Capítulo 165 – Preparações para a viagem (Parte I)
Após se recompor um pouco, Alexander percebeu o óbvio: mesmo que tivesse impedido o quarto de desabar com a sua energia, isso não iria proteger o prédio em si das vibrações.
Logo, ficou óbvio para ele que outra pessoa ou grupo o fez, protegendo o dormitório de desabar.
O dragonoid não sabia quem fez isso, mas quem ajudou devia ser uma pessoa minimamente compreensiva: a energia desse desconhecido ficou protegendo o prédio, mas o quarto nem foi perturbado.
Diana, por sua vez, só sentia um leve desconforto físico em seu corpo. Seu constrangimento pelo estardalhaço da noite anterior, no entanto, não foi pequeno.
— Eu disse que você iria se arrepender… — lembrou Alexander, sorrindo. — Mas não é tão ruim assim. Só aquela recepcionista sabe que estamos nesse quarto, e quase ninguém aqui deve conseguir reconhecer a sua voz.
— … — Diana.
Mesmo se sentindo mais tranquila depois de notar que ele estava certo, ela ainda estava longe de se sentir confortável com a situação. Ainda havia muitas entrelinhas de constrangimento naquela situação.
Como não podia fazer muito a respeito, o dragonoid só a abraçou. Em seguida, usou |Regeneração| e |Revigorar| para remover o resto do desconforto físico dela enquanto a acalmava.
— Não é como se tivéssemos que limpar mais masmorras. Podemos passar o dia inteiro aqui — ofereceu ele, vendo a situação dela. — Não se preocupe. Nós só ganhamos pontos uma vez mesmo.
— Mas e as outras coisas? — perguntou a demi, culpada. — Você não pode perder o dia todo por minha causa.
— Eu morreria por você, quem dirá perder um único dia — disse Alexander sorrindo, bem despreocupado.
— Mas e Ariel e Helena? — apontou Diana, ainda preocupada com outras pessoas apesar da sua situação.
— Se essas coisas estão te preocupando tanto, vou resolvê-las bem rápido e volto para ficar com você — prometeu o dragonoid afetuosamente.
— Obrigada — disse ela agradecida, um pouco mais animada.
— Sabe que não precisa agradecer — disse ele, prestativo, de forma afetuosa. — Mas aceito um beijo…
Feliz por começar o dia recebendo um beijo tão carinhoso, Alexander foi resolver tudo o mais rápido possível para poder voltar e ficar com ela.
Fazendo sua primeira parada para encontrar Ariel e Helena, o dragonoid percebeu o quanto acertada foi a decisão de deixar Diana no quarto. Elas claramente reconheceram a voz dela.
Helena nem conseguia parar de olhar para o chão com o rosto mais vermelho que as escamas dele, sem encará-lo.
— Sinto muito por avisar isso só agora, mas não poderemos limpar as masmorras hoje — disse Alexander como se nada tivesse acontecido. — Minhas lesões foram mais graves do que o esperado.
— Sei… — disse Ariel enquanto sua companheira dragonewt ainda nem conseguia encará-lo.
— No entanto, vocês ainda podem limpar masmorras intermediárias para treinarem, se Ocean e Storm lhes acompanharem — ofereceu o dragonoid, tentando aliar o útil ao agradável. — Para falar a verdade, eu até agradeceria muito se vocês me fizessem esse favor… Storm evoluiu novamente e está ansioso para testar os limites do seu poder.
— O quê? Storm evoluiu novamente? — perguntou Helena totalmente espantada. A surpresa dela foi tanta que a dragonewt levantou a cabeça e o encarou.
Contudo, quando os seus olhos se encontraram, ela perdeu a sua compostura. Helena abaixou a cabeça tão rápido que quase bateu na mesa em que estavam.
— Ele acabou evoluindo tão rápido muito devido às lutas, um pouco por ingerir a carne de uma criatura “compatível” com muitas evoluções acima dele — explicou Alexander, decidindo não comentar sobre as reações de Helena. — Pode até ser outra coisa, mas essa é a alternativa mais plausível que consigo pensar agora…
— Tudo bem, nós vamos levá-los — disse a elfa, também evitando comentar sobre aquilo. — Mas e quanto ao familiar de Diana? Podemos levá-lo também?
