Capítulo 342 – Loots Escondidos da Ruína Subterrânea
Após seus companheiros eliminarem o restante dos undeads atraídos pela segunda purificação do solo, Alexander ordenou que o grupo se reagrupasse para descansar. Mesmo sem sentir tanto desgaste, era importante para eles fazerem certas pausas estratégicas ao longo do percurso.
Era vital estarem sempre nas melhores condições possíveis — afinal, era impossível prever quando enfrentariam uma situação de verdadeiro enxame naquele ambiente hostil.
Aproveitando o momento, o dragonoid limpou o item de armazenamento que encontrara, deixando-o com aspecto de novo. O conteúdo em seu interior também não era nada desprezível.
Para sua surpresa, além de algumas [Jades de Essência Energética] e [Cristais de Essência de Mana] de alto nível, havia uma fruta de mana. E não uma qualquer, mas um exemplar extremamente raro: o [Fruto do Fogo Espiritual].
Sabendo exatamente quem mais se beneficiaria daquele achado, Alexander não hesitou — apesar do espanto com o estado conservado da fruta, preservada por sabe-se lá quanto tempo dentro do item.
Ele cortou o fruto ao meio, removeu as sementes e entregou uma metade para Stella e a outra para Ignite. A raposa também havia feito por merecer.
Com a fruta aberta, a jovem Azurre se viu forçada a comer sua parte do tesouro ali mesmo. Ela até suspeitou de que ele fizera aquilo de propósito, para que não fosse tentada a guardá-la.
Além de permitir que Stella consumisse a fruta sem peso na consciência em relação aos seus familiares, aquela decisão garantia que a parte dela não corresse o risco de acabar nas mãos de terceiros — dadas as complexas implicações e hierarquias que governavam a família Azurre.
Os itens restantes foram distribuídos entre os demais membros, seguindo o critério de afinidade e necessidade de cada um. A bolsinha de pano foi entregue à dupla Ariel e Helena, para que pudessem contar com a impressionante capacidade dela de conservar consumíveis através do tempo.
Alheia à tempestade de pensamentos de sua mestra, a raposa devorou vorazmente a sua parte.
Por um instante, um vislumbre de fogo pareceu dançar em seus olhos. O tesouro chegou a fazer a criatura antipatizar menos com seu captor original: Alexander.
Ainda mais motivados após receberem os “brindes” distribuídos por seu “empregador”, o grupo descansou apenas o necessário antes de voltar à ativa. Eles vasculharam e purificaram todo o perímetro da entrada.
Embora nenhum achado tenha sido tão marcante quanto o [Fruto do Fogo Espiritual], a varredura lhes garantiu alguns benefícios adicionais. O próprio processo de purificação trouxe um alívio imediato, melhorando o ar fétido daquele subsolo corrompido.
Sem pisos, escadarias ou níveis definidos que indicassem com precisão onde realmente estavam, podia-se dizer que a seção intermediária da ruína fora limpa de forma metódica, com puro pragmatismo.
Naquele labirinto desestruturado, era impossível prever o que viria a seguir e de onde surgiria. Aventurar-se por ali era como ir espiralando entre as sombras em direção a um abismo de mortos-vivos.
No entanto, ao descobrirem uma nova câmara secreta, o cenário mudou drasticamente.
— Cuidado! Há uma armadilha! — gritou Ariel, alertando-os um milésimo de segundo atrasada. — Recuem!
Antes mesmo de o aviso dela ecoar, Alexander já havia entrado em ação. Ele também detectara o perigo oculto na nova câmara quando a descobriram.
Ao ver um rápido flashback cruzar sua mente e ciente de que não adiantaria tentar fugir, o dragonoid avançou com os olhos brilhando em uma energia translúcida.
Projetando suas garras para fora, ele rasgou do teto ao chão com o mesmo poder que reluzia em seu olhar, antes de liberar um poderoso [Pulso de Energia].
Apesar dos ataques de garra e do grande poder empregado, sua liberação de energia ainda explodiu contra uma força “invisível”. O efeito rebateu diretamente contra o seu peito, lançando-o pesadamente contra a parede sólida.
Vertendo sangue por todos os orifícios da cabeça — enquanto ainda tossia mais sangue e arfava pesadamente — Alexander realmente sentiu o impacto daquele golpe.
O dano foi significativo. Ele precisou de algum tempo e do suporte de Diana para conseguir recompor-se e sentar.
