Capítulo 188: Estrela Cadente (6)
A queda da estrela.
Rumores se espalharam rapidamente sobre o que cada ser dentro das [Profundezas] viu.
— Myad estava certo!
— Ele alegou que o <Irmãozão> estava em forma de estrela por centenas de anos e finalmente…
— Então, ele fez tudo apenas para destruir o <Irmãozão> no final das contas!
A luta de Myad começou a ser glorificada e se tornou a verdade, influenciando toda a [Profundezas]. Depois de uma semana, havia outra verdade que todos passaram a aceitar.
-O <Irmãozão> caiu.
Foi o incidente mais chocante em 210 mil anos de história das [Profundezas].
— Maldição. Aquela coisa maldita enterrou Jaehwan e a 7ª região!
Sétima Região, Sala do Trono de Edmunt…
Surha, que era a estrategista dos ‘Portadores da Queda’, estava discutindo assuntos com Pierre. Ela murmurou enquanto andava pela sala sem parar: — Ugh, isso é loucura. Já deveríamos ter inimigos correndo para a Sétima Região agora…
O incidente fez Jaehwan se tornar uma estrela instantânea. O incidente chamado [Retorno da Esperança] era a única chance para a Sétima região e os Portadores da Queda crescerem em poder. Surha sabia disso. Por isso ela usou cada grama de seu poder para espalhar o nome de Jaehwan e fazê-lo agir como um símbolo para lutar contra a Rupture.
Mas uma semana atrás, no [Dia da Revolução], seus planos viraram pó.
A atenção de todos agora estava em Myad e na Rupture. Mesmo dentro da Sétima Região, a Ruptura e o <Irmãozão> eram questões maiores do que o próprio Jaehwan.
— …Ugh. Pierre, fale comigo. O que devemos fazer agora? O que você acha?
Em meio a todas as perguntas, Pierre apenas olhou pela janela perplexo. Surha não esperava uma resposta, então não se importou.
‘Eu não sabia que a Ruptura faria isso… então o que realmente aconteceu?’
Ela sentiu que sua cabeça ia explodir só de pensar em todas as perguntas que tinha.
— Pierre. O Mestre realmente derrotou o <Irmãozão>?
Ela estava confusa. Sua cabeça se recusava a acreditar, mas ela viu com seus próprios olhos. A estrela. Ela ainda se lembrava da face que Myad fazia sempre que apontava para a estrela.
— Surha, é ali que nosso objetivo reside.
Era certo. A estrela que foi destruída era a estrela que Myad mostrou a ela antes.
‘Mas não tem jeito. Eu não vi esse futuro. O Mestre não planejava lutar contra o <Irmãozão>..!’
Surha mordeu os lábios ao se lembrar da [Premonição] que viu antes.
As [Profundezas] em vermelho sangue. Ruptura que havia caído, e os deuses que foram destruídos. Myad, de pé sobre tudo que havia terminado, declarando um novo mundo.
Era realmente Myad?
Foi uma das premonições mais fortes e claras, e ela tinha que acreditar nela. No entanto, cada pedaço da realidade estava opondo sua premonição agora.
Myad de repente voou para o céu e derrubou a estrela.
Myad, que havia sido acusado por todos, agora estava se tornando o salvador das [Profundezas]. Agora havia forças concordando com sua Invasão das Profundezas como um todo.
A queda do <Irmãozão> tinha tanta significância. Surha perguntou novamente: — Pierre. O <Irmãozão> realmente caiu? Você acha isso?
Pierre olhou para Surha e voltou para o céu. Ele andava olhando para o céu cada vez mais ultimamente.
— Talvez. Talvez não.
Surha ficou curiosa.
— O que você quer dizer?
— Eu quis dizer o que disse. Talvez e talvez não.
— …É tendência dificultar as coisas? Aquele pirralho fez isso há pouco.
Surha franziu a testa ao pensar em um garoto murmurando ‘Ouroboros’.
— Você me disse antes que Myad não pode derrotar o <Irmãozão>.
— Sim.
— Então, como Myad derrotou o <Irmãozão>?
— Eu não sei.
— …O quê?
Surha mal se conteve para não gritar. Suas discussões com Pierre eram sempre assim. Ela se lembrou daquele garoto Ouroboros explicando que ‘É tudo por causa do Ouroboros.’
‘Pierre também foi para a floresta.’
Jaehwan, Runald e Pierre. Esses foram os que visitaram a Floresta da Loucura. Ela percebeu que todos compartilhavam semelhanças em como discutiam as coisas. Para eles, coisas importantes nunca eram ditas claramente.
Surha não tinha certeza do que Jaehwan estava pensando agora. Ela sabia que ele estava tentando subir ao topo da Árvore das Imagens para destruir o Sistema, mas não tinha certeza do que o fazia querer fazer isso e o que o motivava. Runald uma vez falou com Surha, que estava frustrada.
‘O problema é a pergunta.’
‘Pergunta?’
‘Você tem que fazer a pergunta certa.’
Ela não prestou muita atenção, mas pensou que talvez, talvez fosse verdade. O que era importante era a pergunta… Surha olhou para Pierre. Algo veio à sua mente.
— Pierre. Você disse que o <Irmãozão> é uma ‘lua’ para você.
Pierre parou e assentiu lentamente.
— Você ainda vê aquela ‘lua’?
