Capítulo 148 – Às vezes a escolha óbvia é a melhor
Divertindo-se um com o outro até notarem a aproximação do seu grupo e que não teriam mais tempo para fazer aquilo novamente sem acabarem em uma situação que Diana não iria gostar, o casal se separou. Eles então tomaram banho, vestiram roupas novas e começaram a preparar a comida em uma área próxima ao lago.
Verdade seja dita, aquela minúscula ação de autocontrole foi bem difícil para eles.
Naquele ponto das suas vidas, e durante muito tempo depois, Alexander e Diana eram como uma savana seca durante a estação das tempestades de verão: se deixados por conta própria, geralmente iriam se consumir num “fogo voraz” capaz de incendiar tudo.
Quando ambos já estavam mais calmos e a comida começou a perfumar o ar, o resto do grupo finalmente chegou.
A reação de surpresa de Helena ao ver o lago foi engraçada. Ela parecia muito querer entrar para tomar banho.
— Vou dar uma volta e ver se encontro algumas ervas. Então sintam-se mais à vontade… — disse o dragonoid a Diana, claramente falando para o grupo. — Chamem quando terminarem ou se acontecer alguma coisa. Não estarei longe.
— Tudo bem — assentiu Diana em concordância.
Separando-se do grupo e passando algum tempo procurando ervas e seus afins, Alexander percebeu duas coisas: ele se tornou muito bom em encontrar as ervas que já conhecia, e a quantidade e qualidade delas se tornou muito mais rasa e escassa.
Isso provavelmente significava que seu grupo já estava em áreas razoavelmente exploradas.
No momento em que foi chamado de volta ao grupo, tudo parecia estar em ordem. Uma refeição realmente farta já estava pronta, muito provavelmente pelo que aconteceu na última refeição.
Após o grupo comer, eles acabaram em um pequeno impasse: ainda era cedo para dormir, mas também estava começando a escurecer. Talvez não encontrassem lugar melhor do que aquele para passar a noite.
Alexander não tinha motivos para ter medo de se mover à noite naquela parte da floresta, dadas as criaturas que deveriam habitar ali. No entanto, como o grupo não era só ele e não havia bons motivos para se apressar apenas para ganhar algumas horas, ele ouviu sua companheira e o grupo montou acampamento ali mesmo.
Não tendo muito mais o que fazer além de descobrir o que fazer para aproveitar o tempo que tinham antes de dormir após montar a estrutura do acampamento, Helena foi conversar com o dragonoid.
— Me desculpe por incomodá-lo, mas você poderia me ajudar? — pediu a dragonewt verde claro, com suas escamas quase reluzindo sob a luz mais fraca. — Já pensei em muitas armas diferentes, mas ainda não sei qual usar.
— Não há por que se desculpar — assegurou ele despreocupado. — Eu mesmo disse que você poderia perguntar…
— Quanto à sua dúvida, na minha opinião, a forma mais fácil de se escolher é sempre por eliminação usando os pontos mais importantes — sugeriu de forma pragmática. — Por exemplo: se você tem talento para uma determinada arma, se tem um objetivo específico em mente, ou apenas com base no seu corpo e constituição física.
— … — Helena.
— Tome-me como exemplo — sugeriu Alexander ao ver que ela parecia confusa. — Você viu que a arma que uso é a lança. O meu ponto é que não creio ter um talento inato para utilizá-la, e ela também não é a arma mais adequada para o meu porte físico… Eu a escolhi porque tinha um objetivo específico em mente.
— Não acho que tenha algum talento específico com qualquer arma e também não tenho outro objetivo em mente a não ser ficar mais forte — disse a dragonewt ainda um pouco perdida. — Eu… eu.
— Não se preocupe tanto com isso. Não existe uma arma melhor que todas as outras em todos os cenários; até porque, se tal arma existisse, não existiriam tantos tipos diferentes — respondeu ele de forma lógica. — A sua situação nem é das piores. Para falar a verdade, ela pode até te favorecer a longo prazo se você se esforçar.
— Como não está limitada por um objetivo ou vocação específica, já que não os possui, você pode simplesmente usar uma arma que seja adequada ao seu corpo e porte físico — apontou com um sorriso.
— Sério? — alegrou-se Helena. — E qual arma você acha que eu devo usar?
