Capítulo 341 – A Ruína Subterrânea dos Undeads
Após um dia para se decidirem, e outro para que fossem devidamente supridos com o que poderiam precisar — desde poções até mantimentos —, o grupo estava pronto. Todos aceitaram participar, inclusive Della.
Com todos preparados, Alexander os levou até a filial local da Guilda dos Aventureiros. Ele oficializou a missão como um pedido de contratação para uma incursão contra o covil de uma criatura de 4ª evolução.
Com tudo dentro dos conformes, incluindo um pagamento independentemente do resultado, o grupo seguiu o dragonoid até o arquipélago para iniciarem a incursão.
— Fiquem atrás de Diana se não quiserem correr o risco de morrer antes mesmo de começarmos — disse Alexander ao ficar de frente para a 4ª ilha do arquipélago.
— Precisaremos passar por lá, mas acontece que aloquei temporariamente uma família de grifos naquela mesma ilha — adicionou, enquanto erguia uma ponte de gelo a partir da ilha mais próxima até o reduto das criaturas. — Comigo e Diana por aqui, basta não interagir com eles que todos ficarão bem.
Contornando a ilha pela margem sob o olhar afiado do líder do bando de grifos, o grupo pensou que tudo ficaria bem. Tal tranquilidade só durou até que um filhote, animado ao ver Diana, voou na direção da demi-canídea.
Como era de se esperar em uma situação assim, a mãe do filhote disparou logo em seguida atrás dele.
Sorrindo ao virar-se para receber o filhote e tranquilizar a mãe, a demi desmontou de Ocean. Ela foi sozinha e sem medo algum em direção à grande criatura matriarcal que se aproximava.
Sua ideia era acalmar a mãe grifo ao afastar o filhote dos estranhos consigo.
Às vezes era difícil ser popular.
Depois que a situação foi resolvida e o pequeno grifo foi repreendido pela mãe, ambos os grupos se separaram. Eles seguiram cordialmente caminhos diferentes.
Alexander então voltou a construir uma passarela de gelo sobre o mar. Dessa vez, Ocean — como uma {Loba da Lua Congelada} — também reforçou a estrutura de gelo com seu poder gélido.
Surpreendendo o grupo ao parar sobre a água em meio ao mar, o dragonoid declarou que haviam chegado. Em seguida, deu o sinal para o seu núcleo pessoal dentro do grupo.
Sob o sinal, Ocean mergulhou para erguer uma sólida plataforma desde o leito marinho. Em complemento, Diana conjurou um |Pseudo-Elemental| de vento com seu poder druídico.
— O destino está lá em baixo — explicou Alexander para o resto do grupo. — Não sei como era antes, mas agora essa entrada é acessada por uma caverna submarina.
— Você é mesmo impressionante — comentou Stella, montada em sua familiar raposa. O tom não necessariamente tratava aquilo como algo bom. — Como acha essas coisas?
— Acreditaria se dissesse que um dragão me contou? — retrucou Alexander, dando de ombros com um sorriso.
Sem esperar por mais questionamentos, o dragonoid desfez a passarela de gelo onde estavam anteriormente. Ele transformou-a em uma esfera d’água com seu |Domínio Aquático|.
Enquanto Stella revirava os olhos para a resposta, Alexander deixou apenas o |Pseudo-Elemental| de Diana para trás na plataforma criada por Ocean. Todos os demais foram conduzidos através da água até o interior da caverna.
Quando a esfera d’água que os levou até o interior da caverna foi desfeita, um cheiro forte de umidade, putrefação e coisas marinhas atingiu o grupo com força, causando uma náusea bem desagradável.
Como se já soubesse que isso aconteceria, Alexander modelou grandes tubulações que iam dali até a superfície do lado de fora com |Construtos de Combate|.
