Capítulo 175 – Céu Tempestuoso
Mediante o poder mágico de Alexander, 5 luzes elementais multicoloridas dispararam da sua mão.
O céu nublado sobre a cidade foi iluminado por elas — dando origem a um fenômeno inesperado e um pouco assustador, mas muito bonito.
— Você… o que você fez? — exigiu o guarda, tentando manter sua pose de autoridade, mas claramente assustado.
— Apenas uma pequena aposta — respondeu o dragonoid, dando de ombros. — Mas não se preocupe. Essas luzes só vão conceder buffs às pessoas afetadas.
Mesmo tendo ouvido que não haveria grandes problemas secundários devido ao feitiço, o guarda, bem como as autoridades da área, não acreditavam que o incidente seria tão simples assim.
— Renda-se — disse o guarda, mesmo tremendo um pouco. — Você está preso.
— Este é um favor que você me faz — respondeu Alexander, sorrindo. — Mas como você mesmo viu, minhas companheiras não tiveram nada a ver com isso. Portanto, será melhor para todos se elas não forem envolvidas nisto.
Ainda mais desconfiado de toda a situação devido àquela resposta tão calma, o guarda começou a tentar pegar algumas amarras — uma tarefa que se provou difícil, pois não ousou abaixar a arma ou tirar os olhos do suspeito.
— Isso não será necessário. Digamos que eles são minha responsabilidade — informou uma voz, claramente infeliz e exasperada com aquela situação. — Eu mesmo vou resolver isso com seus superiores daqui a pouco.
Claramente reconhecendo a voz, o dragonoid parou de se preocupar com o guarda e suspirou. — Achei que o senhor mandaria o Lucas novamente. Nunca imaginei que viria pessoalmente, ainda mais com tantas coisas acontecendo.
Mesmo incapaz de não amaldiçoá-lo em seus pensamentos por lhe causar tantos problemas, o Diretor Robert desceu do céu enquanto dissipava o tempo nublado multicolorido com gestos casuais da sua mão em ondas de mana. — De fato. Se fosse Lucas, talvez truques como esse funcionassem.
— Mas já que me dei ao trabalho de vir aqui, você não tem mais nada a que recorrer — declarou o duque, assertivo.
— Eu não teria tanta certeza — disse Alexander, ao lançar uma garra perfeita, quase do tamanho de um braço humano adulto. — Mas o senhor tem certeza de que quer falar sobre isso aqui, ainda mais sem uma barreira sonora?
No instante em que a garra foi retirada do item de armazenamento onde estava, o diretor já pôde sentir a energia, a aura e a pressão que ela emanava.
Ao segurá-la, no entanto, seus pensamentos e planos para aquele momento se desfizeram diante da presença monstruosa do objeto. — Onde conseguiu uma coisa dessas?
— O senhor acha mesmo que é possível conseguir uma garra de dragão dessas, tão perfeita, se ela não vier daquele a quem ela pertencia? — apontou o dragonoid, enquanto analisava a barreira sonora lançada por Robert, claramente notando que o mesmo sabia disso; apenas não conseguia se permitir aceitar e assimilar o fato de imediato.
— Mesmo eu não seria louco o suficiente para causar tal confusão no Império se não tivesse salvo a filha mais nova de um certo ||Rei Dragão|| e recebido o favor dele — acrescentou, sem qualquer indício de mentira ou engano. — Eu deixei o Império mais por respeito ao senhor do que por qualquer outra coisa. Não por medo do Império em si…
— Eu sei que, se ficasse lá, acabaria matando muita gente e isso lhe traria problemas — disse o jovem, elucidando suas ações e ponto de vista.
— Aproveito para reiterar que não posso empunhar aquela espada, tendo recorrido mesmo a certos métodos especiais para retirá-la daquela ilha — informou, antes de abrir um sorriso torto. — Também não acho uma boa ideia o senhor ter muitas ideias sobre mim ou sobre essa garra em suas mãos. Coisas ruins podem acontecer com quem a carregar e com o próprio Império como um todo.