— Não aconselho — respondeu o dragonoid prontamente, sério. — Aquele cara está sempre animado para lutar, mas é imprevisível sem Diana por perto.
— Não deve chegar ao ponto de ele atacar vocês, mas pode acabar fazendo só o que bem quiser com vocês — disse com um tom um pouco seco. O grande cão era muito voluntarioso.
— Eu sei disso… Mas ainda acho que vai ficar tudo bem — disse Ariel, ponderando bem sobre a situação. — Enquanto passeávamos, Diana disse a ele para nos proteger. Então deve ficar tudo bem.
— Se é o que você pensa, vou consultar Diana sobre isso — disse Alexander antes de lhe dar um aviso: — Mas mantenha-o longe de outros aventureiros… Ele tende a responder às provocações com ferocidade.
Notando que até mesmo a normalmente estoica elfa corou e desviou o olhar a cada menção a Diana, ele foi organizar as identificações que elas iriam precisar.
Com uma troca de palavras bem rápida, acabou sendo até bem fácil de Diana concordar. Elas também conseguiram contar com uma surpreendente colaboração de Pequeno Preto.
Após resolver essa situação, o dragonoid correu para a casa de John. Os irmãos ferreiros estavam esperando por ele com o irmão armeiro exalando um gigantesco ar de exultação.
No momento em que ele entrou na casa, Jayce o levou para a área de testes. Entregou-lhe o seu novo protótipo.
Ao contrário dos outros, esse não parecia apenas superior aos anteriores, como também muito robusto e resistente.
— Tente, garoto — disse Jayce, desafiadoramente. — Duvido você quebrá-lo.
Sentindo tamanha confiança na voz dele, Alexander não fez qualquer cerimônia e alocou a maior parte dos seus pontos de atributo antes de testar o arco.
[40 pontos adicionados a Força]
Ding!
[Sua (Força) chegou ao máximo possível para a sua sub-raça atual.]
[100 pontos adicionados a Vitalidade]
[200 pontos adicionados a Destreza]
[100 pontos adicionados a Agilidade]
[500 pontos adicionados a Inteligência]
Sentindo uma enorme onda de energia e força invadir seu corpo, Alexander equipou as [Luvas do Senhor das Águas] e começou a puxar o arco. Para sua surpresa, o novo protótipo resistiu à força máxima dele.
Foi quase engraçado ver a reação do próprio Jayce, que se surpreendeu ao perceber a possibilidade de o arco quebrar, emitindo alguns estalos. Ainda assim, para alívio de ambos, o arco suportou toda a força do dragonoid dessa vez.
— O que você é, garoto? Um monstro se fingindo de gente? — reclamou Jayce, incapaz de esconder seu espanto.
— … — Alexander.
— Você deveria tentar rir mais, garoto — provocou o armeiro ao vê-lo olhando com seriedade. — Não importa. Pelo menos desta vez o arco resistiu à sua força.
— Quanto tempo levará para finalizar a versão final? — perguntou o dragonoid, calculando o próprio calendário.
— No seu caso, 2 dias. Precisarei trabalhar [Orichalcum] para preparar uma liga base que suporte bem sua força sem perder a capacidade de ter uma boa condutibilidade — explicou o ferreiro, expondo as limitações. — Mas tem certeza de que não quer gastar um pouco mais de tempo para embutir algum núcleo adequado no arco?
— No meu não precisa… Eu só pedi para colocar núcleos mágicos nos outros arcos porque um catalisador vai ajudá-las a imbuir mana bem mais rápido nas flechas — respondeu Alexander calmamente. — Eu não pretendo usar muita mana nos meus disparos. Por isso pedi para fazer o meu com os metais mais condutores de energia possíveis.
— Um núcleo também pode ajudá-lo com isso — insistiu o anão, defendendo seu item. — Com os materiais certos, essa belezinha pode até ultrapassar o grau (Elite) e alcançar o verdadeiro grau de um item (Superior).
