Índice de Capítulo

    O clima constrangedor entre o grupo só durou até eles chegarem à masmorra. No momento em que chegaram, todos ficaram totalmente concentrados para não serem feridos pela horda de criaturas ali presente.

    Além disso, ainda tinham que se preocupar com monstros portando armas e armaduras. As masmorras avançadas da região eram grandes produtoras de equipamentos metálicos para seus monstros.

    Todos no grupo já haviam visto criaturas usando equipamentos nas masmorras, mas geralmente isso se resumia a apenas um equipamento; a quantidade também não era lá essas coisas comparada às masmorras daquele local.

    No entanto, isso não causava só problemas.

    Como uma boa parte das criaturas era humanóide, elas produziam vários tipos de equipamentos para si mesmas. Esses itens ou mesmo seus metais serviam como renda extra quando vendidos pelos exploradores das masmorras.

    — Uma vez na masmorra, não quebrem a formação sem a minha permissão; especialmente em combate — avisou Alexander, sério. — Eu irei na frente como a primeira linha de defesa; Ariel virá logo atrás para detectar as possíveis armadilhas; Ocean será a segunda linha de defesa; Diana, Helena e Storm serão nosso apoio da retaguarda.

    — Você não esqueceu do familiar de Diana? — perguntou a dragonewt verde.

    — Não esqueci. É que ele, provavelmente, vai ficar bravo se alguém além dela tentar comandá-lo — explicou ele com um sorriso torto. — Por isso é melhor deixá-lo com ela para que possa proteger a retaguarda.

    — Entendo… — assentiu a jovem, compreendendo o ponto dele.

    — Se essa era a única dúvida, vamos entrar — disse o dragonoid assertivo e confiante.

    Equipados e tendo uma formação razoável, o grupo entrou na masmorra e começou a limpá-la. O progresso deles, porém, foi mais lento em comparação às masmorras que o grupo havia limpado anteriormente.

    Ding!

    [Você tem uma nova missão]

    Como não precisava proteger ninguém de One-Hit Kill nas masmorras anteriores, Alexander simplesmente usava o próprio corpo contra as armadilhas. Dessa vez, no entanto, havia membros que podiam ser mortos em um One-Hit Kill.

    Com ele nenhum pouco disposto a mudar o foco da sua habilidade |Mártir|, a solução foi reduzir o ritmo.

    Embora o avanço do grupo fosse mais lento, não era particularmente difícil. O dragonoid até usou a masmorra para treinar os novos membros do grupo sempre que possível.

    O único problema com sua ideia foi que os ataques mágicos de vento — o principal meio de ataque dos membros mais inexperientes do grupo — deixavam um pouco a desejar contra criaturas usando armaduras.

    Notando isso, Helena mudou sua forma de atacar para |Bola de Fogo|.

    A adaptação por parte dela foi surpreendente e até esperada, já que ela estudava magias básicas em geral. Storm, por outro lado, com certeza, surpreendeu.

    O pássaro a viu mudar a natureza dos seus ataques para aumentar sua eficácia e não só entendeu aquela atitude como a internalizou. Ele piou alto e soltou algo parecido com um |Pequeno Raio| do seu bico ao invés de ataques de vento.

    — Meu Storm é inteligente ou não? — vangloriou-se Alexander, sorrindo feliz. — Além de aprender alguns dos meus feitiços só observando, ele ainda conseguiu entender o conceito de se adaptar em combate ainda em sua forma base.

    — Outra aberração no seu grupo — disse Ariel em um tom zombeteiro. — Que novidade…

    — Vocês também não estão no grupo no momento? — rebateu ele. — Isso não faz de vocês aberrações também?

    — … — Ariel.

    Na ausência de bons argumentos, Ariel permaneceu em silêncio e saiu em busca de mais armadilhas.

    Após o que pareceu uma eternidade, eles finalmente chegaram à sala do BOSS. Como procederam com cuidado, não tiveram nenhum acidente até chegarem lá.

    Ding!

    Ding!

    O BOSS daquela masmorra era uma variante da espécie {Ork} de 3,5m de altura com uma armadura rústica e uma clava cravejada na mão.

    Justamente quando Alexander estava pronto para lutar, Diana o deteve: — Pequeno Preto quer lutar com ele.

    — Por mim, tudo bem. Mas tem certeza? — indagou o dragonoid, franzindo um pouco a sobrancelha. — Mesmo que ele vença sozinho, será a um custo elevado.

