Capítulo 1059
『 Tradutor: Crimson 』
Enquanto os três goblins conspiravam, um barulho estrondoso ecoou. Alguém batia violentamente na porta.
Os três se entreolharam, tensos.
Vanessa ergueu a mão, ativando uma barreira de luz que projetou o lado de fora. Seu olho mecânico brilhou intensamente ao reconhecer a silhueta… e logo voltou ao normal.
Do outro lado estava o Triturador Goblin de Tigule.
Os dois feiticeiros maquinistas ficaram pálidos.
Eles tinham acabado de falar dele… e agora ele estava ali, em equipamento de combate completo.
Coincidência? Impossível.
Tigule devia ter vindo direto do Trono de Fogo.
Vanessa não perdeu tempo. Repreendeu os dois com um olhar frio e os dispensou imediatamente. Em um compartimento secreto de seus aposentos, havia vários dispositivos de teletransporte goblin. Eles desapareceram por ali, sem deixar rastros.
Só então Vanessa respirou fundo.
Ela caminhou até a porta e desativou todas as proteções mágicas.
As portas se abriram.
BOOM!
O Triturador Goblin atravessou as portas de liga metálica sem esforço, avançando com passos pesados. Atrás dele, uma dúzia de máquinas mágicas de combate invadiu o local.
“Tigule! Estes são meus aposentos! Você não tem o direito de entrar assim!” Vanessa gritou, o olho mecânico emitindo uma luz vermelha intensa, posicionando-se à frente.
O Triturador simplesmente ignorou.
Ergueu a perna… e passou por cima dela.
Sem dizer nada, começou a destruir portas internas, uma após a outra, até encontrar o que procurava.
Cinco dispositivos de teletransporte goblin.
Silêncio.
Vanessa parou atrás dele.
O tempo pareceu congelar.
Aquelas máquinas não utilizavam o mesmo sistema dos adeptos — por isso escapavam da detecção da torre. Um único dispositivo já seria justificável.
Cinco? Indefensável.
O Triturador ficou imóvel por alguns segundos… então se ergueu lentamente e fez um gesto.
As outras máquinas recuaram, fecharam a porta e assumiram posição de guarda do lado de fora.
Agora… só restavam os dois.
Depois de um longo silêncio, o Triturador se virou.
A enorme estrutura metálica encarou a pequena figura de Vanessa.
“Há quanto tempo… Vanessa.” A voz de Tigule ecoou de dentro da máquina, pesada, cansada, mas ainda assim continuou: “Pode me explicar por que esses dispositivos estão aqui?”
Vanessa permaneceu imóvel.
Sem expressão.
Sem resposta.
“O que você está tentando fazer?” A voz dele endureceu, misturando raiva e impotência.
Ela respondeu, finalmente.
“Fazer os goblins se erguerem novamente.”
Tigule soltou uma risada amarga.
“Com o quê? Com a caridade dos adeptos?”
A voz dele ficou mais pesada a cada palavra.
“Os cristais que você usa são deles. O conhecimento que você tem é deles. Até este quarto… é deles.”
Uma pausa.
“Tudo o que você tem… pertence aos adeptos.”
“Com o que exatamente você pretende enfrentar os adeptos? Com trezentos milhões de vidas goblins?”
A fúria no peito de Tigule crescia a cada palavra, sua voz ficando cada vez mais cortante até praticamente se tornar um grito.
Mas Vanessa não recuou. Ela cerrou os punhos e respondeu no mesmo tom: “Tudo isso que você disse… um dia foi nosso! Os adeptos tiraram tudo de nós e depois jogaram de volta os restos, como recompensa pela nossa ‘lealdade’ e ‘diligência’. Isso não é justo! Eu só quero recuperar o que sempre foi nosso!”
Era a primeira vez que ela expunha completamente o que guardava dentro de si.
Tigule ficou em silêncio por um momento, a raiva diminuindo levemente, antes de responder com um tom mais pesado: “Como eu esperava… então você sabe por que estou aqui hoje?”
“Foi aquele tirano. Aquele adepto que roubou tudo de nós… ele te enviou.”
“Sim, pode ser que você esteja certa. Mas… e daí?” Tigule deu um passo à frente, encarando-a diretamente e questionando: “Você já viveu décadas no Mundo Adepto. Viu o poder deles com seus próprios olhos. Acha mesmo que, se não fosse por Greem, nós teríamos continuado existindo intactos?”
Vanessa não respondeu.