Sem esperar por qualquer outro comando, Storm passou a atuar em conjunto com o |Pseudo-Elemental| de vento de Diana que ficou na plataforma. Juntos eles criaram um poderoso sistema de ventilação: enquanto cinco das tubulações eram usadas para expulsar o ar fétido, a outra metade fornecia ar fresco puro para dentro.
Com o sistema de ventilação improvisado melhorando progressivamente as condições para o grupo — mesmo sendo um recurso limitado, ainda mais quanto mais descessem —, o casal distribuiu algumas máscaras de filtragem para que usassem caso se sentissem extremamente incomodados. Não era o ideal, mas qualquer ajuda era bem-vinda ao lidar com uma possível situação imprevista ou além das expectativas iniciais.
Apesar do cheiro forte, os familiares preferiram lidar com aquilo a ficar com um pano desconfortável na face. Eles eram bem fortes e resistentes à sua própria maneira.
Como não havia muito mais que pudesse ser feito de forma eficaz, tudo o que restava era a iluminação. E com usuários de luz em abundância no grupo, aquilo também não foi um grande problema.
Reunindo-se e ajustando-se antes de começarem a descer, o grupo completo era composto por Alex, Alexander, Ariel, Diana, Della, Helena, Ignite — a {Grande Raposa de Fogo Azul} de Stella —, Mark, Ocean, a própria Stella e Storm.
Para essa incursão, dadas as suas especificidades, Pequeno Preto havia ficado para trás — protegendo a família.
Com um grupo tão poderoso, o início da exploração nas ruínas foi tranquilo.
Orientados pelos sentidos aguçados do líder, pela magia telúrica de Diana e pela perícia de Ariel, o único cuidado necessário era com alguma eventual armadilha mais especial ou oculta.
Qualquer coisa entre os undeads fracos que se aproximasse, mesmo em hordas, era simplesmente vaporizada. O fogo azul de Ignite e as chamas da luz de Ocean e Storm eram implacáveis contra esse tipo de criatura.
— Della e Diana, comigo — pediu o dragonoid ao brandir seu imenso machado contra um esqueleto de 2ª evolução, destroçando-o com facilidade. — Os demais, fiquem em guarda. O que faremos deve irritar as criaturas aqui em baixo até o amago.
Satisfeito em ver a jovem recém-formada no centro de ensino do casal atender ao chamado, Alexander sorriu para ela. Em seguida, lançou-lhe um equipamento estranho e circular. — Para você. Pode ficar… É um presente.
Sorrindo ainda mais ao vê-la segurar o item com total estranheza, ele pediu que ela o posicionasse no chão com sinais de contaminação à frente. — Não se preocupe. Esse item foi forjado por mim nessa exata forma estranha.
— Projetado para se propagar para o lado de fora, este artefato vai ajudá-la a canalizar seu talento com maior eficiência — acrescentou de forma calma, explicando-lhe o principal uso do item.
As especificações sobre aquele item inundaram a mente de Della com a resposta que vinha procurando para sua participação naquela incursão.
Sem hesitar, fincou-o de leve no chão, firmou-o pelo lado externo e o acionou em conjunto com seu {Talento}.
O item parecia um cinturão feito de um aglomerado de hastes metálicas — com pequenos dentes voltados para fora em uma das pontas — mas seus efeitos provaram que aquilo não era brincadeira.
Como se esperasse por isso, Diana tocou o solo por dentro do item. Ela conjurou seu feitiço de Tier III |Campo de Purificação| o mais forte que pôde.
Com tantas condições favoráveis, o efeito do feitiço de purificação mostrou um desempenho notável naquele lugar abandonado — há sabe-se lá quantos anos sob a influência daquele poder corrupto e necromante.
Em um mundo onde o poder mágico tinha vasta influência em quase todas as suas esferas, o {Talento} de Della era justamente uma rara {Interferência Mágica}.
A jovem não podia apagar ou negar a magia de alguém em si. Contudo, suprimir o poder mágico de seres mais fracos que ela até certo ponto, ou interferir em sistemas mágicos — como a necromancia erosiva que se espalhava pelo solo — era possível nas condições certas.
