Capítulo 144 – Minério
Quando o grupo finalmente chegou a uma área relativamente segura e perto da Cidade do Martelo de Ferro — o destino original deles — sua escolta de 5ª evolução os deixou. O dragão retornou ao seu rei, já que a sua presença também poderia bagunçar o ecossistema da área, especialmente se ficasse ali por muito tempo.
Feliz por ter sobrevivido às “aventuras” do mês anterior e retornado à “normalidade”, o dragonoid não poderia ter ficado mais irritado quando o cheiro de sangue surgiu perto do seu grupo após apenas algum tempo caminhando.
Não era preciso ser um gênio para notar que algumas pessoas estavam se matando ali por perto. As criaturas daquela região não lutavam sem deixar traços mais marcantes do que o cheiro de sangue.
— … — Alexander.
A situação problema se ampliou quando Diana também percebeu um pouco do que estava acontecendo antes de contornarem a região e perguntou: — Não deveríamos ajudar?
— A quem exatamente devemos ajudar? — perguntou o dragonoid, suspirando. — Nem sabemos os motivos deles, muito menos quem está certo… Se é que há alguém realmente certo em toda essa história.
— Mas… — argumentou instinctivamente a demi. A sua natureza era quase intrinsecamente benevolente fora de perigo.
Incapaz de ir contra os desejos dela por algo tão pequeno quando ela já havia feito diversas concessões por ele, Alexander sentiu que era sua vez e concordou: — Ok, vou investigar um pouco. Mas não garanto nada além disso.
Expandindo sua energia na direção de onde vinha o cheiro de sangue para sondar a situação sem ser hostil a nenhum dos lados, encontrou um grupo de indivíduos cercando uma dupla que parecia bem mais desgastada que o grupo que a cercava.
Sentindo que foram sondados pela energia dele, todos os envolvidos no pequeno conflito ficaram surpresos.
No entanto, um dos indivíduos da dupla, provavelmente sentindo que não tinha muito a perder, golpeou um dos seus opositores e disparou na direção da fonte da energia com seu companheiro a reboque.
— Preparem-se — avisou o dragonoid ao grupo. — Estão vindo para cá.
Mesmo estando em grande desvantagem, a dupla conseguiu se manter bem até que alguém jogou algo neles.
Sentindo algo vindo na direção do grupo, o indivíduo que estava na frente puxou seu companheiro para os braços e, sem a menor hesitação, girou no ar. Usou o próprio corpo como escudo para o seu companheiro.
Com o impulso do último movimento da dupla, eles, ou melhor, elas, emergiram da vegetação mais densa e se tornaram visíveis aos olhos do grupo.
As mulheres em questão eram uma {Elfa} e uma {Dragonewt}. O interessante sobre a situação foi que, embora a dragonewt tivesse a proteção natural das suas escamas, foi a elfa quem se sacrificou para protegê-la.
— … — Alexander.
Mesmo simpatizando com a elfa, o dragonoid não agiu imediatamente. Não sabia se essa era a melhor escolha.
Contudo, sem lhe dar mais tempo para pensar, Diana pulou de Pequeno Preto com um objetivo óbvio. Isso fez todo o grupo avançar e segui-la de perto.
— Não morra, Ariel — pediu a dragonewt, como se isso fosse ajudar. — Por favor, não morra.
Ignorando a dragonewt, a elfa, que parecia se chamar Ariel, virou-se para o grupo e implorou: — Por favor, salvem Helena. Não precisa ser por muito tempo, basta deixá-la na próxima cidade que passarem.
— Não vou te abandonar. Você é a minha única amiga — chorou a dragonewt, que parecia se chamar Helena. — Prefiro morrer aqui com você.
— … — Alexander.
— Não se preocupem — disse Diana. — Vou curá-la.
No instante em que Diana disse que a curaria, uma adaga foi atirada.
O alvo não foi a dupla, e sim ela, que não esperava por esse ataque.
Felizmente para a demi, Alexander conseguiu reagir a tempo de protegê-la com uma de suas asas.
Sem esperar ou dar a alguém a chance de fazer algo, Pequeno Preto avançou na direção de onde a adaga veio com uma ferocidade e hostilidade monstruosas.
Ocean também pareceu querer seguir o exemplo e fazer o mesmo, mas conseguiu se segurar e esperar pelo comando de Alexander.
