Capítulo 337 – Um pouco de tudo o que você tenha a me oferecer
Nota do autor: Salve, galera! Estive em falta por pegar uns turnos extras e ainda sofrer um leve estiramento muscular nas costas, mas estou tentando normalizar o cronograma dos capítulos.
No que diz respeito aos conteúdos ambientados em Yggdrasil, talvez eu dê uma parada ou apenas alterne por semana. Desculpe a quem prefere essa vertente, mas tentei fazer ambos e ficar alternando a revisão e conclusão dos capítulos é um B.O. cabuloso.
Então, os capítulos desta semana são: o 336; o 013 de Yggdrasil; e este em questão, o 337.
Bom capítulo a todos.
Após o velho anão ferreiro se retirar, Gilda sentiu-se livre para agir de forma mais incisiva como senhora da cidade.
Sua pergunta foi direta, despida de qualquer fachada, carregada de cansaço: — O que você quer, Órion? Recursos? Tesouros raros? Acesso aos meus arquivos de síntese vegetal?… Diga seu preço.
— Sendo bem franco, dada a situação, eu quero tudo isso e mais. Muito, muito mais — respondeu ele com um olhar assertivo. — Mas, tirando o acesso aos seus arquivos de síntese vegetal, que obviamente me interessa, acredito que divergimos apenas na quantidade.
— Obviamente não quero tudo o que a senhora possui — esclareceu, conduzindo a conversa e evitando mal-entendidos. — Quero apenas “um pouco de tudo o que tenha a me oferecer”, por assim dizer.
— Seja direto, rapaz — disse a mulher, suspirando. — Se possível, gostaria de deixar essa questão resolvida ainda hoje.
— Estou sendo literal — insistiu ele, tentando esclarecê-la. — Quero seu conhecimento, quero sua tutoria e também quero que o pagamento pelo meu serviço seja feito em recursos raros que sei que a senhora possui.
— Sei que a senhora possui sementes raras, cristais de essência de mana de alta pureza, extratos herbais e coisas do tipo — declarou Alexander com convicção, como se movesse uma peça no tabuleiro para colocar a adversária em xeque. — Ouvi até, por uma fonte confiável, que a senhora estabeleceu contato com uma certa caravana vinda do Império, carregando materiais e insumos pré-processados. Isso sem dúvida seria muito bem-vindo para repor o estoque que consumi ao realizar minha última comissão.
Encarando-o por alguns instantes com um olhar espantado, quase assustado, a senhora da cidade se perguntou de onde ele havia conseguido tantas informações a seu respeito. Seu contato com a caravana do Império não era de conhecimento geral, muito menos público.
Mal sabia ela que ele era o verdadeiro dono da rota utilizada pela caravana e seu principal patrocinador. Alexander estava apenas tentando dar uma pequena “força” ao forçá-la a comercializar ainda mais com eles.
Com os termos apresentados, o foco da conversa mudou para a equipe — levando a uma nova fonte de divergência: Gilda queria reenviar a própria filha, enquanto ele, na identidade de Órion, não tinha intenção alguma de levá-la.
— Veja bem, entendo que a senhora deseja acabar com certos boatos que estão se espalhando. Mas reenviá-la sem que esteja pronta não fará bem nem para sua filha, nem para mim — afirmou ele, voltando-se para a jovem. — A experiência pode ter sido traumática, e encarar a fera novamente talvez seja demais para ela.
— Além disso, pretendo levar um grupo limitado — acrescentou, sério. — Ela é uma maga dual elemental de Terra e…?
— Terra e Raio — respondeu a jovem Aila, surpreendentemente firme, erguendo o olhar para encará-lo.
Seus olhos carregavam o dourado terroso dos anões misturado a faíscas elétricas. — Eu não estou com medo. Só não falei nada antes porque não me parecia apropriado opinar ou decidir sobre escolhas e recursos que não são meus.
