Índice de Capítulo

    Nota do autor: Salve, galera! Estou passando aqui rapidinho pra avisar que, excepcionalmente, teremos 2 capítulos publicados nesta semana.

    Talvez nem todos tenham visto, mas um dos leitores pediu mais conteúdos ambientados em Yggdrasil. Por causa disso, acabei adiando o capítulo da semana passada para me dedicar a essa parte da história.

    Então, atendendo aos pedidos, os dois capítulos desta semana serão: o 335, dando continuidade à trama principal, e o 012, que se passa no futuro da história, acompanhando Juliel e Alexander.

    Bom capítulo a todos.

    Arrastado de volta para o treinamento quase obsessivo do seu campeão, Kyle se viu novamente preso ao treino de postura e movimentação enquanto conversavam.

    — Vamos precisar ampliar as nossas terras agrícolas. Nós atingimos nosso limite alimentar atual, com 45 aldeãos ao somar ambas as aldeias — informou Alexander, corrigindo outra vez a postura dele. — Isso porque tenho caçado e lhes fornecido carne, reduzindo pela metade o consumo diário de grãos por habitante.

    — Isso é algo sério. Como ainda temos alguns recursos, vou me focar em melhorar essas construções em ambas as aldeias para aliviar a carga de trabalho sobre você — disse o jovem lorde, tentando internalizar a postura. — Mas eu também estava pensando em melhorar as fontes de recursos, como a madeireira e a pedreira.

    — Pensando bem, embora ainda não possamos formar soldados oficiais, focar no aumento da população vai permitir potencializar nossa construção especial: o campo de treinamento — corrigiu-se, ao pensar melhor nas opções que tinha à sua disposição. — Isso vai nos possibilitar ter uma milícia bem treinada, sem abrir mão das funções civis de base.

    Assentindo em concordância com satisfação, o dragonoid novamente o aprumou e comentou: — Você parece estar começando a pensar mais como um líder… Seu pensamento ainda é lento e divaga um pouco, mas já está melhor.

    Animado com o elogio, Kyle inconscientemente se inflou e quebrou sua postura, instantaneamente lhe gerando uma boa chibatada com um galho como chamada de atenção.

    Uma punição como aquela não lhe oferecia qualquer dor ou trauma devido à sua proteção de lorde, mas feria seu orgulho. Era um reforço negativo que o desafiava a se tornar irrepreensível, nem que fosse por uma única sessão.

    Com o corpo e a postura levemente lapidados, o jovem desabou no chão para descansar após algumas horinhas de treino, arfando tal qual um cachorro. O jogo o tornava um sobre-humano em vários aspectos, mas esforços por horas contínuas ainda o derrubavam e exigiam contramedidas de recuperação.

    Aproveitando que estava deitado no chão descansando, Kyle filtrou o chat global.

    Após navegar um pouco pela rede, ele viu que, dentre todas as mensagens idiotas ou duvidosas, havia sim propostas atrás das suas informações. Não só do player Estrela das Américas, como também de alguns outros jogadores.

    Reaparecendo no chat para negociar as suas informações sobre como havia conseguido conquistar outro território, um float gigantesco de mensagens choveu no chat global, tornando um inferno filtrá-lo. No entanto, logo uma série de verdadeiros top players ou seus representantes passou a expor seus pontos.

    O mais incisivo e tentador deles, devido às suas condições especiais, era o próprio Estrela das Américas.

    Sabe-se lá como, o player claramente estadunidense havia conseguido um item de contrato vinculativo via chat para negociar as informações.

    Um diferencial muito acima dos outros, permitindo-lhes manter o total anonimato de ambas as partes.

    Forçados a montar um acordo prévio em meio a um chat global conturbado, com alguns players fazendo tudo o que podiam para atrapalhar — sendo salvos apenas pelos timeouts entre mensagens do servidor —, eles acertaram os termos.

