Capítulo 169 – Negócios inacabados
Alexander estava obviamente blefando descaradamente para tentar confundir Lucas. Ele não tinha ideia da presença dele naquela cidade. Mas como o mesmo não sabia disso, ele se valeu disso para parecer mais imprevisível.
— Realmente, não seria fácil te encontrar já que você mudou tanto. Mas como tínhamos uma boa ideia de por onde começar a procurar, foi fácil descobrir a sua nova aparência — explicou Lucas. — Sem contar que sua energia não mudou tanto quanto sua aparência… E já estou bastante familiarizado com ela.
— … — Alexander.
— Porra. Esqueci de mudar meu |Status Falso| — pensou Alexander. — Ele ainda está emitindo a mesma simulação quanto estou fora de combate…
— E o motivo da minha vinda é ainda mais fácil de entender: ordens — explicou Lucas. — O professor quer que você volte o mais rápido possível, por isso eu vim.
— Obrigado pelo seu tempo. Considere-me avisado — disse Alexander. — Voltarei assim que terminar alguns assuntos inacabados que tenho por aqui.
Ao ouvi-lo, Lucas abriu seu sorriso de quem quer ver o caos e respondeu: — Mas poderia jurar que vocês já estavam saindo da cidade… E em uma direção diferente.
— Impressão sua. Só estávamos levando os nossos familiares para se exercitarem pela manhã — respondeu Alexander.
Ao ouvir tal resposta, o sorriso de Lucas ficou ainda maior. — Deixe-me ajudá-lo com seus problemas, pois duvido que tenha alguma coisa aqui em que eu não possa te ajudar… Tenho uma certa influência, sabe.
— Parece que não vai me dar nenhuma rota fácil — suspirou Alexander ao ver que tudo ao redor já estava bem encharcado com a chuva. — E já que é assim, então vamos ser diretos: eu não vou voltar.
— E por que voltaria? — continuou ele. — Nenhum dos estudantes lá seria meu oponente. Então por que eu desperdiçaria mais 2 anos fazendo a mesma coisa?
— O professor já pensou sobre isso. Você vai aprender coisas diferentes em um lugar diferente — garantiu Lucas. — Com o apoio dele, as oportunidades que você terá serão ilimitadas.
— Você realmente acredita no que está dizendo? — perguntou Alexander.
— O que? Acha que estou mentindo? — sorriu Lucas, zombando.
— Não acho que esteja mentindo — disse Alexander. — O grande problema dessa situação toda é que eu prefiro manter a minha liberdade
— Liberdade? Por que você não teria liberdade? — perguntou Lucas. — Parece que você realmente não entende a situação.
— É o contrário, professor — garantiu Alexander. — O meu ponto é justamente porque entendo muito bem a situação em que me encontro.
— Como assim? — perguntou Lucas.
— Se eu voltasse, iria acabar tendo que servir a alguma família nobre ou iria ser suprimido por elas. — respondeu Alexander como se isso fosse óbvio. — Mesmo com o apoio do diretor, eu continuo não sendo um nobre.
— … — Lucas.
— Se tudo se resumisse a eu ser suprimido, o problema não seria grande, pois mesmo que tentassem, não funcionaria comigo — garantiu Alexander. — Mas o que acha que aconteceria quando eles percebessem que nada funcionou e que aquele a que eles prejudicaram está ficando cada vez mais forte?
— Acredite, é bem mais provável que eu acabe matando alguns nobres idiotas do que servindo a eles, e isso apenas causará problemas e dor para todos — apontou ele. — Então o senhor poderia fingir que não me encontrou?
Ao ouvir os argumentos e especulações de Alexander, Lucas ficou sombrio. — Não é que eu não entenda o que você quer dizer, Alexander, pois eu sei que seus pontos talvez estejam até bem próximos da realidade, mas ordens são ordens. E a minha é levá-lo de volta… Então você virá comigo.
— Então parece que tudo que me resta fazer é resistir — suspirou Alexander.
— Você não pode vencer — cortou Lucas rapidamente.
— Não preciso vencer, eu só preciso fugir… E não vai conseguir nos deter sem usar ataques letais — disse Alexander. — Ou o senhor acha que pode parar duas criaturas na 3ª evolução comigo sendo o escudo delas?… E mesmo se fosse capaz de fazer isso, o senhor seria capaz de destruir essa cidade completamente encharcada com os seus feitiços elétricos?
Com a declaração ousada de Alexander, o sorriso voltou ao rosto de Lucas, como se ele tivesse um brinquedo novo. — Bela jogada. Mas você realmente acha que não posso vencê-los sem usar meus feitiços?
Assim que terminou de falar, Lucas sacou a sua cimitarra levemente azulada, que cintilou com um brilho azul levemente arroxeado, e avançou. Infelizmente para ele, Alexander esperava por isso e já havia se preparado para essa investida.
— Proteja a todos, Diana — disse Alexander ao energizar sua lança e a “carregar” com o feitiço |Toque Elétrico|.
No momento em que Lucas chegou perto o suficiente para não poder mais evitar o contato, Alexander liberou todo o seu potencial, estilo de 0 a 100, ativando as suas melhorias e impulsos corporais; usando |Até a Morte| para permitir que o seu corpo ultrapassasse seus limites e se expandisse usando energia, e investiu contra Lucas desferindo um golpe avassalador de pura força física.
Assim que a lança e a cimitarra se encontraram, uma enorme explosão de energia empurrou tudo ao redor. Parte da eletricidade de Lucas conseguiu invadir o corpo de Alexander, mas graças à eletricidade já presente na lança, a maior parte dela foi repelida e Lucas foi lançado através de vários prédios, como se fosse uma bola de beisebol que tivesse sido rebatida com força.
