Capítulo 247 – Celebrações de Ano Novo
Desgastado, mesmo com suas reservas de energia que fariam seres bem mais velhos e poderosos se roerem de inveja, Alexander engoliu algumas pílulas e poções antes de ir se deitar para se recuperar o quanto podia.
Na manhã seguinte, relutante em levantar, ele enterrou o rosto em Diana para fugir da luz solar. Porém, depois de mimá-lo por alguns instantes, ela o puxou, pois tinha os seus próprios afazeres.
Resignado, Alexander acompanhou-a para o desjejum e vestiu-se. No entanto, em vez de voltar novamente a oficina, dirigiu-se a Dimitri e entregou-lhe uma amostra do primeiro creme que havia produzido, explicando-lhe como aplicá-lo.
Assim que a pele do último recebeu uma camada do creme, Alexander, baseando-se no modo de uso bem específico do creme que pensou ao usar |Inspiração Divina|, começou a analisar o produto enquanto orientava Dimitri em exercícios básicos.
Longe de serem avançados, principalmente por não possuir técnicas de cultivo, os exercícios consistiam em movimentos integrados que ativavam o corpo inteiro, dos pés à cabeça, otimizando a absorção do creme.
Com os dados preliminares em mãos e uma dosagem adulta mínima e uma máxima estabelecida, ele voltou-se para o avô paterno de Diana, que também estava no pátio de treinos, e conseguiu junto ao mesmo um jovem prodígio. Este último serviu de parâmetro para a faixa em torno dos 10 anos em diante, permitindo-lhe calibrar a fórmula para corpos em desenvolvimento.
Ao concluir os testes e analisar as nuances do creme em relação à pureza, Alexander pareceu alcançar uma compreensão mais profunda sobre cada ingrediente, seus preparos e propriedades. Imediatamente, retornou à oficina determinado a replicar o maior grau de pureza obtido, agora sem recorrer a habilidades não essenciais.
Ao se estabilizar entre 80% de pureza, após dedicar o resto do dia enclausurado em sua oficina, Alexander considerou que aquele patamar já era bem satisfatório para tal projeto inovador e decidiu dar-se por satisfeito. Por hora, era o suficiente.
Já no dia seguinte, último do ano, véspera de ano novo, ele optou por não se fechar na sua oficina e passou o dia preparando detalhes para o festival que idealizou enquanto aguardava seu “convidado”.
Por volta do meio-dia, um chilrear ecoou pela cidade, anunciando a chegada de uma criatura de 3ª evolução. Porém, para o azar dela, poderosas auras ergueram-se em resposta à sua entrada espetaculosa, fazendo-a hesitar em pousar.
Notando que provavelmente era o enviado da Igreja Elemental, Alexander pediu aos familiares que contivessem suas auras e dirigiu-se à modesta filial local da igreja.
Não passando despercebido que o enviado escolhera chegar em cima da hora para minimizar seu tempo ali, sem interesse em interações, Alexander, por sua vez, não se preocupou em disfarçar seu desinteresse também. Aquilo se resumia a uma mera formalidade comercial para ele.
O verdadeiro desafio era Diana… Como “mestre de cerimônias” do evento noturno, ele estava ali presente resolvendo os últimos detalhes; e sua genuína fé nos deuses elementais colocava Alexander em ligeira desvantagem.
Valendo-se do flagrante desinteresse do enviado naquela região interiorana, ele passou a delegar as tarefas e ficou acompanhando-a em todos os seus preparativos até o momento marcado.
Por volta da meia-noite, em um silêncio cerimonial, Diana, vestida com o [Robe da Sacerdotisa], recebeu o [Cálice da Prosperidade] do enviado da Igreja Elemental, um item que Alexander considerou, no mínimo, (Transcendente), e pelo qual “doou” 1.000 grandes moedas de Diamante Negro, apenas pelo “aluguel”. E isso só foi possível porque ele tinha os contatos certos a quem recorrer como intermediário.
Com esses e outros pequenos rituais realizados, Diana saiu em procissão, portando o grande cálice, acompanhada de um lado pelos membros da igreja e do outro por Alexander e seus cavalariços. Os pais e parentes mais próximos dela ficaram na vila onde ela nasceu devido à condição de Ánara. Uma área mais centralizada da baronia, e o destino final deles.
Quando a procissão chegou à vila, que, com a sua expansão constante, já parecia mais uma cidade, o cálice foi posicionado para que as pessoas pudessem depositar pedras ou cristais de essência de mana, fazendo suas orações e pedidos. A própria Diana começou a distribuir pedras de mana às crianças presentes, para que elas também pudessem participar.
Com a aproximação do amanhecer, o fluxo de pessoas diminuiu, e os verdadeiros “pesos pesados” começaram a colocar suas ofertas e fazer seus votos.
Alexander foi o antepenúltimo, colocando um saco cheio dentro do cálice. O casal baronial, por sua vez, colocou um saco ainda mais cheio cada um, pedindo proteção e bons presságios para sua criança que estava por vir. Já Diana apenas posicionou a mão sobre o cálice, deixando cair pedras de mana até que ele transbordasse.
A devoção dela era evidente, pois o artefato absorvia e devorava as pedras assim que eram depositadas, inchando de energia mágica até ficar completamente saturado.
