Capítulo 322 – O Último Dia de Conferência (Parte IV)
Nota do autor: Passando para lembrar que venho aqui pedir que, se possível, vocês divulguem a obra nas suas comunidades e também entre conhecidos que demonstrem interesse.
Sei que isso pode parecer chato e que vocês não me devem nada, mas o engajamento e ver a comunidade da obra crescer me ajudam muito a continuar motivado como escritor; ainda mais considerando o trabalho que dá escrever, editar e revisar. Por isso, ficaria muito agradecido se vocês pudessem me ajudar começando pela divulgação da novel.
Bom capítulo a todos.
Exasperado, porém fascinado e instigado, Robert não sabia se ficava feliz ou triste, se ria ou chorava com tudo aquilo sendo jogado de uma só vez.
Àquela altura, era quase uma certeza de que coisas assim viriam à tona de um jeito ou de outro, cedo ou tarde. Mas, se tivessem sido acertadas adequadamente, a dor de cabeça que, com toda a certeza, viria em resposta a esse novo conhecimento seria mais administrável.
Indiferente à agitação e ao caos que estava semeando (ao menos aparentando estar), Alexander ponderou um pouco e declarou: — É com o seguinte conhecimento, voltado para artesãos e artífices, que lhes brindo no encerramento do estande: quanto menos elemental for a mana que conseguirem acessar, mais poderão usar o poder do espaço em suas criações, pois estamos cercados por ele, em todas as direções.
— Se algum dia chegarem ao nível de transcenderem os seus sentidos, busquem pelo poder que os cerca e ficarão surpresos ao se deparar com algo que pode ser mais abundante que o vento; mais maleável que a água; mais resistente que a terra; mais destrutivo que o fogo; e mais letal que o raio — adicionou, de forma direta e quase sonhadora, antes de finalizar.
— No entanto, se acham que o caminho é fácil e que basta um lampejo de sorte para vislumbrá-lo, estão enganados — complementou com seriedade. — Usar capacidades espaciais como o que mostrei é infinitamente diferente da materialização de seu poder ou do seu uso ofensivo; algo que eu nem toquei.
— Esse caminho pode destruir e/ou consumir o usuário por um simples erro ou descuido — concluiu.
— Hmm… Não seria possível falar um pouco mais sobre este último assunto ou nos mostrar uma exibição mais tangível? — perguntou alguém da plateia cuidadosamente, como se não quisesse ofender e acabar sem nada.
— Teoricamente, eu poderia dar um pequeno vislumbre com uma fina camada não abrasiva de poder. Porém, na prática, os seus corpos já são fortes e autoconscientes demais — respondeu o dragonoid, dando de ombros e deixando claro que a limitação era física, não imposta por ele. — Se eu tentar pôr meu poder em seus olhos como uma lente para fazê-los ver, seus corpos apenas o dissipariam antes de qualquer coisa.
— Falar sobre algo que não conseguem ao menos compreender também seria como rezar para que alguém aqui captasse algum fragmento vago no ar — adicionou, descartando essa hipótese.
Conscientes ou não de seus atos e linhas de pensamento, grande parte das pessoas que conseguiram entender o fio da meada do que ele estava falando se voltaram para Solas, a única criança presente naquele estande da conferência.
O gesto coletivo fez Brie, a mãe dele, instintivamente segurá-lo mais próximo e se eriçar como uma leoa ameaçada. Ela possivelmente atacaria qualquer um ali se tentassem algo com seu filho; especialmente quem fosse o primeiro a sugerir.
— Não — rosnou a duquesa-consorte, antes mesmo que alguém sugerisse qualquer coisa, alegando qualquer motivo que fosse. — Se estão tão curiosos assim, deixem que ele coloque o poder dele em seus olhos, rezem para conseguirem ver o que tanto desejam e depois paguem vocês mesmos o preço por isso.
— Eu realmente não desejo fazer mal ao meu afilhado, mas seria leviano da minha parte negar a existência de riscos, já que até respirar ou ficar parado tem seus próprios perigos — rebateu Alexander, dando de ombros para o argumento do Duque dos Raiovas. — O máximo que posso afirmar com certeza é que Diana está aqui para ajudá-lo, caso seja necessário e desejem proporcionar essa chance a ele. Porém, essa decisão é apenas de vocês, como pais, e dele.
