Capítulo 340 – [Essência Evolutiva (Avançada)]?
Satisfeito com os ganhos obtidos durante o período em que esteve no Reino dos Anões, Alexander despediu-se cordialmente das pessoas que conhecera por lá.
Com ambas as suas metas cumpridas, ele partiu sob o pretexto de que seguiria em busca de novas aventuras nos Reino dos Estados Livres. Simplesmente não havia mais motivos para que sua persona, “Órion”, permanecesse ali.
Desaparecendo tão subitamente quanto surgira, ele deixou uma forte impressão em alguns e foi odiado por outros.
Quando a cidade de Draupnir tomou conhecimento de sua partida, seu verdadeiro eu já cruzava a fronteira acima das nuvens em sua forma dracônica. O dragonoid retornava ao Império.
Após adentrar o território o suficiente para eliminar quaisquer vestígios óbvios de ter cruzado a fronteira, Alexander pousou na primeira cidade de porte razoável que avistou. Ele fez questão de descer à vista de todos antes de enviar uma mensagem a Diana por meio da Guilda dos Aventureiros local.
A mensagem era simples: ela deveria solicitar ao diretor Robert a liberação de conhecidos deles por alguns dias. Se possível, Diana deveria retornar ao território do casal acompanhada de Mark, Stella e, especialmente, Della.
O dragonoid também pediu que ela contatasse Ariel e Helena, orientando-as a retornar do Reino Mágico de Bariel. Ele planejava uma tarefa para a qual esperava contar com o apoio de ambas.
Os demais assuntos ficariam para quando eles pudessem conversar pessoalmente.
Ciente de que sua localização provavelmente fora denunciada no momento em que cruzou os portões da cidade, Alexander nem sequer parou para olhar o mercado local, quebrando seu hábito usual. Em vez disso, retomou imediatamente seu voo de volta para casa.
Sua meta era clara: chegar antes de sua convidada. Seria uma desfeita não estar lá para recebê-la.
Voando quase sem interrupções — fazendo apenas as paradas estritamente necessárias para descanso — o dragonoid levou três dias para cruzar o Império de ponta a ponta na diagonal.
Ao alcançar seu território, contudo, seu destino final não foi a própria casa. Sua primeira parada foi na quarta ilha do arquipélago, a área onde os grifos haviam sido alocados temporariamente.
Sob a ferrenha proteção territorial das criaturas, que logo o reconheceram, Alexander as cumprimentou. Em seguida, procurou um canto reservado para se sentar e descansar da viagem até se sentir devidamente recuperado.
Após algumas horas para restabelecer as energias e dissipar a fadiga com um bom descanso, o dragonoid limpou a si mesmo e a área ao redor. Então se isolou do ambiente — adotando os mesmos cuidados rigorosos de esterilidade de antes — e preparou-se mentalmente.
Decidido sobre o que fazer desde que fora ao Reino dos Anões em busca do conhecimento que necessitava, não houve qualquer hesitação. Ele pôs à prova se os meses investidos em aumentar sua proficiência em |Síntese| haviam valido a pena.
Materializando uma [Essência Evolutiva] em cada mão, ele as pressionou para sintetizá-las sob uma filosofia clara: se não possuía a [Essência Evolutiva (Avançada)] necessária para certas sublimações genéticas, ele próprio criaria a sua.
Sem tempo para admirar a beleza prismática e luminescente gerada pela síntese das essências, Alexander liberou todo o seu poder ao ativar a |Natureza Selvagem| para intensificar o processo. A reação foi tamanha que sua presença e os feixes de luz se elevaram ao céu.
Para quem observava de fora, aquilo poderia muito bem parecer o desabrochar de uma [Maravilha da Natureza].
Sem dar margem ao acaso, ele infundiu o produto final da síntese em seu peito no instante em que o processo se encerrou. Ele sequer teve tempo para verificar, com sua habilidade de avaliação, quais resultados aquilo havia gerado.
Havia apenas um simples comando mental: — Sublimação de genes espaciais.
