Índice de Capítulo

    Nota do autor: Salve, galera! Estou passando aqui rapidinho pra avisar que, excepcionalmente, teremos 2 capítulos publicados nesta semana.

    Talvez nem todos tenham visto, mas um dos leitores pediu mais conteúdos ambientados em Yggdrasil. Por causa disso, acabei adiando o capítulo da semana passada para me dedicar a essa parte da história.

    Então, atendendo aos pedidos, os dois capítulos desta semana serão: o 335, dando continuidade à trama principal, e o 012, que se passa no futuro da história, acompanhando Juliel e Alexander.

    Bom capítulo a todos.

    Ironicamente apertado para quem até um segundo antes parecia alheio a todo o resto, Alexander disparou para o banheiro assim que terminou.

    Como mago da água, ele conseguia se hidratar sem parar ou atrapalhar o processo. Se aliviar não era tão fácil assim.

    Quando voltou, no entanto, o anão que lhe lançara o desafio já segurava o item forjado.

    O velho Vulcans inspecionava a peça com um olhar quase espantado: — Este aqui já tem um nome?

    — Sim — respondeu o jovem sem hesitar. — Este é o [Escudo da Lua Sibilante].

    — A camada externa é uma liga de Orichalcum, Essência de Ouro Mágico e Platina Branca. Os materiais e sua forma circular e levemente côncava garantem firmeza e uma superfície ideal para receber impactos.

    — A parte intermediária combina Ouro Branco, Platina Branca e Essência de Ferro Negro. Esta liga foi pensada para absorver, redistribuir e dissipar a energia cinética dos golpes em um som sibilante sem rachar ou causar tantas vibrações.

    — A camada mais interna é uma liga robusta de Diamante Negro e Platina Branca. Ela mantém a integridade estrutural e protege o núcleo sem perder a condutibilidade energética e mágica.

    — Por fim, o acolchoamento: seda de fios tesouro-de-seda esgarçados, moldados e sintetizados em microfibras com a cobertura de camadas protetoras.

    Dando um tempo para Vulcans assimilar tudo, “Órion” fez uma pausa.

    Alexander estudou a reação do anão por um tempo antes de continuar: — Como deve ter notado, usei a Platina Branca tanto para dar o tom de lua quanto para unir todas as partes com perfeição sem acrescentar peso excessivo.

    — O coração do escudo, porém, é um [Núcleo de Cristal de Sangue] — completou o jovem forjador antes de concluir sua explicação. — Para criá-lo, usei primeiro os conhecimentos do mestre da filial para sintetizar gemas e cristais de sangue, depois os seus para fundi-los e refiná-los neste núcleo. Um catalisador mais poderoso e adequado.

    — Você tem noção de que pulou um grau inteiro direto e forjou um item de grau superior refinado? — indagou o velho ferreiro com um olhar estranho e duvidoso. — Nós nem temos todos esses materiais que você usou nesse escudo aqui na loja no momento.

    Para alguém que alegara estar aquém mesmo do grau elite refinado em habilidade, aquilo era suspeito.

    — Foi apenas sorte — respondeu “Orion”, sabendo que uma boa parte desse resultado provavelmente se devia a ele ter usado uma mistura do seu sangue com o sangue de Drayygon no [Núcleo de Cristal de Sangue]. — Além disso, concebi este item pensando em dá-lo de presente a uma certa pessoa. Por isso, além do fogo da sua forja, todos os recursos usados eram exclusivamente meus.

    — Sorte? — duvidou, desdenhando, o anão. — Não minta para mim ou para si mesmo, garoto. Este item tem alma…

    — Você realmente o fez pensando em alguém, e é possível sentir isso ao analisá-lo com o devido cuidado — garantiu.

    Parando para ponderar sobre o que Vulcans disse, ele se lembrou de algo: durante o seu fluxo de trabalho no escudo, várias das suas habilidades haviam feito progresso, sendo apenas uma escolha sua não parar para olhar.

    Alheio ao sistema e às melhorias da habilidade dele, mas bem fiel à sua própria palavra na comissão, o velho ferreiro não apenas lhe entregou um certificado de conclusão.

    Valendo-se de sua posição como ancião da Guilda dos Artesãos, deu-lhe uma recomendação à promoção de grau superior como artesão.

    Seu motivo e argumento eram simples: a técnica e as habilidades estavam lá; tudo o que faltava para ele produzir itens assim era a inspiração ou a motivação certa.

    Surpreso com o tradicionalista Vulcans dar uma recomendação pessoal de promoção a alguém, o mestre da filial nem pensou muito e apenas processou a promoção dele, “Órion”.

    Se fosse qualquer outra pessoa, talvez investigasse e fizesse mais processos. O aval daquele velho, porém, era mais difícil de comprar do que a própria loja dele.

    Satisfeito com o fim da comissão do anão, com sua promoção e especialmente com a possibilidade de focar-se apenas no que queria, ele passou a cultivar-se de forma mais refinada: acertando a proporção de creme, o tempo de rescaldo até o fim da saturação, os movimentos mais benéficos e as aulas sobre |Síntese| na área animal e, finalmente, mineral.

    Feliz com seu progresso, mas longe de Diana há alguns meses, Alexander decidiu fazer uma pausa momentânea. Decidiu voltar para vê-la por alguns dias.

    Se fizesse tudo certo, o jovem nem mesmo precisaria reassumir sua forma dracônica.

    Decidido sobre o seu afastamento para aquela pequena pausa, foi avisar o mestre da filial da Guilda dos Artesãos e o velho Vulcans.

