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    Mesmo que estivessem em uma cidade e o bordel estivesse cheio de pessoas cuidando dos próprios negócios, a dona do estabelecimento não duvidou, nem por um segundo, do dragonoid. Ela conseguia sentir que ele realmente mataria aquele demi no segundo que tivesse a menor oportunidade.

    Diante da iminência do embate, a atmosfera tornou-se opressiva.

    Um silêncio frio e absoluto tomou o lugar. Todos pararam o que estavam fazendo para ver o que viria a seguir.

    — Tem mesmo que ser assim? — indagou a demi-felina dona do bordel. — Isso só vai lhe trazer problemas sem fim.

    — Se ele tivesse falado de mim, isso seria fácil de ignorar. Eu provavelmente teria sido desdenhoso até para sequer respondê-lo — garantiu Alexander com um respeito tácito apesar do tom frio. — Mas ela é meu tudo e não deixarei ninguém ofendê-la facilmente; ainda mais um merdinha como esse aí.

    — Eu posso não matá-lo aqui dentro por respeito a você, que nos recebeu em seu estabelecimento — declarou o dragonoid, dando um pequeno passo atrás. — Mas no momento em que os pés dele pisarem na rua, eu o matarei; quer você o proteja ou não.

    — Você o quê?! — explodiu o Demi que ofendeu Diana, não conseguindo mais se conter. — Eu gostaria de ve-.

    Sem que Alexander precisasse fazer nada, o Demi saiu voando até colidir com uma viga muito grossa na parede e caiu inconsciente. A Demi felina o fez calar a boca com um soco no estômago antes que outra pessoa o fizesse.

    — Poderia relevar? — pediu a dona do bordel de forma apaziguadora. — Considere-o como meu parente.

    — … — Alexander.

    — Eu sei que ele é mimado e está sendo um completo idiota impulsivo por ter se tornado um aventureiro de nível ouro, mas asseguro que não é uma causa perdida… — argumentou a felina, virando-se para Diana. — Você me faria o favor de segurar o seu homem, docinho? Eu ficaria lhe devendo essa.

    — Você pode parar? — pediu a canídea, por sua vez, ao dragonoid. — Por mim…

    — Agradeço muito a sua compreensão e paciência em nos receber, mas se você realmente quer que esse idiota sobreviva, mantenha-o trancado em algum buraco escuro por uma semana. Esse é o período mais longo que pretendo ficar nesta cidade — disse Alexander com uma expiração audível, como se forçasse sua raiva para fora. — Mesmo que eu não o mate hoje, posso não responder por mim mesmo se o vir na rua sem ela por perto… Nesse momento não sobrará uma única gota do sangue dele no chão como rastro do seu fim miserável.

    — … — Responsável pelo bordel.

    — Já que cheguei a esse ponto, tudo o que posso fazer é ir embora do seu estabelecimento, mas deixe-me lhe dar um último conselho antes de ir — disse o dragonoid abrandando seu tom. — Ensine a esse idiota o mais rápido possível que há céus além do céu que ele olha do fundo do poço em que vive.

    — Há curativos que parecem bem recentes no corpo dele, e apenas em pontos não vitais. Então, se eu estiver certo, ele também é o mesmo idiota que foi causar problemas na Guilda dos Aventureiros — apontou, sério. — A Guilda tem regras que restringem isso, e você o salvou de mim pedindo para minha mulher me dissuadir. Mas a sorte dele não vai durar muito — quiçá para sempre — se ele continuar assim.

    Como a demi-felina responsável pelo bordel provavelmente já havia estimado muito da sua natureza, Alexander decidiu voar assim que pisaram na rua. Mas não antes de lhe jogar 2 grandes moedas de platina: — Bebidas por minha conta para compensar o inconveniente causado a todos esta noite.

    Tendo um final de noite anticlimático como aquele em relação ao belo dia que tiveram, ele decidiu levar Diana para uma volta pelo céu noturno. Um bom passeio para melhorar o ânimo deles antes de voltarem para o quarto na Guilda.

    O céu noturno realmente os acalmou e animou com algum conforto.

