Capítulo 240: Mundo Após a Queda (13)
Três dias depois, Jaehwan estava no laboratório de Sakamoto.
— Sinto muito, Professor. Você me recomendou para a empresa e…
— Não, tudo bem. Eu ouvi o que aconteceu da Seoyul. Sou eu quem deveria me desculpar.
Sakamoto acenou com as mãos e sorriu amargamente.
— Eu não sabia que o Inchan tinha mudado tanto. Ele não era assim antes. Não sei o que dizer.
Jaehwan olhou ao redor do laboratório e encontrou uma pilha de livros sobre universos paralelos na mesa. Era estranho saber que Sakamoto não havia mudado depois de todo esse tempo. Sakamoto sorriu ao notar que Jaehwan estava olhando para a pilha de livros.
— Pode não ser neste universo, mas o Inchan pode ser um bom amigo em algum outro universo por aí. Tente compreendê-lo nesse sentido.
— …É o universo paralelo de novo?
— Haha, sim. Você sabe que minha pesquisa está relacionada a isso.
Sakamoto riu, mas Jaehwan queria dizer que Inchan provavelmente não era um homem bom em outro universo.
-Use-o em pequenos pedaços… Tenho certeza de que podemos fazer muitas pessoas usarem este item se for o caso.
‘Ele provavelmente será um idiota naquele universo…’
-Mas pode não funcionar, então vou testá-lo primeiro e avisar vocês depois!
E um bastardo que daria pesadelos a todos, transformando tudo em um pesadelo por sua própria ganância.
No entanto, Sakamoto não sabia de nada. Ele apenas sorriu e tomou um gole de seu café. Conforme Jaehwan ouviu o som do gole e olhou para todos os livros de teoria nas estantes, ele se sentiu estranho.
— Professor. Você realmente acredita em um ‘universo paralelo’?
Sakamoto pareceu surpreso com a pergunta e cuspiu um pouco do café. Ele rapidamente pegou um lenço para limpar e respondeu: — Por que está perguntando? É só uma teoria.
— Então, você não acredita nisso?
— Hmm… Como eu deveria dizer?
— Você me disse uma vez que não há imaginação ou delírio neste mundo. A imaginação existirá como outro mundo em outro universo. Foi o que você disse.
Sakamoto ficou em silêncio por um tempo por causa das palavras de Jaehwan. O relógio na parede fazia tique-taque e regulava o tempo. Depois que o tique-taque girou por um ciclo completo, Sakamoto finalmente quebrou o silêncio.
— Jaehwan. Não posso responder à sua pergunta. É uma pergunta para a qual não tenho resposta. Mas posso lhe contar outra história.
Os olhos do professor brilharam intensamente.
— Você já ouviu falar de algo chamado ‘mecânica clássica’?
— Sim. Não é sobre a era de Newton e as leis da física da época?
— Oh, então você ouviu minhas palestras, afinal?
— Eu sei que a gravidade está além de simplesmente puxar a maçã da árvore.
Sakamoto riu: — Certo. Para as pessoas da era de Newton, o mundo era apenas isso. Se a gravidade afeta a árvore, a maçã cairá. Era um mundo fácil. As pessoas acreditavam que o mundo podia ser compreendido através de números e cálculos.
— Claro. Mas por que você está…
Sakamoto continuou sorrindo e prosseguiu: — Essas pessoas acreditavam que estavam olhando para a ‘mesma coisa’ e vivendo no ‘mesmo tempo’. Pense nisso. Pense em quão simples o mundo era para elas, e pense em quão chocante foi para elas se depararem com teorias como a teoria da relatividade ou a mecânica quântica.
— …Hmm.
Jaehwan pensou sobre isso por um segundo. Talvez fosse muito parecido com o modo como os Adaptados se tornavam Despertos.
— As pessoas que viviam no mundo da mecânica clássica não sabiam que o tempo e o movimento mudavam dependendo do observador. Elas também não sabiam que a maçã que caía devido à gravidade tinha uma ‘possibilidade’ de desaparecer em algum lugar desconhecido ou penetrar no solo após milhões, ou até bilhões, de testes.
— …Acho que sim.
— Para elas, a teoria da relatividade ou a mecânica quântica são consideradas fórmulas mágicas complicadas. Haha. Arthur C. Clarke também não disse isso? Que ‘Qualquer tipo de tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia’?
Jaehwan ouviu Sakamoto atentamente, mas era difícil entender o ponto que ele estava tentando alcançar. No entanto, ele não precisou perguntar, já que Sakamoto não era do tipo que fazia uma pergunta e não dava uma resposta. Como esperado, Sakamoto rapidamente deu a resposta.
— Jaehwan. Estamos vivendo em uma era de mecânica clássica.
— …O quê?
