Capítulo 190: Estrela Cadente (8)
Sirwen ergueu a voz freneticamente.
— P-por que você está falando de Jaehwan?! O que há com isso?!
— Oh, estou assumindo que você está interessada no Jaehwan. Acho que esqueci de mencionar.
— P-por que você está assumindo tal…!
— De qualquer forma, vamos apenas assumir para o bem da questão. Mesmo que você me odeie tanto, se eu te ajudar a ficar com Jaehwan… você não mudaria o que pensa de mim?
— I-isso… uh… — Sirwen gaguejou.
— Apenas me responda. Sim ou não. É só um exemplo.
— B-bem… eu acho, sim.
— O que é sim? Quer dizer que você é grata por eu ajudar você e Jaehwan a ficarem juntos?
— S-sim. Você está certo.
Sirwen respondeu ao se render. Yoonhwan bateu palmas satisfeito e os outros também bateram.
— Você está certa. É exatamente isso.
— O que é exatamente isso?!
Ela sentiu que havia sido feita de tola. Ela olhou de relance para Jaehwan, mas ele não parecia se importar. Chunghuh e Runald gargalharam enquanto Sirwen apenas fulminava com o olhar.
Yoonhwan disse: — O sentimento que você terá por mim é o mesmo sentimento que esses Subgerentes atualmente têm pela Ruptura.
— Hã?
— Eles são gratos.
Sirwen ficou confusa. Seus 2.400 anos de consciência retornaram a ela. A história que deu uma longa volta finalmente retornou ao tópico original.
— Espere… Você quer dizer… Os Subgerentes estão…
— Eles são gratos pela Ruptura.
— Mesmo depois de tudo pelo que passaram?
— Sim, embora seja difícil de compreender.
— Mas por quê! Isso é impossível!
— Como eu disse, não faz sentido. Mas é um aspecto emocional.
Yoonhwan continuou explicando: — A queda do Irmãozão foi tão significativa que as pessoas não se importam mais com o que a Ruptura fez às [Profundezas].
Sirwen então começou a pensar. Na verdade, ela meio que compreendia. O Irmãozão era o ser mais aterrorizante nas [Profundezas] até agora.
O Irmãozão era o ser que controlava o Sistema e iniciava todas as [Configurações]. Ele era um ser que poderia matar qualquer um a qualquer momento por qualquer razão. O Irmãozão era tal ser. Um tirano que podia fazer qualquer coisa. E foi a Ruptura quem libertou as [Profundezas] desse terror.
‘Entendo…’
Sirwen então compreendeu.
— Então, é isso que você quer dizer. Nós não temos justificativa.
— Sim. A Ruptura não é o inimigo, mas o herói das [Profundezas].
Myad apareceu de repente e derrubou o tirano no dia da Revolução. Yoonwan continuou: — E a recente proclamação de Myad está reforçando a Ruptura em sua estrutura.
— Proclamação? Qual foi?
— Ele está alegando que unirá todos os Mundos Únicos em um só para criar um mundo sem guerras, sem Irmãozão.
— Isso é impossível…
— Sim, mas é nisso que todos acreditam agora. Há rumores de que as Regiões sob a Ruptura são melhores para se viver. Independentemente disso, acredito que seja um boato falso.
Sirwen sentiu um arrepio. — Mas isso está errado.
Derrotou o Irmãozão? Poderia ser algo bom se fosse verdade. Mas e todos aqueles espíritos que foram mortos antes de destruir o Irmãozão? Como matar o Irmãozão poderia justificar todas aquelas ações malignas?
Sirwen sentiu que era estranho pensar sobre tudo isso. Não era algo típico dela, que não se interessava por questões éticas antes de conhecer Jaehwan.
— É difícil de explicar, mas está errado.
— Sim, está errado, mas quem pode culpar a Ruptura por isso?
— …
— Justiça é igualdade, e não há justiça maior para dizer que você está errado. Quem pode dizer isso a Myad neste momento?
— …E então? Desistir agora?
— Não — Yoonhwan respondeu com um sorriso. — Temos que encontrar a pessoa. A pessoa que pode questionar Myad. Bem, eu acho que só há uma pessoa que pode fazer isso.
