Capítulo 147 – Íkaros
Diante daquela escolha, Helena ficou um pouco indecisa sobre o que fazer.
Após algum tempo, conseguiu reunir sua coragem e respondeu: — Eu, eu quero ficar mais forte, mas também não sou muito boa com espadas ou outras armas… O que devo fazer?
— Se não sabe, só tem que aprender, certo? — brincou Alexander rindo. — Essa não é uma notícia tão ruim. Se não existe nenhuma arma na qual você seja particularmente boa, pode treinar com uma que se adapte à sua situação.
Dando-lhe algum tempo para assimilar o que havia dito, ele continuou: — Para começar, você tem certeza de qual é a sua afinidade mágica?
— Eu… eu não sei — respondeu Helena um tanto quanto envergonhada.
— Vento. A afinidade dela é com o vento — esclareceu Ariel calmamente. — Ela fica tão concentrada ao treinar que não percebe que toda vez que começa, o vento se torna suave.
— Mesmo? — surpreendeu-se a dragonewt, voltando-se para a amiga. — Não sinto muito essa diferença.
— Isso deve ser porque você está sempre rodeada por essa mana graças às suas escamas — disse Alexander, apontando sua conjectura. — A diferença que ela nota, provavelmente, se deve a você permear o ambiente ao seu redor quando começa a treinar.
Surpresa ao saber do próprio potencial latente, Helena olhou para suas escamas com um pouco de admiração e tristeza.
Como não era bom em confortar pessoas tristes, o dragonoid continuou para que ela não tivesse tempo de ficar triste, pelo menos não naquele momento: — Felizmente, a sua afinidade é bem versátil para estilos de combate híbrido.
— Mas antes de você começar a pensar em algum estilo, vamos testar uma última coisa — disse, entregando a haste da sua lança para ela enquanto segurava uma das pontas. — Você deve pensar em cada um dos elementos e ir infundindo sua mana na lança com a intenção de me cortar com eles.
Sorrindo do espanto delas e do descontentamento de Diana com a sua ideia, Alexander as tranquilizou: — Não se preocupem muito. Ela só fará um corte superficial no pior dos casos — não será um ataque real.
Após realizarem o teste proposto por ele, mesmo que à revelia do gosto de Diana, ficou comprovado que Helena só tinha afinidade mágica com o vento no momento. O dragonoid não sentiu qualquer nuance de outros elementos.
— Você fez isso só para testar se ela tinha outras afinidades? — perguntou a elfa curiosa. Aquilo parecia extremo.
— Sim — disse Alexander dando de ombros. — Como não possuo nenhum cristal de mana de alta pureza para testar as afinidades mágicas dela, e é importante saber se ela possui outras afinidades latentes antes de escolher uma arma, concluí que essa era a maneira mais confiável de testá-la “manualmente”.
— Mas mais importante do que achar possíveis afinidades latentes, o objetivo do meu teste era descobrir se ela conseguiria passar a sua mana para uma arma de forma viável — explicou, sem se preocupar muito com um corte como aquele. — O teste provou que é sim possível ela atuar dessa forma se os itens em questão forem feitos com os materiais adequados. Agora vocês têm as informações necessárias para escolher uma arma adequada para ela.
— Hmm? — estranhou Ariel. — Você não vai sugerir uma arma para ela?
— Não pretendo me envolver nessa escolha sem que ela me faça algum pedido direto — declarou o dragonoid como se isso fosse óbvio. — Ela deve pensar no que quer, no que vocês precisam e no que pode fazer nas condições dela.
— Mudando “um pouco” de assunto, você tem veneno? — perguntou ele sorrindo, surpreendendo a elfa com a mudança repentina de assunto. — Quanto mais forte, melhor. Mas se não tiver, tudo bem… Apenas pensei que ladinos teriam alguns consigo.
— … — Ariel.
Sentindo que o clima ficou bem estranho com aquela pergunta, Alexander sorriu um pouco. Ele então explicou: — Não pensem muito nisso. Não estou sugerindo nada. Só preciso de um pouco para testar algo.
— Eu realmente tenho alguns comigo — disse a elfa por fim. — O mais forte foi extraído de um monstro de 3ª evolução e fortalecido com algumas ervas.
— Pode me dar um pouco? — pediu Alexander como se isso fosse algo comum. — Se for caro, posso pagar.
— Você não precisa pagar — disse Ariel. — Mas só posso te dar um pouco.
— Tudo bem — concordou o dragonoid calmamente. — Só preciso de um pouco.
— Você tem algum recipiente para colocá-lo? — perguntou a elfa ao vê-lo de mãos vazias.
— Não precisa. Pode colocá-lo na minha mão — respondeu ele despreocupado.
— … — Ariel.
A elfa lhe lançou um olhar estranho e um pouco desconfiado, mas ainda lhe deu um pouco do veneno.