Sob as diretrizes daquele novo tipo de poder, seu corpo rugiu com proeminência — liberando ainda mais poder do que antes. Em seguida, pareceu transformar-se em um buraco negro.
O elemento que se sublimava em seu interior atraiu vorazmente a energia ambiental em direção ao centro do seu peito.
Se com os (Sentidos Espaciais) sua percepção já captava o rastro residual de natureza espacial no ambiente, com a infusão daquela essência sintetizada seu corpo tornou-se capaz de sentir esse poder de forma tangível, quase física.
Ding!
[Essência evolutiva detectada. Sublimação de linhagem espacial iniciada…]
Quando o poder se infundiu totalmente em seu ser, o corpo dele tentou contrair-se em dor.
Uma onda simultânea de calor abrasador invadiu suas veias, fazendo-o vacilar enquanto a respiração se tornava rouca, ofegante e irregular. Todos os seus músculos estavam tão tensos que pareciam prestes a romper a própria pele.
Resistindo como pôde, o dragonoide cerrou os dentes com força descomunal. Cada terminação nervosa tornou-se um condutor de algo pulsante e totalmente novo.
Sob a pele, os vasos sanguíneos dilatavam e contraíam em ritmo selvagem, como se seu sangue desejasse entrar em ebulição por alterações de pressão interna. O que ocorria era simplesmente estranho demais.
Qualquer observador sensível à energia perceberia que o “nível de vida” dele não estava apenas aumentando; sua própria assinatura existencial estava sendo alterada. Era como se algo adormecido começasse a entrelaçar sua essência aos meios espaciais após despertar.
Ele não sabia se realmente havia conseguido atingir o patamar de sintetizar uma [Essência Evolutiva (Avançada)] autêntica, ou apenas alcançado algo próximo disso, mas uma coisa era certa: algo havia dado certo e desencadeado uma forte reação em todo o seu ser.
Ding!
[O aprimoramento especial (Genes Espaciais) foi gerado.]
[(Genes Espaciais): Interliga o portador às forças espaciais de forma física, permitindo senti-las ou detectá-las com o próprio corpo. A manifestação e a manipulação desse poder ocorrem de maneira variável, dependendo da afinidade do usuário com esse tipo de energia.]
Quando o processo foi concluído, a onda de agonia e desconforto recuou de forma cíclica, como uma maré, deixando-o exausto e banhado em suor.
Foi apenas quando essas sensações avassaladoras começaram a diminuir que Alexander notou o surgimento de uma nova escama de tom vermelho translúcido, levemente arroxeado, em seu corpo. Ela havia sido forjada exatamente no centro de seu peito, no ponto onde ocorreu o epicentro de todo aquele processo.
Sondando-a cuidadosamente em busca de alguma diferença, a resposta o surpreendeu: ela parecia idêntica às demais em seus aspectos físicos. Se possuía funções ou capacidades intrínsecas além da aparência, outros testes precisariam ser realizados quando tivesse mais tempo.
Satisfeito com mais aquele avanço, o dragonoide permitiu-se desabar no chão para recuperar um pouco das forças.
Erguendo-se após algumas horas de descanso, voltou a levantar voo como pôde. Desta vez, em direção à sua casa.
Era certo que outras pessoas haviam testemunhado a comoção causada, e que toda a situação chegaria aos ouvidos daqueles que moviam o tabuleiro do Império. O seu retorno fora definitivamente confirmado dessa forma.
Alheio às demais questões e desejando permanecer assim por mais algum tempo — já que ninguém o procurara com qualquer emergência —, ele foi direto descansar em sua cama ao lado de Diana. O grupo dela também havia chegado.
Com todos os outros preparativos prontos ou encaminhados, só faltavam Ariel, Helena e sua convidada chegarem.
Após alguns dias de espera, Galene finalmente atracou em grande estilo no comando de um navio ainda maior do que o primeiro. Ela encabeçava uma comitiva que também havia crescido desde sua última visita ao território.
