Capítulo 228: Mundo Após a Queda (1)
[Eu queria ver a história impossível se desenrolar. Eu queria ver aquela história impossível se tornar realidade. Talvez seja por isso que considero esta novel dentro do gênero de fantasia moderna.]
-Pensamento do autor sobre [O Mundo Após a Queda]
…
A Queda sempre vem de todos os lugares.
Apenas algumas pessoas testemunham a Queda e alertam as pessoas ao seu redor para pedir ajuda. Mas, na maioria dos casos, não há ajuda porque, para a maioria das pessoas, tal Queda não é uma Queda de forma alguma.
Para o inferno com uma Queda.
Para as pessoas do mundo, qualquer tipo de Queda não é uma Queda. Mas as pessoas não sabem. A maioria das ‘quedas’ que as pessoas enfrentam são resultados de sua morte que vem de ‘qualquer Queda’. E Jaehwan, aos dez anos de idade, também foi uma vítima de tal Queda.
— Pare com isso! Vou chamar a polícia se não parar!
— Eu vou levá-lo! O que te dá o direito?! Você ao menos tem um emprego? Ou-
— Jaehwan é MEU filho!
Jaehwan sentiu uma dor de cabeça ao ouvir os gritos.
‘…Onde estou?’
Ele levantou seu eu de dez anos. Sua bochecha, que estava caída sobre uma pequena escrivaninha, se descolou da superfície. Havia cadernos usados e sujos com rabiscos e fórmulas.
Conforme Jaehwan olhava mais de perto, era mais um desenho do que um rabisco. Era difícil de dizer no início, mas depois de olhar por um tempo, ficou claro. Era uma figura de palito segurando algo que parecia uma faca, e estava rasgando o dever de casa e as fórmulas de Jaehwan com sua espada.
Foi então que muitas memórias passaram rapidamente por sua cabeça. Era um passado tão distante que sacudiu sua cabeça de dez anos e o fez cair em um estado semelhante a um ataque.
‘O quê?’
‘Por que estou aqui? Onde está o <Irmãozão>?’
‘Mulack?’
‘Onde é este lugar?’
…
Entendo. Então este lugar é… este é o Pesadelo do Princípio.
…
Pesadelo do Princípio? O que era isso?
Ele ficou confuso com todos os tipos de memória. Seus pulmões de dez anos se moveram rapidamente enquanto ele sentia tontura. Parecia como se ele visse algo flutuando ao redor, e ele percebeu que havia vários objetos sendo arremessados. E com o som de algum embate, ele ouviu o grito agudo de uma mulher. Jaehwan olhou para o prato quebrado. Ao ver o caco afiado do prato, uma palavra veio à sua mente.
Estocar.
Jaehwan segurou o caco sem perceber. Isso fez um pequeno corte em sua pequena palma de dez anos. Doeu, mas não era doloroso.
— AAAAAH! Me solte! ME SOLTE!
Ele ouviu o grito da mulher novamente. Jaehwan virou-se para o grito e viu uma mulher que não conhecia. …uma mulher?
— Mãe.
Jaehwan disse a palavra sem saber, e ficou chocado por ter dito tal palavra.
‘Mãe? Eu tinha uma mãe? Eu… eu fiquei sozinho por 10 bilhões de anos. Como eu posso ter uma…’
E com a dolorosa dor de cabeça, Jaehwan caminhou até a mulher com o caco de prato em sua mão. Jaehwan então viu um homem ameaçando a mulher ao levantar uma pequena cadeira contra ela. Jaehwan não conseguia ver o rosto do homem. Ele caminhou mais perto e pôde ver o rosto do homem mais claramente.
‘Ah-ah.’
O jovem Jaehwan parou no lugar ao sentir uma espécie de choque percorrer seu corpo.
‘Aquele é…’
Ele sentiu outra dor aguda em sua cabeça enquanto apertava o caco quebrado.
O homem não tinha olhos, nariz ou boca.
Como se estivesse coberto por algo, a coisa que cobria o rosto eram pequenos números, muito pequenos. Jaehwan então se lembrou dos rabiscos e fórmulas escritos no caderno. Aquele rosto tinha as fórmulas. Aquele rosto era…
O Sistema.
Assim que a palavra surgiu em sua mente, Jaehwan gritou enquanto avançava. Ele viu o rosto pálido e aterrorizado da mulher e o homem recuando em choque. Ele então moveu sua mão direita em um movimento poderoso e ouviu o grito de alguém. Ele sorriu levemente.
‘Eu consegui. EU CONSEGUI! Eu matei o <Irmãozão>!!’
E no momento seguinte, o corpo de Jaehwan ficou rígido.
‘<Irmãozão>? O que é isso afinal?’
O grito então se misturou com o grito de outra pessoa. Parecia que o mundo havia virado e, no momento seguinte, Jaehwan sentiu alguém o abraçando por trás. Era sua mãe. Ele estava no abraço de sua mãe depois de todos esses anos. O corpo de Jaehwan balançou impotente como uma boneca dentro do abraço de sua mãe.
Ele viu um homem caído no chão, sangrando pelo braço.
O homem estava gritando. O homem estava… Jaehwan viu os ferimentos do homem. Havia sangue fluindo do ferimento.
Jaehwan então olhou para sua mão onde estivera segurando o caco de prato quebrado. Sua mão de dez anos estava ensanguentada. Por quê? A pergunta o dominou.
‘Por quê? Por que não é uma cor prateada?’
— Jaehwan… Jaehwan…!
A mulher continuava chamando o nome de seu filho sem saber o que fazer. Jaehwan olhou para cima.
— Mãe…
E quando ela encontrou os olhos de seu filho, ela ficou pálida.
— Ah… ah-ah…
Naquele momento, Jaehwan não era seu filho. Aos olhos dela, Jaehwan parecia um monstro, um demônio que não era deste mundo. Aquele demônio estava sorrindo de forma estranha.
— Mãe. O sangue é vermelho.
…
— É um transtorno delirante.
O médico de jaleco branco e óculos prateados falou.
— Pode acontecer com uma criança nesta idade com uma combinação de Esquizofrenia, mas acho que é um pouco grave no caso de Jaehwan. Pode até levar a um transtorno de desenvolvimento.
Era um pouco carente como descrição, mas soava convincente o suficiente para uma mulher que não tinha nenhum conhecimento sobre psicologia. Também era tranquilizador ver muitos prêmios e placas mostrando várias conquistas e pesquisas feitas pelo médico profissional.
O que quer que ele dissesse, devia significar que a criança estava em condição séria.
Essa era a única coisa que ela podia deduzir de sua descrição. Ela desejou que sua escolha de palavras correspondesse ao profissionalismo do médico e perguntou:
— J-Jaehwan está nessa condição tão séria?
— Podemos dizer que sim. Você não viu com seus próprios olhos? O incidente em si é…
O médico parou de falar, mas ela entendeu o que ele não disse. Às vezes, era mais eficaz não dizer as coisas em voz alta.
Jaehwan sentiu um leve tremor na mão de sua mãe que tocava seu ombro. Se Jaehwan estivesse um pouco mais em seu estado normal, isso seria o suficiente para deixá-lo com raiva. Seria o suficiente para discutir com o médico por tratar o paciente de forma tão humilhante. Mas Jaehwan não estava em estado de fazer tal coisa. Além disso, ele era apenas uma criança de dez anos.

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