Capítulo 320 – O Último Dia de Conferência (Parte II)
Nota do autor: Passando para lembrar que venho aqui pedir que, se possível, vocês divulguem a obra nas suas comunidades e também entre conhecidos que demonstrem interesse.
Sei que isso pode parecer chato e que vocês não me devem nada, mas o engajamento e ver a comunidade da obra crescer me ajudam muito a continuar motivado como escritor; ainda mais considerando o trabalho que dá escrever, editar e revisar. Por isso, ficaria muito agradecido se vocês pudessem me ajudar começando pela divulgação da novel.
Bom capítulo a todos.
Sob os olhares atentos de todos, aquele jovem que acabara de completar 17 anos ajeitou as roupas e passou a recuperar a compostura. Sua luta contra o {Dragão Azul} não o deixara tão mal quanto o embate anterior contra a {Salamandra Draconiana}, mas ainda assim causara um impacto profundo e um desgaste significativo.
— Como podem ver, e essa matriz demonstra muito bem, a energia em nosso meio é abundante e útil quando bem utilizada. Lembrem-se: independentemente de seus nomes, títulos ou famílias, nenhum de nós é maior do que nosso próprio ambiente — iniciou Alexander, segurando ambos que estavam com ele no telhado e descendo-os de volta para a ágora. — Não duvido, nem por um momento, de que existam matrizes mais poderosas ou versáteis que esta; esta é apenas a extensão da minha compreensão atual e do que consigo manipular no momento…
Atentos e ávidos para saber onde aquilo iria parar (mesmo não concordando necessariamente com todos os pontos que ele abordava), a audiência o viu parar e voltar-se em direção a um dos portões da cidade, franzindo a testa, tal como alguns dentre o público. Alguém havia chegado e tumultuava o lado de fora do estande que deveria ser exclusivo deles.
O resumo da situação era simples: o Império, como um organismo vivo, contra-atacava seu avanço. Várias facções não viam com bons olhos a ascensão de Alexander e o sucesso de sua conferência.
O efeito colateral (voltando-se contra os perpetradores, especialmente em nível regional) era que já havia muita gente influente ali presente; gente cujo desgosto e inimizade eles estavam atraindo ao interromper o evento deles.
Munido da boa vontade pública (e da mera curiosidade de outros), o dragonoid apenas interrompeu sua fala e seguiu rumo ao portão, acompanhado por alguns especialistas da plateia. Lá, encontrou Bjorn, capitão da sua 6ª Divisão e responsável pela segurança do local, já congelando as águas em frente à ponte levadiça com seu poder, em plena desarmonia com alguém que insistia em entrar.
— Quem são os que ousam se insinuar em um terreno militarizado, sob a proteção da costa do Império, tão descaradamente, sem nem se apresentar a mim ou ao Duque Marvin, o Protetor do Mar Imperial, aqui presente? — questionou Alexander em voz alta, ignorando completamente a outra parte. — Vocês têm uma ordem escrita do Imperador lhes concedendo permissão, ou apenas desejos sombrios?
Pegos em um contrapé retórico e legal por um anfitrião claramente irritado (que ainda elevara os requisitos ao evocar o Duque Marvin e o próprio Imperador), o grupo que causava arruaça para entrar entreolhou-se sem jeito, como se buscasse uma resposta uns nos outros. Por fim, alguém entre eles tentou um meio-termo, fazendo caras e bocas: — Não é nada disso. Você nos entendeu mal… Somos apenas alguns amigos que desejam conhecê-lo melhor e participar do seu evento.
— Que amigos são esses, exatamente, em cuja casa nunca descansei ou de cuja mesa nunca comi, e que ainda fazem uma cena dessas no meu evento sem dar cara a mim ou a nenhum dos meus convidados? — replicou o dragonoid, impassível, deixando seu ponto claro como água. — Os dias abertos ao público não relacionado foram apenas os primeiros. Este encerramento é estritamente para verdadeiros amigos e para os palestrantes que me ajudaram a torná-lo real.
