Índice de Capítulo

    Após ser devidamente disciplinado, Kyle sentou-se desconsolado, refletindo sobre a própria burrice por ter subestimado o jogo e não ter parado para ler e confirmar todas as opções. — Burro, burro, burro… Que burro que eu sou…

    — E agora, irmão? O que vamos fazer? — indagou ele, à procura de alguma luz. — O que vamos fazer?

    — Como exatamente eu saberia?… Você me pergunta isso, mas a quem eu deveria perguntar? — respondeu Alexander, suspirando, já mais calmo. — A única coisa que sei é que, se você não tem uma classe, mesmo com toda essa infraestrutura à nossa volta permitindo isso, parece lógico que basta ir atrás e conseguir uma.

    Como se sua lógica fosse imediatamente confirmada, um novo anúncio global do servidor ecoou com uma notícia bombástica, assustando o pequeno lorde que o recebeu.

    Ding!

    [Anúncio para todo o servidor: Um dos lordes acaba de promover sua classe para uma classe especial.]

    — O que aconteceu? — perguntou o dragonoid, que não tinha acesso às funções de lorde, ao perceber a estranheza no rosto do outro.

    — Alguém acabou de promover a própria classe para uma classe especial — respondeu o jovem, quase abatido pela disparidade.

    — Diana… — ressoou o campeão instintivamente, ponderando. — A quantidade de XP necessária para que um lorde alcance o nível de promoção deve ser impossível de conseguir em tão pouco tempo para qualquer um que não seja protegido por ela.

    — Diana… tipo, a sua mulher? — perguntou Kyle, surpreso. — Como ela fez isso?

    — A classe especial eu não sei. Mas o XP deve ter vindo das construções da vila — explicou Alexander. — Como disse antes, ela consegue fazer isso em minutos.

    — Por falar nisso, quanto de XP você adquiriu com todas as construções básicas que fizemos? — indagou o dragonoid, com certa desconfiança.

    — Quanto de XP eu ganhei? — assustou-se o pequeno lorde ao perceber que não havia recebido nenhuma notificação a respeito. — Eu não ganhei nenhum XP.

    Cansado de se preocupar com a situação — ou de ficar com raiva do garoto — o campeão apenas ponderou: — Entendo… Então nos resta esperar e ver se esse ganho virá quando você conseguir uma classe.

    Meio sem jeito diante do cansaço e do desânimo de Alexander, Kyle pensou um pouco e, timidamente, compartilhou a ideia que tivera: — Irmão… já que eu não tenho uma classe, por que você não me ensina a sua?

    — Acho que não funciona assim. A classe de uma pessoa é a materialização da função que ela decide aprender — apontou Alexander, pensativo. — Pela lógica, ninguém aprende a conjurar feitiços apenas por se tornar um mago. A pessoa se torna um mago porque possui — ou aprende — a habilidade de controlar mana para conjurar feitiços… Que habilidades você tem?

    Vasculhando rapidamente suas informações e opções, Kyle percebeu que não tinha nenhuma habilidade.

    Mas não era como se tudo estivesse perdido.

    — Aqui diz que não possuo habilidades no momento — informou, um tanto triste. — No entanto, também diz que tenho um slot de habilidade que pode ser preenchido com qualquer habilidade, desde que eu tenha um manual ou um mentor para me ensinar.

    Ao ouvir aquilo, os olhos de Alexander pareceram faiscar de interesse, enquanto seu ânimo retornava e sua mente começava a trabalhar a mil. — Vamos.

    — Para onde? — indagou o jovem lorde, surpreso.

    — Para o futuro, rapaz. Para um glorioso futuro — sorriu o campeão, animado como poucas vezes antes. — Mas, antes disso, precisamos deixar tudo aqui minimamente encaminhado e funcionando…

    Surpreso ao notar que já havia pessoas trabalhando nas mais variadas funções da vila, Alexander voltou-se para Kyle, que explicou: — Quando completei todas as anexações do que construímos, eles apareceram pedindo para trabalhar aqui enquanto eu pensava no nome da aldeia.

    — Como aparentemente foram enviados em quantidades específicas e de forma genérica, deu para colocar um deles em cada construção, fazendo a aldeia funcionar direito — completou, com certa satisfação.

    Assentindo com gosto, o campeão pareceu genuinamente satisfeito e lhe deu alguns tapinhas nas costas, em reconhecimento. — Parece que você ainda tem alguma salvação… Então, quanto de recursos nós ainda temos junto ao sistema?