— Excelente. Mas, com todo o respeito, você é o menor dos problemas nesse momento — afirmou Alexander com convicção. — Além de revisar os detalhes do covil da criatura, vocês ainda precisariam afiançar minha presença.
— Assim como vocês, pode-se dizer que também tenho certos problemas com alguns babacas da Guilda dos Aventureiros — continuou, após ponderar as próprias palavras. — Por isso, não quero me identificar por lá… Seria uma enorme dor de cabeça quando processassem meu sobrenome.
Imediatamente, ambas as mulheres estreitaram os olhos e lhe lançaram um olhar estranho.
Em resposta, Alexander apenas deu de ombros. — Vocês também têm problemas com pessoas influentes da Guilda, e nem por isso são pessoas ruins… Isso apenas significa que existem muitos idiotas abusando da própria posição.
— Tudo bem. Então, do que você precisa? — perguntou a senhora da cidade, decidindo confiar no julgamento de seu velho amigo Vulcans, já que o jovem à sua frente tinha um ponto válido.
Afinal, elas próprias não estavam naquela situação justamente por causa de babacas dentro da Guilda dos Aventureiros?
— Tudo de que vou precisar são 2 elementalistas do Raio, sendo que ao menos um deles também deve possuir afinidade avançada com fogo; além de 2 especialistas em movimentação Tier III para carregar os magos — enumerou Órion de maneira confiante e despreocupada. — Se não confiar plenamente no meu julgamento, a senhora pode enviar algum especialista em cura com outra pessoa para carregá-la. Contudo, isso ficará inteiramente por sua conta, porque pretendo receber por um grupo que fui eu quem selecionou.
Agradavelmente surpresa que a outra parte já parecia possuir os próprios preparativos e planos — afinal, ele havia previsto que a incursão anterior fracassaria —, Gilda assentiu.
A conversa técnica prosseguiu em seguida: mapas mentais foram desenhados e passados para o papel, pontos fracos discutidos e estratégias delineadas. A atmosfera era de um negócio fechado, de uma aliança forjada pela necessidade.
Apenas 2 dias depois, com os contratos devidamente assinados e diante da entrada da mina em questão, Alexander encontrou-se com o esquadrão de 6 pessoas que estaria sob seu comando durante a incursão.
Nem um pouco surpreso ao notar que a senhora da cidade havia enviado mais gente por conta da presença da própria filha, Órion já se preparava para entrar quando um deles apontou o “óbvio”: — Haan… não deveríamos discutir isso?
— O resultado da última incursão já me forneceu as informações necessárias para esta missão de extermínio — disse ele calmamente, na posição de líder. — Obedeçam às minhas ordens, não me traiam, sempre saltem para o mesmo lado que eu e jamais baixem a guarda achando que a luta está fácil, porque o verdadeiro perigo começará quando a criatura entrar em sua forma furiosa…
— Se seguirem isso à risca, é provável que todos retornem para casa sãos e salvos para aproveitar um pagamento generoso — concluiu de forma decisiva, garantindo a vitória e aumentando o moral.
Sem dar espaço para novas argumentações, Alexander ordenou o avanço e guiou o grupo diretamente até o fundo da mina, sem demonstrar qualquer sinal de medo.
O grupo não parou para verificar, medir ou checar nada. Eles apenas desceram até a última grande câmara da mina, um lugar tomado por leves vibrações e repleto de enormes buracos.
Quando chegaram ao destino, a ordem foi direta e sucinta: Aila deveria usar sua magia de terra para identificar a localização da criatura, enquanto o mago élfico dual elemental de raio e fogo que os acompanhava lançaria fogo de forma não explosiva no túnel indicado para atraí-la.
Deixando um pouco de lado o fato de que enfrentar algo daquela magnitude abaixo do solo já não era a situação ideal, tentar combatê-la dentro dos próprios túneis da criatura era quase suicídio.
Com o plano em prática e a criatura começando a se aproximar em resposta à provocação, Alexander ordenou que os demais se espalhassem pelo local e atacassem apenas com feitiços Tier II, sempre se revezando para preservar mana.