Pressionados ao ponto de se sentirem quase sufocados, o grupo voltou a se entreolhar, pensando na implacável lógica não dita do poder: quanto mais proeminente alguém se torna, mais atrai inimigos que veem o seu sucesso como uma ameaça à ordem estabelecida; e, em teoria, mais concessões se faz para manter a paz. O problema do impasse, no entanto, era que Alexander claramente não se importava em fazer tais concessões àqueles que julgava indignos.
Surpreendentemente, a primeira pessoa a quebrar o impasse e interceder foi Diana. De forma contida, ela se pronunciou, apontando para um homem entre o grupo.
— Na verdade, eu o conheço. E gostaria que o deixasse entrar… Ele deve ter estado muito ocupado para vir antes — explicou ela, justificando-se para Alexander e todos que ouviam. — Ele é um sacerdote da Igreja Elemental. Assim como fizemos neste evento, ele sempre fala sobre o poder dos elementos e da mana básica para o povo em geral quando lhe perguntam.
Alexander, enquanto indivíduo, não devia favores, fé ou dever algum aos deuses daquele mundo. Porém, se aquilo era um pedido da sua noiva, ele o atenderia, independentemente do que qualquer um pensasse.
— Pela sua vontade — respondeu ele, para a felicidade dela, que o agradeceu com um sorriso.
Um tanto sem jeito, foi a vez do Duque Marvin falar em favor dos seus conhecidos. Infelizmente para ele (e para os demais associados que também teriam que contrair uma dívida de favores para com o dragonoid), uma vez feita uma exceção, um precedente estava estabelecido, sinalizando que eles poderiam sim ao menos tentar agir.
Se ninguém tivesse dito nada, naturalmente os demais ficariam todos em silêncio e jogariam a culpa magistralmente no anfitrião. No entanto, com Diana criando a primeira exceção, e considerando suas relações anteriores e antigas dívidas de favores, os elegíveis a isso tiveram que empenhar o seu nome e boa vontade; contraindo novas dívidas em nome da manutenção de seu prestígio em honrar o pagamento das antigas.
Basicamente indiferente a quase todos, grupos e facções do Império (mantendo-se como uma entidade genuinamente neutra como indivíduo), Alexander não se importou em fazer concessões à medida que elas surgiam. Pelo contrário, soube capitalizar sobre cada uma.
Desde o início, seu único intento foi evitar um precedente perigoso: o de fraqueza diante da pressão externa. Nada era mais perigoso, em um sistema tão selvagem, venal e voraz, do que a percepção de que ele poderia ser coagido.
Justo quando a situação atingia seu ápice de constrangimento para aqueles que não tinham ninguém para interceder por eles, o dragonoid (juntamente com vários outros) voltou-se abruptamente para uma direção bem específica. Ele e os duques levantaram voo quase em uníssono; num gesto rápido, Alexander ainda passou o comando e a posição de anfitrião para Diana.
— Saudações ao Grão-Duque Greenin. Saudações ao Vento Verde do Império — saudou Alexander com um gesto cortês e bem formal, acompanhado pelos outros duques ao interceptar a comitiva do recém-chegado. — Agradeço por sua presença tão singular, mas devo admitir minha surpresa. Os meus poucos preparativos não são condizentes para receber um duque, quanto mais para o senhor, Grão-Duque…
— Verdade seja dita, não pensei que receberia alguém acima dos senhores que me acompanham, e que me brindaram com a grande cortesia de não fazerem questão de acomodações especiais — completou Alexander com uma sinceridade que soava estranha naquele contexto. — Se o senhor tivesse me avisado com antecedência, teria preparado algo muito mais adequado para recebê-lo.