— Bastardos, filhos de uma puta! — xingou e amaldiçoou o dragonoid em alto e bom som, enquanto recebia os cuidados dos companheiros. — Espero que as mortes de vocês não tenham sido indolores.
— Uma masmorra ter armadilhas como essa é compreensível. Mas isso… — acrescentou com raiva nos olhos. — Isso claramente foi PROJETADO por algum ser maldito para matar os outros sem dar a menor chance de defesa!
Ao lembrar-se de onde já havia visto um mecanismo como aquele, o corpo inteiro da demi-canídea estremeceu: era uma armadilha espacial. O propósito dela era realocar alguém ou o grupo inteiro para outro lugar.
Da última vez que encararam algo assim, fora em uma {Masmorra Avançada – Variante}. Naquela ocasião, Alexander fora teleportado direto para a sala do BOSS sem qualquer aviso prévio, escapando por um triz da morte.
Imediatamente fazendo uma pausa para descanso, o grupo se reagrupou em torno do líder ferido enquanto aguardava sua recuperação. Felizmente, havia vários membros na equipe versados em cura, com a própria Diana liderando-os ao injetar vitalidade no corpo dele.
Depois de algumas boas horas de descanso para se recuperar o suficiente para continuar, o dragonoid sondou a nova câmara atrás de mais armadilhas antes de começar a vasculhá-la. Ter um mecanismo espacial como aquele protegendo o local despertara sua profunda curiosidade sobre o que poderia estar escondido ali dentro.
Mesmo ciente do risco que correra e do terrível impacto que sofrera ao confrontar a energia espacial da armadilha com a sua própria — mais do que qualquer outro ali —, ele quase achou que tudo havia valido a pena ao vasculhar a câmara.
O conteúdo que encontrou nela, em outra bolsinha de pano, era simplesmente extraordinário: um [Fruto do Vento Uivante], um [Fruto das Sombras Sibilantes] e um [Fruto do Resplendor Luminoso].
Fracionando o [Fruto do Vento Uivante] e coletando as sementes como fizera com a fruta anterior, ele lançou metade para Helena e a outra metade para Storm. Devido à afinidade mágica elemental do vento que compartilhavam, eles eram os mais compatíveis com aquela fruta.
Em seguida, o dragonoid indagou Ariel e Diana sobre as outras frutas: — Interessadas?
Após receber um aceno contido da elfa e uma recusa sutil com indicação da demi-canídea, ele apenas assentiu.
O [Fruto das Sombras Sibilantes], que se assemelhava a um marmelo negro, foi dado a Ariel. Já o [Fruto do Resplendor Luminoso], cuja aparência lembrava um caju leitoso no qual até mesmo a castanha era pura polpa, passou para Della.
Por pertencerem a elementos tão fluidos e quase abstratos em sua própria essência, aquelas frutas exibiam uma suculência extrema, parecendo quase líquidas.
Apenas por suas aparências, era evidente que espirrariam ou se dissolveriam por completo no instante em que a casca fosse rompida. Isso as tornava indicadas para o consumo de uma única pessoa.
Como previsto, no momento em que as jovens morderam os frutos, as cascas murcharam instantaneamente, liberando todo o sumo na boca delas.
A casca do fruto consumido pela elfa chegou a reagir à energia do sumo em seu corpo e integrou-se à própria sombra da mão que a segurava, dissipando-se em um sibilo baixo e rouco.
Sentindo um ímpeto renovado ao testemunhar recompensas tão valiosas surgindo em sequência — além dos núcleos e materiais coletados dos undeads derrotados —, o grupo voltou a avançar com entusiasmo.
O avanço, contudo, logo foi interrompido. Uma súbita “iluminação natural” surgiu à frente, rompendo a escuridão para além das magias e poderes que usavam para se guiar.
— Por “hoje” é só — anunciou o dragonoid, olhando em volta. Ele já não tinha certeza se era dia ou noite. — A área à nossa frente provavelmente foi planejada. Deve conter ainda mais riscos se comparada à seção em que estamos.
— Por agora, vamos recuar refazendo nossos passos à procura de câmaras secretas que possamos ter deixado para trás. Em seguida, montaremos acampamento perto da entrada — acrescentou de forma prática. — Descansaremos em turnos. Amanhã continuaremos com a exploração devidamente descansados.
