Capítulo 159 – Broquel
Após confirmar que Ariel e Helena haviam mesmo saído, Alexander investiu pessoalmente contra o hobgoblin. Ele lançou a criatura para o outro lado da sala com um chute lateral.
Contudo, no momento em que tocou o chão, o monstro já começou a se levantar para atacar.
— Se entende o que digo, pare — disse o dragonoid usando a |Linguagem Goblin|. Essa foi a primeira vez que ele tentou falar com uma criatura gerada em uma masmorra.
Surpreendentemente, o hobgoblin realmente parou um pouco em resposta às suas palavras.
Por um momento, pareceu que o monstro poderia realmente entendê-lo. No entanto, ele logo notou que foi só a reação da criatura à linguagem que estava intrinsecamente ligada à sua linhagem como parte da raça goblin.
Após sua breve confusão, a criatura voltou a se portar como o BOSS da masmorra, retomando o ataque.
Alexander tentou fazê-lo parar outra vez falando na |Linguagem Goblin|, mas desta vez o BOSS não parou. Mesmo ao usar sua (Telepatia), não houve nenhuma resposta.
— Que pena. Parece que ele não consegue pensar — suspirou o dragonoid, decepcionado. — É todo seu, Ocean. Mas se for possível, tente dar a ele uma morte limpa.
Daquele momento em diante, Ocean se soltou. O hobgoblin não teve qualquer chance contra ela.
Como sua agilidade e destreza eram muito maiores que as dele, Ocean foi capaz de atacar e recuar sem sofrer muitos danos. Tamanho e força não eram uma boa combinação para lidar com uma conjuradora como ela.
Mesmo depois que o {Hobgoblin Gigante} ativou sua habilidade furiosa, ficando ainda maior, não houve muitas mudanças. Além do seu imenso poder mágico, o físico dela também lhe proporcionava uma boa mobilidade.
— Que linguagem foi aquela? — perguntou Diana, curiosa.
— A |Linguagem Goblin| — respondeu Alexander. — O sistema me concedeu essa habilidade algum tempo atrás.
— É possível aprender até isso… — surpreendeu-se ela, maravilhada. — Pode me ensinar?
— Ela faz parte de uma categoria de habilidades que são consideradas especiais. Não consigo transmitir habilidades especiais… — explicou o dragonoid. — Ensiná-la sem a ajuda do sistema deve levar vários meses; isso se for possível.
Recebendo ciência desses pequenos empecilhos, Diana até ficou um pouco chateada, mas logo se recuperou. O casal tinha tempo se realmente quisesse aprender aquilo no futuro.
Voltando-se para o hobgoblin, eles viram que a criatura passou a remover ainda mais partes de sua armadura para se mover melhor. Ele parecia querer ao menos atingir Ocean antes que sua transformação terminasse.
Isso, obviamente, foi um erro. Ele só morreu ainda mais rápido.
Uma “chuva” de sucessivos espinhos de gelo passou a atingi-lo por todo o corpo a cada poucos segundos.
Quando a criatura insistiu em forçar seu caminho mesmo através dos ataques dela, Ocean parou e seu pelo reluziu em poder mágico. Com um uivo poderoso, o gelo dela ganhou um tom mais esverdeado e crivou o corpo do BOSS.
Ding!
[Missão Concluída]
Após Ocean ter vencido, Alexander armazenou o corpo do hobgoblin e os itens do baú. Em seguida, liderou seu grupo para encontrar Ariel e Helena na entrada da masmorra.
Enquanto saíam, o dragonoid aproveitou para finalizar as missões de masmorra no sistema. Adicionou todos os pontos de atributo livre que tinha ao atributo (Força).
[60 pontos adicionados a Força]
Depois de reencontrar a dragonewt e a elfa para retornarem à cidade, o grupo foi finalizar as missões da Guilda e se separou novamente. Como no dia anterior, Diana foi passear com Ariel e Helena outra vez.
— É bom vê-la fazendo novas amigas. Quando a conheci, ela era bem fechada nesse aspecto — pensou Alexander ao vê-la ir passear. — Antes ela só tentava melhorar sem chamar muita atenção para não criar problemas aos seus pais. E justo agora que finalmente conseguiu descobrir seu potencial, ela abriu mão das suas raízes para ficar comigo…
O dragonoid, via de regra, não era a pessoa mais sensível do mundo. Mas até ele sabia que Diana havia desistido de muitas coisas para permanecer ao seu lado.
— Eu realmente ficaria se pudesse escolher, mas já queimei essa ponte quando chamei tanta atenção — ponderou ele consigo mesmo. — Mesmo se eu fosse apenas um simples dragonewt, ainda teria que ir embora. O mundo não é um lugar lindo onde todos podem viver apenas pelos seus sonhos e objetivos em paz.
— Mas nada nos impede de voltar para pelo menos visitar os pais dela quando a poeira começar a baixar — consolou-se como pôde. Ela realmente havia aberto mão de muita coisa por ele.
Exasperado com tantas escolhas e sentimentos complexos, Alexander chamou por Storm. Decidiu se focar em algo mais tangível e foi treiná-lo para ver se conseguia ensiná-lo mais alguns feitiços e melhorar seu nível de combate.
Embora a prática deles tenha sido curta — durando apenas até serem chamados para comer —, Storm não decepcionou. A jovem ave conseguiu começar a mimetizar o feitiço |Lâmina D’água|.
