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    Assim que o grupo completou vários minutos e ciclos de exercícios (e Solas, o último deles, finalmente sentiu os efeitos medicinais nele recuarem ao serem absorvidos e metabolizados por seu corpo), todos pararam e se entreolharam. Obviamente, não havia qualquer resultado palpável tão pouco tempo após a primeira aplicação, mas algo, com toda a certeza, parecia diferente; eles só não sabiam nomear o quê.

    — Pronto, padrinho! Já terminei o teste! — anunciou o garoto, surpreendentemente ainda mais energético e animado. — Pode me levar para ver o mar?

    — Como terminou o meu teste se ele ainda nem começou? Aquilo foi apenas um alongamento de aquecimento… Seu verdadeiro teste é pescar — sorriu Alexander, divertido com a impaciência do afilhado. — Mas não se preocupe, não é muito difícil… consiste só em pescar um único peixe. Justo e limpo, sem truques ou estratagemas da minha parte.

    Surpresos com a proposta, os demais foram guiados por ele até o coreto nos fundos do pátio. Era uma estrutura belamente ornamentada, com delicados toques de azul esverdeado, erguida sobre uma lagoa paisagística onde peixes de diversas cores nadavam tranquilamente, agregando vida e beleza ao ambiente.

    O gazebo possuía quatro pontes de acesso, cada uma voltada para um dos lados do pátio, e grades que se alternavam entre grandes bancos bem acolchoados e áreas de contemplação. 

    Em seu interior, uma mesa delicada estava mobiliada para refeições ou momentos de descontração. Como toque final, uma pequena descida levava a uma plataforma mais baixa, adequada justamente para que até 5 pessoas pudessem pescar com conforto; e era exatamente para ali que Alexander conduziu o grupo.

    — Pescar é bem simples: você pega a vara com a linha, lança-a de leve na água, espera algum peixe morder e depois o puxa — instruiu ele, demonstrando passo a passo enquanto fazia. — Como disse, a mecânica do ato de pescar é fácil, mas o seu conceito não é… Se puxar antes da hora, não pega nada; se demorar muito, o peixe foge; e se puxar com muita força de uma vez, ou a linha rompe ou você rasga a boca do peixe, devido ao excesso de força, e fica sem nada.

    Assentindo, Solas imitou o padrinho (depois de se enrolar um pouco com a linha) e ficou ali, esperando que algo acontecesse. Para zero surpresa dos adultos e total desgosto do garoto, nada aconteceu, mesmo após vários minutos.

    — Esses peixes não parecem gostar de mim — reclamou o afilhado para o padrinho, que, nesse ínterim, servia mel morno com néctar da {Treant Guardiã} às empregadas e à mãe do garoto, que o observava com expressão pensativa.

    — Por que eles gostariam de você, se você nem parece gostar deles? — respondeu Alexander, em tom brincalhão, oferecendo-lhe também um pouco da bebida. — Só porque você é maior, mais forte, mais inteligente e tem um pai importante? Isso o torna melhor do que eles?

    Novo demais para saber como responder aquilo, Solas calou-se com um gole de sua bebida e, reconfortado pela doçura, reuniu ânimo para persistir naquela atividade. No final, passara a manhã toda ali sem conseguir pescar um único mísero peixe.

    Frustrado por não encontrar sua madrinha para “enquadrar” seu padrinho por tê-lo enrolado, o garoto passou a tarde na plataforma de pesca, ansioso para ver o Mar Imperial. Perto do fim dela, porém, ainda não havia conseguido nada.

    Quando ele estava prestes a desistir, o avô materno de Diana passou pelo pátio à procura da neta e deparou-se com a cena: o menino, visivelmente aborrecido, tentando pescar sob a supervisão de uma empregada.

    Ciente da identidade do garoto, o homem pensou em seguir o seu rumo, mas não conseguiu ignorar aquela frustração infantil. — O que foi, amiguinho? Por que está aqui, parecendo querer estar em outro lugar?… Não me diga que está de castigo?

    — Não — respondeu Solas, chateado, abrindo-se sem pensar. — O meu padrinho disse que me levaria ao mar assim que eu pescasse um desses peixes idiotas.

    Ouvi-lo desencadeou no avô de Diana uma mistura de riso e consternação. — Entendo, campeão… Mas não seria mais fácil pescar usando uma isca, em vez de só contar com a sorte?

    — Isca? — piscou o garoto, confuso. Seu padrinho não lhe dissera nada sobre iscas.

    Revirando os olhos para as maquinações de Alexander, o senhor pediu um momento e logo voltou com pequenos insetos que havia desenterrado ali perto. Enrolou um na linha do garoto e outro na sua própria antes de se sentar para pescar com ele.

    — Iscas servem para atrair aquilo que queremos pegar, usando algo de que elas gostam… Para a gente, seria como ser atraído pelo cheiro de uma comida gostosa — explicou o avô de Diana calmamente.

    Pego desprevenido, Solas ficou imensamente grato ao senhor, e imediatamente revoltado com o dragonoid sem coração que lhe arranjaram como padrinho. Ele não dissera uma palavra sobre iscas!

    Munido de iscas e auxiliado por alguém com experiência, o garoto não pegou apenas 1, mas 3 peixes; mesmo usando anzóis circulares esportivos.

    No entanto, como não tinham motivos para consumir os peixes ornamentais da lagoa, o avô de Diana devolveu todos os que pescaram, com exceção do primeiro peixe de Solas. Este, ele mesmo cozinhou e preparou para o garoto, como uma merecida recompensa por sua perseverança.

