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    Diana, que até então estava apenas ouvindo, se juntou à conversa e pronunciou-se sobre a última parte. Ela também queria ficar mais forte o mais rápido que pudesse: — Posso aprender também?

    — Não vejo problema — disse Drayygon sem se importar. — Mas já vou lhes adiantando que isso deve doer, e muito.

    — Obrigada pela sua preocupação — agradeceu a demi-canídea com sinceridade. — Ainda vou querer.

    — … — Alexander.

    — Desista do que está pensando — aconselhou o monarca, como se lesse os pensamentos do dragonoid. — Você tem é sorte de ter uma companheira como ela.

    — … — Alexander.

    Vendo seu jovem irmão de juramento se resignar com um suspiro, Drayygon sorriu.

    O dragão ficou bem satisfeito por ele não ter a mente tão fechada: — Já que ambos concordam, vamos começar… Mas vocês vão precisar deitar no chão para não caírem durante o processo.

    Felizmente para o casal, dada a inerente natureza combatente dos {Dragões}, a espécie tem camadas de escamas retráteis naturais como proteção sobre as suas partes sensíveis.

    Como usar roupas não era muito da natureza deles, se não fossem essas escamas, eles teriam a visão de um Drayygon de 2,5m completamente “nu” em cima deles.

    Foi exatamente por causa dessa característica que Alexander não percebeu que Anna era fêmea até ouvir o nome dela, mesmo a segurando na sua frente, e teve absoluta certeza de que não era um {Draken}. A diferença visual mais dominante entre os {Dragões} e os {Drakens}, uma subespécie muito próxima e similar, era justamente essa.

    Limpando a mente desse e de outros pensamentos desnecessários naquele momento, o dragonoid sentiu o rei vermelho ajustar seus corpos com sua poderosa energia. Em seguida, o dragão colocou as mãos sob suas barrigas — uma em cada um deles.

    Após se concentrar um pouco, Drayygon liberou uma grande massa de energia mágica e iniciou o processo.

    Se alguém perguntasse a Alexander o que sentiu, a sua comparação seria com um processo de tortura. Foi como se pequenos vermes começassem a devorá-los lentamente.

    O pior de tudo foi que essa nem era a pior parte. A pior parte era que esses “vermes mágicos” estavam os devorando e crescendo proporcionalmente, então não permitiam nenhuma regeneração.

    Após o que pareceu uma eternidade para o casal, o processo finalmente parou quando os “vermes” terminaram de cruzar os corpos do casal de ponta a ponta.

    Foi só nesse momento que o dragonoid percebeu que os “vermes”, bem como os “túneis” que abriram, não eram físicos. Eles eram basicamente construtos mágicos intangíveis ligando e interligando os corpos deles.

    — Pronto. Isso deve ser suficiente — disse Drayygon simplesmente. — Agora vou abrir um pouco as estruturas que criei e vocês terão que preenchê-las completamente com o máximo de mana que conseguirem.

    Sem poder se mover nem um pouco, o casal só pôde obedecer e preencher as estruturas criadas pelo monarca.

    Contudo, no momento em que terminaram de preenchê-las, o espaço nelas pareceu ir aumentando ligeiramente para permitir que colocassem ainda mais mana.

    Essa interação entre eles se repetiu até que as estruturas estivessem totalmente preenchidas com a mana do casal, deixando apenas uma fina camada mágica que mantinha a forma das estruturas.

    — Vocês se saíram bem — disse Drayygon, surpreso por eles terem conseguido resistir até aquele momento. Não só isso, como também ainda terem conseguido encher suas estruturas com tanto mana. — Agora tentem não desmaiar.

    No instante em que o dragão terminou de falar, as finas camadas mágicas das estruturas que ele criou se fecharam. Elas se vedaram totalmente com as respectivas manas de Alexander e Diana e começaram a exercer uma compressão terrível.

    Soltando uivos de dor, o casal sentiu algo dentro de si.

    Sem ter como escapar daquela pressão, a mana deles começou a se “solidificar” em algo mesmo de forma intangível.

    A dor dessa parte do processo foi tão intensa que eles quase desmaiaram. Porém, quando o processo terminou, um resultado tão maravilhoso quanto logicamente improvável foi revelado: o aprimoramento (Veias Mágicas).

    Ao sentir seu corpo, Alexander confirmou que era como se novas veias tivessem aparecido dentro dele.

    Não era algo normalmente tangível ou visível. Elas eram essencialmente canais/condutores mágicos.

    — Incrível — disse Drayygon, novamente surpreso. — Vocês não desmaiaram.

    Agradavelmente surpreso com aquele casal de criaturinhas, sorriu e disse: — O que ajudei vocês a conseguirem se chama veias mágicas.

    — Elas normalmente são uma das características inatas dos elfos e de outras criaturas intrinsecamente mágicas, mas podem ser “copiadas” por raças que tenham bom controle mágico — explicou, como se subverter um aspecto natural como aquele não fosse algo novo para ele.

    — Apesar de serem cópias, não devem ficar muito atrás das naturais em termos de eficiência — assegurou o rei vermelho. — Embora também tragam vários outros benefícios secundários, têm 2 utilidades principais:

    — Tornar a mana e o poder mágico mais fluidos, otimizando a canalização desses poderes por todo o corpo.

    — Conectar-se a um brasão mágico e à magia dentro dele, permitindo assim que seja usada em seu poder máximo mesmo sem nenhum encantamento.

    — Eu sei que vocês não têm nenhum brasão no momento, mas não precisam se preocupar com isso. Mesmo que não tenham um, sei como criar brasões mágicos de alta qualidade e posso ensinar a vocês — concluiu o dragão como se ter tantos conhecimentos e meios quase perdidos não fosse nada demais.