— A sua situação é bem específica e por isso é complicado ter certeza — comentou o dragonoid pensativo. — Mas se eu fosse você, tentaria usar duas armas em vez de uma: o arco como arma principal, e adagas, ou lâminas curtas, como secundárias.
Ariel, que até então estava só ouvindo a conversa, assentiu à escolha e resolveu participar: — Interessante. Eu também estava pensando algo parecido… Mas por que você sugeriu usar adagas em conjunto com o arco?
— Hmm… É um pouco complicado explicar sem exemplo, então vamos criar um — disse Alexander ao ponderar sobre como responder aquela pergunta. — Ataque-me o mais forte que puder.
Sem pensar duas vezes, a elfa sacou uma das suas adagas e o atacou. Ela também queria ver o quão forte ele era.
Sob os parâmetros técnicos, o ataque dela foi bom, mas o dragonoid ainda era superior. No instante em que ela se moveu, ele avançou, reduzindo o espaço dela e a repeliu com a asa.
— Já foi o suficiente para eu explicar — disse Alexander ao afastá-la. — Obrigado pela ajuda.
Completamente surpresa com a forma dele usar o corpo e com a mão ainda tremendo com o impacto, a elfa olhou para a asa dele e viu que ela não parecia minimamente danificada.
— Voltando à explicação, a minha escolha visa maximizar os pontos fortes dela enquanto tenta cobrir ao máximo seus pontos fracos — explicou o dragonoid como se o pequeno embate não tivesse sido nada. — Numa luta de curta distância, eu sou resistente o suficiente para aguentar os golpes enquanto você é ágil o suficiente para desviar deles. Contudo, não creio que possamos dizer o mesmo dela.
— Você tem razão — admitiu Ariel, ainda o reavaliando. — Ela até tem uma boa destreza, mas não acho que seja adequada para esse tipo de combate. O próprio corpo a limitaria, pois ela tem mais membros, como asas e cauda.
— Exatamente — concordou Alexander. — Mesmo eu só posso usar toda minha velocidade e agilidade contra meus oponentes porque não preciso ter medo de eles acertarem minha cauda ou asas, como demonstrei há pouco.
— Por isso recomendei que ela usasse o arco. Com tal arma, ela poderá utilizar as principais qualidades do seu corpo de forma relativamente segura — explicou, dando de ombros. — Ela pode não ter a resistência dos {Dragonewts}, mas pode treinar para obter a força e os outros atributos de um.
— As adagas, ou lâminas curtas, são para quando ela não conseguir abrir ou manter a distância e o inimigo se aproximar dela — acrescentou de forma pragmática. — Pode-se dizer que é uma falha da pessoa como arqueira se isso acontece, mas acho melhor ter outra opção além da morte nesse caso.
— Essa escolha realmente cobre bem a maioria dos pontos fracos dela enquanto potencializa muito as suas vantagens naturais — admitiu a elfa, grata. — Eu estava certa em dizer a ela para também pedir a sua opinião… Obrigado.
— Não precisa agradecer — disse o dragonoid casualmente. — Eu disse que tentaria ajudá-la quando verifiquei o corpo dela. E tento não voltar muito atrás em uma promessa.
— … — Ariel.
— Não me olhe assim. A lógica é simples: se prometo algo é porque é viável e estou disposto a fazê-lo — explicou ele. — O contrário também se aplica: se não for viável ou eu não estiver disposto a cumprir, não vou prometer.
— Entendo… — assentiu a elfa como se isso lhe fizesse sentido. — Eu posso fazer só mais uma pergunta?
— Claro — respondeu Alexander.
— Que proteção foi aquela que amortizou o meu ataque? — perguntou Ariel curiosa.
— É uma barreira — ele explicou, sentindo a mana sobre sua pele. — Ela me protege passivamente.
— Nunca ouvi falar de uma barreira assim que não fosse mágica — comentou a elfa surpresa.
— É mesmo, não contei a vocês — lembrou-se o dragonoid sorrindo. — Como você deve imaginar, meu estilo de combate é híbrido. Mas ao contrário do que você parece pensar, não sou um {Guerreiro} que usa mana; sou um {Mago} que usa combate marcial.
— … — Ariel.
— … — Helena.