    No entanto, no instante em que entrou na loja, Alexander viu o ferreiro terminando uma negociação que parecia importante com um enviado da administração da cidade e uns jovens.

    — Algum problema? É algo importante? — sondou, não querendo se intrometer demais, mas também deixando claro que estava lhe dando cobertura, caso preciso.

    — Não. A senhora da cidade só pediu que eu ajudasse a equipar esses jovens por um valor amigável — explicou o anão, fazendo Alexander cair em contemplação ao analisar o grupo. — Eles aceitaram a comissão dela para lidar com um {Verme Gigante Comedor de Rochas}.

    Analisando a situação de lado até que o grupo foi embora, ele contou a Vulcans que estaria fazendo uma pausa.

    Acima de tudo, o jovem fez uma advertência sincera ao velho ferreiro: — Não sei se você conhece ou tem simpatia por alguém daquele grupo, mas se sim, mande que não vá. Mande que saia o quanto antes dessa missão… Aquele grupo provavelmente será aniquilado.

    — Os que porventura não morrerem, possivelmente serão desertores, traidores ou apenas almas de muita sorte que conseguiram fugir quando o líder visse o fracasso iminente e ordenasse a debandada do grupo — completou, sombrio.

    Surpreso com o tamanho mau agouro sobre o grupo, Vulcans lhe lançou um olhar interrogativo, para lá de estranho.

    Alexander apenas abriu um sorriso estranho antes de lhe responder, erguendo a sua placa de identificação como aventureiro platina (com as informações seladas) e parafraseando uma cantiga: — Vai ser escuro como uma masmorra — húmido e pesado como o hálito de uma fera… Lá embaixo, os perigos se acumulam, e o que se ganha pode nem compensar… Não há chuva nem luz do sol. É essa a escuridão que se encontra nas minas em situações como essa.

    Imediatamente ficando sério ao ver que aquele era o apontamento de alguém que devia saber minimamente sobre o que estava falando, o anão ponderou um pouco e perguntou: — E se você os ajudasse?

    — Minha participação certamente garantiria o sucesso da missão, mas isso não vai acontecer — respondeu de forma calma enquanto “Orion”, como se não achasse bom nem ruim o seu afastamento do assunto. — Como lhe disse há pouco, estou de saída por uns dias. Tem alguém que desejo ver.

    — Tem certeza de que não quer ajudar? A senhora da cidade é uma mestra em síntese vegetal — argumentou Vulcans mais sério. — Tenho certeza de que ela ficaria muito feliz com o problema de uma das nossas fontes de recurso resolvido.

    Não podendo negar que ficou interessado ao ouvir aquilo, ele (enquanto “Órion”) ponderou por um tempo antes de responder: — Eu mantenho a minha decisão. O grupo me parece muito inquietante para lutar contra um {Verme Gigante Comedor de Rochas} no habitat dele; e isso pode acabar me custando um membro.

    Sem muito mais o que pudesse fazer — uma vez que seria demais pedir para alguém ir lutar uma luta que não era sua sob o risco de perder um membro —, o velho ferreiro apenas suspirou.

    O anão então se despediu, dizendo que aguardaria o seu retorno.

    Ao menos ele havia recebido a consultoria de uma visão especializada de fora, podendo repassar a avaliação para que tomassem as possíveis medidas cabíveis.

    Bem consciente do seu próprio corpo e de suas habilidades, Alexander se afastou das pessoas e das rotas tradicionais ao deixar a cidade. Em seguida, lançou-se bem alto no céu em uma diagonal com sua habilidade |Salto|.

    Após ter se alçado a um ponto mais alto, o jovem usou |Construtos de Combate| para criar construtos de suas asas draconianas mesmo na forma humana, subindo ainda mais e voando em direção ao Império.

    Tendo um pouco de dificuldade no início para gerir suas “asas” na forma humana, concentrou-se principalmente em planar para aprender a usar sua energia como controle sobre as asas e tornar o processo mais orgânico.

    Era quase como criar músculos e tendões artificiais em seus construtos inorgânicos de energia “solidificada”.

    Agradavelmente surpreso e bem satisfeito com o aumento de compreensão e proficiência na habilidade |Construtos de Combate| que ganhou durante sua viagem de volta, o jovem “Órion” não teve dificuldades para entrar na Cidade Gêmea ou mesmo na Academia dos Combates Gêmeos através do uso do [Anel do Deus Ladrão].

    No entanto, o melhor foi ver a cara de surpresa de Diana quando ela o encontrou na casa deles à sua espera.

    Atirando-se nele sem se importar que ele estava na sua forma humana, sua noiva quase os fez cair e rolar para trás de tanta felicidade e empolgação.

    Fazia um bom tempo que não se viam, e ela estava tão feliz em reencontrá-lo quanto ele estava em reencontrá-la.

    — Quando você chegou? — indagou a demi-canídea quando a euforia passou, retirando o seu manto e sua armadura interna após sua aula prática de combate.

    — Faz pouquíssimo tempo que voltei ao Império — assegurou Alexander, puxando-a para um beijo. — Vim direto para cá apenas para te ver.

    Sabendo onde aquilo ia parar, Diana prontamente o puxou para o seu espaço de bolso, dando-lhes mais intimidade. No entanto, antes de qualquer outra coisa acontecer, ele a parou e lhe entregou o [Escudo da Lua Sibilante].

    — Eu fiz para você — disse, já lhe roubando mais um beijo. — Não posso prever o dia de amanhã e suas estrelas, mas você sempre será a lua que mais importa no meu céu.

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