Assentindo diante das preocupações legítimas dele, o grupo iniciou o retorno para a entrada. Surpreendentemente, eles encontraram mesmo mais uma fruta em seu caminho de volta.
Essa descoberta gerou a suspeita de que a quantidade daqueles tesouros indicava o nível exato em que estavam. Mal sabiam eles que esse palpite estava essencialmente correto.
Pior ainda: muito tempo atrás, fora justamente o tesouro destinado a sinalizar a “Área 1” que servira de referencial para as diversas frutas de constituição que Alexander e Diana encontraram nas masmorras da Floresta Estelar.
A fruta fora parar lá após um cataclismo que a lançara para fora das ruínas — o mesmo evento que assolou e destruiu completamente a “Área 1”. Foi por essa razão que as “rotas naturais” até o local tornaram-se inteiramente submersas.
No dia seguinte — após Diana ceder sua parte do fruto elemental da terra para sua slime e o grupo desfrutar de um sono reparador —, todos se levantaram com a disposição renovada. Eles estavam ávidos por retomar o avanço.
Sem pressa para avançar e determinados a não deixar nada para trás, vasculharam meticulosamente cada canto ao longo da descida.
Embora não tenham encontrado nenhum novo tesouro dessa vez, o resultado negativo em nada diminuiu o entusiasmo do grupo quanto aos possíveis ganhos que os aguardavam à frente.
Ao se depararem novamente com a seção de ladrilhos brilhantes — a fonte daquela “iluminação natural” —, pararam para traçar uma estratégia. Foi então que Diana teve uma excelente ideia: se o nome de sua família era LittleLight, ela faria jus a ele.
Em vez de purificar o solo em grande amplitude, ela focaria apenas no entorno. Na teoria, a tática ajudaria a atrair apenas os mortos-vivos mais próximos.
O avanço seria mais lento, mas as incertezas também diminuiriam drasticamente.
Como se estivesse sintonizada com o mesmo raciocínio, Stella complementou a estratégia logo em seguida: em vez de forçarem o avanço, eles deveriam atrair as criaturas ao lutar recuando.
Dessa forma, sempre lutariam em terreno já conhecido, reduzindo drasticamente a chance de caírem em armadilhas inesperadas no calor do momento.
— Absurdo. Nós vamos lutar apenas da forma que eu mandar — declarou o dragonoid, sério. Mas a farsa dele não se sustentou muito, e ele logo caiu na risada. — Brincadeira, brincadeira. O plano de vocês é realmente muito bom.
Assentindo diante da estratégia delas e adotando o novo modo operante entre risos, o grupo passou a atrair bandos menores de criaturas. À medida que desciam, contudo, os mortos-vivos também se tornavam visivelmente mais fortes.
Naquela nova área, o perigo mudou de figura: começaram a surgir undeads gerados a partir das criaturas que ousaram entrar ali ao longo de suas várias eras.
Eles não eram nem de longe os pioneiros ali. O próprio Alexander só chegara àquele lugar por causa da indicação do [Dragão Azul], com quem duelara anteriormente.
Após destroçar um lagarto morto-vivo gigante com seu machado envolto em energia luminosa, o dragonoid fez uma pausa. Ele ponderou sobre como os undeads podiam assumir qualquer forma sob o comando de um necromante real.
Contudo, os daquela ruína pareciam se limitar a humanoides e a outro tipo bem específico de criatura. Essa padronização lhe deu um palpite muito sólido sobre o que encontraria como desafio final naquela jornada.
Cada vez mais convencido de que seu palpite estava no caminho certo conforme se aprofundava nas ruínas, ele varreu completamente a 4ª área com a ajuda de seus companheiros.
O grupo também garantiu os saques escondidos nela, desta vez espalhados cada um em sua própria câmara secreta: o [Fruto do Raio Encarnado], o [Fruto das Trevas Flamejantes], o [Fruto do Mar Profundo] e o [Fruto do Gelo Verdadeiro].
Com o [Fruto do Gelo Verdadeiro] sendo destinado a Ocean e nenhum outro membro sendo compatível com as frutas restantes, Alexander não hesitou em reivindicá-las e guardá-las para si. Ele sabia muito bem que quem parte e reparte, e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não entende da arte.
O momento foi até bem oportuno. Após isso, o grupo finalmente alcançou o que parecia ser a área central e o núcleo das ruínas.

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