Vendo uma miríade de reações incompreensíveis, mas totalmente justificáveis, passar pelo rosto do diretor da Academia dos Combates Gêmeos e duque do Império, Alexander esperou um pouco.
Só depois de ver a expressão dele suavizar um pouco, o dragonoid apresentou seu ponto: — Sei bem como toda essa história se parece. Mas não precisa se preocupar tanto assim. Pretendo ser ao menos um pouco cooperativo com o senhor e deixá-lo me levar para comprová-la com alguém que tenha o talento {Olhos da Verdade}.
Embora os fatos apresentados fossem completamente mirabolantes, a calma e a total falta de medo ou preocupação do narrador deixaram o duque inquieto. O próprio narrador foi o primeiro a oferecer uma solução viável e reconhecida para que sua história fosse comprovada.
— Existe uma pessoa de confiança e com tal {Talento} em uma cidade não muito longe daqui — disse o diretor Robert, após avaliar bem a situação. — Reúna os seus. Estamos indo para lá imediatamente.
— Eu gostaria de poder lhe ajudar agora mesmo, mas, ao julgar pelo número de pessoas vindo nesta direção, parece que vou ser preso — apontou o jovem, sorrindo, ao recuperar destemidamente a garra de Drayygon com o duque.
Frustrado por ter sido arrastado para tal mise-en-scène, o diretor desfez a barreira e se pronunciou: — Eu sou Robert, o ||Céu Trovejante|| do Império Vermillion, e esses “pequeninos” estão sob minha autoridade e responsabilidade. Posteriormente, enviarei algumas explicações sobre a cena de hoje, mas, por enquanto, já estamos indo embora.
Ao ouvirem a apresentação de tal peso pesado, todas as autoridades da área pararam de avançar e começaram a avaliar a situação enquanto o diretor recolhia os membros do grupo pela cidade e se retirava com eles. Também não era como se qualquer um ali pudesse fazer muito contra isso.
Sem qualquer preparação prévia, se ele realmente quisesse forçar seu caminho, quem ali teria coragem de detê-lo por um único segundo, quanto mais conseguiria?
Sob a condução silenciosa do diretor, o grupo logo foi “repatriado” para uma cidade fronteiriça do Império — um lugar que mais parecia um posto de controle de fronteira do que uma grande cidade em si.
Mesmo sendo noite quando chegaram à cidade, praticamente todas as portas estavam ao menos parcialmente abertas para o ||Céu Trovejante||. E ele as utilizou para contatar, com a máxima urgência, a pessoa de que precisava.
— Enquanto o senhor faz essa mediação, vou levar meu grupo para dar uma volta para passar o tempo — disse Alexander, ao perceber que haveria pendências para obter acesso a alguém de status da Igreja Elemental.
No entanto, ao notar o claro descontentamento no rosto do diretor, ele logo se explicou: — Só vou levá-los para alguma masmorra intermediária para passar o tempo, não tentar fugir… Sei que já é um milagre a minha cabeça ainda não estar a prêmio após a bagunça que causei.
Exasperado demais para perder tempo discutindo, o duque ordenou que um guarda acompanhasse o grupo enquanto ele próprio iria acelerar seu pedido. Contudo, o dragonoid usou a desculpa de treinar Storm para deixar todos os demais fora da sala do BOSS e entrou sozinho com seu familiar.
Após as portas se fecharem atrás deles, ele parcialmente congelou o BOSS em um canto da sala para contê-lo sem matá-lo, tirou as próprias roupas e sentou-se no chão.
Com a situação chegando àquele ponto, Alexander precisava ao menos tentar preparar algumas contramedidas para o caso de algum maníaco insidioso tentar algo mesmo com ele usando o nome de Drayygon.
O primeiro passo dele foi rápido e lógico: aumentar o seu poder destrutivo.
