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    Para a sorte de Alexander, mobilizar uma pessoa com um {Talento} tão específico, de outro poder e no meio da noite, levava um tempo considerável, mesmo para o diretor da Academia dos Combates Gêmeos. E aproveitando esse tempo para se recuperar o máximo que pôde com a assistência de Diana, Ocean e Storm, ele conseguiu ficar relativamente bem antes de ser convocado pelo diretor para ver o portador do talento {Olhos da Verdade}.

    Assim que entrou na sala e sentiu seus instintos alertá-lo sobre mentir na presença do homem de meia-idade que estava lá, Alexander respirou e disse: — Boa noite, senhores. Agradeço por me concederem seu tempo para que possamos resolver esta situação da melhor maneira possível, mas declaro aqui e agora que tudo o que disse naquela barreira é verdade e que só direi isso em frente aos {Olhos da Verdade}.

    — Se o meu caro diretor quiser me perguntar mais alguma coisa daqui para frente, ele terá que dispensar esse honrado senhor e confiar na minha palavra — concluiu ele sem ser desrespeitoso, mas também sem demonstrar qualquer fraqueza.

    No exato segundo em que as palavras dele caíram, todos e absolutamente todos na cidade sentiram algo pressioná-los, assim como as veias pulsando naquele que era conhecido como ||Céu Trovejante|| não poderiam ser mais evidentes.

    — Você está achando que isso aqui é algum tipo de brincadeira? — questionou-o friamente Robert, a força da natureza que era um dos pilares do Império.

    — E minha vida é algum tipo de brincadeira? — rebateu Alexander. — Desde o início eu deixei bem claro meu desejo de permanecer livre, até por isso fui embora. Mas o senhor, e o Império, vez após vez continuaram a me forçar a um canto.

    Não querendo estender-se muito nem desencadear a fúria irrestrita daquela grande calamidade viva, ele aproveitou o pesado silêncio que se abateu sobre a sala para concluir: — Mediante os nossos argumentos, parece-me que o senhor tem duas opções: verificar com seu caro convidado se eu estou mentindo sobre alguma coisa, ou jogar com a sorte e esperar pelo melhor, porque todos têm sua linha de fundo.

    Com as palavras cheias de convicção e emoção dele traçando mais uma vez a linha de fundo que ele já havia mencionado antes, o diretor Robert voltou-se para o seu convidado, que lhe sinalizou que as palavras dele não pareciam mentiras, e logo caiu em uma contemplação profunda de como a situação havia chegado ali.

    Conhecendo a posição que aquele homem ocupava no Império e o que ela deveria representar para ele, Alexander pensou um pouco e disse uma frase que poderia muito bem ser descrita como o fator decisivo da noite: — Por mais que não pareça, não tenho intenção de ir contra o Império ou a família imperial se eles não fizerem nada contra mim. Eu até admiro o Império em alguns aspectos.

    Ao vê-lo se comprometer um pouco mais ao falar aquilo sobre a premissa de não poder mentir, o diretor olhou novamente para seu convidado, suspirou um pouco e também deu um passo para trás. — Então parece que ainda nos restam alguns pontos de convergência mínimos, mas indispensáveis, para dialogarmos.

    Com a situação regredindo até uma mínima normalidade, mesmo com Alexander deixando bem claro que não faria todas as concessões nem colocaria todas as suas cartas na mesa, eles voltaram a conversar de uma forma bem mais séria e produtiva assim que o portador dos {Olhos da Verdade} foi embora.

    A insistência de Alexander em falar a sós com um diretor não era algo relacionado à confiança ou à imposição, era porque ele próprio não tinha muita confiança se o que usava como dissuasor realmente tinha chance de acontecer. Pois apesar dele ter realmente recebido algum favor e meios, além da permissão para usar o nome de Drayygon, quem sabe se um ||Rei Dragão|| se moveria ou não por ele? Aquela era uma aposta muito alta para ele sequer correr o menor risco de ser pego em qualquer contradição.

    Apesar da aparente superioridade argumentativa de Alexander, a sua situação era completamente o oposto. Não era que ele fosse bom o suficiente para escapar impune com a sua lábia, era só que ele não valia o menor dos riscos de atrair a ira de um ||Rei Dragão|| sobre o Império.

    Depois de algum tempo conversando sobre como as coisas haviam chegado àquele ponto, o diretor Robert levantou-se de sua cadeira, pegou todos os membros do grupo de Alexander com sua mana e disparou em direção a Cidade Gêmea. O seu motivo foi bem simples, ele chegou à parte da história onde descobriu que alguns idiotas do Império ousaram sequestrar a filha de um ||Rei Dragão||.

    Se a história fosse realmente verdadeira, e se algo acontecesse, aquele poderoso dragão tinha mais um motivo real para atacá-los com toda sua ira. E este era um risco que o Império não poderia correr só por causa de alguns “mal-entendidos” com a família imperial.

