Capítulo 215: Irmãozão (10)
Ele não tinha certeza de quantos anos haviam se passado desde então. Foram 100 milhões de anos? Ou um bilhão? Talvez até 10 bilhões de anos tivessem se passado.
Agora, Jaehwan sabia claramente em que estado se encontrava. Ele ainda estava naquele espaço maldito, mas sua consciência não estava desperta. No entanto, também estava desperta de certa forma. Era possível que alguém tivesse suportado todo aquele tempo sacrificando seu próprio espírito no lugar do de Jaehwan.
Quem? E por quê?
Jaehwan ouviu incontáveis universos explodindo em sua tênue consciência e gritando. Ele também ouviu pessoas enlouquecendo e morrendo por causa da violência do tempo infinito. Todas eram vozes que ele já tinha ouvido antes.
Ele teve vontade de chorar.
Ele queria impedi-los. Por que eles fariam isso? Por que eles precisavam fazer aquilo?
Ele então ouviu o nascimento de um novo universo. Um total de 16 universos morreram e renasceram. Foi um período de tempo assim tão longo. Então veio o silêncio. Ninguém falou e ninguém respondeu.
Em meio ao seu sonho, uma voz falava de tempos em tempos. Jaehwan conseguia relaxar por causa dela.
Mas agora silêncio? Jaehwan ficou aterrorizado.
— Ei, tem alguém aí? Não há ninguém? Não me digam que todos vocês morreram!
Jaehwan então se lembrou dos incontáveis gritos que ouvira. Então todos eles haviam morrido. Todos aqueles seres. Todos eles tinham…
Foi então que ele ouviu uma voz.
-Ei, dormiu bem? Você pode acordar agora.
E com isso, uma luz brilhante incidiu sobre os olhos fechados de Jaehwan. Ele sentiu sua consciência e espírito se unindo novamente e sentiu náuseas. Ele estava despertando de seu sono.
Jaehwan abriu os olhos e sacudiu todo o corpo como um homem doente. Fazia tanto tempo que não movia o corpo que todas as suas partes pareciam desajeitadas. Sua boca soltou um gemido estranho. Era sua voz que não ouvia há muito tempo.
Ele calmamente respirou fundo e se levantou. Então, sentou-se no chão por um longo tempo e começou a esfregar os olhos. Ele também beliscou as bochechas. Até tentou rir ou soltar uma lágrima. E depois de muito tempo, Jaehwan conseguiu aceitar que aquilo era a ‘realidade’.
Uma luz brilhou sobre ele. Vinha de uma saída em forma de Ouroboros. Uma entrada para um novo mundo, e uma saída deste espaço em que ele estava.
Ah….
Enquanto olhava para a luz, Jaehwan percebeu para onde aquela entrada levava.
Não era para as [Profundezas].
Uma velha memória que havia se apagado após muito tempo começou a voltar, pedaço por pedaço. Todas aquelas histórias que Jaehwan preservara tão preciosamente por um longo tempo estavam voltando para ele.
Sim. Ele vivera todo esse tempo apenas para ir até lá.
Jaehwan se levantou e deu um passo após o outro. Seu andar parecia estranho e sua espada balançava desamparada em sua cintura. Mas Jaehwan não parou de andar.
-Sim. Vá em frente.
A voz o encorajou. Jaehwan olhou ao redor, mas não havia som vindo de fora. Ele então percebeu que a voz vinha de dentro dele todo esse tempo. Jaehwan perguntou em voz alta: — Quem são vocês?
A voz não respondeu.
A escuridão terminou.
Enquanto estava sob a luz que brilhava sobre seu corpo, ele abriu bem os braços. Ele ficou ali, absorvendo todas as partículas de luz em seu espírito. Como um bebê que acabara de nascer no mundo, ou uma semente que brotara do solo, ele permaneceu ali por um longo tempo sob a bênção da luz.
A pressão do tempo estava se dissipando.
A pressão que continuava a corroer o espírito como água podre estava desaparecendo. Era como se ele estivesse dentro de uma vala suja e finalmente tivesse mergulhado em uma banheira cheia de água limpa e morna. Jaehwan achou engraçado ainda se lembrar de tal metáfora.
Não, era estranho que ele ainda estivesse usando ‘linguagem’. Ele deveria ter abandonado essa ‘forma ineficiente de comunicação’ há muito tempo. Ele até tentou abandoná-la várias vezes.
No entanto, ele não abandonou sua linguagem e a carregou até aqui. Foi essa ‘linguagem’ que o manteve humano.
O espaço parecia ter superado o próprio ‘tempo’.
Jaehwan olhou ao redor enquanto caminhava pelo corredor branco e puro. Isso lhe deu uma estranha sensação de déjà vu. Havia tanques gigantes posicionados em cada lado do corredor com espíritos que mal cabiam dentro deles.
Jaehwan não sabia quem eram aqueles espíritos. Ele nunca os vira antes. Todos aqueles espíritos dentro do tanque estavam encolhidos em posições fetais e em estase. Foi um pouco mais tarde que Jaehwan encontrou as etiquetas de identificação colocadas no canto de cada tanque.
Deus da Vagarosidade, Kairos.
Senhor da Dignidade, Sindler.
Deus da Jornada, Beheet.
Senhor do Sono, Gaynach.
Eram nomes dos quais Jaehwan nunca ouvira falar. Talvez fossem Deuses anteriores ao tempo dos Três Deuses Antigos. Todos eles tinham expressões complicadas. Alguns pareciam homens sábios que haviam percebido a verdade do mundo, enquanto outros também pareciam mendigos que haviam perdido tudo.
Jaehwan olhou atentamente para todos os tanques como se estivesse tentando memorizar cada um daqueles rostos. E depois de algum tempo, ele parou.
‘Isso…’
Ele havia encontrado um tanque muito maior. O espírito tinha metal ao redor de todo o corpo. Jaehwan nunca tinha visto aquele espírito antes, mas sentiu que o conhecia. Ele tinha visto essa forma similar no [Registro das Profundezas]. Depois que Jaehwan verificou a etiqueta de identificação, soube que estava certo.
‘Deus das Máquinas, Daeus.’
Era um dos Três Deuses Antigos, Daeus.
‘Por que Daeus está aqui?’
Jaehwan então sentiu arrepios percorrerem todo o seu corpo.
Talvez o <Irmãozão> fosse totalmente diferente do que as pessoas pensavam que era. Talvez os Três Deuses Antigos, que pensaram que o inventaram, estivessem errados.
Então, este <Irmãozão> era talvez…
Os pensamentos de Jaehwan foram interrompidos por uma voz.
[Parabéns por concluir seu tutorial.]1
Uma voz se espalhou pelo espaço branco. Jaehwan se virou na direção da voz.
[-ou isso é uma piada de mau gosto?]
Jaehwan percebeu quem era. Assim como Daeus, ele nunca tinha visto aquele espírito, mas o reconheceu imediatamente. Como não poderia? Este ser era aquele que Jaehwan melhor conhecia neste mundo.
Jaehwan destruiu a torre, saiu dela e chegou a este lugar com o diário deste homem. Cada parte da jornada de Jaehwan tinha sombras daquele ser nela.
— Mulack Armelt.
O lendário Mestre dos [Pesadelos], Mulack Armelt, estava ali.

Regras dos Comentários
Para receber notificações, ative o sininho ao lado do botão de Publicar.