Ding!
[Você usou o (Cartão de Aumento de Tier) no feitiço Tier III |Luzes Elementais|]
Ding!
[O feitiço Tier III |Luzes Elementais| foi aprimorado para o feitiço Tier IV |Prisma Reverso|]
Sentindo a perda de acesso ao feitiço |Luzes Elementais| através do sistema e sendo inundado pelo conhecimento de |Prisma Reverso|, o dragonoid ficou estático. Ele apenas aceitou, de forma pacífica, que as mudanças fossem feitas.
Quando o processo terminou, a primeira coisa que fez foi se concentrar intensamente e tentar usar |Luzes Elementais|.
Sem o acesso otimizado do sistema, o feitiço não funcionou, mas ao menos gerou uma notificação.
Ding!
[Tentativa de uso de um feitiço perdido identificada. Você deseja gastar (3) pontos de crescimento para readquirir o feitiço Tier III: |Luzes Elementais|?]
Agradavelmente surpreso e aliviado, Alexander suspirou um pouco antes de aceitar a notificação: — Ao menos o custo caiu para uma quantidade razoável agora que não estou mais criando o feitiço do zero.
Ding!
[Você readquiriu o feitiço Tier III |Luzes Elementais|]
Com seu primeiro passo dando tão certo quanto o planejado, ele ficou bem mais confiante no segundo. Um passo que seria muito mais intenso sob qualquer definição.
Para iniciar essa nova etapa, o dragonoid alocou seus pontos de atributo livres em (Sorte). Apesar de toda preparação, em última análise, dali em diante tudo dependeria da sua (Sorte).
[100 pontos adicionados a Sorte]
Após aumentar o atributo (Sorte), ele tentou usar o feitiço |Prisma Reverso| para se buffar. Contudo, logo descobriu que o uso dele parecia meio… emperrado.
Convicto e já tendo ido longe demais para voltar atrás, Alexander ativou |Natureza Selvagem| e forçou a ativação do feitiço |Prisma Reverso|. Ele o utilizou para aumentar suas resistências elementais, independentemente do custo.
Com o corpo brilhando sobre um círculo mágico quase meticulosamente geométrico, ele pegou uma glândula do tamanho de um punho e a engoliu à força. Ela havia sido retirada do peito do {Pássaro Imortal das Chamas Infernais}.
O dragonoid não tinha muita certeza do que era aquilo que encontrara conectado ao coração, aos pulmões e à garganta da criatura, mas sabia que ainda havia calor, poder e sangue demais para algo que deveria estar morto.
Assim que finalmente conseguiu engolir a glândula e ela começou a ser metabolizada em seu estômago especial, ele sentiu como se tivesse engolido lava pura. Aquela coisa parecia estar tentando queimá-lo vivo de dentro para fora.
Sentindo que talvez tivesse cometido um grande erro, mas sabendo também que não podia simplesmente vomitar e deixar tal chance escapar daquele jeito, Alexander cerrou os dentes e reforçou o estômago com energia.
Completamente alheio a quanto tempo havia passado sendo queimado de dentro para fora, ele finalmente recebeu o alento de um som de notificação. Só então o dragonoid percebeu que parte das chamas que o consumiam havia começado a ser gerada por seu próprio corpo.
Ding!
[O aprimoramento (Devorador) gerou o aprimoramento (Chamas Elementais)]
Após finalmente conseguir estabilizar sua situação e começar a se curar, o jovem já estava totalmente desgastado. Seu olhar, no entanto, não estava “morto” quando pegou uma escama de dragão dourada e a dividiu em 8 partes.
Quando as portas da sala do BOSS se abriram novamente horas depois, todos do lado de fora perceberam que algo muito estranho havia acontecido lá dentro para alguém como ele ter demorado tanto e ainda sair naquele estado.
Contudo, o que apenas Diana e Ocean notaram foi que os olhos azuis dele estavam emitindo um leve brilho dourado.

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