    Era uma base para o player Estrela das Américas usar seu item, acionando prompts do acordo para ambos os lados.

    Ding!

    [O jogador {Estrela das Américas} usou um contrato vinculativo via chat para requerer um acordo com você, segundo as diretrizes debatidas entre os mesmos.]

    Ding!

    [Você aceita esses termos e concorda em receber 10 moedas de ouro diárias por 30 dias, pagas pela outra parte, em troca da informação de como você conquistou outro território?]

    — Sim — aceitou Kyle sem hesitar.

    Mediante a aceitação dele, um novo prompt se abriu para receber a informação de como a conquista havia sido realizada. Ele então voltou-se para seu campeão para pegar a versão completa de como a conquista havia acontecido.

    — A informação toda? — sorriu Alexander, quase desdenhoso. — Você negociou a informação toda, ou a informação de como você conquistou outro território? Acredite em mim, isso não é a mesma coisa…

    — Espera um pouco. Já que essa coisa é vinculativa, ela deve garantir que você não está mentindo, certo? — disse o campeão, abrindo ainda mais o sorriso. — No entanto, será que ela restringe o grau e a qualidade da informação? Tente dizer o mínimo possível e veja se ela aceita; afinal, falar demais poderia me expor.

    Sob as instruções da possibilidade apontada pelo dragonoid, o sistema não aceitou a primeira versão da informação por concluir que ela não cumpria os requisitos do acordo por estar incompleta.

    Dessa mesma forma, porém, também não exigiu uma narração tão detalhada. Suas diretrizes apenas precisavam de uma descrição verdadeira do que havia acontecido, mesmo que genérica.

    Sem ter como saber a reação do outro lado, Kyle só pôde supor qual seria a reação de Estrela das Américas quanto à sua informação. No entanto, a reação do último foi várias vezes mais tempestuosa.

    A raiva que passou a nutrir não foi pelo valor pago, mas pela sensação de terem tirado vantagem dele.

    Era ele que fazia isso com os outros ao usar o seu poder financeiro.

    Após garantir uma renda passiva de 10 moedas de ouro diárias por 1 mês, o jovem lorde usou a sua primeira cota para comprar recursos no entreposto do sistema. Ele então passou a revezar entre melhorar as terras agrícolas e continuar com seu treino incessante.

    A exploração do terreno e outras aventuras foram adiadas em favor do treinamento dele.

    Estabelecida uma rotina para eles com base naquela dinâmica — com a questão da alimentação sendo gradualmente resolvida graças à melhora nas construções de terras agrícolas —, os dias se passaram com Alexander treinando Kyle sempre que ele estava online.

    Sem a necessidade de cuidar do lorde nos períodos off-line deste, ele se dedicava ao treinamento da milícia formada com alguns dos aldeões.

    O dragonoid chegou até a improvisar a confecção de armamentos básicos da melhor forma que pôde, mesmo sem acesso a uma forja ou oficina. Ele privilegiou a criação de escudos, a fim de oferecer às aldeias a proteção de uma infantaria de linha de frente.

    Cheio de sentimentos bem conflitantes sobre o que havia vivido durante a semana anterior, já em uma nova segunda-feira, Kyle foi ao seu estágio normalmente. Contudo, dessa vez ele saiu de lá extremamente empolgado.

    Aquele era o dia da entrega do bastão que havia encomendado.

    Animado como poucas vezes antes e cheio de ideias em sua cabeça, ele aproveitou que estava em um centro comercial para usar parte do dinheiro que havia obtido no jogo. Seu intuito foi comprar uma bicicleta para si.

    Sua escolha se mostrou bem acertada. Justo naquele dia, ele acabou encontrando um modelo semi-esportivo, com marchas, em uma queima de estoque pelo valor do preço da básica que estava visando.

    Uma verdadeira barganha, quase 40% de desconto.

    Feliz com seu achado, o jovem seguiu até a loja para receber a sua encomenda: seu tão esperado bastão.

