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    『 Tradutor: Crimson 』


    Greem só leu o pedido de audiência de Billis um mês depois.

    Ele estivera completamente absorvido pelo processo de substituição de linhagem, cortando qualquer contato com o mundo exterior. Apenas após concluir a reconstrução e sair para estabilizar corpo e Espírito foi que percebeu a lista de solicitações apresentada pelo espírito da torre.

    Qualquer alteração na linhagem já era algo extremamente delicado — quanto mais uma substituição completa como a que ele acabara de realizar. Com o equilíbrio entre sua alma e a antiga linhagem destruído, o poder de Greem havia despencado ao fundo do poço. Ele precisava, urgentemente, reconstruir todo o seu sistema de poder com base na nova linhagem.

    Seria um processo longo… e árduo.

    Assim, ao sair do isolamento, Greem passou a focar em recuperar seu corpo.

    Antes mesmo disso, ele já havia estruturado mentalmente as etapas dessa reclusão:

    A primeira fase era a substituição da linhagem humana pela de uma Besta Estelar — etapa que lhe concederia novos talentos.

    A segunda fase consistia em reconstruir órgãos energéticos essenciais com base nessa nova linhagem, substituindo os antigos que já não serviam mais. O mais importante deles era o Coração de Demônio Flamejante.

    Esse coração já não apenas deixara de ser útil, como se tornara um fardo em combate. Transformá-lo em um verdadeiro “coração de chamas” era prioridade absoluta.

    A terceira fase — e a mais crítica — seria utilizar a substância de origem para compreender e dominar os princípios, permitindo assim o avanço ao Quarto Grau.

    As duas primeiras etapas serviam para consolidar sua base. Ele precisava otimizar completamente sua estrutura de poder antes de avançar, evitando que imperfeições limitassem seu crescimento futuro.

    Agora, tendo concluído a substituição de linhagem, Greem havia alcançado o objetivo da primeira fase. O Físico do Caos e o talento de linhagem recém-adquirido já eram provas disso.

    No entanto, antes de iniciar a segunda fase, ainda era necessário que corpo, linhagem e alma se harmonizassem completamente. Só então poderia reconstruir seu sistema de poder.

    Durante esse intervalo, Greem aproveitou para se atualizar sobre os assuntos do clã.

    A maioria dos relatórios apresentados pelo espírito da torre eram rotineiros — informes administrativos dos membros centrais. Ele não precisava interferir diretamente, apenas manter uma noção geral do desenvolvimento do clã.

    Poucos documentos realmente exigiam sua atenção.

    Mas alguns… eram críticos.

    Um deles vinha de Meryl — um relatório altamente confidencial vindo da Torre Branca, nas Terras do Norte.

    A Associação de Energia Mágica, organização criada pela princesa Vanessa, começava a dar sinais de fuga do controle do Clã Carmesim.

    De acordo com os espiões infiltrados, após décadas de crescimento, a associação havia se tornado uma força significativa — com mais de cem membros centrais e quase mil subordinados.

    E, recentemente… sinais de instabilidade começaram a surgir.

    Um plano chocante estava sendo gestado:

    Plano de Secessão. 1

    O objetivo era libertar o Plano Goblin do domínio do Clã Carmesim, devolvendo aos goblins o controle de seu próprio mundo.

    O plano inicial era meticuloso. Eles reuniriam e transfeririam, pouco a pouco, conhecimento, sistemas e avanços alquímicos do Mundo Adepto para o Plano Goblin.

    Quando julgassem possuir recursos suficientes, lançariam ofensivas suicidas coordenadas para destruir todos os portais que conectavam os dois mundos.

    No instante em que essas conexões fossem cortadas, finalmente recuperariam sua “liberdade”.

    Quando isso acontecesse, o recém-independente Império Goblin passaria a se apoiar no conhecimento alquímico acumulado pelo Mundo Adepto ao longo de centenas de milhares de anos, trilhando um caminho de desenvolvimento de energia mágica próprio para sua raça.

    Dessa forma, os goblins sonhavam em ascender… tornando-se mais um dos grandes competidores do multiverso.

    Greem quase engasgou de tanto rir ao ler o relatório resumido enviado por Meryl sobre a Associação de Energia Mágica.

    Mas, após refletir com seriedade… acabou admitindo que havia certa engenhosidade naquelas pequenas criaturas.

    Vanessa jamais abandonara sua identidade como princesa dos goblins. Desde o início, tudo o que fazia — cada plano, cada movimento — era em prol da independência e ascensão de sua raça.

    O plano, à primeira vista, parecia até lógico.

    Na prática… era ridículo.

    Qualquer adepto central do Clã Carmesim seria capaz de esmagar esse “Plano de Secessão” sem esforço. Quanto mais o próprio Greem.

    E o ponto mais absurdo… era justamente o que consideravam essencial: destruir os portais de teletransporte.

    Acreditar que isso cortaria a ligação com o Plano Goblin? Ingênuo demais.