— Proteja Diana — comandou ele, também transbordando a hostilidade de uma ira sem fim. — Estes são MEUS.
Sem dizer qualquer outra coisa, o dragonoid levantou voo com um impulso tão forte que rachou o chão.
Exatamente como Pequeno Preto, ele também não se importou com as colisões que sofreu enquanto avançava pela floresta para caçar aqueles que ousaram atacar Diana. Árvores eram aleijadas meramente por estar no caminho deles.
Pelos 10 minutos seguintes, quase tudo o que se ouvia naquela parte da floresta eram gritos de dor e lamentos.
Sons de dor e miséria reinaram no silêncio da floresta até que pararam de forma repentina e chocante. O silêncio súbito precedeu o retorno da dupla.
— Escórias — disse Alexander ao retornar. — Não valiam o ar que respiravam.
— Vocês estão bem? — perguntou a demi quando eles voltaram.
— Estou bem. Só senti os impactos — respondeu o dragonoid. — Mas o seu familiar se machucou um pouco.
Com Diana indo ver a situação do seu familiar, Alexander voltou-se para a dupla, que parecia relativamente bem graças aos cuidados dela, e disse: — Não sei quem são vocês ou eles, e muito menos me importo. Mas saibam de uma coisa: para mim, a única diferença entre vocês e eles é que eles atacaram Diana.
Ouvindo-o, a elfa, Ariel, imediatamente ficou em guarda enquanto a sua companheira parecia não entender a situação — provando assim que a ignorância é uma bênção em alguns casos.
— … — Diana.
Sentindo uma parte do que sua companheira sentia, ele virou-se para ela e também não a deixou escapar: — Você também tem que ter mais cuidado.
— Você é livre para ajudar quem quiser — disse o dragonoid com seriedade. — Mas tenha mais cuidado ao fazer isso para não se colocar em situações de risco antes mesmo de poder ajudar, como fez há pouco.
— Desculpa… — disse a demi-canídea fracamente, suas orelhas caindo um pouco.
— Você não precisa, e nem deve, se desculpar por ser você mesma — assegurou Alexander. — Não quero que você mude. Só quero que tenha mais cuidado… O que eu faria se algo grave acontecesse com você?
— Mesmo que isso rasgue o meu coração, estou, e sempre estarei, disposto a deixar você ir se isso te fizer mais feliz e se for o que você realmente quer — acrescentou, abrandando a voz. — Mas não estou disposto a te perder de nenhuma outra forma, muito menos deixar que seja tirada de mim assim… Eu queimaria o mundo nas chamas da minha ira.
Ao ouvi-lo, Diana não pôde deixar de se sentir tocada e estendeu a mão para acariciar o rosto dele. — Serei mais cuidadosa de agora em diante. Eu prometo… Ainda quero passar muito tempo com você.
Quando o casal estava na iminência de se beijar, a demi pareceu se lembrar de que tinham toda uma “plateia”.
— … — Ariel.
— … — Helena.
Quase pulando dos braços dele e se escondendo de vergonha, Diana respirou fundo para se recompor. Em seguida, fez a ponte entre Alexander e a dupla: — Deixe-me apresentá-las a você: a dragonewt é Helena, e a elfa é Ariel.
— Elas acabaram aqui tentando despistar o grupo que as perseguia — explicou a demi, obviamente já tendo ouvido parte da história que contavam. — Elas parecem boas pessoas, então não seja muito duro com elas.
Conhecendo bem Diana e sabendo aonde ela queria chegar, ele suspirou e concordou: — Tudo bem. Elas podem vir conosco por enquanto.
— A elfa disse que elas ficariam bem em qualquer cidade grande — “lembrou-se” o dragonoid em voz alta antes de se virar para Diana. — Podemos levá-las para a Cidade Martelo de Ferro, que é relativamente grande… O que acha?
— O que acham? — perguntou a demi ao redirecionar a pergunta para Ariel e Helena.
— Esse arranjo parece bom — respondeu Ariel. — Muito obrigada pela ajuda.
— Já que parece que vamos ficar juntos por um tempo, é melhor fazermos uma pausa para elas comerem e se recuperarem — apontou Alexander ao observar a dupla feminina.