    No momento em que o casal voltou para o quarto, dormiram mais abraçados do que nunca. Ambos não precisavam mais se preocupar com o contato naquela noite para não serem dominados pela luxúria.

    Dormir naquele aconchego foi tão bom que perderam completamente a noção do tempo. O sol já despontava alto no céu no momento em que o casal se levantou.

    Alexander poderia ter usado um feitiço para limpá-los rapidamente, mas mesmo já estando um pouco atrasado, não estava com vontade de correr. Um chuveiro foi até criado para que pudessem aproveitar mais antes de sair.

    Quando o casal chegou à taverna da Guilda, encontraram Ariel e Helena já os esperando. Embora, provavelmente, já estivessem esperando há algum tempo, elas não pareciam zangadas.

    — Bom dia — cumprimentou Diana cordialmente.

    — Desculpe o atraso — disse Alexander, se desculpando por eles. — Vocês duas dormiram bem?

    — Obrigada pela preocupação — respondeu Helena correspondendo à cordialidade. — Nós dormimos bem.

    — Mas pelo que vejo, vocês dormiram ainda melhor — acrescentou Ariel, perceptiva.

    — … — Diana.

    — Verdade. Dormimos muito bem — concordou o dragonoid sem entregar mais nada. — Mas vamos deixar isso de lado por enquanto. Já nos atrasei demais.

    — Vocês estão prontas? — perguntou, passando os olhos pela dupla. — Vamos fazer uma pequena parada na casa de John, mas de lá seguiremos direto para nossa primeira masmorra avançada como grupo.

    — Estamos prontas — garantiu Helena, um pouco ansiosa. — Só estávamos esperando por vocês.

    — Então, tudo o que falta é procurarmos por missões relacionadas à masmorra para onde vamos — disse Diana, habituada ao modus operandi do companheiro. — E buscar nossos familiares para começarmos o dia de exploração.

    Assim que pegaram seus familiares, Pequeno Preto fez questão de deixar claro seu descontentamento. Recebeu muito mais comida do que o normal, mas a qualidade estava abaixo da que normalmente comia.

    Felizmente o familiar dela não fez nada muito louco devido à influência de Diana, mas também não queria ter o menor contato visual com Alexander. Ele basicamente se sentia como se tivesse sido enganado.

    Não era como se a culpa fosse de alguma das partes.

    Como o predador voraz que era, o cão negro estava acostumado a comer ao menos criaturas de 2ª evolução. A Guilda, por outro lado, oferecia uma comida mais acessível.

    Vendo que não tinha mais tanto tempo, Diana só pôde dar a ele parte da refeição que ela sempre reservava. A demi também lhe prometeu algo melhor na próxima refeição.

    Com o humor bem melhor após comer, Pequeno Preto ficou ainda mais animado ao saber que iriam finalmente lutar.

    Passando na casa de John para ver o andamento dos seus pedidos, descobriram que o ferreiro havia reservado uma sala na Guilda dos Ferreiros para terminar os projetos. Felizmente, ele enviou os itens deles e os moldes.

    — Aqui está o seu protótipo, garoto — disse Jayce, entregando um imponente arco longo e recurvo a Alexander. A forma da arma ainda era simples, mas o equilíbrio era assustadoramente preciso para algo daquela magnitude.

    Fora construído em só um dia. Um feito notável para um modelo que Jayce jamais havia manuseado ou visto antes.

    — Você é bom no que faz, Jayce — elogiou Alexander, bem satisfeito com o modelo. — Em tão pouco tempo, você fez um modelo muito melhor do que eu esperava.

    — Pare com isso, garoto — disse Jayce, fazendo descaso. — Este arco ainda está longe de ser perfeito. Sem mencionar que seu sistema métrico também me ajudou a equilibrá-lo muito mais rápido.

    — Sei que ainda precisa de algumas melhorias, mas você também deveria se permitir receber o crédito — argumentou Alexander, sério. — Agora vamos deixar de besteira e testá-lo… Diana vai primeiro, depois Helena e eu vou por último.

    Surpresa e confusa por ele ter lhe pedido para testar o arco, a demi-canídea o encarou por um instante. Ainda assim, experimentou o modelo, conseguindo tensioná-lo apenas o mínimo necessário.

