Capítulo 151 – Estamos ligados
Com a situação do grupo regularizada, Alexander foi até a filial da Lua Negra.
A loja felizmente estava relativamente vazia quando chegaram, e isso fez com que fossem atendidos rapidamente.
— Boa tarde, em que posso ajudá-los hoje? — perguntou a recepcionista de forma solicita.
— Gostaria de falar com a senhorita Cristina — informou o dragonoid de forma leve. — Ela sempre fica encarregada dos meus pedidos na Lua Negra.
— Sinto muito, senhor, mas ela não está. Foi chamada de volta à matriz por… assuntos internos — respondeu a atendente quase o sondando. — Mas ela deixou instruções para o caso de um certo “alguém” vir procurá-la. Posso saber se o senhor veio em nome dessa pessoa?
— Não. Só vim pagá-la — disse ele de forma casual. — Mas parece que ambos estamos sem sorte.
— !!! — Recepcionista. — Poderia me mostrar a sua identificação, por favor?
Não sentindo nenhuma hostilidade ou razão para negar aquele pedido, o dragonoid mostrou a sua identificação. Suas informações pareceram confirmar as suspeitas da recepcionista, que explicou: — A pessoa para quem ela deixou o recado é justamente o senhor… Ela nos pediu para informá-lo de que não precisa se preocupar em pagar.
— Este serviço foi apenas um pequeno símbolo de boa vontade para com o senhor — acrescentou a atendente de forma quase feliz por ter cumprido sua missão. Ela com certeza era do grupo de Cristina.
— … — Alexander.
— … — Ariel.
— !!! — Diana.
— … — Helena.
— Sendo assim, eu aceito — disse o dragonoid após pensar um pouco.
Ele então colocou 1 pequena moeda de platina no balcão. — Mas me faça um favor e transmita uma mensagem minha para ela junto com a notícia de que recebi a mensagem dela.
— Diga a ela que entendo o conceito de que não há muitas refeições gratuitas nesta vida — instruiu com um tom complicado. — Ela pode me procurar se precisar de alguma coisa. Mas adianto logo que estarei em movimento.
— Será mais fácil para ela me localizar usando as filiais da Lua Negra pelas quais eu passar — completou Alexander.
— Tudo bem, vou mandar alguém avisá-la — disse a recepcionista, guardando a moeda. — Obrigada pela sua preferência e generosidade.
Aproveitando que estavam ali para comprar mais algumas coisas para a viagem, o grupo se reabasteceu e foi embora. Diana, no entanto, parecia pensativa e preocupada.
— Tente não pensar muito nisso. Garanto-lhe que não aconteceu nada — tentou amenizar o dragonoid. — Ela só deve querer que eu lhe devolva o favor. Não é uma prática incomum vendedores tentarem fazer parcerias com aventureiros.
— Eu entendo que a maioria das pessoas mais poderosas acaba tendo mais de um parceiro — disse a demi, já divagando um pouco na própria ideia. Sentimentos como ciúme romântico eram algo novo naquela jovem mulher que sentia tudo muito mais que os outros. — Mesmo que não seja essa, pode muito bem ser outra. Isso me assusta…
— Eu também sei que você sempre fala das minhas qualidades, mas como posso me comparar em status a uma mulher que dá ordens na Lua Negra? — perguntou ela com a voz um pouco trêmula de insegurança.
Como não conhecia muito sobre a cultura social daquele mundo, Alexander não conseguia entender totalmente o problema que ela estava enfrentando. Contudo, até ele entendia que tais aspectos sociais não deveriam ser desconsiderados só porque ele via dessa forma.
Esses aspectos implícitos da vida de cada um eram e são muito importantes para qualquer indivíduo inserido neles.
— Eu sei que dizer para você não se preocupar com isso porque não ligo para status é burrice. Também sei que fazer mais promessas do que o número de estrelas no céu não é solução. Mas posso te dar uma certeza: independentemente de qualquer coisa, estamos conectados — disse o dragonoid enquanto fazia a conexão deles pulsar e ressoar dentro dela.
— Estamos conectados — reiterou a demi em concordância, ao se recuperar um pouco e voltar a abrir um sorriso.
— … — Ariel.
— … — Helena.
Com Diana mais calma e sem nenhum outro objetivo na cidade, ele consultou o grupo: — Já que não temos mais nada para fazer aqui, quero ir para a Cidade Martelo de Ferro imediatamente. Mas isso significa viajar durante a noite.
