Capítulo 131 – Dragão
Mesmo estando com um pouco de pressa, Alexander pediu a Ocean que reduzisse a velocidade para que ele e Diana pudessem ler durante a viagem. Afinal, embora viajassem pela Floresta Estelar, não chegariam à Cidade do Martelo de Ferro tão cedo.
Com praticamente uma biblioteca à disposição, Diana pegou um livro sobre conceitos mágicos, e ele um sobre herbalismo, para aproveitar que atravessariam bosques com arvoredos e se aprofundar no assunto.
Alexander não podia negar que era realmente conveniente ter um alto atributo de (Inteligência). Sua velocidade de leitura e capacidade de memória ultrapassavam em muito o que seria normal para uma pessoa.
A maneira como liam era verdadeiramente mágica.
O dragonoid não tinha certeza do valor do atributo (Inteligência) de Diana, mas a velocidade dela não parecia muito diferente da sua. Isso porque ele não lia da maneira convencional.
Com sua alta capacidade de memória, Alexander conseguia se lembrar de livros inteiros depois de lê-los uma vez. Assim, começou a percorrer rapidamente sua coleção de herbalismo para depois relê-la.
Seguindo essa rotina durante três dias de viagem, terminou de ler todos os livros que tinha sobre o assunto ao meio-dia e fez uma pausa antes de recomeçar, dessa vez com mais calma. Agora, sim, pensando profundamente no conteúdo como quem realmente se aprofundaria no tema.
Nesse meio-tempo, Diana também leu a maioria dos livros de conceitos mágicos e começou a aprimorar seu controle sobre feitiços, fluxo de mana e todos os aspectos de sua arte mágica.
Aproveitando o momento para comer e descansar, o grupo começou a procurar um lugar para ficar. O sol não poderia corroê-los fisicamente, mas ainda era desconfortável passar o dia inteiro sob ele.
Quando encontraram uma caverna adequada para descansar, Alexander descobriu que se tratava de uma {Masmorra Intermediária}, mas decidiu ignorar o fato enquanto comiam e descansavam.
— Esperem aqui — disse ele a Diana e Ocean depois que já haviam terminado de comer e descansado um pouco. — Não devo demorar.
— Hmm? Aonde você vai? — perguntou Diana.
— Limpar a masmorra no final dessa caverna — respondeu Alexander. — Para ser mais exato, toda esta caverna faz parte de uma {Masmorra Intermediária}.
— O quê? Sério? — surpreendeu-se ela.
— Sim… E isso me lembrou que preciso perguntar uma coisa — disse Alexander, virando-se para Ocean e estabelecendo uma conexão mental com ela.
— (Ocean, você se lembra de ouvir alguma voz dizer que ganhou algo como pontos de crescimento? Especialmente após uma masmorra.)
— (Não) — respondeu Ocean sem hesitação. — (Mas sempre me sinto mais forte depois de passarmos por algumas masmorras. Às vezes mais, às vezes menos; às vezes demora mais, outras vezes a sensação vem imediatamente.)
— Interessante — pensou o dragonoid consigo mesmo. — Ela não ganha pontos de crescimento como Diana, mas parece que deve ganhar pontos de atributo; por isso se sente mais forte.
— É como se recebessem partes inversas das recompensas que recebo ao completar uma missão — analisou com interesse. — Posso imaginar a diferença que isso faz, mas é melhor analisar com cuidado… Acho que vou precisar de um terceiro familiar para saber se o número deles afeta o valor que cada um ganha.
— (Obrigado, Ocean) — disse Alexander por fim. — (Isso vai me ajudar como referência.)
Com as dúvidas resolvidas, o dragonoid dirigiu-se para o fundo da masmorra.
— Espere — pediu Diana. — Eu vou com você.
— Não precisa, pode descansar — respondeu ele. — Além disso, o cenário não será nada agradável de se ver, já que quero acabar com isso rápido.
— Não tem problema — disse ela, sem hesitar. — Ainda assim, vou com você.
— Tudo bem — concordou o dragonoid antes de se virar para falar com sua loba. — Mas você deve ficar e descansar, Ocean. Você está nos carregando durante toda a viagem; descanse um pouco mais.
— (Não estou cansada… Mas vou ouvi-lo, líder) — respondeu ela.
Quando o grupo se separou, o casal se aprofundou na masmorra e se surpreendeu um pouco.
Parecia que a entrada da caverna era uma área nova da masmorra. Só começaram a encontrar criaturas quando já estavam bem no interior.
Como era de se esperar, a masmorra não ofereceu qualquer dificuldade; muito pelo contrário, forneceu ao grupo uma grande quantidade de carne.
As criaturas nela eram majoritariamente bestas suínas muito parecidas com javalis.
Pensando em dar um descanso maior a Ocean e diminuir um pouco a brutalidade da cena por causa de Diana, Alexander aproveitou para colocar em dia o uso do aprimoramento (Coração da Água Congelada II). Assim, não perderia a prática com feitiços e técnicas de combate em suas versões de gelo.
Essa escolha mais que dobrou seu consumo de mana, já que mudava a natureza mágica de água para gelo, mas não foi uma grande perda — especialmente porque usou a chance para sentir as mudanças nas nuances mágicas entre os dois elementos.
