Capítulo 1054
『 Tradutor: Crimson 』
Billis caminhava pelo corredor, silencioso e solitário.
Como o clã havia acabado de conquistar uma vitória grandiosa, o clima de celebração se espalhava por toda a torre. Mesmo assim, ele avançava lentamente pelo amplo corredor de pedra, iluminado por cristais mágicos. O capuz que cobria seu rosto bloqueava a luz sempre que passava, projetando sombras no chão. Como um fantasma silencioso, ele vagava pelo interior da torre.
Ao virar para um canto, encontrou cinco aprendizes carregando pilhas pesadas de livros, conversando animadamente entre si.
Ao reconhecerem a icônica túnica negra de Billis e aquele movimento estranho e rastejante, os cinco rapidamente se encostaram na parede, abrindo caminho enquanto se curvavam.
“Saudações, Lorde Billis.”
Os inúmeros olhos vermelho-sangue sob o capuz deslizaram sobre eles por um instante, mas ele seguiu em frente como se nem os tivesse visto.
A bainha de sua túnica balançava, emitindo um som seco e estranho a cada passo. Sob o tecido, inúmeras patas negras se moviam em perfeita sincronia. De vez em quando, pequenas coisas caíam da roupa — besouros negros do tamanho de um punho humano. Eles guinchavam, viravam-se rapidamente e corriam atrás de Billis, mergulhando novamente sob sua túnica e desaparecendo.
Os aprendizes sequer ousavam imaginar quantos outros insetos iguais àqueles se escondiam sob aquela veste contorcida. O adepto mais aterrorizante do clã… viveria realmente com dezenas de milhares de insetos em seu próprio corpo?
Só depois que a figura encapuzada desapareceu no fim do corredor é que os aprendizes soltaram o ar preso e voltaram a conversar, rindo nervosamente.
Billis retornou silenciosamente ao seu quarto, no sétimo andar, entrando naquele ambiente escuro e gelado.
Como um adepto central de Segundo Grau, ele poderia facilmente desfrutar de aposentos muito mais confortáveis. No entanto, seus instintos como adepto de insetos estavam mudando-o profundamente. Ele detestava a luz… e odiava a vida cada vez mais. Por isso escolhera aquele lugar úmido e sinistro para viver.
Quase não havia móveis no amplo salão. Apenas um pequeno altar mágico ocupava um canto. A superfície de pedra branca, antes lisa, estava completamente manchada — coberta por camadas espessas de sangue enegrecido, acumuladas ao longo do tempo.
Pela cor e pela espessura das manchas, era evidente que aquele sangue vinha de inúmeras vítimas diferentes.
Um odor sufocante impregnava o ambiente.
Uma pessoa comum sequer conseguiria respirar ali. Mas, com seus sentidos alterados, Billis achava aquele cheiro… agradável. Quase refrescante.
Havia também um grande espelho encostado em uma das paredes.
Assim que entrou, Billis caminhou até ele.
Levantou o capuz, revelando o amontoado de olhos carmesins em seu rosto. Observou seu reflexo por alguns instantes… então, hesitou.
Por fim, estendeu a mão e abriu a túnica.
O tecido se separou ao meio, revelando o que havia por baixo.
Um corpo grotesco.
A parte superior lembrava um besouro negro, liso e brilhante, refletindo uma luz fria e ameaçadora. Fileiras de patas curtas e afiadas se alinhavam ao longo de seu torso.
Da cintura para baixo… sua forma era ainda mais perturbadora. Protuberâncias deformavam seu corpo, e um grande abdômen inchado estava repleto de líquidos viscosos e fétidos. Através da membrana semi-transparente, era possível ver larvas se movendo dentro de uma mistura amarelada e esverdeada.
Não restava mais qualquer vestígio de humanidade em Billis — nem por fora, nem por dentro.
Seus pensamentos, preferências, hábitos… tudo havia se tornado completamente diferente dos humanos e até mesmo dos outros adeptos.
Era exatamente por isso que ele sempre se escondia sob aquela túnica negra. E também por isso que evitava qualquer contato com os demais.
Não eram apenas os outros que não conseguiam mais reconhecê-lo.
Nem o próprio Billis sabia… Se ainda era um homem… ou apenas um inseto.
Muitos adeptos de linhagem assumiam formas monstruosas ao despertar seus poderes. Mas poucos haviam se transformado de maneira tão completa… tão absoluta… quanto Billis.
Dentro do clã, havia alguns outros adeptos que também seguiam o caminho da linhagem. Entre eles estavam Rainha Sangrenta Mary, Mística Emelia, Adepto Dragonesa de Fogo Meryl e Adepto de Veneno Gargamel.
As manifestações de suas linhagens apareciam apenas em partes do corpo. No geral, ainda mantinham traços humanoides bem definidos, o que os tornava mais fáceis de aceitar e integrar dentro do clã.
Já indivíduos como Billis, que haviam se transformado completamente em “monstros”, não apenas eram rejeitados — eles também se perdiam em sua própria crise de identidade.
Muitas vezes, Billis despertava no meio da noite, tomado por confusão.