— Parando para pensar um pouco, acho que Helena deve conseguir aprender a usar essa barreira mágica — ponderou ele, pensativo. — E a dela deve vir a ser, proporcionalmente, mais forte que a da maioria, graças às suas escamas.
— |Barreira de Mana| não é uma habilidade que requer um grande controle sobre a mana. Ela é apenas uma habilidade passiva que sincroniza sua mana com a do ambiente — explicou Alexander à dragonewt. — E graças às suas escamas, você sempre tem muita, muita mana na parte mais externa do seu corpo. Isso deve ajudar e aumentar a sincronização da sua mana com a do ambiente.
Agradavelmente surpresa a ponto de ter que segurar as lágrimas, Helena olhou e acariciou carinhosamente as escamas do seu braço. Aquilo que ela pensava ser seu fardo, sua maldição, na verdade estava se provando uma grande vantagem, se usado e tratado da maneira correta.
— Lhe disse, suas escamas têm valor — a lembrou o dragonoid. — O importante é não focar nos seus pontos fracos, mas sim trabalhar nos seus pontos fortes.
Após dar a ela algum tempo para se recuperar e se recompor, Alexander continuou: — Que bom que você começou a ver sua situação com outros olhos, mas ainda temos alguns problemas: não tenho um arco para você aprender, e também não sou o mais indicado para lhe ensinar |Barreira de Mana|. Então você terá que perguntar a Diana se ela está interessada em lhe ensinar.
— Tudo bem, vou falar com ela — assentiu a dragonewt animada.
— Quanto às adagas, você já tem uma professora — provocou ele antes de se virar para a elfa com um sorriso. — Mas deixe-me alertá-la sobre uma coisa, Ariel: tente ensiná-la a usar adagas e não o seu estilo de combate. Como ela não pode lutar da mesma forma que você, deve aprender o próprio estilo de luta.
— Vou manter isso em mente — respondeu a elfa de forma leve. Havia um claro sentido naquilo.
Quando a conversa entre eles terminou, Helena foi conversar com Diana enquanto Ariel começou a pensar em como ensiná-la adequadamente.
Com a situação resolvida, o dragonoid voltou a fazer o que vinha tentando desde que estava com Drayygon.
Com Storm bem empoleirado em seu ombro, como fazia sempre que ia tentar criar seu novo feitiço, Alexander acendeu os 10 dedos das suas mãos com feitiços básicos dos elementos água, terra, fogo, ar e raio.
Ele já tinha um esboço de como deveriam ser os feitiços para os brasões mágicos dele e de Diana. Mas como ainda não tinha o que era necessário para criar o feitiço que queria para o seu brasão, sua escolha foi começar pelo que seria do brasão de Diana.
Na opinião dele, o dela exigiria muito mais controle elemental do que conhecimentos específicos em si.
Aquecido e novamente familiarizado com as nuances das afinidades elementais que havia escolhido, o dragonoid mandou Storm ir para uma distância segura e alertou as demais antes de começar: — Não importa o que aconteça, vocês não devem se aproximar de mim; pode ser um pouco perigoso para vocês… Mas não se preocupem comigo, ficarei bem.
Recebendo a confirmação delas, bem como sua atenção, Alexander lançou seus 10 feitiços básicos dos elementos que havia escolhido, um após o outro, e os fez dançar ao seu redor para confirmar se realmente conseguiria mantê-los ativos mesmo com alguma instabilidade.
Surpresas, fascinadas e assustadas com as habilidades mágicas dele, Ariel e Helena não puderam deixar de se virar para Diana e ver nela se aquilo era mesmo relativamente normal.
Para a surpresa delas, a demi parecia bem calma, mantendo apenas um leve sorriso de satisfação no rosto.
— Essa nem é a plena capacidade dele — surpreendentemente gabou-se Diana. Ela realmente gostava quando ele era reconhecido. — Em seu máximo, não duvido que consiga fazer o mesmo até com feitiços no pico do Tier II.
Após confirmar novamente a capacidade de manter a estabilidade de tantas magias, e assim a viabilidade do feitiço que desejava criar, o dragonoid dissipou as magias excedentes. Concentrou-se em apenas 2 em cada mão.
Utilizando a grande estabilidade mental de |Asura| para atividades multitarefas, bem como a fortalecendo com |Impulsionar Capacidade Cerebral|, Alexander começou a sua verdadeira empreitada: combinar feitiços.

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