— A menos que tenha como ter acesso ao núcleo de um {Dragão Vermelho} que atingiu o pico da sua 4ª evolução, acho muito improvável que consiga o feito de me fazer esperar — comentou o dragonoid, sorrindo, provocativo.
— Que desperdício, rapaz… Que desperdício — reclamou Jayce, só podendo suspirar. — Mas sei que você deve ter seus motivos para fazer coisas assim.
— Obrigado por entender — disse Alexander, voltando-se para John. — E quanto aos meus outros pedidos?
— Eu finalmente consegui viabilizá-los. Agora basta replicá-los na quantidade que pediu — disse o irmão armureiro em nome da sua associação. — Devo conseguir terminar tudo ainda hoje e lhe entregar amanhã de manhã.
— Muito obrigado. Esses itens vão me ajudar muito — sorriu o dragonoid, feliz por tudo estar indo bem. — Mas como parece que você vai ter um dia de trabalho a menos que o seu irmão, poderia fazer outros serviços?
— Quais? — sondou John, tanto cauteloso quanto curioso.
— O primeiro é a manutenção dos meus equipamentos. O segundo é transformar esses machados em algo que eu possa usar — explicou o jovem ao sacar os grandes machados. — Eu sei que armas não são sua especialidade, mas os obtive de um {Minotauro Laminar} na masmorra avançada. Eles me parecem uma boa opção para ataques pesados.
— Eles não são do tipo mais afiado, mas eu só preciso que sejam resistentes o suficiente para não quebrarem ou perderem o fio facilmente — especificou com uma expressão destrutiva. — O que não cortar, deve quebrar… hahaha.
— Que desperdício, garoto… Você veio ao mundo apenas para desperdiçar boas armas? — reclamou Jayce novamente, interrompendo-os. — Venda-me ao menos um deles… Eles podem parecer rústicos, mas apenas de olhá-los posso dizer que podem ser transformados em grandes armas com o cuidado certo.
— Você gostou tanto assim deles? Então fique com um — disse Alexander de forma despreocupada. — Presente meu.
Vendo como o armeiro ficou feliz com o presente, o dragonoid se voltou para John, indagando: — Quer o outro?
— Agradeço, mas vou recusar — disse o anão armureiro. — Eu uso principalmente escudo.
— Entendo… — assentiu o jovem, refletindo sobre os itens em sua posse. — Mas já que é assim, você acha que pode fazer algo a respeito deste machado e dos meus outros itens?
— Claro… Mas como você conseguiu danificar tanto o [Conjunto do Senhor das Águas] tão rápido? — perguntou John ao ver o estado do conjunto.
— … — Alexander. — Não vou mentir para vocês, usei o |Destruidor Dracônico|, energizado pela ligação do conjunto, como a ponta da lança dentro do pescoço do {Minotauro Laminar}. Eu e o conjunto ainda fomos pegos pela explosão.
— … — John.
— Você não destruiu a lança, não é? — perguntou Jayce, preocupado.
— Não. Mas ela foi a mais danificada, especialmente na ponta — confessou o dragonoid apologeticamente.
— Já que a lança não foi destruída, posso levar para a associação tentar — disse John, alisando a barba. — Mas não posso garantir que vai estar tudo pronto em apenas 2 dias.
— Eu entendo que há limitações, mas meu tempo é curto — disse Alexander, suspirando. — Se não for possível fazer tudo, não precisa ajustar o machado.
— Tudo bem — assentiu o armureiro, assumindo outra comissão para sua associação.
— Quase esqueci de também te dar um presente — disse o dragonoid, lembrando de também lhe dar algo. — Aqui, pegue. Acho que isso aqui será mais do seu agrado.
Surpreso com a quantidade e variedade de coisas que o jovem parecia ter à sua disposição, John aceitou o casco da tartaruga de 3ª evolução que matou na {Masmorra Avançada – Variante}. — Obrigado.
— Pode ser que eu esteja enganado, mas talvez você possa transformá-lo em um bom escudo. Algo como moldá-lo e revesti-lo com metal — disse Alexander, sorrindo. Aqueles irmãos ferreiros realmente já o haviam ajudado muito.

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