Acuado e protegido dos demais entre os pais, Solas os observou debater, movendo apenas os lábios entre si, sem emitir um som sequer para os presentes.
Por um lado, como quase tudo de bom e importante na vida, estava claro que havia riscos. Por outro, era uma chance única para o futuro do filho: ter uma rara impressão de algo que a maioria dos outros nunca poderia ver, nem mesmo se desejasse.
Ao ver uma meia carranca se formar no rosto da mulher, ficou claro que o duque havia conseguido dissuadi-la de alguma forma. Porém o dragonoid logo interveio: — Ao que parece, vocês já se entenderam quanto à escolha de vocês. Mas ainda falta a decisão do maior interessado.
— Não farei nada se meu afilhado não estiver de acordo, até porque não faz sentido proceder se o medo o impedir de vivenciar a experiência — declarou com seriedade.
Gesticulando com a mão enquanto canalizava o seu poder mágico para fazer Solas levitar até ele, Alexander o segurou em um dos braços, como se a audiência já não importasse, e perguntou com calma: — Você ainda tem aquela caixa que lhe dei de presente de aniversário?
Assentindo com seriedade, a criança puxou rapidamente a caixa de uma sacola na sua cintura e mostrou-a ao padrinho: — Está aqui… Costumo carregá-la comigo.
— Bom. Muito bom — sorriu o jovem para o afilhado, esfregando seu cabelo. — E então, já conseguiu descobrir ou sentir algo de especial sobre ela?
Taciturno com a pergunta, Solas não conseguiu evitar que seu rosto ficasse meio azedo e reclamou: — Ainda não… Essa coisa não deve gostar de mim, porque é muito complicada. Ainda não consigo sentir nada.
Sorrindo com a reação do afilhado, o dragonoid puxou-o mais para perto e confidenciou uma proposta, como um segredo: — Não vou lhe dizer o que fazer, nem vou dizer que não vai arder ou coçar… Mas, se me deixar ajudar, vai ser um pouco mais fácil para você sentir o que há de especial nessa caixa.
Com o rosto rapidamente se iluminando de felicidade antes de voltar a se fechar um pouco em ressalva, o garoto sabiamente perguntou, antes de fechar um acordo em branco: — Vai doer?
— Eu espero muito que não — tranquilizou-o o padrinho, com presteza. — Mas, mesmo que sim, ou em um caso ainda pior, sua madrinha não está aqui para protegê-lo? Ela vai ficar com você e cuidar de você o tempo todo.
Subconscientemente virando-se para Diana e sentindo-se melhor, Solas prontamente aceitou. O seu padrinho era meio doido, contudo ele já tinha uma certeza quase inerente de que sua madrinha iria cuidar e protegê-lo do que quer que fosse.
Assentindo como se esse fosse um resultado esperado, ou desejado, Alexander sacou um suporte do seu armazenamento e o posicionou no centro da sala, sobre ele, 5 grandes moedas de Diamante Negro. — Vamos tornar o evento mais interessante com uma pequena aposta.
— O trato é o seguinte: para atestar o que estou falando, vou encher esta sala de névoa. Quem desejar participar pode pegar uma dessas moedas e escondê-la; sem escondê-la dentro de qualquer item de armazenamento, ou ficar movendo-a, pois eu vou saber — introduziu ele, com um olhar desafiador para a multidão. — A premissa é simples: se você conseguir ocultá-la e mantê-la assim, eu lhe pago um valor. Se você não conseguir e ela for achada, você me paga.
— O interessante é que eu não preciso saber quem deseja participar, é só pegar a moeda. O valor pode ser combinado aqui e agora. E não sou eu que vou procurá-las, será o meu afilhado, através das impressões espaciais nelas, para comprovar o que falei — adicionou o dragonoid, alargando ainda mais o sorriso. — 20 grandes moedas de Diamante Negro, apenas para começar. O que acham de jogar comigo?
Sob aquela provocação implícita (com a prerrogativa subentendida de que não conseguiriam confundir os sentidos de uma criança), muitos dos orgulhosos nobres presentes ficaram tentados a aceitar. Porém, 20 grandes moedas de Diamante Negro não era um valor desprezível para se perder em uma aposta corriqueira como aquela, nem mesmo para os “nobres bolsos” de muitos deles.