    Helena, por sua vez, saiu-se um pouco melhor ao puxar a corda. Mas isso lhe custou tanta energia que, num momento de fraqueza, ela quase se machucou com a corda tensionada.

    Após elas terminarem os seus testes, o dragonoid devolveu o arco para Jayce. O anão então passou a replicar a puxada delas para avaliar qual nível de força seria mais adequado.

    Com os testes delas feitos, foi a vez do dragonoid receber o protótipo: — Ainda precisa que elas testem algo, ou eu já posso realmente me soltar?

    — Já tenho uma estimativa — assegurou Jayce despreocupado. — Pode fazer seu teste.

    — Nesse caso, é melhor vocês se afastarem — avisou Alexander, preparando-se para puxar o arco.

    — Por quê? — perguntou Jayce, confuso. — Você pode puxá-lo sem qualquer dificuldade.

    — Meu teste não é para ver se tenho força suficiente para puxá-lo, é para ver se o arco vai suportar toda a minha força sem quebrar — explicou o dragonoid sorrindo. — Se ele quebrar, partes dele podem voar e atingir um de vocês.

    — … — Ariel.

    — … — Diana.

    — … — Helena.

    — … — Jayce.

    A intenção dele não era se exibir destruindo o arco com força bruta; só não fazia sentido ter um arco que pudesse quebrar com a sua força atual, especialmente considerando a sua força crescente.

    Isso apenas limitaria ele e o seu potencial, forçando-o a sempre segurar parte da sua força para não quebrar o arco.

    Como Alexander já previa para o teste de resistência, o arco partiu-se em vários pedaços antes mesmo que ele pudesse tensionar a corda com toda a sua força.

    Jayce, contudo, não demonstrou decepção. Pelo contrário: a excitação com esse desafio brilhava nos olhos do anão.

    — Não se preocupe, garoto — disse Jayce após lembrar e estimar a força física do dragonoid. — Não vou sair por aí falando da sua força… A não ser que eu esteja muito bêbado, rsrs.

    — … — Alexander.

    Ignorando aquela brincadeira, o jovem pediu emprestado uma das áreas da casa para que ele e Diana pudessem equipar seus itens antes de partirem para a masmorra avançada.

    Eles pareciam bem normais quando entraram na sala, mas quando saíram estavam totalmente equipados. O casal começou a aparentar uma verdadeira dupla de aventureiros imponentes.

    A armadura azul do dragonoid contrastava fortemente com suas escamas e cabelos vermelhos. Ao mesmo tempo, ela também emanava uma aura dracônica que parecia combinar perfeitamente com ele.

    O caso de Diana era um pouco menos imponente, mas muito mais charmoso. Ela estava usando uma armadura protetora interna leve e um manto mágico.

    Como seu manto era feito de fios de seda que haviam sido imbuídos de mana de luz, eles respondiam bem à afinidade dela, liberando um leve brilho.

    — … — Ariel.

    — … — Helena.

    — Parece que a armadura realmente faz o ser — comentou Alexander analisando sua própria imagem. — O que você acha, Diana? Estou bem assim? Porque você é e está linda.

    — Você está incrível — respondeu a demi animada. — Até parece o herói do livro que li quando criança.

    — Infelizmente, não estou destinado a ser um herói como o do seu livro — disse o dragonoid com um tom brincalhão, se aproximando dela. — Mas posso ser um ladrão muito habilidoso… Deixe-me demonstrar.

    Sem esperar por uma resposta, roubou um beijo da boca dela.

    Como ela não conseguiu responder a tempo para corresponder ou se afastar, o “ladrão” fugiu com o beijo.

    — Você é mau, “Sr. Ladrão” — “reclamou” Diana, coquete. — Indo e vindo como bem entende por apenas um beijo.

    — Poderiam parar com isso? — pediu a elfa diante do dengo entre o casal. — Nós já não estávamos atrasados?

    — … — Alexander.

    — … — Diana.

    A demi ficou furiosamente vermelha ao ter sido acordada de sua fantasia daquela forma.

    No entanto, como não havia mais tempo, o grupo foi para a masmorra mesmo com aquele clima estranho.

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