O mais curioso da situação era que, por mais incrível que parecesse, aquela reação era genuína e nada forçada. Do ponto de vista lógico, toda a situação era simplesmente estranha: o Grão-Duque Greenin, virtual líder da facção nobre, aparecer pessoalmente no evento periférico de um jovem associado a viscondes marginais?… Improvável. Muito, mas muito improvável.
Nem se dando ao trabalho de sair da espécie de carruagem que se mantinha no ar pelo seu imenso poder (afinal, todos no Império o reconheceriam apenas pelo nível avassalador de sua presença, que ele não tinha motivo para ocultar), o Grão-Duque Greenin respondeu: — Não se preocupe comigo. Estava apenas de passagem pela região e resolvi passar para dar uma olhada… Receba os jovens da minha família que vieram comigo e pode retomar seus afazeres. Eu o aviso se precisar de algo.
Sem motivos para se opor ao desejo do Grão-Duque Greenin, o dragonoid despediu-se com uma nova saudação formal e mergulhou de volta em direção à ágora; ele não tinha razão, nem meios, para impedir o Grão-Duque de adentrar a cidade se este assim o desejasse. Quanto às demais pessoas à sua porta, por intervenção de sua noiva canídea, boa parte (senão todos) que queriam entrar acabaram entrando, sob palavras que poderiam ter sido sopradas ao vento, não fosse o grande número de testemunhas para apontar dedos depois.
— Como estava dizendo, a primeira explanação do nosso último estande trata do uso do poder ambiente; mas de uma forma mais profunda e singular. É o pensamento de não redefinir o cerne dos feitiços, mas as suas formas, partindo da ideia de que, independentemente de nomes, títulos ou famílias, nenhum de nós é maior do que o próprio ambiente — retomou Alexander assim que todos (novos e antigos) se acomodaram, e o transporte do Grão-Duque estacionou ao lado da ágora. — Sei que pode ser confuso para alguns enxergar isso, pois subvertemos e domamos o ambiente à nossa vontade o tempo todo. Mas o mundo é imenso e duradouro, muito além de nós.
— Mesmo que criemos raios e tempestades que acreditamos serem maiores do que qualquer chuva natural, somos efêmeros e limitados; especialmente no que diz respeito ao tempo — explicou ele, apontando para a nova matriz como exemplo do ponto que queria atingir. — Temos pessoas aqui mesmo capazes de conjurar poderes muito mais impressionantes que este; isso é um fato inegável. Mas quem pode dizer que conhece, ou mesmo já ouviu falar, de alguém que conseguiria manter algo assim indefinidamente, mesmo enquanto dorme, sem depender da natureza e do poder ambiente que nos cerca?
Um silêncio consternado foi a única resposta retumbante que ressoou no ambiente.
Por mais que doesse a alguns admitir suas limitações, ou a igualdade fundamental com os mais comuns sob o grande domo do poder natural que os envolvia, este era um fato inegável.
Abaixo do poder dos deuses, todos os conceitos eram finitos e limitados aos seus portadores frente à passagem do tempo; por mais apocalípticos que fossem em seu momento de primazia no mundo.
O silêncio que se estabeleceu na ágora não era o de derrota, mas o de uma profunda reavaliação. Alexander não vencera um debate; plantara uma semente de humildade cosmológica, com o potencial de reordenar a forma como aquelas pessoas viam a si mesmas, sua magia e seu próprio lugar no mundo.
Obs1: Contribuição arrecadada para lançamento de capítulo extra: (00,00 R$ / 20,00 R$).
Obs 2: Chave PIX para quem quiser, e puder, apoiar a novel: 0353fd55-f0ac-45b5-a366-040ecefa7f7b. Caso não consiga copiar a chave pix, é só clicar nela que vai ser gerada uma aba/guia que tem como URL/Link a própria chave pix com algumas barras nas pontas: https://0353fd55-f0ac-45b5-a366-040ecefa7f7b/, e é só retirar a parte excedente.
Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguirão normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, porventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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