Índice de Capítulo

    Com a avaliação de Ocean concluída, todos foram até a sala de Marcos.

    O mestre daquela filial da Guilda os avaliou por um momento antes de finalmente falar: — A sua avaliação e a do seu familiar parecem consistentes. Mas não tenho certeza se o mesmo se aplica à sua suporte e companheira.

    — Você não pode estar falando sério ao nos comparar — apontou Alexander, secamente.

    — Eu, obviamente, sei que não faz sentido avaliar um suporte por padrões de força ou poder destrutivo — respondeu Marcos, sério. — Mas ela nem sequer está sob avaliação…

    — Não relataram à Guilda que ela salvou um grupo de aventureiros de um ninho de goblins? — indagou Alexander. — Isso não é suficiente para colocá-la em análise?

    — Pelo que ouvi, alguém — provavelmente você e seu familiar — destruíram o ninho praticamente sozinhos — respondeu Marcos.

    — E por que acha que os ajudamos em primeiro lugar? — rebateu Alexander.

    Essas palavras deixaram o mestre da filial numa posição difícil.

    Por um lado, fora confirmado que Diana possuía a personalidade que a Guilda buscava em seus aventureiros de alto nível. Por outro, também ficara claro que seu desempenho ainda era incerto em relação às próprias capacidades e conquistas.

    Vendo-o inclinado, mas ainda indeciso, Alexander disse: — Parece que este ramo não está interessado no lucro em potencial de uma {Masmorra Avançada}, que gerou monstros-baú ao mesmo tempo, nem na compra de alguns dos itens que obtive nas masmorras e no ninho de goblins.

    Ao ouvir essa “suposição”, Marcos — como mestre de um dos ramos da Guilda dos Aventureiros — passou rapidamente da irritação à aceitação resignada, chamando alguém para promover todos os ligados a Alexander.

    Depois que todos do grupo receberam uma identificação dourada comprovando seu novo rank, Marcos disse: — Todo o seu grupo foi promovido. Você também foi colocado em avaliação devido à limpeza do ninho de uma criatura de terceira evolução. Agora forneça informações sobre essa nova masmorra e relate tudo o que descobriu sobre ela.

    Alexander não se importou em vender alguns dos itens para a Guilda e relatar as informações sobre a {Masmorra das Trapaças}. Ele precisava mesmo fazer isso por causa da missão que havia recebido — Marcos apenas não sabia disso.

    Contudo, o dragonoid não relatou nada sobre a outra masmorra que destruiu, já que a missão relacionada a ela desaparecera depois que ele arrancou o núcleo.

    Ding!

    [Missão concluída.]

    Depois de terminar todo o seu relatório, Alexander enviou uma mensagem a John confirmando o pedido de Diana e solicitando mais algumas coisas.

    A primeira delas era estar pronto para fazer alguns ajustes em seu capacete. A segunda era comprar alguns livros sobre forja, encantamento de itens e alquimia voltada à criação e fortalecimento de ligas metálicas.

    Naturalmente, as despesas seriam compensadas quando ele recebesse os itens.

    No momento em que terminou de enviar a mensagem e estava prestes a sair, Marcos veio falar com ele: — Acabei esquecendo de voltar nisso antes, mas como você machucou os seus olhos?

    — Eu tinha acabado de pegar Ocean e estávamos voltando quando nos deparamos com um desastre — mentiu Alexander, com uma invenção já premeditada. — A área ao redor tremeu e uma grande explosão de água emergiu do chão sob nós.

    — … — Marcos.

    — Felizmente consegui nos proteger parcialmente, mas estar perto daquilo cobrou seu preço — continuou Alexander.

    — Pode me dizer a região onde isso aconteceu? — perguntou Marcos.

    — Não conheço a área. Mas foi nessa direção — respondeu Alexander, indicando o rumo. — Se você enviar alguém para investigar, é provável que ainda encontrem parte da destruição causada.

    — No entanto, mande alguém que esteja pelo menos no nível ouro — acrescentou o dragonoid, sério. — Qualquer pessoa abaixo desse nível que seja pega por algo assim não tem muita esperança.

    — Obrigado pelas informações — disse Marcos. — Vou tomar nota.

    Como já haviam resolvido tudo na Guilda, Alexander pediu a Diana que o levasse até a loja da Lua Negra.

    Enquanto se dirigiam para lá, ele notou algo que antes lhe passara despercebido, apesar de já ter estado naquela cidade. — Diana, é impressão minha ou você sempre evita uma parte dessa cidade?

    — … — Diana hesitou. — Eu… não gosto de passar por lá.

    Ao ouvi-la, o sangue de Alexander ferveu imediatamente. O “efeito dracônico” sobre ele não afetara apenas sua luxúria.

    Sua raiva também passara a ter uma intensidade muito maior — especialmente em assuntos relacionados a ela. — Por quê? Alguém lá já te fez mal?

    — Não — assegurou Diana. — Só não gosto do tipo de “mercado” que tem lá.

    — Então é isso — disse Alexander, sorrindo ao se acalmar. — Considerando o quão reservada você é, era de se esperar que não gostasse desse tipo de mercado.

    — O quê? — perguntou ela, confusa.

    Quando finalmente entendeu o que ele quis dizer, Diana enrubesceu da cabeça aos pés. Porém seu rosto logo se transformou em pura repulsa. — Esse também fica por lá, mas não seria problema, já que a maior parte fica fechada durante o dia. O que eu realmente não gosto de chegar perto é do mercado de escravos.

    — O quê? — surpreendeu-se Alexander. — Existem mercados de escravos?

    — Você não sabia? — estranhou Diana.

    — Não.