    Muito antes disso sequer se tornar uma possibilidade, o clã já havia enterrado secretamente Pedras de Localização em cinco pontos estratégicos daquele mundo.

    Mesmo que todos os portais fossem destruídos, os adeptos ainda poderiam recalcular as coordenadas do plano e abrir um novo portal diretamente até lá.

    E, nesse caso… A invasão seria inevitável.

    O verdadeiro problema não era o plano em si — mas a limitação da visão dos goblins.

    Eles simplesmente não compreendiam o quão brutal era a evolução no multiverso.

    Uma raça fraca… sonhando em se tornar dominante.

    Se Vanessa soubesse do destino do Plano Morrian … talvez nunca tivesse alimentado tais ambições.

    Morrian era um império arcano poderoso, comparável ao próprio Mundo Adepto. Ainda assim, no momento em que tentou ascender ao topo… foi esmagado por uma aliança de forças superiores.

    Sem motivo aparente.

    Sem piedade.

    No multiverso, não bastava querer subir.

    Era preciso ter presas afiadas o suficiente para impedir que outros o devorassem.

    Caso contrário, seu rugido não intimidaria ninguém… Apenas atrairia predadores.

    Você pode até se achar poderoso — depois de esmagar inimigos fracos.

    Mas, para os verdadeiros predadores… você não passa de carne fresca.

    Nesse cenário, esconder-se em um pântano isolado e sobreviver em paz pode ser muito mais sábio do que tentar se expor ao universo.

    Afinal, o multiverso é vasto demais. Mesmo as criaturas mais poderosas teriam dificuldade em encontrar um único plano escondido entre o mar infinito de estrelas.

    E aí reside o paradoxo de todos os mundos planares:

    Se permanecerem isolados, evitam predadores… mas também estagnam.

    Os recursos são limitados. A origem planar é fixa.

    O número de vidas que podem sustentar… também.

    Por que o Mundo Adepto era tão poderoso?

    Porque seus adeptos não ficaram confinados ao próprio plano. Eles saíram, invadiram inúmeros planos menores e trouxeram de volta recursos e vidas. Com isso, a origem planar do seu mundo cresceu continuamente, ainda que de forma sutil.

    Quanto mais rica a origem de um plano, mais substâncias e mais formas de vida ele pode gerar. E, quanto mais vida e recursos existem, mais fortes se tornam aqueles que vivem ali.

    Era um ciclo.

    Por isso os adeptos desprezavam tanto os nativos de planos inferiores. Não era apenas arrogância — havia uma diferença real. Tanto na constituição biológica quanto na qualidade da alma, os seres do Mundo Adepto eram superiores.

    Tudo começava na origem do plano.

    Ela criava vida.

    E essa vida, ao conquistar outros mundos, retornava e alimentava ainda mais essa origem.

    Esse era um dos princípios fundamentais da evolução do plano.

    Se nenhum poder externo interferisse, qualquer mundo poderia crescer dessa forma, acumulando força ao longo do tempo.

    Mas havia um preço inevitável.

    Para evoluir, os habitantes precisavam sair de seu mundo. Guerrear. Invadir. Escravizar. Negociar. Buscar qualquer oportunidade para fortalecer sua origem.

    E no momento em que faziam isso… Eles se expunham.

    No vazio infinito do universo, acendiam uma chama visível para todos.

    A partir daí, só existiam duas possibilidades:

    Tornar-se um predador ou atrair um predador ainda maior.

    Ninguém sabia qual seria o resultado.

    Por isso, o crescimento de uma civilização planar não dependia apenas de força militar.

    Sorte… era igualmente decisiva.

    Muitas vezes, até mais.

    Agora, no ápice do Terceiro Grau, Greem já conseguia enxergar esse lado do universo — mais real, mais cruel.

    Já Vanessa… ainda estava muito longe disso.

    Como uma simples adepto mecânica de Primeiro Grau Avançado, ela só via a superfície do Mundo Adepto. Não tinha como compreender os verdadeiros fatores que determinavam o lugar de uma facção no multiverso.

    E, quanto mais Greem analisava o Plano de Secessão… Mais sentia pena dela.

    Vanessa era, sem dúvida, alguém ambiciosa.

    Sonhava alto.

    Mas não possuía o poder necessário para sustentar esses sonhos.

    E, nesse universo… Sonhos sem poder não são apenas inúteis.

    São perigosos.

    Quanto maior a ambição… maior o desastre quando ela desmorona.

    Se levasse isso adiante, Vanessa não apenas cairia — arrastaria consigo toda a raça goblin… e até o próprio Plano Goblin.

    E não havia “força de vontade” que pudesse mudar isso.

    1. Secessão é o ato formal de separação de uma parte de um território ou organização, buscando independência política. O exemplo mais famoso é a Guerra de Secessão Americana (1861-1865), onde estados do sul dos EUA tentaram se separar do Norte. No Brasil, a secessão é inconstitucional, pois a Constituição define a união dos estados como indissolúvel.[]
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