— Não vejo problema — concordou a demi. — Acho que nenhum de nós terá problema se for só por uma noite.
— Por mim, tudo bem — também concordou Helena.
— Eu também pensei nisso — disse Ariel, pragmática. — Esta cidade não é das mais seguras.
— Já que todos concordam, partiremos imediatamente — informou Alexander satisfeito com a decisão.
Com todos de acordo, a curta estadia do grupo na Cidade da Fênix chegou ao fim.
No entanto, mesmo com pressa, o dragonoid não se esqueceu de dar 1 grande moeda de ouro ao guarda. Isso deveria ser suficiente pelo transtorno que seu grupo causou.
Aproveitando a tranquilidade para voar sozinho e produzir mais fios de seda, Alexander decidiu testar os limites de como poderia modelar a sua seda ao produzi-la.
Ele já tinha uma grande quantidade guardada. Não precisava se preocupar com os testes desfalcando a produção.
Para a agradável surpresa dele, a sua seda poderia ser produzida em fios de cores diferentes sob certas circunstâncias: se o fio for infundido, não energizado, a seda sai com uma cor em referência à energia, mana ou poder mágico usado.
Fio cor marrom claro para sua energia dracônica; fio azul claro para mana da água; fio de um branco bem alvo para a mana da luz; e até um fio branco azulado de gelo se ele infundir a seda com mana através do aprimoramento (Coração da Água Congelada).
O mais surpreendente foi que cada tipo e cor de fio apresentava alguns benefícios adicionais, como maior condução da energia utilizada para criá-los e leves efeitos de contato característicos do elemento utilizado.
A produção desses fios especiais poderia gerar um calor de aconchego da luz, ou a refrescância da água e do gelo. Sem falar que ele também descobriu que podia variar as proporções que os fios podiam tomar.
Com um pouco de esforço e prática, Alexander conseguiu tornar seus fios menores, mais finos, mais grossos, mais pegajosos, mais transparentes e etc. Obviamente, qualquer uma dessas variações tem um impacto direto na quantidade necessária de fluido para produzir a seda e na resistência dela, para mais ou para menos.
As únicas coisas que o dragonoid não conseguiu fazer foram aumentar as propriedades e o diâmetro do fio devido às limitações naturais impostas pelo tamanho dos canais pelos quais a seda percorre dentro de seu corpo…
Entretido em seus testes, ele quase não notou como o grupo continuou sua jornada mesmo depois que começou a escurecer. A viagem deles, que levaria quase meio dia, terminou naquela noite.
Eles chegaram à Cidade Martelo de Ferro tão cedo que o portão tinha acabado de abrir.
Apesar do horário, isso foi uma coisa boa. Assim teriam mais tempo para cuidar de seus assuntos.
Com várias questões para resolver, o grupo optou por ir primeiro até a Guilda dos Aventureiros para ter um lugar para deixar os familiares. Mas não foi possível colocá-los em quartos devido ao tamanho de Ocean e Pequeno Preto.
Felizmente para o casal, eles não eram os únicos a terem familiares de grande porte; então a Guilda tinha um espaço reservado para familiares. O problema que encontraram foi outro: a aura deles era relativamente muito forte.
A mera presença deles deixava os outros familiares desconfortáveis. Isso fez o custo de sua diária disparar.
Como se não bastasse ter que pagar uma taxa extra para a Guilda, Alexander também foi extorquido por Pequeno Preto. Teve que triplicar as refeições diárias dele para que o mesmo pudesse se comportar sem Diana por perto.
— Você conseguiu aumentar a quantidade de comida que vai receber, então se comporte, garoto — disse a demi-canídea para o seu familiar ao acariciá-lo. — E lembre-se de não assustar a pessoa que trouxer a comida.
— Ruff — respondeu Pequeno Preto, assentindo para ela.
O grande cão negro tinha muitas falhas, mas parecia ser verdadeiramente leal a Diana.
Após se tornar o familiar dela, o relacionamento deles se estreitou bem rápido — a ponto de ele ser o primeiro a retaliar quando ela foi atacada, sem nem se importar com as possíveis consequências.