Apesar de ser um bom avanço, isso só foi possível porque ele já o conhecia bem, dado o número de vezes que tinha visto o seu mestre usá-lo. No entanto, em contraste com a maior dificuldade de mimetizar os feitiços Tier I, Storm demonstrou que os feitiços básicos se tornaram mais fáceis de assimilar.
O pássaro elemental conseguiu mimetizá-los de forma bem mais rápida do que antes e obteve novas habilidades para o seu arsenal sem grande esforço.
Na manhã seguinte, o grupo voltou a ir bem cedo para a casa de John. Desta vez finalmente conseguiram sair de lá com novos equipamentos.
Os arcos de Diana e Helena estavam prontos, bem como a capa de combate de Ariel e o escudo que Alexander encomendou. Mas assim que viram o escudo, as mulheres ficaram bastante surpresas, pois era um broquel¹.
— Não imaginava que você também usasse escudo — comentou a elfa olhando para o item. — Mas esse não é um pouco pequeno? Tem certeza de que ficará bem?
— Minha relação com escudos é um pouco complicada de explicar — disse o dragonoid com um sorriso torto. — Mas isso não vem ao caso, pois este não é meu… Ele é para Diana.
— Para mim? — indagou Diana, surpresa.
— Sim. Especialmente para você — confirmou ele, sorrindo. — Tente usá-lo e veja o que acha.
— Ele é bem leve e pequeno, mas muito resistente — comentou, confiante. — Com certa prática, você deve conseguir usá-lo mesmo em cima de Pequeno Preto sem problemas.
— O melhor de tudo é que também pode ser usado como catalisador mágico para lançar feitiços — concluiu, mais do que satisfeito com o pequeno escudo.
Com o broquel em mãos, Diana ajustou sua pegada e começou a testá-lo. Seus movimentos ficaram um pouco irregulares ao tentar manuseá-lo adequadamente, mas nada que não pudesse ser corrigido.
— Eu sei que Diana é talentosa, mas ela ainda precisa saber como usá-lo — disse Helena, preocupada.
— Este escudo deve, ou deveria, ser apenas a última linha de defesa — explicou Alexander com calma. — Ela não precisa se apressar para aprender a usá-lo com maestria.
— Ele pode ser apenas o último recurso de defesa dela, mas seu tamanho ainda é um pouco… — comentou Ariel.
— Normalmente eu tenderia a concordar com seu ponto, mas o caso dela é um pouco especial — disse o dragonoid, passando sua técnica de combate |Grande Escudo| para Diana. — Se estiver interessada, peça a ela para te mostrar o que pode fazer com ele… Mas lembrem-se de esperar até sairmos da casa primeiro.
Ding!
[Você presenteou o familiar {Diana} com a técnica de combate |Grande Escudo|]
A dragonewt e a elfa ficaram curiosas para ver o que a demi podia fazer, mas o próprio Alexander ainda precisava testar o protótipo do seu arco. Desta vez Jayce estava bem confiante.
Segundo ele, aquele era feito de uma liga totalmente diferente se comparado aos outros. Mas devido à enorme força do dragonoid, o novo protótipo ainda foi destruído.
— Você ainda conseguiu quebrá-lo… — resmungou o anão como se estivesse indignado com o próprio arco por ter cedido, e não com a pessoa que o quebrou. — Mas isso com certeza não vai acontecer amanhã…
Quando o grupo terminou os testes e saiu da casa de John para uma área mais aberta, Diana mudou seu broquel para a posição mais clássica do escudo. Em seguida, usou a sua versão de |Grande Escudo|.
Sob o controle dela e o efeito da habilidade, o escudo se encheu de energia e mana. Um grande constructo de luz na forma do broquel se materializou com um raio de mais de 2m à sua frente.
Aproveitando a oportunidade, Alexander disparou uma |Lâmina D’água| e um |Canhão D’água| contra o escudo dela para testar sua resistência. Como já esperava, Diana, mesmo desprevenida, só foi levemente empurrada para trás.
— Como podem ver, o tamanho em si não importa tanto — disse o dragonoid de forma relaxada.
— Então era disso que estava falando — disse Ariel, ainda surpresa com aquilo.
— Sim e não — respondeu ele, abrindo um sorriso estranho.
— Como assim? — perguntou Helena, curiosa.
— Essa técnica é boa, mas pouco adiantaria se Diana não tivesse força e resistência para suportar os impactos. Do contrário, o corpo dela ainda poderia não aguentar mesmo que o escudo absorvesse bem os golpes — observou Alexander, indicando como, apesar de ter sido pega de surpresa, Diana mal foi empurrada. — Sem a força mínima necessária, ela seria obrigada a recuar ou até mesmo arremessada para trás a cada ataque. E, sem resistência suficiente, seu corpo cederia antes do próprio escudo.
Vendo Ariel e Helena se voltarem para Diana de forma estranha, sob uma nova luz enquanto a reavaliavam, o dragonoid sorriu diante da “inocência” delas. — Não se deixem enganar pela aparência… Se ela realmente der tudo de si, seus golpes podem ser ainda mais fortes do que os da vasta maioria dos aventureiros de nível prata — quiçá ouro.
— … — Ariel.
— … — Helena.
— Não, não me olhem assim — pediu Diana, completamente envergonhada.
Nota¹: Broquel — escudo pequeno e redondo, geralmente usado para defesa pessoal em combates ágeis.

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