Assim que os primeiros raios de sol surgiram, os olhos de Diana brilharam com tanta intensidade que pareciam prestes a arder em poder; e ela ativou o cálice. — Que as bênçãos dos deuses desçam dos céus e se espalhe pela terra… Que haja luz!
Sob seu comando, o cálice rugiu com vida como poucas vezes antes, surpreendendo até o enviado da Igreja, e liberou uma luz ofuscante que cobriu quilômetros ao redor, espalhando um poderoso buff sobre tudo e todos dentro de seu vasto raio de efeito.
— Afastem-se ou, mesmo sendo estimados convidados, não responderei mais por mim — avisou Alexander, mortalmente sério, enquanto a luz ofuscante desaparecia. Já com a lança em uma das mãos, ele segurou Diana, que caía, em seu peito com a outra. — Entendo que você e a Igreja dos Elementos tenham como prioridade a segurança de seus tesouros. Mas também tenho como prioridade proteger os meus.
Levemente assustado ao sentir a hostilidade velada que a outra parte irradiava sobre qualquer potencial ameaça, por menor que fosse, à mulher dele, o enviado parou e o observou. Ele viu o homem fincar sua lança no chão, recuperar algo de dentro do cálice e só então entregá-lo, levitando-o com sua mana em um gesto rápido.
Além de toda a estranheza do que acontecera, o fato de algo mágico ter sobrevivido ao cálice sem sofrer perda total era uma novidade. Mas sem poder se aprofundar mais naquilo, visto que a família baronial se fechou como um todo em torno do membro fragilizado, o enviado guardou o cálice, armazenando toda a singularidade do ocorrido em sua mente.
Além de não ser o momento adequado, ele sabia que não tinha qualquer vantagem tátil naquela situação.
PDV Paulline
Fora do Império, no Estado Estelar do Reino dos Estados Livres, os principais ramos da companhia familiar Lua Negra também estavam reunidos para as celebrações de Ano Novo. E ao vagar um pouco e conversar com conhecidos, Paulline finalmente encontrou quem mais queria ver naquele evento e a puxou de lado para conversar.
— Saudações, Tia-avó. Fico feliz em ver que a senhora está bem — disse Cristina, forçando um fraco sorriso, embora seu semblante não estivesse feliz. — Deixe-me agradecê-la novamente pela oportunidade que me forneceu na filial da Cidade da Fênix. Foi muito valiosa e instrutiva para mim.
Não conseguindo evitar um suspiro ao ver sua jovem parente cheia de potencial ter de fazer-se de forte, Pauline praguejou, infeliz. — Maldito velho ganancioso. Apostou o futuro de outros por uma mera chance fugaz… e ainda se atreveu a perder.
Ao perceber que o rosto de Cristina se fechava um pouco ao ser lembrada da sua situação, Pauline suspirou uma última vez e mudou de assunto. — Não fique assim. Vim, sim, conversar sobre sua situação, mas não exatamente sobre essa parte… No entanto, veja primeiro que presentes incríveis eu trouxe para você.
Intrigada, Cristina recebeu o pacote que a sua tia-avó materializou de seu anel e se deparou com quadros extremamente vívidos.
No primeiro, 2 humanos lutavam em uma arena, com o portador da lança envolto em uma energia azulada, perfurando tanto a energia vermelha quanto a garganta de seu adversário. Já no segundo, um dragonewt vermelho, de costas e totalmente nu, segurava suas lâminas envoltas em chamas azuis, no meio de um mar de chamas brancas, enfrentando um lich que liberava uma forte aura negra.
Sentindo uma estranha sensação de familiaridade, especialmente com o primeiro quadro, Cristina se virou para a bela mulher madura, que exibia um sorriso travesso, como se esperasse uma dica. Aquele presente não deveria ser apenas os quadros.
— Vejo em seu rosto que você tem bons olhos. Estes quadros realmente retratam uma pessoa que você conhece — explicou Pauline, divertindo-se. — Alguém que me parece guardar intimamente o favor daqueles que o apoiaram no início; alguém que redefine o conceito de crescimento rápido; alguém que cruzou boa parte do Império a pedido de quem o ajudou; alguém que mencionou especificamente que ainda se lembrava de seu favor; alguém que pode vir a ajudá-la no futuro… Infelizmente, não posso fazer muito por você agora, após ter chegado a esse ponto, considerando os outros sob minha responsabilidade. No entanto, você parece ter o discernimento e a sorte para ter encontrado e apoiado o atual campeão imperial, antes mesmo do próprio Império… E algum tempo para você crescer e resistir é algo que o meu dinheiro pode, sim, lhe comprar.
Surpresa e quase vendo a imagem de um jovem cruzar a sua mente, a jovem forte desmoronou nos braços de sua tia-avó e começou a chorar, mesmo que contida.
O mais frustrante e opressor para ela, em toda aquela situação, era não ter qualquer controle sobre seu início, meio e fim, pois acabou sendo “rifada” e simplesmente não sabia o que fazer diante dos pesos pesados de sua família. E era justamente isso o que ela estava recebendo naquele momento: uma chance de lutar, de resistir.
Por menor que fosse, naquele instante, sob as palavras de sua tia, uma luz brilhou para ela, oferecendo a chance de assumir as rédeas de sua situação e reescrever, com suas próprias mãos, seu destino.
Obs 1: Contribuição arrecadada para lançamento de capítulo extra: (00,00 R$ / 20,00 R$).
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Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguirão normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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