Índice de Capítulo

    Nota do autor: Salve, gente.

    Não é fácil, mas estou passando para deixar aqueles que lerem esse texto de sobreaviso:

    Por motivos de forças maiores, após mais de 300 capítulos sem falhas, TALVEZ a novel tenha que entrar em hiato.

    Eu sei que é chato, especialmente pelos leitores recorrentes, mas o tempo está corrido; como muitos sabem, não há retorno financeiro pela novel e tenho que correr atrás cada vez mais recentemente para complementar minha renda.

    Dito isso, desde já, mesmo sem qualquer certeza, deixo meus agradecimentos a todos que me acompanharam até aqui e pelo tempo que eu conseguir continuar.

    Bom capítulo a todos.

    Alheio à maior parte da festa de Adam e às proporções que ela estava tomando, Alexander focou em acompanhar Diana e dar as últimas diretrizes para os retoques na organização do salão de festas.

    A celebração do pequeno LittleLight Port ocorreu principalmente ao ar livre, mas a de sua irmã seria uma recepção no salão, no estilo característico da alta nobreza; adequada aos convidados que ela receberia.

    Aquém de qualquer convite ou formalidade, como se combinados, uma pequena embarcação luxuosa dos HeartSea (com um imponente hipocampo na proa) atracou no porto a poucos metros do solar, pouco antes de o grande {Grifo das Ventanias} dos Raiovas pousar trazendo Robert e sua família. Ambos os duques, que poderiam ser considerados os mais amigáveis com a família, haviam chegado no fim da tarde.

    Prontamente, a família saiu para recebê-los. O pai de Diana fez um esforço para tomar a frente, oferecendo seus cumprimentos e agradecendo aos duques por sua presença.

    Ao fim de tudo, no fim do dia, ele ainda era o nobre titular e o cabeça da família; ao menos no papel.

    Aceitando as formalidades de forma recíproca com seu anfitrião, os duques logo se voltaram com olhos muito mais sorridentes para o pequeno ser no núcleo da família.

    Além de todo o potencial alardeado sobre ele, Adam também era uma criança fofa e rechonchuda, de cabelos negros onde se destacava uma bela, emblemática e marcante mecha vermelha.

    Tomadas pela beleza do pequeno humaninho, tanto pela aparência quanto por ser humano (fato que aumentava ainda mais sua atratividade para casamentos na alta nobreza, independentemente das linhagens que carregava), as mulheres quase se moveram para paparicá-lo, mas os sentidos de todos, homens e mulheres, estavam travados no bilboquê que a mãe dele mantinha em suas mãos.

    — Brinquedo interessante, não é? — comentou Alexander ao sentir a observação fixa de seus convidados. — Eu mesmo fiz para ele brincar e passar o tempo. O objetivo, além de se divertir, é treinar o reflexo… ver se consegue encaixar a esfera nas pontas da madeira em sequência.

    Revirando os olhos para o jovem à sua frente, como se ele de fato tentasse enganá-los com uma explicação tão simplista, os duques e suas comitivas apenas lhe lançaram olhares estranhos. Eles podiam sentir, ainda que vagamente, o que aquela coisa estava fazendo passivamente para melhorar o ambiente e a criança.

    Sem muito mais que pudessem fazer, mesmo que desejassem o item, os duques se afastaram de qualquer pensamento nesse caminho e retiraram pequenas caixinhas. Mesmo que porventura não quisessem, uma vez que compareceram ao aniversário, teriam de dar presentes em nome da própria honra e prestígio; para não ficarem mal falados em seus círculos sociais.

    No interior de cada caixa oferecida a Adam, havia [Gemas da Essência]: uma da água, da Família HeartSea; e uma do raio, da Família Raiovas.

    Abismada com novas peças para colocar em contato com seu filho (somando-se às demais, já presentes, da luz, da terra e do vento), Ánara, mãe de Adam e Diana, ficou preocupada: se ele não crescesse logo, no futuro já não teria mais onde afivelar tantas peças raras que recebia de presente.

    Os presentes que o mais novo dos LittleLight Port recebeu foram suntuosos e bem substanciais, especialmente os dos duques. Mas quando Solas saiu de seu círculo familiar com o presente de sua família para sua madrinha Diana, o até então bem contido dragonoid arfou em surpresa.

    Selado em uma caixa de vedação aberta para lhe dar um vislumbre, um fulgurito de cristal translúcido repousava sobre um acolchoado… Somados todos os presentes que Adam recebera naquele dia, e mesmo acrescidos dos que Alexander recebera dias antes em seu próprio aniversário, não deveriam chegar ao valor necessário para que a família Raiovas se desfizesse daquilo.