Onde estava? Quem era ele? Que tipo de criatura havia se tornado?
Essas dúvidas o atormentaram por décadas… até que, um dia, o “Billis humano” simplesmente desapareceu de sua mente.
Sem aquele último vestígio de humanidade, ele finalmente conseguiu aceitar sua existência — tornando-se um verdadeiro adepto de insetos.
Mas foi então que percebeu algo ainda mais assustador.
Sem o “Billis humano”, ele havia perdido completamente a capacidade de evoluir.
Não importava quantos massacres realizasse, no máximo conseguia absorver essência vital suficiente para gerar enxames cada vez mais brutais. Seu nível permanecia estagnado. Sua essência… não avançava.
A Rainha dos Insetos que ele havia assimilado tinha como limite o Terceiro Grau. Ela só havia alcançado aquele nível após ser integrada por Acteon… e depois por ele.
No entanto, a separação de Acteon danificara sua origem de alma, deixando-a presa no ápice do Segundo Grau, incapaz de evoluir mais.
O Clã Carmesim havia atravessado inúmeras crises, e Billis também trilhara o caminho da evolução através da carnificina, tornando-se um dos adeptos mais temidos nos campos de batalha.
Mas fama… era apenas glória vazia.
Não o tornava mais forte.
Com o passar dos anos, Billis perdeu o interesse pelo massacre. Em vez disso, passou a vagar pelo mundo, buscando uma solução para seu problema.
Modificação de linhagem?
Ele sempre estivera na linha de frente, lutando. Nunca se dedicara à pesquisa. Não havia como avançar nesse caminho apenas tentando aprender às pressas.
Substituição de linhagem?
Algumas poções raras haviam surgido dentro do clã — linhagem serpentina, pseudo-dragão… opções tentadoras.
Mas nenhuma servia para ele.
Escolher esse caminho significaria descartar todo o progresso que já havia conquistado. Teria que começar do zero, cultivando uma nova linhagem. Além disso… o verdadeiro “dono” daquele corpo agora era a Rainha dos Insetos.
Por que ela aceitaria um “suicídio” desses?
Sem encontrar nenhuma solução, Billis acabou tomando a única decisão possível.
Ele contatou silenciosamente o espírito da torre e solicitou uma audiência com seu líder — Greem.
…………
Trono de Fogo. Sala secreta no topo da torre.
Após três meses de reclusão, Greem finalmente concluiu o difícil processo de modificação de linhagem.
“Chip, faça uma varredura profunda em mim!”
[Beep. Missão aceita. Iniciando varredura profunda!]
Uma sequência de sons eletrônicos suaves ecoou enquanto o Chip entrava em ação. Com sua capacidade avançada de análise, rapidamente organizou o estado atual de poder de Greem:
[Greem – Masculino – Adepto de Elementium de Terceiro Grau (Especialização em Fogo).
Físico do Caos (Alta Resistência Mágica).
Atributos Corporais: Força: 24 (+5) | Físico: 27 (+2) | Agilidade: 16 | Espírito: 39.
Talento de Linhagem: Buraco Negro de Energia.]
Era impossível negar: criaturas caóticas poderosas como as bestas estelares eram verdadeiros tesouros vivos. As habilidades de linhagem que possuíam eram absurdamente poderosas.
Ao substituir sua linhagem humana pela de uma besta estelar, Greem adquiriu o Físico do Caos, permitindo-lhe absorver energia mágica diretamente do caos do espaço.
O espaço deixou de ser um ambiente hostil para ele.
Agora… era praticamente seu território.
Desde que não fosse pego no centro de uma tempestade energética extrema, Greem poderia se mover livremente pelo vazio.
Seu novo talento — Buraco Negro de Energia — também vinha das habilidades inatas das bestas estelares.
Em situações críticas, podia ativá-lo e converter toda a energia mágica em um raio de dez metros ao seu redor em energia caótica, absorvendo-a para si.
Duração: cinco segundos.
Para qualquer conjurador comum… isso era praticamente um pesadelo.
Energia caótica era instável, violenta, impossível de ser moldada em feitiços.
Ou seja — se usada no momento exato — essa habilidade podia neutralizar completamente um ataque letal.
No instante em que um feitiço estivesse prestes a atingi-lo, Greem poderia ativar o Buraco Negro de Energia. A estrutura do feitiço colapsaria ao ser convertida em caos, anulando o ataque antes mesmo de se concretizar.
Além disso, o Físico do Caos elevava sua resistência mágica a um nível absurdo.
Segundo as estimativas do Chip, mesmo ainda sendo apenas um adepto no ápice do Terceiro Grau, Greem já possuía resistência comparável à de alguns adeptos de Quarto Grau.
E mais…
Se o campo de batalha fosse no espaço profundo, onde tempestades de energia eram constantes, Greem teria uma vantagem esmagadora.
Afinal, adeptos comuns — nascidos em planos materiais — não conseguiam absorver energia mágica caótica diretamente do espaço.
Greem, por outro lado… podia.
Tanto ativa quanto passivamente.
Sem dúvida alguma, essa mudança representava um salto colossal em seu poder.

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