Índice de Capítulo


    『 Tradutor: Crimson 』


    Mundo Adepto, Torre do Destino.

    A luz mágica irradiada pelo ritual de astrologia no topo da torre continuava tão deslumbrante e hipnotizante quanto sempre no céu noturno.

    Toda a torre dos adeptos cintilava com um brilho prismático. À distância, a estrutura inteira lembrava uma beleza sedutora vestida com um traje formal, uma visão impossível de esquecer.

    No topo da torre, onde os rituais de astrologia eram realizados, havia apenas uma mesa de madeira solitária.

    Um tecido de veludo negro e sedoso cobria sua superfície, ocultando suas pernas. Sobre a mesa, repousava um espelho mágico de superfície lisa, diante do qual estavam espalhadas algumas cartas de tarô já desgastadas pelo uso.

    Alice estava sentada em silêncio.

    Seu olhar fixo no reflexo do espelho.

    O salão de astrologia não era escuro, mas a imagem de Alice no espelho parecia turva e indistinta.

    Quando ela estendeu a mão para acariciar as cartas viradas para cima, o reflexo permaneceu imóvel, apenas encarando-a friamente através do vidro.

    “Sou mais velha que você. Não seria demais me chamar de ‘irmã’, seria?” disse Alice em voz baixa.

    O salão estava completamente vazio.

    Nem mesmo Helen estava presente.

    Ainda assim, Alice murmurava sozinha, como se estivesse falando com alguém invisível.

    “Jogadas impressionantes, irmã! Você conseguiu separá-los logo no início do espetáculo. Imagino que já tenha outros planos preparados. Que tal eu tentar adivinhar quem você vai enviar em seguida?”

    O reflexo não se moveu.

    Porém, os belos olhos naquela face enevoada transmitiam sabedoria e serenidade.

    Ainda assim… uma serenidade excessiva.

    Fria.

    Implacável.

    Alice puxou casualmente uma carta do baralho e a colocou diante do espelho.

    A face da carta era uma silhueta em constante mutação, impossível de ser distinguida.

    A expressão do reflexo oscilou levemente, revelando um traço sutil de desprezo.

    Uma mera júnior de Segundo Grau ousando desafiar uma Grande Bruxa com astrologia?

    Era uma piada.

    Com seu poder, Alice sequer seria capaz de ver o conteúdo da carta — quanto mais interferir nos planos do futuro.

    Mesmo assim, Alice não demonstrou frustração.

    Ela rapidamente pegou o Cajado da Adivinhação ao seu lado e tocou levemente a carta, murmurando:

    “Não importa o que você seja… vou apenas amaldiçoar você com o pior azar possível!”

    Uma luz mágica intensa brilhou no cajado.

    A energia do Destino se reuniu em uma corrente poderosa, fluindo para dentro da carta.

    Essa força então se transformou em misteriosas correntes do Destino, selando completamente a carta.

    A figura negra no espelho finalmente reagiu.

    Ergueu a cabeça.

    Olhou para Alice com frieza.

    E soltou um leve bufar.

    No instante seguinte, o espelho escureceu.

    A conexão mental entre as duas Bruxas do Destino foi abruptamente cortada.

    ………………

    Em algum ponto da vasta floresta primitiva, um pequeno buraco negro se abriu lentamente.

    A Princesa das Lâminas, Katherine, desviou cuidadosamente de um fragmento espacial e, após grande esforço, finalmente chegou ao seu destino:

    O Plano Henvic.

    No entanto, assim que saiu do buraco negro, a consciência do plano caiu matando sobre ela.

    Seu poder foi suprimido à força — do ápice do Terceiro Grau para o ápice do Primeiro Grau.

    Uma queda de dois níveis inteiros.

    A perda repentina de poder, somada ao esgotamento extremo de seu Espírito, fez com que tropeçasse em uma trepadeira e caísse de cara no chão.

    E, por pura coincidência…

    Havia uma pilha fresca e fumegante de fezes de animal bem à sua frente.

    Ela caiu diretamente nela.

    Sem qualquer preparo.

    Metade de seu corpo ficou completamente enterrada na sujeira.

    Com um som úmido e desagradável, Katherine conseguiu se erguer com dificuldade.

    Um cheiro insuportável invadiu suas narinas.

    Tomada por uma fúria extrema, ela estava prestes a gritar—

    Quando levantou a cabeça.

    E viu.

    Uma enorme traseira.

    E, ao lado dela, a estranha cabeça de um dragão espiando.

    Os dois se encararam.

    Ambos chocados com aquela visão absurda.

    Como tirano daquela região da floresta, o Rei Tiranossauro Mosh jamais imaginaria que alguém ousaria perturbá-lo enquanto dava sua cagada diária—

    Muito menos surgindo de um buraco espacial negro.

    Um buraco espacial? Um invasor de outro mundo?

    Ao mesmo tempo, a Princesa das Lâminas Katherine — que havia atravessado o espaço com grande dificuldade — jamais imaginaria que aquela velha abriria a saída do buraco… justamente no “banheiro” de uma besta mágica gigantesca.

    Os dois se encararam assim mesmo.

    Enquanto… fezes viscosas e úmidas ainda escorriam pelo rosto de Katherine.

    Parecia que o estômago do Rei Mosh não andava bem nos últimos dias.

    Claramente, ele havia comido algo difícil de digerir.