    — Não é apenas aqui. A maioria das grandes cidades tem — explicou ela. — Você provavelmente nunca percebeu porque não passou muito tempo em cidades grandes. Mesmo na Cidade Gêmea, você vivia na academia e normalmente só saía de lá para ir às masmorras ou à Guilda.

    Alexander realmente vinha mantendo uma política voraz de “não ver e não se envolver”, pois não era forte o suficiente para lidar com problemas além dos seus.

    Ele não notou — ou talvez não quisesse notar — que estava deixando passar tantas coisas relevantes. — Entendo…

    Mesmo em um mundo abençoado com magia, ainda tenho que me deparar com tal abominação — pensou Alexander, frustrado. — Isso simplesmente não faz sentido tático para uma nação. É uma perda absurda de potencial em troca de mão de obra bruta e forçada.

    Provavelmente fazem isso para obter mão de obra barata ou para forjar escravos de combate para os nobres —ponderou ele, perdido em pensamentos, até Diana informar que haviam chegado.

    — Obrigado, Diana — disse Alexander. — Mas quando terminarmos aqui, você deveria ir e voltar na frente… Vou passar pelo mercado de escravos antes de voltar.

    Ao ouvi-lo, ela lançou imediatamente um olhar estranho e questionador.

    — Não se preocupe. Não pretendo comprar escravos — garantiu Alexander com um sorriso. — Meu interesse lá é outro.

    Aliviada com a resposta, Diana concordou sem dificuldade.

    Ela realmente não gosta da ideia de passar por lá — analisou Alexander enquanto organizava mentalmente seus planos. — Caso contrário, teria pedido para vir comigo.

    Como Diana já havia comprado o que precisariam durante a viagem, ele não precisou se preocupar muito com isso. Suas compras limitaram-se a algumas peças de reposição, alguns mimos para ela e livros.

    Por mais que tentasse agir como se não tivesse comprado muito, Alexander saiu da loja acompanhado por um vendedor cujo sorriso parecia ir de orelha a orelha.

    Ele simplesmente comprara uma cópia de cada livro sequer vagamente relacionado a alquimia, herbalismo, conceitos mágicos, matrizes e áreas semelhantes — além dos ingredientes, reagentes e ferramentas necessárias para essas práticas.

    Essa compra custou a Alexander uma pequena fortuna.

    Alguns livros foram adquiridos pelo mesmo valor dos núcleos de dragão que ele havia comprado. Certas fórmulas e receitas — necessárias para compreender melhor as reações dessas áreas — custavam desde moedas de platina até moedas de diamante negro.

    Com as compras resolvidas e o casal seguindo destinos diferentes, Diana levou Ocean para casa enquanto Alexander foi até o mercado de escravos.

    Depois de resolver suas questões por lá — após alguma confusão — ele usou |Esgueirar-se| para fugir.

    Ao chegar à casa dos pais de Diana, ele surpreendeu-os ao “materializar-se” no pátio interno. — Me desculpem por chegar assim e assustá-los. Contudo, acredito que precisamos conversar agora que Diana vem comigo.

    Os pais de Diana olharam Alexander de cima a baixo, mas não pareceram muito surpresos. Era mais como se estivessem tentando se acostumar com sua nova forma e compreender as mudanças.

    — Precisamos conversar, sim — disse a mãe de Diana. — Mas é melhor fazermos isso lá dentro, depois de comermos.

    Apesar de todos reunidos, Alexander tirou um momento para tomar um banho. Para alguém com suas características e magias, isso não demorou muito.

    Quando terminou e se arrumou, todos comeram e finalmente se sentaram para conversar.

    Com a sala silenciosa e pesada, Alexander foi o primeiro a quebrar o silêncio. — Não vou mentir. No começo, eu não queria levá-la, porque o meu caminho pode ser perigoso. Mas simplesmente não consigo mais deixá-la para trás.

    — Nós entendemos um pouco — disse a mãe de Diana. — Mas não conseguimos deixar de nos preocupar… Em primeiro lugar, por que você precisa ir embora?

    — Não estou exatamente fugindo — respondeu Alexander. — Na verdade, já estava planejando fazer isso depois do torneio, desde o momento em que decidi participar.

    — Por quê? — perguntou a mãe, preocupada com o futuro da filha.

    — Porque eu já sabia que iria me destacar muito, principalmente se ganhasse — explicou Alexander. — Vocês podem não saber, mas o diretor da academia é reconhecido como um dos pilares do Império. Isso provavelmente o levaria a tentar me “recrutar” para as fileiras do Império se eu permanecesse aqui.

    Ao notar que os pais de Diana não compreendiam totalmente o problema, ele aprofundou a explicação: — Essa “indicação” pode parecer algo bom, algo com que muitos jovens sonham. E de fato eu teria capacidade para me sair muito bem…

    — O problema é que não tenho nenhum apoio político — explicou o dragonoid com calma. — Isso me deixaria apenas duas opções: tornar-me vassalo de alguma família nobre em busca de proteção ou ser fortemente reprimido por elas.

    Percebendo que eles entendiam parte da situação, mas ainda estavam confusos, Alexander reformulou a explicação de uma forma mais próxima da realidade deles: — Vocês querem apenas viver uma vida tranquila, certo? Então pensem no seguinte: o que acham que aconteceria se Diana recusasse o pedido de casamento de um nobre inútil?…

    — Agora imaginem esse cenário no pior resultado possível — completou com uma expressão estranha.

    Ao pensar nisso, as expressões dos pais de Diana escureceram cada vez mais à medida que compreendiam as implicações.

    — Foi por isso que fiz Diana sair da academia, mesmo sem querer levá-la comigo no início — continuou. — A filha de vocês tem uma aptidão incrível. Se continuasse lá, inevitavelmente acabaria presa em um dilema semelhante ao meu.

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