    Concordando em aproveitar aquela oportunidade incrível, bem como em ficar sob os cuidados e ensinamentos do rei de toda uma revoada de dragões, o tempo passou furtivamente despercebido para Alexander e Diana. Eles ficaram completamente focados em aprender novos conceitos e em como criar brasões mágicos.

    Embora tivessem adiado a criação dos próprios brasões devido à falta de um feitiço ou magia adequado para cada um deles, os mesmos não ficaram muito preocupados ou chateados com isso.

    Não era como se não tivessem aprendido a criá-los, ao menos na teoria, e muito menos como se a semana a mais que passaram na revoada vermelha aprendendo tivesse sido em vão. Eles simplesmente escolheram esperar para obter feitiços ou magias mais adequados para seus respectivos brasões.

    Mesmo que não considerassem ser um desperdício de potencial se vincularem com algo abaixo do Tier IV, de acordo com Drayygon, em algum nível, o brasão mágico de qualquer indivíduo pode se tornar de certa forma hereditário de forma parcial ou integral.

    Ainda segundo as informações do monarca, a magia usada como núcleo do brasão mágico geralmente se torna a magia “central” da família, ligando-a à base da prosperidade futura da família. Descendentes daqueles com o brasão têm uma certa facilidade adicional em usar tal magia, mesmo sem herdar o brasão.

    Por compreenderem a importância de escolher as magias certas, decidiram adiar a criação dos próprios brasões para que Alexander tivesse um pouco mais de tempo para criar magias mais adequadas aos seus respectivos gostos com a ajuda do sistema. Algo semelhante ao que havia feito com a habilidade |Fortalecimento Corporal Mágico|.

    Um dos lados bons dessa situação era que o dragonoid já tinha uma vaga ideia do que iria criar.

    Desde antes dessa desventura fortuita, ele vinha pensando muito em algo assim. Criar um feitiço ou magia se tornou um dos requisitos para evolução de classe.

    Como bônus magistral, a sua ideia também o ajudaria a treinar ainda mais Storm.

    Recordando-se do que aconteceu desde que deixaram a Cidade Lester, Alexander não conseguiu evitar suspirar.

    Tantas coisas aconteceram em tão pouco tempo que só poderia ser considerado um milagre que não tivessem sofrido nenhuma baixa; quanto mais vivenciado as muitas coisas boas que também aconteceram.

    O mais surpreendente foi que a sorte deles pareceu desafiar o próprio céu, pois, como se toda a experiência surreal que ele teve não fosse o suficiente, Drayygon também fez questão de recompensá-lo por proteger Anna.

    O dragonoid imediatamente tentou recusar qualquer recompensa dizendo que não haveria uma recompensa maior do que ser reconhecido como irmão de um dos ||Reis Dragões|| e ter o sangue dele correndo em suas veias, o que era verdade, mas o rei dragão apenas lhe disse que a palavra de um verdadeiro dragão não pode mudar tão facilmente.

    Já que Anna prometeu uma recompensa no nome dele, haveria uma recompensa em todos os termos e implicações.

    Recebendo uma recompensa que variava de ervas raras, cristais energéticos e metais preciosos a uma escama da mãe de Anna, bem como uma grande garra e frascos do sangue de Drayygon, Alexander percebeu que o tesouro contido no item de armazenamento que recebeu, que também continha o {Pássaro Imortal das Chamas Infernais}, era o suficiente para literalmente levar reinos e impérios à guerra.

    Agraciado com todos esses benefícios, Alexander só achou uma pena não ver a mãe de Anna.

    Segundo Drayygon, ela estava mantendo a ordem na revoada dourada dela e no outro lado da Floresta Estelar.

    Ambos não permitiam que civilizações avançassem na floresta e vice-versa.

    O mais interessante sobre o controle que mantinham sobre a floresta era que não o faziam a pedido de ninguém, nem por algum senso de dever ou obrigação. Eles simplesmente não queriam que uma guerra estourasse no continente entre potências de nível {Força da Natureza}.

    Obviamente, eles, seres apocalípticos que desdenham o mundo, não temiam uma guerra de nível {Força da Natureza}. Mas além da segurança mínima dos membros das suas revoadas, ambos os reis também não queriam que uma guerra dessas se tornasse total e tirasse a paz deles.

    Com o saldo de ganhos positivo, entre os tangíveis e o amplo conhecimento que obtiveram, o grupo de Alexander foi escoltado para uma região relativamente segura da Floresta Estelar por um dragão vermelho de 5ª evolução.

    O próprio Drayygon não os acompanhou porque sua aparição naquela região poderia dar margem a diferentes interpretações, assim como bagunçar toda a cadeia da região apenas com sua mera presença.

    O grande problema com todo esse desfecho foi que Anna se apegou muito ao grupo, especialmente a Diana, e não queria que eles fossem embora.

    Mesmo que seu pai “tivesse” que continuar a sua jornada para cada vez mais longe do Império e do destino final do grupo, ela quase quis adotá-los como “pets”.

    Não havia como alguém não se comover ao menos um pouco com a expressão triste de Anna, muito menos Diana, que naturalmente tem um fraco por essas situações.

    No entanto, como elas teriam que seguir em frente eventualmente, a demi achou melhor conversar com ela.

    O apego de Anna naquele ponto era tanto que Diana só conseguiu acalmá-la e convencê-la após muita conversa e a promessa de que eles voltariam para visitá-la algum dia, com muito mimos e presentes.

    Alexander até suspeitava que o talento dela tinha seus efeitos em passar sinceridade para convencer a dragonesa.

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