— Não precisa se preocupar — disse Ariel. — Já descansamos o suficiente.
— Eu senti o que estava acontecendo. Não tem como vocês terem se recuperado em tão pouco tempo — rebateu ele.
— Comam, descansem e se recuperem — disse, sem parecer se importar muito com isso. — Enquanto Diana quiser mantê-las seguras, garanto suas vidas contra qualquer coisa abaixo do nível de uma criatura de 4ª evolução.
— … — Ariel.
— Não se preocupe. Não sofro de mudanças bruscas de humor como você pode imaginar — disse Alexander com um sorriso amarelo. — Sou apenas direto quando se trata de traçar “linhas”… E, no momento, vocês não são inimigas.
— Entendo — assentiu a elfa após analisá-lo. — Então aceitaremos a oferta.
Com Ariel concordando, Helena também concordou prontamente.
Como todos eles precisavam se recuperar, pelo menos um pouco, Alexander deu a Diana ervas energéticas para serem adicionadas à comida: — Acho que a comida deveria ser um ensopado bem sortido.
— Por que? — perguntou Diana surpresa. Ele geralmente deixava a escolha dela.
— O caldo absorverá a energia da carne, bem como das ervas, e se tornará uma fonte de energia muito mais fácil de absorver — explicou o dragonoid usando seu conhecimento da Terra. — Mesmo quando tratado, qualquer corpo ainda retém uma parte do estresse, físico e mental. Isso dificulta a digestão e absorção da energia e dos nutrientes.
— Sem mencionar que minha presença ainda intimida a elfa — acrescentou, sem ressalvas. — Então ela vai acabar não comendo muito se for algo difícil de digerir… Ela provavelmente quer manter alguma condição de se defender.
— Não tinha pensado nisso — admitiu Diana, pensativa. — É natural que ela tenha algumas reservas em relação a nós já que não nos conhece… Seria até estranho se não tivesse nenhuma reserva.
Como a intenção era tornar a comida o mais energizante possível e ele não precisava se preocupar com ela estragando, Alexander lembrou-se da cabeça do {Pássaro Imortal das Chamas Infernais} e se voltou para ela.
— Eu sei que vai ter que ser feita mais comida do que o normal hoje, mas você poderia cozinhar sem minha ajuda? — indagou o dragonoid. — Quero desmantelar parte daquele pássaro maldito para obter um pouco de carne.
— Sem problemas — concordou Diana, abrindo um largo sorriso. — Hoje vou cozinhar com muito prazer.
Mesmo que ela estivesse sorrindo, Alexander podia ver um certo brilho sinistro no olhar dela ao saber que parte do Pássaro Imortal seria sua próxima refeição.
— … — Alexander.
Como constatado inúmeras vezes, Diana era quase que por natureza uma pessoa gentil e muito disposta a ajudar. Mas também guardava rancor e se tornava extremamente vingativa contra aqueles que feriam quem ela amava.
Mesmo que o culpado já estivesse morto, uma vez intensamente instigados, os sentimentos dela sobre algo ou alguém podem convergir com força para qualquer um dos extremos da balança.
Não achando isso exatamente ruim e como não havia muito o que ele pudesse fazer além de aceitar esse lado dela — até porque ele também não era um grande exemplo nessa área — o dragonoid foi procurar um lugar para desmantelar a cabeça do pássaro.
No começo, queria fazer tudo manualmente. Mas como isso não era prático, acabou usando mana com |Desmantelar (MAX)| nas partes mais sensíveis.
Obviamente havia partes que não podiam ser usadas diretamente no ensopado ou mesmo apenas como base para o caldo — algumas das quais ele comeu apesar do gosto e da textura na tentativa de ativar o aprimoramento (Devorador), sem sucesso — mas o mais inesperado foi o aparecimento de um agradável “prêmio de consolação”.
Preso e encrustado entre as partes externas da cabeça do pássaro, Alexander encontrou um bom pedaço de minério com um brilho metálico.
Ao ser avaliado, o achado se revelou um minério de magnetita. Algo muito útil no desenvolvimento tecnológico.
[Minério de Magnetita: Um minério magnético originado de uma variação ferrosa do metal.]
Além disso, aquilo também significava que havia no mínimo uma área vulcânica na região central da Floresta Estelar.

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