Essa escolha também lhe permitiu preservar melhor a carne obtida e evitar a visão de um massacre sangrento. Todas as criaturas naquela masmorra basicamente morreram tornando-se parcialmente estátuas de gelo.
Durante o tempo em que limpou a masmorra, ponderou também sobre a viabilidade de remover o núcleo do local e concluiu que não havia problema. A masmorra não parecia fazer parte do ecossistema de nenhuma cidade.
Com isso em mente, após congelar e matar o chefe da masmorra, Alexander ativou |Natureza Selvagem|, extraiu o núcleo e fez alguns testes, que tiveram ótimos resultados.
Se o que aconteceu ali se repetisse em todas as masmorras — o que era provável —, sua situação seria bem promissora.
A masmorra não só reconheceu o próprio núcleo, como também reconheceu o núcleo de outra masmorra, mesmo este sendo mais avançado.
Infelizmente para Alexander, teve que remover rapidamente o núcleo avançado, pois a masmorra começou a vibrar em resposta a ele.
Não era como se fosse desabar; era mais como se fosse mudar… crescer… evoluir em resposta ao novo núcleo.
Ao pensar nas implicações dessa reação, uma pergunta veio à mente de Alexander: — O que aconteceria se eu colocasse um núcleo de nível inferior?
Antes que pudesse refletir a fundo, Diana o chamou, despertando-o de seus devaneios.
— Desculpe, Diana. Estava pensando em algumas coisas e não consegui entender o que disse — disse o dragonoid ao se voltar para ela. — Você quer saber o que são esses cristais?
— Não é isso — disse Diana, extremamente vermelha. — É que já faz alguns dias que não fazemos aquilo… E agora estamos sozinhos aqui.
Sem precisar ouvir mais nada, o sangue dele ferveu imediatamente, e ele fez um forte movimento de puxão com mana para trazê-la para seus braços.
Acolhida no abraço caloroso e forte, ela teve a boca atacada e dominada.
Aproveitando o momento em que se separaram para recuperar o fôlego, Alexander criou uma massa progressiva de água com o feitiço |Revigorar|. Ele os limpou junto com o ambiente e retirou uma grande cama de seu item de armazenamento.
— Eu sei como você está se sentindo, mas deixe-me desativar essa transformação — disse o dragonoid sobre sua forma selvagem expandida.
— Não precisa — disse Diana, com os olhos nublados de desejo. — Quero tentar fazer isso com você ainda assim.
Ao ver o lado dracônico dela responder com tanto desejo à força da linhagem que ele exalava, Alexander quase perdeu o controle e se afogou em luxúria. Mas como essa forma poderia, literalmente, machucá-la, ele se conteve.
— Tudo bem — concordou Alexander, que também já estava com vontade de testar essa forma. — Mas você terá que ficar por cima e ter cuidado. Essa forma pode acabar te machucando se não tomarmos cuidado.
Mesmo com o pensamento mais lento, ele ainda tentou ser o mais cuidadoso possível. Isso pareceu irritar a ânsia em curso no corpo dela, que ficou “impaciente” e o empurrou para a cama.
Diana era uma pessoa gentil e calma por natureza, mas quando seu controle se esvaía, sua personalidade certamente mudava. De forma mais simples e direta, é possível dizer que ela também possuía uma “Natureza Selvagem”.
Com ela começando a perder o controle e correndo o risco de se machucar ao jogar o corpo contra o dele — que era MAIS de tudo nessa forma —, Alexander a segurou firmemente e assumiu o controle total do movimento.
Com Diana gemendo e uivando de prazer com o hálito quente, mais apertada do que nunca, ele também não era a melhor pessoa para liderar o sexo. Felizmente, ela tinha um corpo muito sensível, e ele conseguiu fazê-la desmaiar antes que enlouquecessem com o excesso de estímulo e prazer.
Aproveitando a chance para dar a eles um banho literal de água fria, Alexander sentiu a água limpa acalmar sua mente e coração. Mas a situação do seu corpo era diferente — ele não queria se acalmar tendo ela em seus braços.
Enquanto os secava usando o calor emitido pela mana de luz, Diana acordou e o olhou como se estivesse um pouco ressentida; como se não estivesse satisfeita com a forma como ele arruinara a diversão dela.
— Desculpe, mas você sabe que não podemos ficar aqui por muito tempo, já que Ocean está nos esperando — disse Alexander. — Mas prometo compensá-la.
Um pouco magoada, Diana olhou para ele com um olhar de cigana oblíqua e deixou seu abraço, passando provocativamente o rabo pelo pescoço dele para testar se ele não a jogaria na cama novamente — o que ele quase fez.
Não querendo se perder no fogo do desejo naquele momento — algo que ninguém poderia dizer quando iria parar —, Alexander engoliu com força seu desejo e queimou a cama, que sofrera perda praticamente total.
Com ambos vestidos e prontos para partir, Alexander pediu ao seu grupo que se afastasse e estava prestes a destruir a masmorra com seu |Sopro do Dragão| quando uma energia muito peculiar ressoou com ele.
— O quê?! Isso é impossível — pensou Alexander. — Um {Dragão}…

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