Pierre hesitou e respondeu: — Não.
— …Oh. Porra.
Surha respondeu com decepção. Desta vez, Pierre se voltou contra Surha. Era a pergunta certa.
— Eu não vejo mais a lua, então você acha que o <Irmãozão> desapareceu.
— …Não vou negar isso.
Surha pensou que se o <Irmãozão> realmente desaparecesse, todo ser que podia ver o <Irmãozão> não poderia mais vê-lo. E nas [Profundezas], apenas quatro pessoas podiam ver o <Irmãozão>.
Myad, Budda, Pierre e Jaehwan.
Surha tinha duas perguntas a fazer. Mas talvez ela não precisasse fazer as duas. Fazer uma era suficiente.
— Pierre, se você não pode ver o <Irmãozão>, acho que o Mestre derrotou o <Irmãozão>. Deve ser verdade.
— Verdade…
Surha ficou surpresa ao ver Pierre parecendo tão solitário.
— A lua realmente desapareceu do meu Mundo Único — Pierre começou. — Tenho quase certeza que é o mesmo para Budda. Os fundadores da Rupture compartilham o Mundo Único de alguma forma.
— Huh? Você quer dizer..
— Se o mundo de Myad perdeu a ‘estrela’, então minha ‘lua’ desaparecerá também. Será o mesmo que a ‘estrela’ no mundo de Budda.
Surha não sabia que os fundadores da Ruptura compartilhavam seu Mundo Único. No entanto, fazia sentido, já que eles foram os que criaram o Mundo Único da Ruptura também. Eles estavam apenas olhando para o mesmo mundo de maneiras diferentes.
Isso significava que algo tinha que ser o correto.
— …Então, o <Irmãozão> está morto?
Surha não tinha certeza de seu desespero. Se o <Irmãozão> estava morto, era uma coisa boa. Ela não sabia por que não se sentia tão bem com isso.
— Não tenho certeza.
— Por quê?
— Porque ninguém sabe o que o <Irmãozão> realmente é.
Foi outra pergunta como resposta. Surha tentou gritar com raiva quando Pierre falou.
— Surha, você é de uma [Região Remota], certo?
Foi tão repentino que Surha perdeu a chance de gritar com raiva.
— …Sim.
— Como era o lugar?
— Era um planeta pequeno. Comum. Com seres vivos suficientes… Esse tipo de planeta.
— Planeta…
Pierre sorriu e perguntou: — Como você pode ter tanta certeza?
— Huh? O quê?
— Que era um planeta. Como você pode ter certeza?
— …Que loucura é essa?
Surha sentiu como se estivesse sendo tratada como estúpida.
— É conhecimento comum. Tínhamos uma coisa chamada ciência. Estudávamos planetas e coisas do tipo…
— Ciência… então, eles provaram que seu mundo era um ‘planeta’?
— Sim, basicamente.
— Então, você confia neles e acha que seu mundo é um planeta.
— …O que você está tentando dizer? Não é senso comum que as regiões remotas são apenas planetas?
— E não foi dito por aqueles que estudaram ciência?
— Sim… quero dizer, é um fato. É óbvio.
— Óbvio? O que é óbvio? Como pode ser um fato se você nunca se moveu para o espaço para ver seu mundo com seus próprios olhos?
Surha ficou perplexa.
— Eu não fui, mas há cientistas que fizeram isso!
— Então você apenas confia nas palavras deles.
— NÃO! Quero dizer… UGH!
Surha ficou frustrada. Ela não precisava olhar com seus próprios olhos para realmente saber. As pessoas aprenderam que era verdade, e não havia necessidade de duvidar.
— Você já se perguntou se os cientistas talvez estivessem mentindo?
— Quero dizer.. huh? O quê?
— Mentira. Você já pensou que eles podem estar manipulando a verdade?
— E por que eles…
Surha engasgou no meio da frase. Ela agora percebeu que essa discussão não era realmente sobre um planeta ou seu próprio mundo natal. Pierre estava falando sobre o <Irmãozão> o tempo todo.
— V-você está dizendo que o <Irmãozão> é falso? Não existia tal coisa desde o começo?
— …
— Espera, você não viu a ‘lua’ desde o começo? Você…
— Eu não disse isso.
Pierre olhou para os céus novamente.
— Havia uma estrela. É a ‘verdade’.
— Mas por que…
— Mas não há como provar que a ‘verdade’ que eu vi era um ‘fato’ real.
Pierre olhou para os céus. Não havia mais o que costumava existir acima. Aquele que ele ansiava e esperava não estava mais lá.
Foi quando Pierre olhou para o homem do lado de fora da janela. Abaixo, havia um homem olhando para o céu. Jaehwan.
Era estranho. Como ele podia olhar de tal maneira? Eles estavam olhando para os mesmos céus, mas olhavam de forma tão diferente. Ao contrário de Pierre, que havia perdido o que ver, Jaehwan estava claramente encarando algo.
‘Entendo…’
Pierre sorriu.
‘Então, é por isso que te chamam de esperança.’
Pierre pensou que finalmente poderia entender os humanos um pouco mais.
Um mês se passou.
-O <Irmãozão> está morto. Agora viveremos em um mundo sem ele.
A declaração de Myad se espalhou por toda a Árvore das Imagens em um mês.
Era o começo dos tempos da Ruptura.1

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