    Monetariamente falando, o presente não valia mais que a soma dos demais. Mas para os Raiovas (família especializada principalmente no poder do raio, mesmo contando com cavaleiros e especialistas de outros elementos), um fulgurito de cristal translúcido era algo de valor inestimável: o poder do ambiente coagulado e cristalizado em um único casulo, formado pelo impacto de uma descarga dos céus sobre uma mina, jazida, lago místico ou outro ambiente rico em mana, que purificava e barrava qualquer energia que não fosse do raio.

    A cristalização de um raio daquela forma era tão rara e singular que se dizia que a própria família Raiovas contava com apenas uns 10, ou menos, exemplares em todo o seu tesouro naquele momento.

    A situação de demanda e escassez era tanta que alguns atestavam que o próprio Robert, e possivelmente seus antecessores, já havia até alimentado a {Masmorra Infernal} em seu território com alguns deles; pois, mesmo a masmorra podendo gerar quase tudo, primeiro precisava ter assimilado um exemplar ou algo similar para poder ter a chance de reproduzi-lo.

    — Por quê? — indagou Alexander de forma bem direta, sem esconder sua surpresa consternada com o presente para a noiva.

    — Você acha que, em algum nível ou sentido, este presente é melhor do que os que vocês deram a Solas? — retrucou Robert calmamente.

    — Não — respondeu o dragonoid de forma rápida e direta, deixando claro que, do seu ponto de vista, por melhor que fosse o raio, não havia margem para dúvida.

    — Então aí você já tem sua resposta — apontou o duque com classe, como quem diz que não poderia ficar aquém do que sua família recebeu. — O fato de termos dado a ela especificamente é porque ela demonstra muito mais cuidado e carinho para com as coisas que recebe… Não duvidaria ver meu presente nas mãos de outros algum dia, se fosse você que o detivesse e achasse que seria mais cômodo usá-lo em alguma troca de momento.

    Dando de ombros diante do apontamento ao seu pragmatismo mais niilista e objetivo em relação à maior parte do capital não humano ao qual tinha acesso, o jovem limitou-se a um sorriso torto em resposta. Não havia o que dizer; a situação não pedia qualquer resposta.

    Resolvida a situação com os Raiovas, o duque Marvin puxou algo (que o próprio Alexander não sabia dizer se era o presente original ou não) e entregou uma caixa emblemática e luxuosa a Diana. Dentro havia um dos [Braceletes Abissais da Maré Dobrada (Superior)] da família HeartSea.

    Forjado com Coral Abissal Real (que só floresce sob grandes pressões subaquáticas) e metais marítimos nobres, o item usava a morfologia do coral para abrir-se, fechar-se e adaptar-se ao portador, com camadas internas que pareceriam conduzir o poder do próprio mar a correr pelos seus fechos.

    Sendo mais representativo e cerimonial, tal item era dado apenas em ocasiões muito especiais a grandes amigos da família (o caso deles) ou a descendentes destacados, simbolizando que o portador era um dos principais concorrentes ao posto de próximo chefe da família HeartSea.

    O item em si não era feito para combate, mas carregava consigo a capacidade de ajustar a mana do portador ao fluxo dos cursos d’água; detectar automaticamente criaturas próximas sob a água, vibrando em intensidade proporcional ao nível de ameaça; sentir a direção das correntes físicas e mágicas da água e do ar ao redor; e registrar levemente correntes migratórias, locais visitados e padrões marítimos, permitindo que seu portador reencontre qualquer região previamente percebida sem mapas, apenas por orientação instintiva. O item perfeito para auxiliar a nova geração promissora que deveria proteger e guiar o mar do Império.

    Sem palavras para descrever o valor dos presentes que recebera, Diana limitou-se a sorrir e agradecer de coração aos duques e suas famílias pela gigantesca honra de serem lembrados em tão grande medida, com dádivas tão generosas e maravilhosas.

    Tocada, a demi convidou-os a entrar e logo se pôs a atender a quaisquer preparativos que as mulheres que vieram com os duques necessitassem pessoalmente. A vinda delas fora rápida, mas havia certos afazeres e retoques femininos que precisavam ser feitos antes da festa que se aproximava com a noite.

    O grande nó logístico da situação era que, além de ambas as mulheres de Robert, Marvin havia vivido e aproveitado a vida de tal forma em sua posição que estava em seu terceiro casamento legítimo. E, além de a nora do duque (mãe de Steve) ser obviamente nora apenas de uma das esposas, as esposas do Duque do Mar Imperial não estavam necessariamente em bons termos, ou ao menos neutras, como as do Duque dos raios aparentavam estar.

    A complexidade logística foi tanta que 5 dos quartos de hóspedes foram tomados apenas pelas mulheres, e Diana precisou chamar mais pessoas para se dividir entre os grupos. Mesmo assim, a nora do duque acabou tendo de dividir o quarto com a sua sogra para se aprontarem para a festa que se aproximava cada vez mais; à medida que o sol baixava no horizonte para ceder seu lugar à lua, que reinaria naquela noite.

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