    — Eu lutarei ao lado dele — respondeu a demi de uma forma quase tranquila.

    — Você o quê? — surpreendeu-se ele. Aquilo não estava nos seus planos.

    — Vou lutar — repetiu ela, assertiva. — Não só para realizar o desejo dele, mas também porque quero me tornar mais forte… Não posso depender de você para sempre.

    — … — Alexander.

    Não tendo um bom argumento para apresentar — apenas aqueles que seriam puro egoísmo de sua parte — o dragonoid só pôde racionalizar, cerrar os dentes, resignar-se, aceitar a situação e torcer por eles: — Boa sorte.

    — Vamos, Pequeno Preto — disse a demi-canídea, chamando o seu grande familiar.

    — Ruff — respondeu Pequeno Preto ao se aproximar, já se abaixando para que ela o montasse.

    Com a união formada entre a jovem mestra e seu cão, eles avançaram contra o BOSS, que também investiu contra eles. Infelizmente para a dupla, o jogo de corpo foi bem desfavorável, lançando-os para trás.

    — É mais difícil fazer do que só dizer para fazer, não é? — disse Ariel apontando a ironia com um sorriso sarcástico.

    — … — Alexander.

    Ela estava claramente se referindo a quando ele lhe disse para deixar Helena fazer as suas próprias escolhas, por mais difícil que isso fosse para ela.

    — Você não vai intervir? — perguntou a elfa com um toque de curiosidade na voz. — Eles estão perdendo…

    — … — Alexander.

    A luta da dupla estava, de fato, passando por maus bocados.

    O único alento era que ainda não haviam sido atingidos pela parte cravejada da clava. Contudo, isso não impediu que o BOSS os arremessasse contra as paredes por outros meios, castigando seus corpos com a força dos impactos.

    — Você realmente vai deixar as coisas assim? — insistiu Ariel. Seu tom era de pura preocupação, sem qualquer traço de zombaria. — Eles vão acabar morrendo se continuarem apanhando desse jeito.

    — Não é que eu não vá ajudá-los, é que ainda não precisam de ajuda — disse o dragonoid da forma mais calma que conseguia se manter. — Eles estão perdendo porque ainda não estão acostumados a lutar juntos… Mas parece que estão se acostumando aos poucos.

    — Você não se importa que ela aprenda correndo tantos riscos? — surpreendeu-se Helena, juntando-se à elfa.

    — Parece que você ainda não entendeu o meu ponto. Não é que eu não me importe com os riscos, eu apenas sinto que ela ainda não correu perigo real — explicou Alexander, focado na luta. — Pequeno Preto a está protegendo muito bem… Além disso, meramente existir neste mundo já acarreta diversos riscos se você não tiver meios para se defender.

    — Esse cão realmente se preocupa com ela — completou o dragonoid, satisfeito. — Sempre que um golpe está prestes a atingi-la, ele se sacrifica prontamente para protegê-la. E, mesmo com tudo isso, ele ainda não utilizou o trunfo das criaturas de terceira evolução.

    Com o passar do tempo, a luta tornou-se cada vez mais equilibrada.

    O BOSS ainda mantinha uma leve vantagem graças à sua armadura; porém, em um ataque fatídico, quando ele já estava em velocidade máxima, um |Disparo de Luz| da demi o cegou momentaneamente.

    Com aquele tiro — fosse por sorte ou pura habilidade — ela o fez tropeçar, fazendo com que o capacete saltasse de sua cabeça com a queda.

    Sem hesitar, o cão negro abriu a boca e disparou seu fogo mágico sobre o ork, fazendo-o arder em chamas escaldantes. A luta foi basicamente decidida ali, pois seria muito difícil se recuperar de tamanha desvantagem.

    Vendo a oportunidade surgir, Pequeno Preto não hesitou. Ele latiu para Diana, que se segurou com todas as suas forças, e pulou com uma surpreendente destreza na parede para se lançar ainda mais alto sobre o corpo do ork.

    No meio do seu salto, o cão negro começou a crescer e se transformar graças à ativação da sua habilidade furiosa. Em resposta ao perigo se aproximando, o BOSS também ativou sua habilidade furiosa.

    Essa escolha não lhe serviu muito. Pequeno Preto cruelmente utilizou todo o momento da queda como potencial acumulado em uma patada certeira no pescoço do adversário.