E todos se viraram para o mesmo lugar. Sim, não precisava ser mencionado desde o começo. A razão pela qual eles conseguiram se reunir aqui era por causa de uma pessoa.
Mas…
— Hã? Para onde ele foi?
— Ele estava aqui até um momento atrás.
— Jaehwan?
Jaehwan não estava ali.
Fortaleza de Caspion, a Oitava Região. Escritório do Mestre da Ruptura.
Kashim estava reportando a Myad, que olhava silenciosamente pela janela. Ele tinha um rosto pálido com um bigode por fazer. O rosto de Myad estava pálido e afundava conforme os dias passavam. Kashim se conteve de perguntar por preocupação e continuou com seus relatórios.
— Aumentamos o número de Perdidos solicitando se juntar a nós. Os números de cada Região são…
O relatório indicava que era difícil controlar o fluxo de voluntários. Myad respondeu com uma voz rouca e cansada.
— Use a simulação para filtrá-los. Mate aqueles sem potencial.
— …Isso está certo, senhor?
— Temos feito isso desde sempre. Por que é um problema agora?
— S-sim, mas…
Kashim hesitou, mas eventualmente respondeu:
— Compreendido, senhor.
Kashim então saiu da sala. Tudo estava indo bem, mas não parecia tão bom para Kashim. Por que seria? Foi quando um homem correu até ele.
— Quarto Capitão.
— Oh, Adel.
Adel era agora um tenente de Kashim. Eles começaram a andar pelo corredor.
— Terminou o relatório, senhor?
— Sim. E você?
— Terminei o reabastecimento de nossas tropas. Podemos avançar para a Sétima Região amanhã.
— Bom.
— Você parecia cansado, senhor.
— Não, está tudo bem.
— …
— Você tem algo a dizer?
Adel então perguntou: — Se me permite, posso fazer uma pergunta?
— Sim. Qualquer coisa serve, a menos que seja sobre deixar a Ruptura.
Ambos os homens sorriram com a piada1 e Adel continuou: — Há palavras circulando entre nossos membros.
— Palavras?
— Sobre o Irmãozão, senhor.
Kashim percebeu aonde a história estava indo.
— Há membros que estão curiosos sobre por que o Sistema ainda existe se derrotamos o Irmãozão.
— …Você está bem ciente de que matar um Deus não remove tudo.
— Não apenas isso, a rede do <Irmãozinho> ainda está intacta e não há nenhuma mudança dentro das <Grandes Terras>. Os membros estão…
Kashim então ergueu a mão para parar e falou.
— Adel. São realmente nossos membros que estão curiosos? Ou é você?
— …Para ser honesto, senhor, são ambos.
— Adel.
— Sim, senhor.
Eles estavam agora fora do corredor. Adel não tinha certeza se essa frieza era do clima externo ou de seus sentimentos. Kashim perguntou: — Eu não te disse antes?
— Sobre…?
— Uma mera queda de uma estrela não muda o mundo.
Kashim olhou para o céu. Não era apenas Kashim. A maioria dos seres das [Profundezas] recentemente começou a olhar para os céus com frequência. Como se tivessem acabado de perceber que havia um céu, as pessoas continuavam olhando para cima. Continuavam olhando para cima como se algo fosse aparecer se continuassem fazendo isso.
Adel perguntou: — …O senhor sabe algo sobre isso, senhor?
— Não. Sou apenas um Desperto ‘comum’.
— Comum…
— Sim. O que eu saberia?
Ambos olharam para os céus sem palavras. Eles estavam olhando para o mesmo céu, mas não parecia assim. Adel se sentiu um pouco solitário.
O que havia naquele céu? O que eles fizeram de errado, ou o que era esperado deles para que este mundo existisse?
E neste mundo, o que o Mestre da Ruptura queria alcançar?
— Não sei muito, mas sei de uma coisa. — Kashim falou amargamente. — É apenas o começo da guerra.
No dia seguinte, notícias das forças da Ruptura avançando em direção à Sétima Região, Eepoche, se espalharam por todas as [Profundezas]. E não foi explicado, mas a Fortaleza da Ruptura na Oitava Região explodiu ao mesmo tempo.
Era o começo da última guerra das [Profundezas].

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