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    Era uma luta de tirar o fôlego de se contemplar. Karlton não conseguia encontrar uma palavra melhor para descrevê-la enquanto assistia à cena se desenrolando diante dele. No entanto, conforme Karlton observava, percebeu que mesmo isso não era suficiente para descrever a luta.

    ‘Não tenho certeza se alguma palavra é suficiente para descrever aquilo…’

    Ele não conseguia desviar os olhos da luta entre o humano e os Gigantes. Um único tremor secundário de um daqueles embates era poderoso o bastante para matar Karlton instantaneamente. Era perigoso para Karlton permanecer tão perto dele, mas ele simplesmente não conseguia ir embora assim.

    [A Queda]

    A onda sombria da Queda jorrou da espada de Jaehwan e…

    [Mar de Sangue, Montanha de Cadáveres]

    Uma onda vermelho-escura explodiu do Gigantes de Myad. As duas ondas colidiram uma contra a outra, explodindo com o impacto. O ar explodiu e a paisagem ficou repleta de crateras ao redor. Entre essas crateras, a maior era a das estocadas de Jaehwan contra Myad. Dentro do buraco, uma voz amplificada surgiu.

    -Esplêndido.

    — …

    -Se eu soubesse que você ficaria tão forte, teria mudado meus planos para focar em recrutá-lo.

    A Machina, que estava enterrada no chão pelo ataque de Jaehwan, ergueu-se novamente. Seu movimento para limpar a sujeira de seu corpo lembrava as ações de um humano.

    -Eu sei que é inútil perguntar-lhe isso de novo agora…

    — Então não pergunte.

    -Mas eu ainda tenho que lhe perguntar isso.

    — …..

    -Jaehwan. Você ainda pode se juntar à Ruptura e começar um novo mundo.

    E no momento seguinte, Myad começou a gargalhar de suas próprias palavras.

    -Hah, parece que me tornei algum vilão maligno. Isso é o que os caras maus geralmente dizem no final.1

    — Talvez seja porque você está nessa posição agora.

    -Haha. Estou?

    Myad caiu na gargalhada. Um gigante de metal rindo alto com a mão na barriga parecia muito amigável. Jaehwan pensou que talvez Myad estivesse levando isso em consideração. Era por isso que sua armadura de metal parecia tão amigável. Myad van Deklan, como Jaehwan o conhecia, era um homem assim.

    — No meu antigo mundo, há uma palavra para descrever aqueles que são como você. Um sonhador.

    -Sonhador? Hmm. Isso é um elogio?

    — Você pode interpretar assim — Jaehwan respondeu friamente.

    -Hah, mas não é irônico? Ouvir isso de você? De você, cujo mundo único é semelhante ao meu?

    A Machina se endireitou após a risada. Sua cabeça com dois grandes chifres então olhou para o céu. Um gigante de metal olhando para o céu? Jaehwan achou aquilo dramático demais.

    -Você foi enganado, Jaehwan. Você deve saber disso, sendo um Desperto. Sua resistência não tem efeito sobre o início do novo mundo.

    Talvez porque os Gigantes não tivessem olhos físicos, mas a Machina olhando para o céu com sua espada gigante cravada no chão a fazia parecer um guerreiro que havia terminado sua tarefa após muitas provações e dificuldades. Jaehwan sorriu amargamente.

    ‘Que comovente.’

    -Olhe para o céu. O céu não mais carrega o ser arrogante que costumava nos olhar de cima. O velho mundo agora está acabado. É a era de um novo mundo. A era dos Deuses ou Senhores acabou. Está acontecendo. Em breve, tudo mudará.

    Era uma voz que tremia de excitação. Era a voz de um revolucionário à beira do sucesso. Alguém choraria com lágrimas de alegria se também tivesse percorrido o caminho de uma visão tão grandiosa quanto a de Myad. Não era apenas por causa do conteúdo. A voz, como era falada e como era retratada — tudo em Myad o tornava a pessoa que ele era. Ele era quem liderou a Ruptura todo esse tempo, e Jaehwan percebeu isso. Isso era o que tornava tudo possível.

    Só mais um pouco. Só mais um pouco e…

    A voz era tentadora para qualquer um que a ouvisse, especialmente para qualquer um que exibisse ódio contra este mundo. Jaehwan estreitou os olhos.

    ‘Mais um pouco?’

    Jaehwan era de um mundo onde o perigo do ‘mais um pouco’ era amplamente conhecido.

    Só mais um pouco.2

    Esse ‘pouco’ às vezes era uma quantia que não tinha fim. Nenhum mundo novo estava chegando. O mundo que estava por vir estava para sempre em seu sono. As pessoas sonhavam com uma realidade ‘pouco’ depois. E algumas das pessoas que estavam acima de todas as outras em seus sonhos controlavam o ‘presente’. Esse também era o Sistema.

    — Myad, pare com a encenação agora.

    -Encenação? O que você quer dizer?

    — O Irmãozão não está morto. Você vai mentir para mim também?

    -O Irmãozão está morto.

    — Não, não está. Eu posso vê-lo.

    Jaehwan olhou para os céus enquanto falava. Ainda estava lá com os horríveis olhos injetados de sangue com corvos voando ao redor — o olho gigante que estava sempre olhando para Jaehwan. Desde que Jaehwan encontrou o olho, o Irmãozão nunca desapareceu de seu mundo. Mesmo depois que Myad derrubou a estrela dos céus, ainda estava lá. Myad riu.

    -Oh, está? Então deixe-me reformular. O Irmãozão pereceu de todos os mundos, exceto o seu.

    — …

    -Ou se você não gosta disso, que tal se eu reformular desta maneira? Nunca houve algo como ‘Irmãozão’ desde o começo.

    Jaehwan então falou com incredulidade: — …Você realmente acredita no que está dizendo?

    -Sim, acredito.

    Jaehwan ficou até desapontado com a palavra.

    — Você sabe que eu posso ver o Irmãozão.

    -Claro, você provavelmente vê o Irmãozão. Mas mesmo que você possa vê-lo, isso é ‘prova’ de que o Irmãozão existe? Você pode ter certeza de que o olho que você vê é realmente o Irmãozão?

    — …Pare com o absurdo.

    -Absurdo? Não. É uma conclusão lógica. O Mundo Único é um mundo cheio de ‘teorias’. É um mundo fictício onde nada sobre ele pode ser considerado como ‘realidade’, até hoje.3

    Jaehwan ficou em silêncio. Falar sobre filosofias ou crenças assim não era o que Jaehwan gostava de fazer no meio de lutas. Mas ele não conseguia parar. Era porque ele se sentia compelido a derrotar Myad logicamente? Ou era porque ele queria defender as vidas das pessoas que Myad matou com suas blasfêmias? Jaehwan não conseguia entender suas intenções.

    — Certo. Vamos dizer que o que você disse é verdade. Mas suas palavras contêm contradições.

    -E quais são?

    —Se o Irmãozão que eu vejo é falso, então por que você espalhou palavras sobre o Irmãozão todo esse tempo? Você chegou ao ponto de fazer todas as [Profundezas] testemunharem você derrubando o Irmãozão. Se o Irmãozão não existia, então por que você teve que fazer aquilo? Para quê?

    Myad ficou em silêncio. Não era um silêncio por estar sem palavras. Era mais como se o silêncio estivesse lá para adicionar suspense à resposta da pergunta que ele estava esperando.

    -Às vezes, as coisas que não existem têm mais poder.

    — O quê?

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