte.
Felizmente não chegou ao ponto de machucá-la ou representar qualquer risco mais sério.
— O aprimoramento (Existência Superior) é mesmo uma coisa e tanto sob linhagens semelhantes — ponderou Alexander ao ver os efeitos passivos dele em Helena. — Embora eu não o tenha usado ativamente, ele a afetou passivamente em algum nível… Esse aprimoramento é realmente complicado de controlar.

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