    Feliz e realizado, Solas estava prestes a pegar seu primeiro pedaço quando o prato simplesmente saiu voando, parando nas mãos de Alexander. Este aferiu o aroma do peixe com um sorriso: — O cheiro não está nada mal. Com toda a certeza, tem o aroma do esforço alheio pronto para ser devorado.

    Espantados ao perceberem que o dragonoid já havia voltado de seus compromissos há algum tempo (tempo suficiente para testemunhar o avô de Diana instruir seu afilhado desde o início), e que agora ameaçava devorar a recompensa do garoto, a indignação de todos os presentes atingiu o ápice.

    No entanto, Alexander apenas sorriu, jogou mais temperos no peixe, espremeu uma espécie de limão por cima e devolveu o prato, agora ainda mais aromático, à frente do garoto.

    — Coma, descanse e avise sua mãe que devem se preparar amanhã para irmos ao mar — disse ele ao afilhado, antes de se virar e ir embora. — Partiremos, no mais tardar, depois de amanhã; sem falta.

    Feliz por finalmente ter uma data marcada, Solas quase esqueceu suas queixas contra o padrinho e comeu o peixe alegremente… Quase esqueceu. Isso não o impediu de entregá-lo para sua madrinha assim que a avistou.

    — … — suspirou Alexander, sem palavras.

    Preso em ouvir o sermão de sua noiva, o dragonoid não sabia se ria ou chorava, se ficava satisfeito ou irritado por ainda ser “derrubado” por uma criança. Uma coisa era certa: Solas dedurá-lo, mesmo após receber o que queria, mostrava atitude e personalidade; e, no fundo, Alexander não podia deixar de admirar isso.

    Após um dia de preparativos e de avisar todos os interessados, não apenas Brie e Solas estavam prontos para acompanhá-los, Alexander e Diana também deram licença e liberaram os seus “assistentes” da escola para que Steve e Sophia fossem com o grupo. A educação institucional que recebiam na escola era importante, mas a experiência prática também lhes seria muito útil, uma vez que ambos podiam ser considerados meio-alunos do casal, cada um a seu modo.

    No dia 3 do mês 12, assim que pousou os olhos na jovem Sophia, a expressão de Brie transformou-se numa interrogação viva.

    Era inegável que a segunda esposa do Duque tinha seus preconceitos, mas não a ponto de ser ilógica ou cega; ela soube, com um único olhar, que a garota estava longe de ser nobre e tinha origens humildes. No entanto, desconsiderando seus modos e trejeitos, tudo no físico dela parecia superior ao de pequenos nobres à primeira vista.

    — Essa menina usa seus cremes, não é? — disse Brie, apontando para Sophia sem conseguir se conter. — De todos os aspectos inegavelmente acima da média, a pele dela é o que se destaca e lhe confere a aparência muito acima do que “deveria” ter.

    — Está enganada, minha senhora. De todos os aspectos inegavelmente acima da média dela, seu olhar é o que mais se destaca, e a senhora vai perceber isso se passar tempo suficiente observando-o — corrigiu Alexander, dando de ombros. — Mas sim, ela usa meus cremes; assim como todos os alunos do nosso centro de ensino… Ela só usa um pouco mais do que os outros, pois é assistente pessoal de Diana, e isso obviamente traz benefícios.

    — Todos os alunos? — indagou a mulher, franzindo a testa. Aquele já era seu terceiro dia usando o creme, tempo suficiente para estimar o valor de um produto cujo mero “efeito colateral” era melhorar e embelezar a pele. — Quantos alunos você tem atualmente nesse seu dito centro de ensino?… Está tentando montar um exército?

    — 120 alunos, divididos em faixas etárias, com ensino dividido e focado por idade e nos desejos de especialização de cada um deles — respondeu o dragonoid, sem esconder qualquer informação. — Eles não usam o creme diariamente, mas o usam em todos os dias de aula. 

    — Quanto a formar um exército… simplesmente não preciso de outro. Portanto, não me importo com o que eles venham a fazer após a formação, contanto que não haja coerção ou engano em seus recrutamentos — completou ele, confiante. — Afinal, eles ainda são o meu povo, e tenho uma reputação a zelar. Não posso simplesmente entregá-los à boca dos lobos que, como a senhora bem sabe, surgirão tentando forçá-los com ameaças e promessas vazias, sem qualquer boa intenção.

    Aquela descoberta era uma reviravolta inesperada no meio de uma simples viagem com o filho. Seu marido, com certeza, já sabia que seu “meio-aluno problemático” operava um esquema daquele porte, mas ela duvidava que ele conhecesse a real profundidade daquilo; especialmente ao notar que vários dos abundantes recursos utilizados eram autoproduzidos, como acabara por descobrir.

    Marcada desde o início por diversas contradições, a comitiva partiu em direção ao Mar Imperial.

    A viagem foi feita em carruagens diferentes (a de Diana e a de Solas), escoltadas novamente pelos canídeos que, desta vez, puxavam cada qual a sua.

    Com pesos próximos de uma tonelada cada e força de tração muscular bem distribuída, os familiars canídeos possuíam a inteligência e o vigor necessários para puxá-las e conduzi-las sozinhos.

    Obs 1: Contribuição arrecadada para lançamento de capítulo extra: (00,00 R$ / 20,00 R$).

    Obs 2: Chave PIX para quem quiser, e puder, apoiar a novel: 0353fd55-f0ac-45b5-a366-040ecefa7f7b. Caso não consiga copiar a chave pix, é só clicar nela que vai ser gerada uma aba/guia que tem como URL/Link a própria chave pix com algumas barras nas pontas: https://0353fd55-f0ac-45b5-a366-040ecefa7f7b/, e é só retirar a parte excedente.

    Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguirão normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, porventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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