    Ao acessar seu inventário, Kyle não pôde deixar de franzir levemente a testa.

    O que encontrou ali era tudo, menos confortável.

    Havia 287 unidades de madeira nobre, 181 de pedra irregular, 83 blocos de argila crua, 39 fragmentos de ferro bruto, preocupantes 25 unidades de ração seca, 10 moedas de ouro reluzente e apenas 5 Tochas da Vigília Noturna, enroladas em tecido grosso — sua única garantia de segurança quando a escuridão caísse.

    Todos eram materiais úteis, mas claramente escassos para suas necessidades.

    — Esse pacote inicial que você recebeu nos fornece, em média, apenas dois dias de autossuficiência via sistema… E tenho quase certeza de que eu não consumo apenas duas unidades de comida por dia — apontou Alexander ao ouvir sobre os suprimentos. — Vou tentar caçar algo e resolver essa questão depois que resolvermos a questão da sua classe. O ponto é: o quanto você está disposto a arriscar? Eu tenho várias habilidades que podem desbloquear classes.

    — Ainda precisa perguntar? — sorriu o jovem. — Eu quero a habilidade mais poderosa que você puder oferecer, para obter a classe mais poderosa possível.

    — Idiota. Pense antes de falar — repreendeu o campeão, golpeando-o na cabeça. — A minha habilidade com maior potencial é tão poderosa que eu nem teria como te ensinar sobre a classe dela. E nem sei se o sistema lhe concederia essa classe, já que só recentemente despertei esse poder.

    Ignorando quase completamente a advertência, a mente de Kyle já estava presa à habilidade mencionada.

    A lore dela soava exatamente como o tipo de plot secreto que levaria a uma classe ultra rara e poderosa. — Não diga mais nada, irmão. Se eu não perseverar nesse caminho por nós dois, como posso ficar ao seu lado? Você pode até me bater se eu começar a enrolar em vez de treinar.

    Revirando os olhos diante da tática do garotinho, Alexander pensou por um momento e decidiu conceder o desejo dele. Afinal, ele também estava curioso para descobrir o que exatamente aconteceria — e como.

    Em seguida, o dragonoid colocou a mão no peito do jovem e começou a canalizar sua habilidade através do corpo dele, que reagiu imediatamente.

    Ding!

    [Arte de Combate identificada. Você deseja usar seu slot de habilidade para aprender a Arte de Combate Especial: |Convergência do Espírito Duplo|?]

    Maravilhado ao ver o adjetivo especial na habilidade, Kyle rapidamente aceitou usar seu slot e sentiu o poder fluir para dentro de si.

    Mas, para seu desânimo, foi só isso. Nenhuma notificação sobre classe apareceu.

    Ao vê-lo abatido como um filhote de lobo que tentou alcançar a lua apenas para cair em um atoleiro, Alexander o golpeou novamente na cabeça e explicou: — É uma arte de combate espiritual, gênio. Ou seja, você precisa ativá-la ao extrair o espírito de alguma criatura para si.

    Subitamente revigorado, o “filhote” passou a olhar avidamente para Alexander, como se esperasse que ele simplesmente apontasse a direção para onde deveria correr.

    — Não me olhe assim. Eu também não conheço a área e não sei onde ficam os melhores lugares para caçar espíritos — apontou o dragonoid, abrindo as asas e alçando voo. — Colete o máximo de informações que puder enquanto estou fora. Vou dar uma olhada rápida por aí e volto assim que possível.

    Pouco mais de meia hora depois — quando Kyle já se aproximava da marca de cinco horas de jogo — seu campeão retornou com um olhar satisfeito e apressado.

    Segurando as rédeas de um cavalo meio magro, equipado apenas com o básico de montaria — e olhe lá — ele disse: — Para você. Pelo menos será mais rápido do que andar a pé.

    — Se você saqueia os bandidos, quem é o verdadeiro bandido no final? — brincou o jovem lorde, entendendo claramente o que havia acontecido.

    — Isso é o de menos — garantiu Alexander. — Conseguir esse cavalo foi apenas um golpe de sorte. Eu voltei porque encontrei algo que parece promissor para a sua necessidade de extrair um espírito adequado.

    — Não muito longe daqui, encontrei uma missão do tipo calabouço. E uma das recompensas parece ser justamente o que precisamos — acrescentou, já incapaz de conter o sorriso. — Além disso, não parece ser particularmente desafiadora para alguém como eu.

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