Aparentemente, os negócios realizados com os produtos dele durante o trajeto de volta haviam sido bem lucrativos.
De forma surpreendentemente agradável, Ariel e Helena não demoraram muito depois disso para chegar de Bariel. Elas chegaram ainda naquela mesma noite.
Feliz por todos terem aceitado seu pedido e comparecido, Alexander reservou a melhor sala do restaurante DragonSeal na cidade de Port: o Palácio das Naus. Ele ofereceu uma refeição por sua conta enquanto o grupo apreciava a bela vista privilegiada do estabelecimento para o mar.
Após a limpeza dos seres piores que ratos e goblins que residiam ali — escondidos dos olhos “atarefados” do Império —, a área da cidade de Port deixara de ser um antro de atividades escusas, sórdidas e imorais para prosperar cada vez mais sob sua administração.
Fartando-se sem muitas reservas — principalmente da comida —, Mark fez uma pausa, olhando para as mulheres à mesa. Juntas, Ariel, Della, Diana, Galene, Helena e Stella formavam um grupo de peso considerável.
Ao fim de sua avaliação, voltou-se para o dragonoid: — E então, o que você quer de um grupo como esse? Você não nos reuniria aqui no meio do ano, logo depois de passar tanto tempo afastado, sem um excelente motivo.
— Já que perguntou dessa forma, serei direto — respondeu Alexander, com uma expressão… exótica. — À exceção da senhorita Galene, com quem mantenho outros tipos de negócios, preciso da ajuda dos demais para explorar uma certa ruína abandonada que encontrei em meu território…
Imediatamente interessados, todos lhe dedicaram ainda mais atenção. O dragonoid então explicou que aquela missão parecia ser muito lucrativa.
O problema — o grande ônus antes do bônus — era que as ruínas serviam de covil para uma poderosa criatura. Uma de, no mínimo, 4ª evolução.
— Essa é uma oportunidade de aventura realmente muito interessante — concordou Stella após tomar mais um gole de vinho. — Mas, francamente, por que pediu especificamente a presença de um grupo como este? Não seria mais simples e lucrativo mobilizar sua própria facção para isso?
— A resposta é simples: levar um grande número de pessoas poderia nos envolver em uma batalha campal indesejada, abalando as próprias estruturas e fazendo-as desabar sobre nós, já que a ruína se aprofunda no subsolo — explicou o dragonoid, sem ocultar o perigo. — Um grupo cirurgicamente selecionado como este ajuda a mitigar esse risco.
— Além disso, por se tratar de um covil de mortos-vivos, qualquer baixa em um exército grande poderia muito bem se levantar contra os próprios companheiros — acrescentou de forma pragmática, como se fosse apenas lógica.
— Hmm… Perdoe-me por interromper, mas poderia me dizer por que pediu para que eu também viesse com o grupo? — perguntou Della com cuidado. — Entendo por que chamou os outros, mas por que alguém como eu?
— O covil de uma criatura desse calibre está claramente acima do meu nível atual — acrescentou ela, pavimentando sua possível recusa.
— Entendo suas preocupações e não pretendo forçá-la a lutar em situações nas quais não se sinta confortável, muito menos obrigá-la a nos acompanhar — declarou Alexander com seriedade, porém suavemente. — Mas quero deixar claro que tenho um plano, e você possui um papel importante nele.
— Para ser sincero, boa parte da minha estratégia atual gira em torno de sua participação — acrescentou sem parecer se importar em revelar isso a ela. — Ainda assim, não se sinta pressionada. Sua posição seria de suporte, e ainda posso pensar em outra abordagem caso realmente não se sinta confortável em nos acompanhar.
Ao ver a jovem assentir pensativamente, o dragonoid julgou melhor dar espaço para que ela e os demais refletissem sobre aceitar ou não a proposta. Ele então se afastou para conversar com Galene sobre uma nova parceria comercial.
Para além das negociações tradicionais, ainda havia muitas coisas que desejava tratar com ela — em diversas áreas que não estavam necessariamente ligadas à exploração que organizava.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.