Sorrindo para o veneno na sua mão, Alexander derramou uma porção dele na sua mão cortada e ingeriu o resto.
— !!! — Ariel.
— !!! — Helena.
— O que está fazendo?! — perguntou a elfa ao pegar imediatamente um frasco, que provavelmente continha o antídoto do veneno. — Isso é mesmo veneno.
— Agradeço pela preocupação, mas você não precisa se preocupar — disse o dragonoid com calma. — Tenho (Resistência a Venenos) e Diana pode usar |Desintoxicar|… Só quero ver o quão forte é a minha (Resistência a Venenos).
— … — Ariel.
— … — Helena.
— Você está bem? — perguntou Diana, mesmo sem parecer muito preocupada.
— Estou. Não precisa se preocupar — disse Alexander. — Posso sentir o veneno circulando no meu corpo, mas ele não parece ser o suficiente para me derrubar.
— … — Ariel.
— … — Helena.
— Não me olhem assim. Isso nem é grande coisa — disse o dragonoid dando de ombros. — Todos os membros do meu grupo podem resistir bem a venenos dos seus respectivos níveis.
— Você parece não perceber, mas o fato de todos do seu grupo serem anormais em suas respectivas áreas não faz de você mais normal — disse a elfa de forma estranha. — Isso só torna seu grupo uma anomalia ainda maior.
— … — Alexander.
Percebendo que havia perdido no argumento, ele limpou as suas mãos e disse: — Já perdemos muito tempo. É melhor seguirmos em frente.
— Dessa vez Diana virá comigo. Pequeno Preto precisa de um descanso para se recuperar — acrescentou ao tomá-la em seus braços com o auxílio da sua mana.
Em seguida, o dragonoid abriu suas asas. — Mas não se preocupem. Como antes, estaremos bem acima de vocês.
Quando o grupo retomou a viagem e ele levantou voo com Diana nos braços, Alexander criou uma camada de mana da luz para “protegê-los” do frio.
O mais engraçado era que aqueles que conseguiam visualizar o contorno da mana dele no céu acabavam vendo o que parecia uma bolha com asas.
— Que lindo — disse a demi-canídea sobre a vista panorâmica da floresta abaixo deles.
— Realmente — concordou o dragonoid sorrindo. — Eu queria trazer você mais cedo, mas poderia ser perigoso se encontrássemos alguma criatura de 3ª evolução. Ainda não estou muito familiarizado com combate aéreo.
— Não tem problema — confortou ela amavelmente.
— Claro que tem problema. Você merece somente o melhor que a vida tem a oferecer… — insistiu ele com uma seriedade evidente. — Eu juro que vou me fortalecer e te mostrar as coisas mais lindas do mundo: desde a formação de uma tempestade de perto e as místicas luzes naturais, até o fundo do mar e as estrelas do céu.
— Isso parece incrível, mas eu já tenho o melhor que a vida tem a oferecer — rebateu Diana com carinho. — A felicidade de estar aqui com você é a melhor coisa que eu poderia ter.
Ouvindo-a dizer aquilo, Alexander não conseguiu se conter e teve que beijá-la.
Tendo-a em seus braços com o seu corpo quente pressionado contra o dele, além de toda a “abstinência” em que estavam, o momento romântico logo se transformou em algo mais tátil.
Ele sabia que aquela guinada foi culpa dele. O autocontrole de Diana era bem maior que o dele.
A diferença entre eles era que ela rapidamente aceitava entrar em “modo de excitação”, mas era capaz de se controlar um pouco, enquanto o dragonoid era capaz de controlar um pouco quando iria entrar em “modo de excitação”, mas quase não era capaz de se controlar quando entrava nesse estado.
— Me desculpe, Diana. Eu que te falei que deveríamos esperar até chegarmos a um lugar mais adequado, mas agora já estou quase perdendo o controle — disse Alexander em um pedido implícito. — Será que eu posso?…
Nota do autor: Aviso de Skip.
— É claro que pode. Afinal, essa sua cachorrinha também está no fogo — respondeu Diana, com a voz dengosa. — Pode enfiar em mim o quanto quiser, senhor dragão.
Com uma resposta daquelas e a voz molhada em seu ouvido, Alexander perdeu qualquer inibição.
Ele ativou a habilidade |Asura|, levantou a parte de baixo do vestido dela com sua cauda e rasgou qualquer outra camada de tecido que ainda estivesse em seu caminho com a sua mão livre.
Normalmente, o dragonoid e a demi passavam um bom tempo trocando carícias nas preliminares, mas como as coisas aconteceram muito mais rápido dessa vez, eles simplesmente abaixaram as roupas e começaram a fazer com vontade.
Uma atitude imprudente como aquela era e geralmente sempre seria altamente desaconselhada no sexo, mas como Diana já estava bem molhada e eles eram mais resistentes que a maioria, a penetração só lhes rendeu fortes gemidos.