Foi dessa forma que ajudou Diana a lançar seu feitiço com tanta eficiência.
Ao invés de ter que lutar contra o poder impregnado no solo diretamente, a jovem criou uma fenda que permitiu à demi-canídea destroçar a corrupção por dentro.
Seguindo exatamente o roteiro que o dragonoid havia dito anteriormente — em resposta à purificação do ambiente —, um certo frenesi instalou-se nos undeads que estavam por perto. Todos eles prontamente convergiram para a fonte do poder que estava desestabilizando o ambiente.
A purificação mágica do ambiente pelo poder da luz era uma das piores coisas para criaturas daquele tipo.
Mesmo vertendo chamas e fogo em profusão sobre as criaturas que se aproximavam, dessa vez apenas os familiares não foram suficientes. Na horda que avançava também haviam undeads do tipo cavaleiro e armadurado.
Alguns deles até se revelaram como já tendo alcançado o início da 3ª evolução.
Brandindo seu conjunto de escudo e espada, Mark avançou contra undeads de 3ª evolução. Ele golpeou um com o escudo enquanto desencadeava sua espada em um golpe contra o outro.
Stella foi ainda mais longe ao sacar sua varinha. Ela entoou diretamente um feitiço de Tier III: — Que o fluxo da minha mana corra com a abundância dos rios do Império… Que esse poder arda à minha volta como as chamas azuis do meu ser: |Labareda Azul Dançante|.
Assistindo impassivelmente o mundo arder à sua volta sob o fogo azul da labareda dançante de Stella e as chamas dos familiares, Alexander baixou seu machado. Ele literalmente ficou apenas esperando.
Seus companheiros haviam evoluído significativamente desde a última vez que lutaram juntos. Eles iriam conseguir dar conta sozinhos sem o menor risco ou dificuldade.
Sem muita pressa por parte do líder para acabar a expedição, o grupo não seguiu direto para baixo. Vagarou um pouco, explorando muito bem o local.
Em situações assim, era possível que achassem alguns tesouros perdidos ou escondidos.
Após andarem pela região da entrada e seus entornos, o grupo chegou a um ponto onde o solo voltava a mostrar sinais de corrupção em um grau mais forte. Aquela área estava um pouco mais afastada da purificação anterior.
Com cada um sabendo o que fazer, Della rapidamente posicionou o item que recebera no solo corrompido. Mas dessa vez foi Alexander a assumir o papel anterior de sua noiva.
O dragonoid tomou a frente e simplesmente purificou o solo com |Câmara dos Ecos: Campo de Purificação|.
— Estão me olhando assim por quê? — indagou, sorrindo da expressão dos demais membros ao vê-lo usar um poder menos bélico. — Talvez não consiga tornar a região tão pura quanto ela, mas ainda posso fazer isso.
— O alcance deve ser ainda maior devido à amplitude de mana — acrescentou, dando de ombros. — Às vezes parece que esqueceram que também tenho uma poderosa afinidade mágica com a luz.
Como se validasse a exploração que o grupo estava fazendo, um undead no auge da 3ª evolução saiu da parede não muito longe dali em resposta à purificação — apenas para ser cravado no chão por um golpe pesado do dragonoid.
O estrondo do impacto fez toda a estrutura próxima tremer. Alex até se aproveitou da situação para eliminar o morto-vivo que não tinha mais como se defender e consumi-lo.
Curioso sobre a câmara de onde saíra uma criatura tão díspare ao nível daquela área, Alexander lançou uma massa de chamas de luz sobre o undead para ajudar a slime de Diana a finalizá-lo logo.
Depois puxou seu machado e dirigiu-se para o lugar de onde aquela coisa saíra. Atitude que foi recompensada com um pequeno saquinho contendo um item bem especial: o primeiro loot exclusivo da incursão.

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