    Assim que eles chegaram à Cidade Gêmea, a primeira coisa que o diretor organizou foi uma demonstração aos representantes das famílias reais e da família imperial de que Alexander não conseguia empunhar a espada do seu fundador. Para ser mais preciso, a espada até o rejeitou com ainda mais veemência do que o comum, como se ela nem quisesse chegar perto da mão dele.

    Surpresos, mas claramente bem aliviados por ele ter mencionado a verdade na sua carta, às famílias presentes e os seus apoiadores suspiraram aliviados por alguns segundos. Mas assim que o aliviou passou, outras questões foram levantadas e o debate arrastou-se para um nível que teria de ser discutido na capital do Império, a cidade Vermilion, mediado pela presença do próprio Imperador.

    Não querendo se envolver ainda mais nessa politicagem entre as famílias de sangue imperial e os seus pretensos apoiadores, Alexander esperou até o momento em que o diretor ficou sozinho e informou-o que estava indo embora com seu grupo.

    — E o que você pretende fazer agora? — perguntou o diretor, curioso.

    — Como as coisas chegaram a esse ponto e tivemos até que voltar ao Império, acho que nós vamos visitar os pais de Diana e passar algum tempo com eles — respondeu Alexander com sinceramente. — Agora se o senhor está se referindo ao que vamos fazer no futuro, eu mesmo ainda não sei muito bem.

    — Já pensou em vocês se tornarem nobres e governarem um território? — sondou o diretor. — Assim como tudo na vida, isso também tem seus prós e contras.

    — E como eu me tornar um nobre é diferente de desistir voluntariamente da minha liberdade? — perguntou Alexander calmamente. — Eu não me importo de realizar missões e tarefas que considero justas se me oferecerem um pagamento adequado, afinal sou um aventureiro. O senhor já deve ter entendido isso… Mas colocar minhas escolhas nas mãos de outras pessoas não é algo que pretendo fazer.

    — Já que é assim, eu vou pensar em alternativas para o seu caso — disse o diretor, um pouco decepcionado. — Mas por enquanto você já está livre para ir e vir pelo Império sobre minha autoridade… Só tente não matar ninguém até eu resolver a sua situação com o Imperador na capital.

    — Minhas palavras obviamente seguem de pé — respondeu Alexander. — Enquanto ninguém tentar me prejudicar, eu não tenho motivos para retaliar.

    Tendo dito tudo o que parecia necessário ser dito, Alexander se virou para sair da sala do diretor. Mas assim que chegou perto da porta, ele parou, pensou, ajustou seu status com o [Anel do Deus Ladrão] e deixou um comentário: — DragonSeal… A partir de hoje eu irei atender por Alexander Ocean DragonSeal.

    Com sua situação e a do seu grupo minimamente resolvida e consolidada, Alexander deixou a cidade Gêmea em direção a cidade Lester. A sensação de não precisar ficar olhando por cima dos ombros a cada segundo era simples, mas inebriante.


    PDV Robert ||Céu Trovejante||

    Assim que Robert pensou que a situação iria se acalmar e ele poderia contornar tudo com algum tempo, as últimas palavras de Alexander lançaram outra bomba em seu colo, pois já havia lido sobre uma família DragonSeal antes.

    Segundo o pouco que tinha sobre esta família antes dela simplesmente desaparecer dos registros, ela era uma família com bem poucos membros, mas todos eles eram incrivelmente poderosos graças à sua linhagem dracônica e aos estreitos laços que tinham com alguns dragões habitantes da Floresta Estelar.

    Ainda de acordo com os autos, esta família desapareceu pouco antes da campanha contra o ||Imperador das Bestas||, o que possivelmente decorreu em virtude de um confronto sangrento entre eles e as potências locais que queriam controlá-los e usá-los para se fortalecerem naqueles tempos de incerteza.

    Apesar da maior parte das informações parar por ali, Robert chegou à conclusão de que isso não deveria causar um grande problema, já que de certa forma foi a família DragonSeal quem pavimentou o caminho para a criação do Império ao enfraquecer as antigas potências locais, e foi a atual linhagem imperial que varreu os algozes da família DragonSeal para assumir o poder. Esses dois ramos familiares nunca se cruzaram e/ou se digladiaram propriamente dito.

    Os únicos pontos negativos sobre toda essa situação eram que a família DragonSeal era conhecida por ter um temperamento irrefreável, talvez por sua forte linhagem dracônica, e que se isso fosse realmente verdade, a chance de um ||Rei Dragão|| se mover contra o Império era ainda mais alta do que ele pensava.

    Após soltar um suspiro cansado, já imaginando todo o trabalho que provavelmente iria ter, Robert começou a pensar em qual abordagem deveria adotar na capital.

    Obs 1: Contribuição arrecadada para lançamento de capítulo extra: (00,00 R$ / 20,00 R$).

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    Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguiram normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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