Felizmente para o casal, graças ao seu sistema, Alexander não precisava ficar voando ativamente para se manter no ar. Ele só precisava manter uma pequena parte da sua mente pensando em voar e usando a sua habilidade especial |Voar|.
Com a estabilidade deles no ar facilmente resolvida pela habilidade |Asura|, os movimentos de ambos se tornaram cada vez mais amplos e selvagens. Tudo o que restava além deles naquela vastidão eram os sons cada vez mais altos dos seus gemidos de prazer e da deliciosa colisão dos seus corpos um contra o outro.
Como já fazia um tempo, a intensidade foi muito maior. Isso fez com que o prazer ao atingir o clímax fosse tão forte que seus corpos entraram em grandes espasmos.
Esses espasmos, por sua vez, fizeram as asas do dragonoid falharem. Eles acabaram entrando em queda livre.
Alexander não sabia dizer qual era a aceleração gravitacional do planeta em que estava, mas eles começaram a acelerar contra a resistência do ar — uma velocidade crescente que se tornava cada vez maior.
Depois de alguns segundos, o pico de prazer passou e ele conseguiu se recuperar o suficiente dos espasmos para retomar o controle das suas asas.
Assim, mesmo com o prazer ainda correndo por seu corpo, suas asas conseguiram retomar o voo e evitar a queda.
Com a situação resolvida, o dragonoid se virou para ver se Diana estava bem e a encontrou com os olhos quase revirados, ainda no auge do prazer.
Era natural e até invejável que os orgasmos dela eram mais intensos. O corpo dele parecia ter sido projetado para ter uma rápida recuperação de quase tudo.
Após algum tempo, o pico de prazer de Diana passou e ela começou a se recuperar. Aproveitando o momento, Alexander a levantou um pouco. Se continuasse dentro dela, acabaria começando tudo de novo.
Sair de dentro dela foi como sair de um banho quente só para entrar em uma panela de óleo fervente. O dragonoid a viu liberar a primeira carga como se estivesse se preparando para receber a segunda; seu peito quase explodiu de desejo.
Vendo-o assim, ela pressionou o rosto contra o dele e sussurrou em seu ouvido: — Mais. Eu quero mais.
Aquelas simples palavras com o hálito quente dela tocando o seu ouvido fizeram todo o corpo de Alexander estremecer.
O que se seguiu a partir dali só poderia ser descrito como estranho, pois o corpo de Alexander pareceu não responder mais ao seu comando, como se estivesse sob o controle dela e não dele.
Quando o corpo de Alexander voltou a obedecê-lo, ele já estava “grudado” em Diana de novo, e em todos os níveis possíveis. O abraço caloroso dela era como o paraíso, e o beijo dela, mesmo sem técnica, parecia que ia roubar a sua alma.
A mente dele chegou perigosamente perto de ficar em branco, porém ele sabia que tinha que mantê-los no ar e por isso não podia se dar ao luxo de ceder totalmente.
Mesmo que não tenha se entregado totalmente, eles continuaram passando pelo mesmo problema e entrando em queda livre sucessivamente.
Quando conseguiu estabilizá-los pela segunda vez, Alexander teve certeza de que teriam que descer, ou poderiam acabar muito mal. A questão é que o grande problema de subir a grandes alturas é descer.
Se estivesse sozinho, Alexander poderia voar quase verticalmente. Contudo, não faria isso naquele momento.
Seu corpo deveria suportar a variação de pressão — o dragonoid foi forjado para voar baseado em um dragão — mas não podia arriscar isso estando com Diana.
Mesmo que o corpo dela fosse muito mais resistente que o dos humanos da Terra, e da maioria dos habitantes daquele mundo, ela não foi “projetada” para voar e suportar aquele tipo de variação de pressão.
Assim, Alexander desceu em uma inclinação em espiral descendente.
À medida que desciam, Alexander ajustou a direção deles em relação ao caminho e ao grupo baseado na presença de Ocean.
Com a vista privilegiada lá de cima, foi bem fácil encontrar um bom lago para seu grupo descansar.
Com o caminho livre, o dragonoid foi capaz de se mover muito mais rápido do que o grupo abaixo na floresta.
O problema foi que mesmo estando em movimento, nenhum deles estava disposto a parar. Isso fez com que caíssem em queda livre outras vezes.
Felizmente, conseguiram chegar ao lago em segurança.
Como Alexander podia sentir a distância entre ele e seus familiares, bem como a velocidade com que se aproximavam dele, foi capaz de estimar quanto tempo levaria para eles chegarem.
Com essa estimativa em mente, ele rasgou o vestido de Diana, liberando aquele lindo par de seios para o deleite de suas mãos e boca, e começaram mais uma vez.
Desta vez se amaram no lindo lago de águas cristalinas da área onde haviam pousado.

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