Sem se preocupar com a psique coletiva das elites diante de seu desafio, com todos os preparativos feitos e Solas já no colo de Diana, Alexander começou a emanar um denso nevoeiro pela sala, selando o sentido da visão dos presentes. Então, ele começou a crescer, e seus olhos se iluminaram como faróis em puro poder com a ativação de |Natureza Selvagem|.
Antes, bem no começo, quando acabara de ter acesso à energia espacial, ele quase destruíra os próprios olhos ao tentar usá-la de forma imprudente e sem compreender o que fazia. No entanto, desde que conseguiu acessar e compreender o eco de |Tesouro do Mímico| para desenvolver a habilidade |Inventário|, uma compreensão totalmente nova sobre o poder mágico do espaço lhe foi concedida.
O aspecto mais marcante e bizarro sobre tal poder era que ele não tinha a mana como base; daí o erro de muitos, inclusive o seu.
O poder mágico espacial funcionava sim através da mana, mas a usava para modular uma outra parte, quase um novo tipo de poder mágico, para desencadear seus efeitos.
Sabendo exatamente o que queria fazer e como proceder dessa vez, o dragonoid liberou uma nova onda de poder mágico espacial, calibrando-se cuidadosamente nas moedas. Por fim, com extrema sutileza e cuidado, tocou as pálpebras fechadas de seu afilhado e lhe imbuiu um fragmento daquele poder etéreo, para que ele visse o mundo à sua volta para além da visão comum.
Com tudo pronto, Alexander desativou a sua forma frenética que liberava todo o poder em seu ser, recolocou as moedas sobre o suporte e foi para a porta com a caixa-cubo que havia dado de presente a Solas; deixando o garoto sozinho para achar as moedas e seu caminho até ele.
Reagindo imediatamente com surpresa ao abrir os olhos (como se lhe tivessem acoplado um visor térmico), o garoto foi direto até seu padrinho sem esbarrar em ninguém.
Assim que o nevoeiro foi expulso da cabana, ele apontou com perfeição onde estava cada moeda e pegou seu cubo; passando a vê-lo sob uma nova luz.
— NÃO! — esbravejou Solas, pouco depois, assim que alguém mais curioso estava prestes a perguntar o que tinha visto.
Enquanto isso, o dragonoid passava o chapéu, recolhendo as suas moedas e o valor da aposta de todos que haviam participado; o Duque Marvin, inclusive, que escondera a sua dentro de uma massa d’água, num buraco no chão.
— Padrinho… Padrinho… Faz de novo. O efeito acabou — pediu o garoto, com olhos pidões. — Eu ainda não consegui entender essa caixa idiota.
Sorrindo da frustração do afilhado, mas com as mãos atadas, Alexander apenas esfregou os cabelos dele e explicou: — Não posso. Mais poder do que esse pode lhe causar problemas…
— Você ainda nem parou para realmente sentir se os seus olhos estão ardendo ou coçando, e já quer mais? — apontou ele, rindo baixinho. — Descanse. Tenho certeza de que, com o tempo, esse e outros enigmas se desdobrarão para você.
Inconformado, Solas estava prestes a usar sua arma secreta (recorrer à sua madrinha Diana) para tentar enquadrar aquele seu padrinho, quando seu próprio pai o pegou. Havia muitas coisas que o duque e alguns outros velhos companheiros queriam perguntar ao garoto…
Ao fundo, com um sorriso quase diabólico (como se soubesse o que seu afilhado planejara e também já tivesse previsto tal desfecho), o dragonoid alargou ainda mais sua expressão enquanto via o menino ser enredado por perguntas que nem sabia ao certo como responder.
Obs1: Contribuição arrecadada para lançamento de capítulo extra: (00,00 R$ / 20,00 R$).
Obs 2: Chave PIX para quem quiser, e puder, apoiar a novel: 0353fd55-f0ac-45b5-a366-040ecefa7f7b. Caso não consiga copiar a chave pix, é só clicar nela que vai ser gerada uma aba/guia que tem como URL/Link a própria chave pix com algumas barras nas pontas: https://0353fd55-f0ac-45b5-a366-040ecefa7f7b/, e é só retirar a parte excedente.
Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguirão normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, porventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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