Sabendo que aquilo obviamente só aconteceu porque Lucas o havia subestimado, e sentindo-o tirar as pessoas do caminho por onde iria passar com mana, Alexander quebrou a proteção que Diana criou para proteger o grupo, montou em Ocean e comandou: — Vamos embora. Ele deve voltar em breve.
Mesmo que seu corpo estivesse um pouco rígido por causa da eletricidade, ele se ajustou nas costas de Ocean e o grupo voltou a fugir da cidade. O problema era que as outras energias ainda estavam travadas nele e pareciam incertas.
— Não conheço todos vocês, mas todos vocês viram que acabei de me defender dele — disse Alexander “ao vento” com uma voz bem audível. — Cobrem o custo pelos estragos dele. Garanto que ele, ou seu professor, tem dinheiro para pagar e uma boa reputação para manter.
Sentindo que aquelas energias ainda estavam nele mesmo depois de suas palavras, Alexander avisou: — Eu não quero continuar lutando e destruir a cidade inteira, então não me forcem… Mas também não pensem, nem por um segundo, que eu não arrastaria tudo e todos que estão aqui até um amargo fim pela minha liberdade.
Ao sentirem que ele não estava blefando nenhum pouco, uma a uma as energias foram se desprendendo e o grupo saiu da cidade. E em pouco tempo eles já estavam na velocidade máxima para abrirem a maior distância possível.
— Você está bem? — perguntou Diana assim que pôde.
— Estou bem- — tentou dizer Alexander até ser surpreendido com a mana vindo da cidade. — Que loucura ele está fazendo? Meu feitiço sobre a cidade ainda não se dissipou completamente.
A mudança repentina de Alexander aconteceu porque ele sentiu que ao longe, no topo das muralhas da cidade, um ponto azul-arroxeado começou a se condensar e ficar cada vez mais forte.
Se estivesse perto o suficiente de Lucas, ele veria que sob os pés dele havia um círculo mágico azul-arroxeado que também aparecia de forma fantasmagórica dentro das pesadas nuvens de chuva. Mas mesmo de longe ainda era possível sentir o poder que estava sendo acumulada e a agitação que ele causava na eletricidade dentro dele.
— Corram. Abram uma boa distância de mim — comandou Alexander.
— Não — rebateu Diana.
— Sem discussão desta vez, Diana — disse Alexander, sério. — Posso nos defender desse feitiço, mas se estiverem perto, vocês ficarão paralisadas pela eletricidade assim como eu, e nós não conseguiremos mais escapar.
— Você realmente consegue defender esse feitiço? — quis confirmar Diana.
— Ainda não confia em mim? — perguntou Alexander, já sorrindo.
— Então tome cuidado — disse Diana antes de lhe dar um pequeno beijo. — Vamos voltar assim que o feitiço se dissipar.
À medida que seu grupo se afastava e a distorção sobre a muralha se tornava cada vez mais concentrada, Alexander a analisou e concluiu que se tratava de um feitiço Tier IV. — Ele deve ter perdido a paciência por ter sido colocado contra a parede quando eu fugi… Mas lançar um feitiço Tier IV contra alguém que supostamente deveria levar de volta vivo não é um pouco demais?
Assim que o feitiço de Lucas ficou pronto, um raio gigantesco caiu sobre ele e foi redirecionado para Alexander com uma velocidade extrema.
Exasperado com a situação, Alexander se certificou que não havia mais ninguém por perto, ativou |Natureza Selvagem|, cruzou suas asas em frente ao seu corpo e usou 2 |Benção de Mana| em conjunto com 2 |Grande Escudo| para se defender.
Quando o grande raio tocou os construtos mágicos em forma de asa, o construto referente ao escudo mágico, que estava na frente, começou a absorvê-lo e então disparou um “raio” luminoso duas vezes mais poderoso contra Lucas.
Ao ver o que tinha feito, Alexander instintivamente começou a fugir. Ele estava tão frenético que só desativou |Natureza Selvagem| e correu até encontrar o grupo de Diana ao som do grande estrondo ao longe.
— Estamos indo. Temos que deixar o Império o mais rápido possível… Não vamos parar até sairmos dele, porque as nossas vidas podem realmente depender disso agora — disse Alexander, já montando em Ocean.
Assim que Ocean e Pequeno Preto já estavam na velocidade máxima que podiam ir sem usar habilidades e o grupo começou a se afastar da Cidade Martelo de Ferro, Diana perguntou: — Você está bem?
— Estou. O feitiço dele não me machucou muito — respondeu Alexander.
— E por que acha que nossas vidas estão em perigo agora? — perguntou Ariel.
— Porque posso ter matado algumas pessoas — respondeu Alexander. — E apesar da personalidade, uma delas é um dos alunos de um dos pilares deste Império.
— … — Ariel.
— … — Helena.
— Você matou o professor Lucas? — perguntou Diana com um olhar estranho.
— Eu realmente não sei — disse Alexander. — Mas quando me defendi do feitiço dele, a minha técnica de combate |Contra-ataque| se ativou e acabei mandando o feitiço de volta com o dobro do poder… E tenho certeza que aquele feitiço já era originalmente Tier IV.
— … — Diana.
— … — Helena.
— … — Ariel. — Então devemos nos apressar e ir embora logo do Império.
— Sim — concordou Alexander. — Mas antes nós vamos fazer uma pequena parada.
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Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguiram normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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