Mas mesmo após a resposta, Jaehwan ainda estava confuso. ‘Ainda estamos vivendo em uma era de mecânica clássica?’ O que isso deveria significar? Sakamoto tomou outro gole do café e continuou: — Mecânica clássica na era de Newton. Teoria da relatividade na era de Einstein. E mecânica quântica e a grande teoria unificada agora… Teorias para compreender e analisar o mundo continuaram evoluindo. Mas olhe para as pessoas agora. A maioria das pessoas não se importa com o que são essas teorias e nem sabe que elas existem. Para a maioria das pessoas, este mundo é simples, onde maçãs ainda caem das árvores e você pode pegá-las para comer.
Jaehwan então percebeu o que Sakamoto estava tentando dizer. Ele imaginou a Árvore das Imagens e as pessoas do <Caos> que se esforçavam para obter os frutos. Ele então pensou nas pessoas na realidade.
— Mesmo com teorias tão grandiosas, o mundo das pessoas existe apenas dentro de suas vistas; em suas vistas estreitas onde não nos é permitido sequer examinar um átomo.
— …
— Nós nunca saberemos como o ‘mundo real’ se parece. Este mundo está indo muito bem mesmo com a mecânica clássica, afinal! Mecânica quântica e tudo mais… você não precisa saber disso para comer, ganhar dinheiro ou fazer sexo!
Sakamoto então parou, pois havia se exaltado, e tomou mais alguns goles de café.
— Eu me empolguei demais. Sinto muito.
— Não. Foi ótimo.
— Não, não. Tenho certeza de que não era isso que você queria ouvir. …Você está preocupado, não está?
Jaehwan respondeu: — Como você sabia?
— Pessoas que se interessam por universos paralelos geralmente têm problemas com a vida real.
Sakamoto sorriu enquanto respondia: — Foi porque você me fez uma pergunta estranha? Isso me lembra do meu sonho.
— Um sonho?
Sakamoto riu, envergonhado.
— Eu nunca contei a ninguém, mas frequentemente tenho sonhos estranhos.
— …Que tipo de sonhos você tem?
— Você pode prometer que não vai rir?
— Eu prometo.
Sakamoto então coçou o rosto, envergonhado, e começou: — Espadas duplas.
— Huh?
— Eu sou um guerreiro que usa espadas duplas naquele sonho.
Parecia que o ar tinha se enrijecido.
— Aquele mundo é um mundo onde tudo foi destruído. Havia uma torre estranha no céu, e as pessoas precisavam escalar aquela torre. Eu era um daqueles escaladores. Haha, não é estranho?
Jaehwan não achou estranho. Não era estranho de forma alguma. Porque ele já conhecia a história.
— E lá, eu subo de nível e aumento meus atributos, tentando arduamente concluir a torre. É engraçado, mas as pessoas me chamam de Sakamoto até naquela torre. E há pessoas que eu conheço que aparecem naquele sonho. Por exemplo, Inchan. Não é tolice? E…
A história de Sakamoto continuou e Jaehwan ouviu em silêncio. Como um homem que estava esperando há muito tempo, ou uma criança que desejava que a história nunca terminasse, ele continuou ouvindo.
— Então, assim… e… huh? Ei! O que está acontecendo! Jaehwan!
Sakamoto puxou vários lenços da caixa e rapidamente se aproximou de Jaehwan, acenando para ele. Jaehwan percebeu a razão após um breve momento. Ele rapidamente abaixou a cabeça e esfregou os olhos.
— Jaehwan… você prometeu não rir, então está chorando em vez disso? Está tentando tirar sarro de mim?
— N-não. Não é isso. É…
Jaehwan estava com uma expressão estranha, como se não soubesse se ria ou chorava. Como isso deveria ser explicado? Como ele deveria explicar o sentimento de encarar algo pelo qual esperou por tanto tempo? Sem explicar seus sentimentos, Jaehwan fez uma pergunta diferente.
— Professor Sakamoto. Você acredita naquele sonho?
— Huh?
— Você realmente acredita que o sonho está acontecendo em outro universo? Que ele realmente existe?
Seria uma pergunta inesperada? Sakamoto olhou para o chão por um momento diante da pergunta de Jaehwan. Após um tempo, ele falou.
— Honestamente… eu acho que pode existir.
Jaehwan queria responder. Que poderia não ser um sonho. Que aquilo existia. Naquele mundo, ele escalou a torre junto com ele e tentou proteger o mundo.
Naquele mundo. Naquele mundo, você…
Sakamoto então se levantou de seu assento, envergonhado, e Jaehwan não conseguiu dizê-lo. Sakamoto tossiu em direção à janela e virou-se para Jaehwan.
— De qualquer forma, o que eu quero dizer é isto. Afinal, não importa como o mundo se parece para as pessoas. Uma revolução é algo que acontece dentro de uma caixa túnel pequena, estreita e retorcida, não do lado de fora.
Sakamoto bateu na própria cabeça enquanto falava, e Jaehwan não conseguiu esquecer aquela visão por um longo tempo depois disso.
— Huh? Aonde você vai agora?
— Desculpe! Eu tenho que ir a algum lugar!
Jaehwan então correu para fora do laboratório e Sakamoto coçou o rosto enquanto se virava para a porta pela qual Jaehwan havia saído.
— …Hmph. Você parece ter encontrado evidências para provar a teoria do universo paralelo.

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