Capítulo 234: Mundo Após a Queda (7)
Faltavam apenas duas semanas para o esperado aparecimento da torre. Jaehwan passava o tempo conversando com o médico. Eles não falavam mais sobre a Árvore das Imagens.
— Ah, Jaehwan. Por que você não participa de um concurso de escrita? Acho que o grande concurso está prestes a começar.
O médico fez a sugestão, pois sabia que Jaehwan já frequentava aulas de redação na faculdade. Havia um concurso que em breve encerraria o recebimento de romances.
Jaehwan perguntou de volta, irritado: — …Você está falando sério?
— Hã? O que foi?
— Você está tirando sarro de mim, não está?
— Haha, não estou.
Jaehwan pensou enquanto olhava para o rosto do médico. ‘Este médico, ele deve saber de tudo e ainda assim diz isso.’
Jaehwan respondeu: — Concurso… você não diria isso se tivesse ouvido as críticas que recebi. Escrevi essas novels porque você me mandou e…
— Haha. O que os outros disseram para você?
Jaehwan parou de falar. Não queria repetir o que ouviu na aula, críticas impiedosas que eram demais.
— Você tem talento. Adoro suas histórias.
— E se você escrevesse então? Tenho certeza de que você também é bom em escrever.
— Bem, se você me der uma história, talvez eu tente um dia.
Jaehwan então riu.
— Bem, que tal usar todas as minhas histórias que você colecionou até agora?
Claro, Jaehwan não estava falando sério. O médico também devia saber. Jaehwan sempre levava suas histórias a sério. Ilusão ou não, Jaehwan confiava em seu mundo, não importava o que as pessoas dissessem. De jeito nenhum Jaehwan concordaria em usar suas histórias para fins de entretenimento.
Mas por quê? O rosto do médico congelou por um breve segundo com as palavras de Jaehwan. Foi só por um breve segundo, e Jaehwan não percebeu. O médico riu sem graça.
— Haha…
O silêncio caiu. O médico olhou para a mesa e Jaehwan olhou pela janela.
— O dia está chegando, Jaehwan.
— …
— Você está pronto?
— Mais ou menos.
— Mais ou menos?
— É o que é. Só parece mais ou menos.
A janela estava embaçada por causa do frio lá fora. Jaehwan se aproximou da janela e usou o dedo para desenhar uma torre espiral. O desenho da torre ficou muito bom com a neve caindo do outro lado da janela.
Medo?
Jaehwan vinha pensando nisso havia um tempo, mas não estava tão certo. E se a torre não aparecesse? Agora ele estava vivendo a vida aqui. Jaehwan sorriu. Talvez o médico tivesse vencido no final.
— Jaehwan.
— Sim.
— Já se passaram dez anos desde que o conheci.
Alguns fios de cabelo do médico estavam ficando brancos. Jaehwan sentiu o fluxo do tempo ao olhar para aqueles fios. Ele havia se esquecido depois de viver por milhões de anos, mas dez anos era muito tempo para humanos comuns.
— Posso lhe dizer o que é irônico?
— O que é?
— Na verdade, eu acredito no seu mundo. Não é sobre a possibilidade. Eu realmente acredito que o mundo existe.
Jaehwan ficou estupefato por um segundo e zombou.
— Isso é uma piada nova?
O médico balançou a cabeça seriamente.
— Mesmo que a torre não apareça, eu acredito que o seu mundo existiu… não. Existe.
O médico estava falando sério. Ele olhava para grossos prontuários empilhados em um armário perto da parede. Jaehwan também se virou para olhar na mesma direção. Havia inúmeros prontuários com vários nomes de pacientes.
— Ultimamente, acho que meus tratamentos estavam todos errados, afinal. Tratar e consertar o mundo dos outros… pensei que talvez fosse arrogância demais da minha parte. Como um homem pode consertar o mundo de outro?
— …Você está brincando? Ou está falando sério?
— Estou falando sério.
Jaehwan ficou sem palavras. O médico continuou: — Talvez seja tudo graças a você.
— O que quer dizer?
— Talvez eu tenha sido o persuadido por você durante nossos dez anos.
Por que agora? Por quê? Jaehwan sentiu tontura. Ele mal conseguira se adaptar a este mundo, e por que ele estava dizendo isso agora? Não era o desejo dele que Jaehwan desistisse daquele mundo? Ele tinha…
— Estou falando sério, Jaehwan. Eu acredito naquele mundo.
— Mas por quê… a torre nem apareceu ainda.
— Só acho que não é mais importante, se a torre aparece ou não.
O médico estava sorrindo. E com aquele sorriso, Jaehwan sentiu seus últimos dez anos sendo terrivelmente abalados.
‘Não. Por favor, não. Não fale mais.’
O médico continuou.
— À medida que eu registrava todas as suas histórias e as lia… me veio à mente. Talvez a torre que você está esperando seja…
Jaehwan então perdeu o equilíbrio e caiu, agarrando o canto da mesa. O impacto sacudiu a mesa, derrubando pilhas de prontuários no chão. Eram os prontuários de Jaehwan. Com a tontura, Jaehwan desabou no chão. A voz do médico ficou abafada, como se Jaehwan estivesse debaixo d’água.
— Jaehwan! Você está bem?
Jaehwan afastou a mão do médico. Ele olhava para os prontuários. Havia vários números mostrando a taxa de depressão. Havia gráficos que mostravam o potencial de suicídio, e gráficos que mostravam incapacidade de se adaptar à sociedade.
Jaehwan olhou para baixo, estupefato.
Gráficos e números. Todas aquelas informações distorcidas começaram a girar ao seu redor. Giravam, giravam e continuavam falando com ele.
Jaehwan. Jaehwan. Jaehwan. Jaehwan.
Estava provando a si mesmo. Jaehwan, que não podia ser provado, agora era provado apenas por aqueles números. Isso o deixou enjoado. Ele sentiu que ia vomitar.
O que era essa sensação?
Jaehwan então começou a vomitar. O médico continuava falando, mas Jaehwan não conseguia mais ouvir nada. E com o som de chamar uma enfermeira, Jaehwan agarrou um dos prontuários e começou a rasgá-lo.
— Jaehwan!
Os prontuários foram rasgados. E pelas aberturas dos vários números e gráficos, um certo vazio começou a se espalhar. Um abismo que não podia ser descrito por nenhum número ou gráfico estava ali. Enquanto Jaehwan rasgava aqueles prontuários, ele encarava aqueles espaços vazios.
‘Aquele era eu. Eu estava ali.’
Era como uma ilusão. Jaehwan até esqueceu o nome daquele lugar.
Aquilo era… únic…
Úni…
Ú…1

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