Capítulo 140 – Estou ouvindo alguém me chamar
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Ao ser mergulhado na completa escuridão, Alexander perdeu a noção do tempo. Em algum momento, uma pequena luz aconchegante o despertou de seu lento torpor em meio à escuridão.
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“Desperto” em meio à escuridão, Alexander olhou ao redor em busca de algo, mas tudo o que viu foi a pequena luz vinda de cima. Era um farol solitário que parecia estar ali apenas para ajudar alguém perdido a voltar para casa.
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Observando a pequena luz que tentava protegê-lo da escuridão total, Alexander sentiu uma grande familiaridade com ela. Contudo, mesmo com essa familiaridade, a luz não conseguia salvá-lo de toda aquela escuridão.
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Incapaz de se impedir de afundar ainda mais na escuridão, Alexander sentiu uma sensação de imensa perda. Era como se toda a sua essência estivesse lentamente se perdendo em meio àquelas trevas.
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A sensação de estar desperto sem poder fazer nada para parar de afundar era angustiante. Ele só estava afundando mais e mais, enquanto a pequena luz aconchegante se tornava cada vez mais distante e fria.
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A pior parte daquela situação não era sentir que estava morrendo. Era não saber se havia conseguido salvar aqueles que desejou proteger com a própria vida.
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— Eu não posso morrer assim… Eu quero viver. Não posso estar morto — pensou Alexander com todas as forças.
No entanto, por mais que desejasse com todas as suas forças, ele não conseguia mudar o fato de que continuava afundando cada vez mais.
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Desespero e angústia eram as maneiras mais fáceis de descrever os sentimentos que tomaram conta de Alexander. Mesmo assim, eles ainda eram pequenos demais para descrever a sensação de afundar naquela escuridão rumo à morte.
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Justamente quando Alexander pensou que aquele seria o dia da sua morte, a pequena luz que tentava salvá-lo foi suplantada e dissipada por uma luz muito mais poderosa.
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POV Diana
Após ouvir as últimas palavras de Alexander e vê-lo parar de mostrar qualquer reação, Diana caiu em completo desespero. Ela deu tudo de si para intensificar ainda mais os seus feitiços, que já estavam sobrecarregados.
Apesar de todos os seus esforços, a deterioração dele só diminuiu, sem nunca mostrar sinais de reversão.
Quando o desespero dela atingiu o ápice e ela não sabia mais o que fazer, uma gigantesca “sombra” cobriu o grupo, contraditoriamente parecendo iluminar tudo com a sua presença lustrosa.
Ignorando a sombra que surgiu na direção do {Pássaro Imortal das Chamas Infernais}, Diana não se importou nem olhou para trás. Entretanto, Anna, que até então estava assistindo à situação de Alexander aflita, voou para confrontar a figura.
O voo da pequena dragonesa foi destemido, mas ela não conseguiu subir nem meio metro antes que uma energia estrondosa, que parecia ser capaz de pressionar o próprio mundo, descesse sobre todos no grupo.
Completamente sobrepujada pela energia avassaladora que desceu sobre eles, Diana, para seu desespero, viu todos os seus feitiços se dissiparem de uma só vez.
Incapaz de aceitar essa realidade, ela perdeu a capacidade de reagir. A expressão dela ficou completamente vazia.
No instante em que voltou à realidade, seus olhos estavam mais vermelhos do que qualquer olhar que Alexander já havia apresentado em toda a sua vida. Todos os seus sentimentos ardiam neles, fazendo-os reluzir com poder.
Pronta para cobrar ao menos um pouco daquela dívida, mesmo que tivesse que pagar o preço final por isso, Diana olhou para Alexander uma última vez, para se despedir, e se preparou para enfrentar a criatura acima deles².
Contudo, quando os olhos dela estavam prestes a deixar o rosto dele, ela notou que ele estava ainda mais estável do que quando era ajudado por seus feitiços; embora ainda não mostrasse nenhum sinal de melhora.
Surpresa com aquilo, Diana virou-se para a criatura acima deles. Ela finalmente percebeu que se tratava de um dragão vermelho colossal e não do pássaro de fogo e chamas.
Até mesmo a então imponente ave flamejante empalideceu, a ponto de parecer uma piada em todos os aspectos diante do majestoso dragão que descera sobre o grupo.
Antes que a demi-canídea pudesse superar a sua surpresa e esboçar qualquer reação, um fio de sangue, vermelho cintilante, quase dourado, saiu do peito do dragão e fez seu caminho até o coração de Alexander.
No instante em que o sangue daquele dragão colossal fluiu pelo corpo do dragonoide, a condição dele pareceu se estabilizar. Todos os sinais aparentes de deterioração começaram a desaparecer.
Entretanto, uma voz masculina e poderosa soou diretamente na mente dela, quebrando seu alívio momentâneo: — (Sinto muito. Ele vai morrer.)
— (Meu sangue e energia não conseguirão salvá-lo. Neste ponto, mesmo eu só posso retardar a morte dele) — disse o dragão em uma voz neutra com leves toques de irritação pessoal. Como se há muito tivesse esquecido o que era não poder fazer algo. — (Infelizmente, demorei muito. Não consigo mais sentir a força vital dele para poder salvá-lo.)
Ignorando o veredito do dragão, Diana apressadamente colocou as mãos em Alexander.
Ela liberou todo o seu poder de cura nele de uma forma que nunca havia feito antes — de uma forma que ninguém no nível de habilidade dela já havia feito antes.