Com a situação dos familiares resolvida, Alexander sabia o local exato onde iria encontrar ao menos uma das duas pessoas de que precisava. E como ainda era cedo, a chance de encontrar ambos em casa era alta.
Quando o grupo chegou à casa de John, ele já estava se preparando para sair — provavelmente indo até sua associação cuidar das suas tarefas. Mas mesmo estando de saída, deu um pouco do seu tempo a eles quando viu o dragonoid.
— Entrem — disse John ao grupo com um tom a mais na voz. — Preciso ver o que você fez com a nossa obra de arte para que ela precise de ajustes e reparos em tão pouco tempo.
Como Jayce, ao que parecia, não tinha as mesmas responsabilidades do irmão para com a associação dos ferreiros, ele podia se dar ao luxo de viver como um espírito livre.
No entanto, mesmo não estando na mesma sala, não se importou em gritar para que Alexander ouvisse: — O quê? Aquele desgraçado que danificou nossa obra de arte resolveu aparecer a essa hora? Vou acabar com ele!
— Como se não bastasse ter danificado um conjunto tão bom, ele ainda tem a audácia de me acordar — reclamou o anão, sua voz chegando ao grupo antes dele.
Ouvindo a comoção, Ariel virou-se para o dragonoid com um sorriso que não era bem um sorriso: — Parece que você é mesmo muito querido, não é?
— … — Alexander.
Pouco depois da sua reclamação ser ouvida, Jayce apareceu bufando de raiva na sala. Mas logo notou por que o dragonoid precisava ajustar seu conjunto após ver o aumento dos chifres na cabeça dele.
— Como pode ver, não o danifiquei totalmente. Só preciso de alguns ajustes — explicou o jovem, já se defendendo do ferreiro. — Mas agradeço se vocês também fizerem a manutenção de todo o conjunto.
— Bom para você — resmungou Jayce realmente se acalmando um pouco. — Ou teríamos que brigar aqui e agora por você fazer o desfavor de me acordar.
— Ainda bem, porque não teria a menor chance contra você — ironizou o dragonoid sorrindo. — Mas vamos mudar de assunto… Prefiro saber sobre meus pedidos.
— Eles estão quase prontos. Só nos resta fazer ajustes no usuário — assegurou o anão briguento. Seu profissionalismo era real. — E se bem me lembro, as peças devem ser dessa bela demi.
— Exatamente — confirmou Alexander com um brilho estranho nos olhos. — Mas recomendo fortemente que você não tente qualquer graça ao fazer os ajustes. Não terminaria bem para ninguém.
— Quem você pensa que nós somos, garoto? — zombou Jayce, rispido, com um sorriso torto. — Mesmo não sendo um especialista em armaduras, posso fazer os ajustes só de olhar para ela; quanto mais John.
— Não é pessoal — disse Alexander. — Só tenho a tendência de exagerar um pouco quando se trata dela.
— Tudo bem, garoto — disse o anão de forma completamente despreocupada. Eles já se conheciam. — Você tem seus defeitos, mas pelo menos é tão sincero quanto um anão.
— Os livros que você pediu também estão prontos — lembrou John devido ao tópico das encomendas. — Nós até escrevemos algumas dicas como agradecimento pela bebida da última vez.
— Muito obrigado por esse favor — agradeceu Alexander com sinceridade. — Se não estivesse com pressa, os convidaria para uma noite de bebedeira até um de nós cair. Mas infelizmente estou sem tempo no momento.
— Entendo… Mas acho que você não terá dinheiro para isso após pagar por esses livros. Eles são bem caros — brincou John com um amplo sorriso. — E isso porque consegui um desconto por fazer parte da associação de ferreiros.
— O valor da coleção que consegui para você era mais de 4 grandes moedas de diamante negro, e ficou por 4 moedas com todos os descontos. Mas garanto a qualidade dos livros — explicou o anão com confiança. — Tem coisas nessa coleção que eu mesmo não conheço bem. São coisas que até fogem das nossas áreas de armas e armaduras.
— Obrigado por ter me feito esse favor — disse Alexander, grato. — Mas não precisa se preocupar com o custo deles. Mesmo que sejam um pouco caros, ainda pagarei o preço integral.
Fingindo retirar o seu conjunto e algumas moedas do seu segundo item espacial, o dragonoid colocou os itens na bancada deles e entregou 5 grandes moedas de diamante negro a John para pagar pela coleção e a manutenção.

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