    Uma expressão de fúria surgiu no rosto de Katherine, escondido sob a máscara metálica. Seu olho mecânico vermelho brilhou com uma luz fria.

    Cinco membros metálicos se projetaram de seu corpo modificado, e as lâminas em suas pontas começaram a girar e rugir violentamente.

    No entanto, antes que Katherine — já à beira de um ataque — pudesse agir…

    O tiranossauro, ainda em choque, estremeceu.

    Seu enorme traseiro se contraiu—

    E outra rajada de fezes líquidas caiu diretamente sobre Katherine.

    Um silêncio mortal tomou conta da floresta.

    Então…

    Um grito aterrador, capaz de rasgar os céus, ecoou.

    O som de lâminas metálicas cortando carne e ossos se seguiu, acompanhado pelos rugidos desesperados do rei tiranossauro.

    Pouco tempo depois, o corpo colossal do monstro desabou na floresta.

    Uma figura pequena e magra emergiu entre as árvores, segurando a enorme cabeça da criatura.

    Ela caminhava lentamente para fora da mata.

    Instantes depois, sons de engasgos e vômito ecoaram de um arbusto próximo.

    ………………

    Cidade do Lago.

    Uma pequena cidade humana localizada na margem oeste do Lago Águas Silenciosas.

    O Lago Águas Silenciosas era profundo e vasto.

    Suas águas eram limpas, as algas abundantes, e a temperatura ideal para a vida, tornando-o um ambiente repleto de criaturas aquáticas.

    Entre elas, a mais famosa era o peixe-sol manchado.

    Sua carne era abundante e de textura macia, sendo o principal produto comercializado entre os pescadores locais e mercadores de outras cidades.

    A área do lago era enorme.

    Ele ocupava mais de um sexto de toda a região montanhosa de Cedrac.

    Da Cidade do Lago, no oeste, até a Torre de Ilgalar, no leste, o lago se estendia por toda a cadeia de montanhas.

    Seu formato lembrava um dragão repousando sobre a terra, com as asas recolhidas.

    Por ser uma região neutra, as montanhas ao redor eram extremamente perigosas.

    Aranhas-lobo habitavam o leste.

    Tribos de orcs aterrorizantes dominavam o norte.

    Chacais e lobos rondavam as florestas.

    Todos os anos, dezenas de habitantes da cidade morriam devido a ataques dessas criaturas.

    Para uma cidade de fronteira com menos de dois mil habitantes, era um ambiente extremamente hostil.

    O prefeito era um humano com mais de cinquenta anos, chamado Gandas.

    Um cavaleiro superior de temperamento explosivo.

    Na borda da cidade, havia uma fortaleza de pedra, onde cento e cinquenta soldados imperiais estavam de prontidão.

    Seu comandante também era um poderoso cavaleiro superior.

    O sistema de poder de Henvic era mais voltado para a classe de cavaleiros sagrados.

    Em certo sentido, era semelhante ao Plano dos Cavaleiros que Greem havia invadido anteriormente.

    No entanto, diferente daquele plano — onde a magia era rejeitada e odiada — os habitantes de Henvic buscavam integrar magia com técnicas de combate.

    Sua fé também era simples.

    Uma adoração primitiva à luz sagrada.

    Sem um deus específico.

    Pode-se dizer que a fé em Henvic ainda era fraca, incapaz de sustentar sequer o mais fraco dos deuses.

    Ainda assim, existiam dois poderosos cavaleiros sagrados de Quarto Grau no plano.

    Se algum deles conseguisse alcançar o Quinto Grau, poderia reunir a fé da luz sagrada de todo o plano e ascender a um grande deus.

    Entretanto, por se tratar de um mundo primitivo, não havia um sistema de poder desenvolvido nem experiências anteriores para servir de referência.

    Assim, esses dois cavaleiros dependiam exclusivamente de acúmulo pessoal e sorte.

    E, claramente…

    A sorte era o fator decisivo.

    O sistema de classificação dos cavaleiros sagrados era completamente diferente do dos adeptos.

    Dividia-se aproximadamente em:

    Cavaleiro Aprendiz — Cavaleiro — Cavaleiro de Ferro — Cavaleiro de Prata — Cavaleiro de Ouro — Cavaleiro Sagrado.

    Os dois cavaleiros superiores da Cidade do Lago eram apenas Cavaleiros de Ferro de Primeiro Grau.

    Uma força que Greem poderia ignorar completamente.

    Quanto à aparência, os humanos do Império Zambez não diferiam muito dos humanos do Mundo Adepto.

    Eram altos, musculosos, com cabelos castanhos curtos, e vestiam roupas leves de linho em várias cores.

    A opressão de classes em Henvic não era severa.

    Ao menos, os governantes de Zambez permitiam que civis comuns usassem roupas coloridas.

    No Mundo Adepto, civis só podiam vestir cinza.

    Qualquer um que ousasse usar cores da nobreza era preso e espancado pelos guardas.

    Nesse aspecto, a vida no Império Zambez era relativamente honesta e livre.

    Em uma área mais isolada da Cidade do Lago, Greem utilizou magia para enfeitiçar uma mulher que havia ido buscar água.

    Ele então extraiu de sua mente informações sobre a sociedade do Império Zambez, além de sua língua.

    Depois disso, vestiu um manto negro de viajante para cobrir o corpo.

    E seguiu lentamente pela pequena estrada em direção à pitoresca cidade.

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