Ela não era mais a princesa ignorante de antes. Como adepto mecânica, já tinha estudado e observado o suficiente para entender o quão atrasado e frágil era o Plano Goblin em comparação com o Mundo Adepto e com os inúmeros planos dominados por eles.
A única vantagem real do plano goblin era a abundância de recursos metálicos. Fora isso, eram apenas uma raça fraca guardando um tesouro que não tinham força para proteger. Qualquer plano minimamente poderoso poderia conquistá-los — não precisaria nem ser o Mundo Adepto.
Na verdade, encontrar o Clã Carmesim havia sido, de certa forma, uma sorte amarga. Pelo menos não foram exterminados ou reduzidos completamente à escravidão.
Mas Vanessa ainda era uma princesa.
E esse título era uma corrente impossível de ignorar.
No fundo, ela continuava sonhando em reconstruir o Império Goblin com as próprias mãos, e esse sonho a empurrava lentamente para o abismo do chamado Plano de Secessão.
Durante anos, ela acreditou que tudo estava oculto, sob controle. Porém, ao ver Tigule ali — alguém que nem fazia parte do plano — uma verdade assustadora surgiu: Nada jamais esteve escondido.
O coração dela esfriou. Quanto os adeptos sabiam? Quantos já estavam expostos? Ainda havia chance?
Enquanto sua mente se afundava nesse turbilhão, o cockpit do Triturador Goblin se abriu, e Tigule saltou para fora. Ele a segurou pelos ombros e a sacudiu com força.
“Acorda, Vanessa!” Sua voz carregava desespero enquanto continuava: “Seu plano, suas pessoas… tudo já está nas mãos do Clã Carmesim! Não importa o quanto suas intenções sejam boas, esse caminho só vai levar os goblins à destruição.”
Ele apertou mais forte, a voz falhando por um instante.
“Você só vai arrastar toda a sua raça junto com você para o abismo… vai acabar arrastando ainda mais goblins para o abismo com você.”
Tigule respirou fundo, tentando conter a emoção, antes de falar com uma voz mais baixa, quase suplicante: “Volte atrás, Vanessa. Se você desistir dessas ilusões… eu… eu posso te proteger, mesmo que custe a minha vida. Eu posso garantir que você sobreviva.”
Apesar de ser fisicamente menor, Vanessa não era fraca de forma alguma. Aquela aparência frágil era apenas superficial. Como uma bruxa mecânica de Primeiro Grau avançado, lidar com Tigule naquele estado — fora da armadura — não representava ameaça real.
Dentro do Triturador Goblin, Tigule poderia lutar como um Segundo Grau Avançado. Mas ali, diante dela, era apenas um piloto um pouco mais forte que o normal.
Uma luz vermelha intensa começou a brilhar nos olhos mecânicos de Vanessa.
…………
Em um dos andares superiores da Torre Branca,
Meryl estava sentada em uma cadeira dentro de um amplo e iluminado salão arcano, ouvindo em silêncio o relatório de Vanlier.
No canto da sala, Snorlax esfregava as mãos, claramente animado com a situação.
“Então… Tigule entrou no quarto da Vanessa com seus homens, mandou todos saírem e permaneceu lá sozinho?”
Um brilho perigoso surgiu nos olhos vermelhos de Meryl enquanto ela falava em um tom frio e afiado.
“Sim.”
“Não há nada de estranho no quarto dela?”
Vanlier respondeu imediatamente, já preparado: “Estamos monitorando Vanessa de perto recentemente. Embora ela não tenha tido contato direto com membros da Associação de Energia Mágica, a organização tem se tornado cada vez mais ativa.”
Ele fez uma breve pausa antes de continuar, mais sério: “Por isso, suspeito que exista algum tipo de dispositivo incomum no quarto dela, permitindo contato com o mundo exterior.”
Meryl estreitou os olhos.
“Que tipo de dispositivo?”
“Se não estou enganado… Vanessa pode estar escondendo dispositivos de teletransporte goblin no quarto.”
“Dispositivos de teletransporte?” Meryl franziu profundamente a testa. “O que exatamente fazem?”
“Funcionam apenas para goblins. Permitem teletransporte de ponto a ponto em curtas distâncias… no máximo cinquenta quilômetros.”
“Teletransportando goblins…”
Os olhos de Meryl se arregalaram de repente. Ela se levantou de imediato, a aura ficando pesada.
“Vá. Prenda Vanessa imediatamente.”
Sua voz não deixou espaço para dúvidas.
“Se ela resistir… mate.”
“Sim!”

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.