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    Asterion não podia ser morto.

    Contudo, um adversário imortal não era novidade para a Estrela da Mudança e o Senhor das Sombras. Ambos eram praticamente indestrutíveis, assim como o quarto Supremo, o Rei do Nada.

    Isso significava apenas que a Criatura dos Sonhos teria que ser derrotado e selado, assim como havia sido selado uma vez por Anvil e Ki Song… não, melhor dizendo, ele teria que ser selado de uma forma muito melhor do que os primeiros Soberanos conseguiram, para que sua influência sinistra jamais infectasse a humanidade novamente.

    Portanto, a guerra invisível de influência que Asterion havia declarado contra Estrela da Mudança e seu Domínio acabaria inevitavelmente em um confronto aberto. Assim, antes disso, eles tinham uma tarefa primordial: garantir que o Domínio do Anseio não fosse enfraquecido demais, enquanto o Domínio da Fome permanecesse o mais fraco possível.

    Ao mesmo tempo, eles tinham que impedir Asterion de prejudicar a humanidade da melhor maneira possível. Já era evidente que ele pretendia manter a humanidade como refém em seu conflito contra ela…

    Ou, pelo menos, era essa a impressão que dava. Na verdade, os motivos de Asterion permaneceram um mistério, assim como quase tudo a seu respeito.

    De qualquer forma, Sunny e Nephis precisavam frear a expansão da influência de Asterion e desarmar o máximo possível de seus servos. O crescimento silencioso e perturbadoramente imperceptível do Domínio da Fome parecia imparável, e a Criatura dos Sonhos estava se tornando mais poderosa a cada dia — mas mesmo que parecesse que não estavam progredindo, na verdade, sua posição também estava melhorando.

    Isso porque eles estavam gradualmente aprendendo mais e mais sobre o adversário. A essa altura, já sabiam o suficiente para agir. Embora a humanidade fosse sua fraqueza, também era seu maior recurso. Inúmeros indivíduos talentosos foram mobilizados para desenvolver meios de reconhecer membros do Domínio da Fome sem realmente saber no que estavam trabalhando, ou por quê — dessa forma, não corriam o risco de serem infectados.

    Enquanto feiticeiros e mestres de forja trabalhavam em uma ferramenta para identificar os agentes adormecidos de Asterion, Sunny e Nephis voltaram sua atenção para as organizações marginais que já haviam sido descobertas como portadoras da vontade da Criatura dos Sonhos.

    Sunny descreveu o conflito em que se encontravam como uma guerra ideológica. Embora não lhes fosse tão familiar quanto o combate feroz e letal, esse tipo de conflito também não era novidade para aqueles nascidos no Reino da Guerra. De fato, a humanidade tinha uma história rica e sangrenta de guerras de ideias, a maioria com um número de mortos que não era inferior ao de campanhas militares convencionais.

    Assim, se quisessem, poderiam abrir a caixa de ferramentas sem fundo da história e recorrer a uma gama assustadora de estratégias para esmagar uma ideia defendida pelo adversário… bem como aqueles que a propagavam.

    Contudo, a descrição descuidada de Sunny não era totalmente adequada. Sim, Asterion era tanto uma ideia quanto um homem, e seus poderes se espalhavam pelo pensamento humano. No entanto, a ideia de Asterion não era mundana — era uma expressão de sua Vontade Suprema. Portanto, era uma ideia tão perigosa e virulenta que a mera exposição a ela significava ser infectado por ela.

    O que significava que a maioria das estratégias de guerra ideológica, testadas e comprovadas, eram inúteis diante da Criatura dos Sonhos. Dito isso…

    O poder de Asterion também não era absoluto. Afinal, nem todos os que foram infectados pela ideia dele se tornaram seus servos, o que provava que a Criatura dos Sonhos tinha um limite no número de pessoas que podia subjugar — esse limite, muito provavelmente, era a diferença entre seu poder pessoal e a resistência mental de suas presas.

    Sunny e Nephis chegaram a essa última conclusão após observarem os primeiros servos capturados pelo Clã das Sombras. A resistência da pessoa a ataques mentais era importante, mas o que parecia importar ainda mais era seu estado mental — dependendo de quão firmemente alguém acreditava na Estrela da Mudança e no Domínio Humano, a dificuldade de penetrar as defesas de sua mente podia aumentar ou diminuir.

    Em outras palavras, eles precisavam garantir que o menor número possível de pessoas fosse exposto à ideia de Asterion. Ao mesmo tempo, precisavam fortalecer a crença das pessoas no Domínio Humano, para que menos daqueles que acabassem aprendendo o nome de Asterion se tornassem seus servos.

    E, por último, precisavam isolar os servos para impedi-los de espalhar ainda mais o nome da Criatura dos Sonhos. Foi ali que eles descobriram outra armadilha preparada por Asterion.

    “Aquele desgraçado!”

    Sunny soltou um resmungo de frustração enquanto encarava a lista de alvos à sua frente.

    Eles precisavam erradicar as células adormecidas que estavam ajudando a praga de Asterion a se espalhar — como a Igreja da Lua, que estava ganhando popularidade rapidamente no antigo território do Domínio da Espada.

    No entanto, ao reprimir esse culto e outros semelhantes, eles criariam a impressão de uma autoridade tirânica que não tolera opiniões divergentes nem concede liberdade de pensamento ao povo. Portanto, enfraqueceriam a crença das pessoas na virtude e no poder do Domínio Humano, tornando inúmeros humanos mais suscetíveis à infecção. 

    “Ahhhh…”

    Olhando para cima, ele soltou um suspiro pesado.

    As forças do clã da Chama Imortal não podiam ser vistas perseguindo cultistas aparentemente inofensivos, então foi decidido que o Clã das Sombras cuidaria do desmantelamento das células adormecidas de Asterion. Seus agentes já estavam posicionados para lidar com esse tipo de trabalho, afinal, eles deveriam ser a sombra dos imaculados Guardiões do Fogo.

    Naturalmente, ele não planejava massacrar as almas infelizes que caíram sob a influência da Criatura dos Sonhos. Alguns eram servos, enquanto outros eram apenas tolos enganados. Os primeiros precisavam ser levados para a instalação de quarentena em NQSC, enquanto os últimos precisavam ser isolados até que Asterion fosse derrotado.

    Distinguir os servos dos simples cultistas era bastante difícil no momento. Portanto, todos os prisioneiros teriam que ser mantidos em algum lugar, por enquanto — Sunny já havia construído uma vila confortável, porém praticamente inescapável, para eles fora dos muros da Cidade das Sombras.

    Com tantas pessoas desaparecendo sem deixar rastro, os cidadãos do Domínio Humano ficariam compreensivelmente perturbados. Sua confiança em Nephis diminuiria um pouco, mas ainda era melhor do que uma campanha aberta de repressão.

    Soltando um suspiro, Sunny esfregou os olhos. “Olha só para mim, planejando sequestrar milhares de pessoas.”

    Ele não ficou nada contente com essa reviravolta. Mesmo assim, era preciso fazer isso…

    O problema era que o Clã das Sombras tinha apenas algumas centenas de membros, e o próprio Sunny estava um pouco sobrecarregado. Ele precisava de ajuda para realizar essa tarefa — e muitas outras que viriam — sem problemas.

    ‘Acho que está na hora de arranjar um tenente competente.’

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