    — Muito obrigado por aceitar a minha encomenda — disse Juliel ao pegar o item, exultante. — Vocês até o fizeram de forma a se dividir ao meio para o transporte, com a empunhadura servindo de engate para fixação extra no encaixe.

    — Somos nós que agradecemos pelo seu pedido — disse o vendedor mais novo da última vez. — Se você confiou em nós para fazer uma encomenda aqui, é claro que vamos tentar fazer o nosso melhor.

    — Se não for lhe incomodar muito, o senhor saberia dizer onde posso encontrar aulas para me ensinar a manusear e treinar com esse bastão? — perguntou o jovem, esperançoso. — Seria um desperdício deixá-lo parado como enfeite.

    — Aulas puramente de bastão são meio difíceis de encontrar hoje em dia. As que conheço geralmente integram algum estilo de arte marcial como uma extensão mais avançada — informou o vendedor, pensativo. — Mas não desanime ainda. O velho Park talvez saiba algo a respeito… Espere um pouco, vou chamá-lo.

    Após alguns minutos de espera, o vendedor mais velho da última vez apareceu.

    Acompanhando o mais novo, o velho analisou Juliel por um momento antes de dizer: — Aulas puramente de bastão são realmente difíceis de encontrar hoje em dia. Mas, se estiver disposto, eu posso lhe ensinar o que sei sobre essa arte, apesar de não poder dizer que é algo muito avançado.

    Animado por ter achado alguém para lhe ensinar, o jovem acabou murchando ao perguntar o valor da mensalidade.

    Ele já havia convertido todas as moedas de ouro à sua disposição — as 50 que economizara e as 11 restantes que tomara emprestadas de Alexander —; ainda assim, devido à compra da bicicleta, o jovem dispunha de apenas metade do valor da mensalidade: cerca de 100 dólares.

    — O senhor pode aguardar com esse preço por um tempo? — pediu Juliel, tentando barganhar. — Eu só tenho metade no momento, mas prometo conseguir o restante em só alguns dias.

    — Acalme-se… Para que esse nervosismo todo? — disse o velho Park, quase rindo. — Basta apenas você pagar pelo meu tempo por semana.

    Aliviado e grato, Juliel rapidamente entregou o dinheiro que tinha e se matriculou como aluno da loja esportiva. Sendo do ramo esportivo, ela tinha as licenças adequadas para fornecer aulas sobre os mais variados materiais que vendia.

    — A partir de quando você pode começar? — indagou o velho Park.

    — Se tudo der certo, amanhã mesmo, pelo fim da tarde — respondeu Juliel, voltando a se animar. — Eu só preciso avisar a minha família.

    Não vendo problema com aquele horário, o então mestre Park debateu algumas outras questões com ele e o liberou.

    Juliel, no entanto, não voltou para casa; sua próxima parada foi no centro policial da área para fazer a declaração de um boletim informativo sobre seu bastão. Afinal, andar com uma potencial arma branca pela rua sem uma cobertura legal poderia lhe gerar problemas.

    Munido das notas fiscais dos seus itens e dos comprovantes das suas filiações que comprovavam o seu trajeto, o estágio e as aulas na loja esportiva, o boletim lhe custou apenas algum tempo. Após algumas perguntas chatas, ele conseguiu expedi-lo sem problemas reais, finalmente podendo voltar para sua casa.

    O mais irônico foi que, assim que Juliel chegou em casa com seu bastão e bicicleta nova, bem como a declaração de matrícula em uma aula de artes marciais, outra bateria de perguntas foi desencadeada.

    As perguntas iam desde como iria conciliar tudo isso com seu estágio, até o óbvio: de onde veio tanto dinheiro.

    Aquele dia foi desgastante por ter que ficar prestando esclarecimentos. Porém, com alguma paciência e muitas respostas repetitivas, ele acabou explicando tudo para todas as “autoridades” em sua vida.

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