O objetivo inicial era causar o máximo de dano possível à pele e à carapaça que protegia a criatura — uma espécie de armadura formada por pedras incrustadas em seu corpo.
Furioso por estar sendo atacado daquela forma contínua, como se sofresse investidas de insetos irritantes, o enorme {Verme Gigante Comedor de Rochas} — com quase 8 metros de comprimento e 4 metros de diâmetro cilíndrico, sendo 3 metros deste último apenas de boca — avançou em uma tentativa de contra-atacar o grupo.
No entanto, sempre que ganhava impulso, uma figura trajada de negro surgia ao seu lado, desferindo um pesado chute ou soco que o fazia desviar violentamente, perdendo o ímpeto.
Frustrada, a criatura tentou retornar aos seus túneis e escapar do centro da grande câmara da mina — apenas para receber ainda mais socos e chutes, seguidos por feitiços lançados contra toda a extensão superior de seu corpo.
Liberando um guincho horrível de dor e fúria após acumular dano por tempo suficiente, o verme começou a inchar e adquirir uma coloração avermelhada. Sua forma furiosa havia sido ativada.
Sorrindo como se exatamente aquilo fosse o que estava esperando, Alexander observou o {Verme Gigante Comedor de Rochas} fazer jus ao próprio nome e mergulhar no chão rochoso como se este não oferecesse resistência alguma.
O enorme corpo da criatura fez toda a câmara reverberar com intensidade, tornando quase impossível determinar de onde viria o próximo ataque.
— Fiquem atentos e lembrem-se do que eu disse. Agora é tudo ou nada, e quem for pego vai morrer — alertou Órion com seriedade, começando a se deslocar em saltos constantes de um lado para o outro, causando estranheza imediata nos demais membros. Eles já estavam concentrados só em tentar sentir e prever onde o verme surgiria para atacar.
— À esquerda da dupla do mago élfico! — gritaram ele e Aila quase em uníssono, a tempo de o especialista em movimentação da dupla acelerar e desviar.
Em seguida, a criatura surgiu de um buraco como um vagão desgovernado e mergulhou novamente em outro.
Meio espantada por a outra parte ter reagido quase tão rápido quanto ela, a jovem maga híbrida demorou mais do que deveria na vez seguinte, só podendo ouvir o aviso dele: — Abaixo da dupla da filha da senhora da cidade!
Assustado, o especialista de Aila se lançou na direção de Alexander ainda a tempo de desviar da criatura, que emergiu do solo em uma diagonal ascendente.
Todos se surpreenderam ainda mais ao ver o guerreiro negro que dera o aviso chutar o teto e se lançar dele em alta velocidade contra a criatura.
Diferente da posição em que estivera durante o ataque inicial do verme gigante em sua forma furiosa, Órion não hesitou. Ele aproveitou que estava no ângulo e na distância ideais para atacar.
O jovem não só ativou |Expansão Muscular| para aumentar sua força física e o dano do impacto, como também girou seu corpo, convertendo as forças centrípeta e centrífuga do movimento em um ímpeto massivo carregado do poder de sua linhagem.
Munido do imenso poder dracônico em seu sangue, que ainda o acompanhava mesmo em forma humana, ele utilizou esse ímpeto para desferir um poderoso chute na lateral da cabeça da fera: — |Chute do Rei das Feras|.
Satisfeito por conseguir interromper o impulso de avanço da criatura furiosa, derrubando-a ao menos por alguns instantes, Alexander liberou seu poder mágico sem qualquer contenção.
Em seguida, sorriu e deixou-se cair sobre a sombra da cabeça dela, evocando mentalmente a técnica de combate Tier III que havia copiado como preparação: — |Câmara dos Ecos: Pisão das Sombras|.
Ainda não satisfeito em apenas ancorar magicamente a criatura ao chão pelo poder das trevas, Órion não ousou subestimar o porte físico da fera e ativou outro preparativo de Tier III: — |Câmara dos Ecos: Retenção das Sombras|.

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