Notando que nada que ele dissesse importaria para aquela jovem, o dragão escolheu permanecer em silêncio enquanto continuava a fornecer o seu sangue e energia para manter Alexander vivo o máximo que pudesse. Parecia o mínimo que ele poderia fazer por eles.
No entanto, a sua escolha e toda a situação logo começaram a mudar quando ele percebeu que o poder exercido por Diana não parava de crescer. Ela estava perigosamente perto de queimar a própria vida em troca de poder, tentando curá-lo.
— (Pare com isso, ou você vai morrer) — alertou o dragão, estranhamente sério. — (Você acha mesmo que ele iria querer que você morresse aqui depois do que ele fez para salvá-la?)
— Eu não me importo com isso! — rebateu Diana enquanto sangue começava a escorrer da sua testa. — Nós vamos ficar juntos… De um jeito ou de outro.
Admirado com a determinação daquela jovem, e ainda mais surpreso ao se ver simpatizando com aquelas pequenas criaturas, o dragão até pensou em nocauteá-la para que ela não morresse. Contudo, ele desistiu dessa ideia ao vê-la liberar algo a mais em um poder, um brilho que não parecia nada condizente com o nível e a condição dela.
POV Alexander
Alexander ficou bem surpreso quando a luz pairando sobre ele mudou para uma enorme luz vermelha.
O irritante foi que ele logo percebeu que não importava o quão grande e poderosa ela fosse, ela também não poderia salvá-lo daquela escuridão.
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— É uma pena — ele não pôde deixar de pensar. — Se uma luz desse tamanho fosse como aquela luz aconchegante, talvez ela pudesse me encontrar e me tirar destas trevas.
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Sentindo que não havia muito que pudesse fazer, Alexander só pôde ficar olhando para a luz acima dele enquanto continuava afundando lentamente.
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— ?
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— ??
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— ???
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— Estou ouvindo alguém chamar meu nome — pensou Alexander, incerto. — Parece muito a voz de alguém que conheço… Não é uma voz de homem.
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— Eu não consigo lembrar de quem é a voz que chama — ponderou. — Parece a de Diana… Não, não, não… Aqui a voz dela não me alcança.
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— Será que isso quer dizer que eu morri? Sei lá…
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— ALEXANDER!!! — chamou uma voz, agora nítida, alta e clara.
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Completamente desperto após o chamado da voz, Alexander viu a grande luz vermelha acima dele assumir leves tons de branco e dourado. Ela não parecia desejar suplantar, mas somar ao seu auxílio.
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— Diana? — perguntou-se Alexander novamente. — Não. É parecido, mas não é ela que eu estou ouvindo me chamar.
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Totalmente desperto, mas ainda sem saber o que fazer, ele começou a pensar freneticamente em formas para tentar sair daquela situação.
O que estava em jogo já não era mais uma questão de nome e atitude. Seria ali que jazia Alexander, por ter se prestado a ajudar os desfavorecidos na floresta, como um Robin Hood.
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— Ao menos a minha vida neste mundo não foi tão ruim depois que me acostumei um pouco com ele — confortou-se Alexander, quase podendo sentir o seu fim. — Eu até encontrei alguém que amei e consegui torná-la mais forte.
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Como se a parte final do seu último pensamento tivesse feito um grande “clique” na sua cabeça, Alexander se lembrou de que ainda tinha algo ao qual poderia recorrer. — Sistema, aloque meus quarenta pontos de atributo livre em Vitalidade.
[40 pontos adicionados à Vitalidade]
Felizmente para ele, o sistema respondeu ao seu comando, embora ele estivesse em uma situação em que seu próprio corpo não queria responder.
Mesmo com o aumento da sua (Vitalidade), ele não sentiu muita diferença devido à situação crítica em que se encontrava. Parecia que seus novos pontos haviam apenas lhe comprado um pouco mais de tempo.
O que ele não sabia, o que ele não tinha como saber naquele estado em que se encontrava, era que esse aumento fez seu coração bater e sua força vital brilhar. Uma última faísca de sua centelha de vida.
Como uma resposta imediata ao seu sinal de vida, o calor que começou aconchegante logo se tornou a pior das torturas.
A “luz” que tentava achá-lo em meio à escuridão havia o encontrado e passou a puxá-lo de volta em sua direção.
Sob aquele calor escaldante, Alexander perdeu o controle sobre si mesmo. Seu corpo começou a convulsionar enquanto algo que parecia lava circulava dentro dele.
Mesmo sentindo uma dor sem precedentes em sua vida — em ambas as vidas —, ele se sentiu feliz até desmaiar.
Aquela dor significava que ele podia sentir o seu corpo.
Aquela dor significava que ele estava vivo.
Notas do Autor
¹ Sobre o potencial de Diana contra o Pássaro Imortal:
Para aqueles que se baseiam em informações cinzentas para teorizar o futuro da novel e dos personagens, neste ponto, nesta situação, Diana seria de fato capaz de fazer o pássaro imortal pagar um preço alto que ele nunca esperaria, embora também morresse ao fazê-lo.
² Sobre sangramento induzido por estresse:
Pelo que foi pesquisado, lido e lembrado, é possível de fato uma pessoa “saudável” suar sangue. Isso acontece quando o estresse físico e/ou mental da pessoa excede um certo limite e colapsa as glândulas sudoríparas, que começam a secretar sangue.

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