    O impacto foi tamanho que a carne se despedaçou, fazendo o sangue jorrar.

    Finalmente se soltando completamente em seu estilo de combate mais direto, o grande cão negro mostrou por que era uma criatura superior do estágio intermediário da 3ª evolução.

    Ding!

    [Missão Concluída]

    — Urgh — Helena.

    — Entendo a sua ânsia de vômito, mas o fim de uma luta entre duas criaturas que estão em um nível semelhante é sempre algo que tende a ser sangrento — explicou Alexander calmamente. — Se não consegue lidar com isso, então é melhor se virar. Tenho quase certeza de que o vencedor parece querer devorar o perdedor ainda fresco.

    — Urgh, Urgh, Urgh — A náusea e ânsia de vômito da dragonewt verde era clara.

    — Vamos tomar um ar, Helena — disse Ariel ao acudir a amiga. — Podemos esperá-los lá fora.

    Surpreendentemente, Pequeno Preto não simplesmente devorou o BOSS. Ele claramente esperou a permissão da sua mestra para começar a devorá-lo.

    — Vai querer alguma parte? — perguntou Diana para o dragonoid.

    — Fiquem à vontade — respondeu Alexander com uma cortesia brincalhona. — Só não o deixem comer o núcleo, ou ele pode acabar sofrendo uma mutação irregular ou maléfica no futuro.

    — Você o ouviu, garoto — disse a demi para o seu familiar, cariciando-o. — Contanto que não coma o núcleo, está livre para comer a parte que quiser.

    O fato de o grande cão ter tanto autocontrole foi surpreendente por si só. O que ele fez a seguir era totalmente impensável para aqueles que só conheciam seu lado agressivo.

    A criatura, virulenta e mordaz, arrancou com suas garras um generoso pedaço da parte que considerou ser a melhor, depositando-o sobre a área mais limpa da armadura do ork.

    Após limpá-la, Pequeno Preto chegou ao ponto de usar as próprias chamas para assá-la da melhor maneira que pôde.
    Ele conseguiu não queimar totalmente a carne e a ofereceu a Diana.

    — … — Alexander.

    Embora a carne não estivesse bem tratada e aparentasse ser passada, Diana não fez cerimônia. Ela simplesmente pegou um pedaço e começou a comê-lo com seu familiar, que estava comendo a versão “mal passada”.

    — Você está bem, Diana? — perguntou Alexander. — Não precisa se forçar…

    — Estou bem — disse ela sem muito “nojinho”. — Falta algum tempero, mas a própria carne compensa.

    — Não é questão de sabor, é só… Não é nada — disse o dragonoid até mudar de ideia. — Você se importaria se Ocean e Storm também comessem?

    — Não vejo problema — disse ela como se isso fosse óbvio. — Mas está tudo bem Storm comer?

    — Não se preocupe. Comida não pode mais levá-lo ao nível máximo da sua forma inicial — explicou ele, sorrindo com um sorriso satisfeito. — Ele esteve evoluindo e já está no limite da sua forma base.

    — Então que eles fiquem à vontade — respondeu Diana calmamente.

    Ocean não precisou de ajuda para comer, mas o pobre Storm ainda não tinha força suficiente.

    Como ele não conseguia comer uma criatura de 3ª evolução crua, Alexander teve que pegar um pedaço e cortá-lo em pedaços de um tamanho certo para ele comer.

    Como todos estavam comendo, o dragonoid pegou um pedaço. Ele cortou e assou a criatura para comê-la também.

    Provavelmente também poderia comê-la crua sem sofrer nenhum problema, mas a assou por uma questão de gosto e hábito. A textura da carne crua não era do seu agrado e ele não queria usá-la para treinar |Mordida|.

    Com várias “criaturas vorazes” comendo-o, o BOSS não durou muito. As únicas partes que sobraram dele foram as pontas que ninguém quis se incomodar em comer.

    Depois que o grupo terminou, tudo o que restou foi pegar a armadura, a clava e o conteúdo do baú da masmorra.

    Felizmente, o grupo encontrou um bom metal no baú da masmorra que poderia ser usado para completar uma das missões que haviam pego na Guilda. Teria sido um revés ter que esperar a masmorra respirar para completá-la.

    Esperar não seria muito produtivo.

    Alexander só aceitou essa missão e outras missões menores para aumentar o prestígio de Ariel e Helena junto à Guilda como aventureiras. O objetivo era promovê-las o mais rápido possível.

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