Índice de Capítulo

    Tradução: Nimsay


    Embainhei minha espada.

    As vibrações do Bifrost cessaram e as chamas negras que antes envolviam a lâmina desapareceram.

    Arregalei os olhos quando vi o que estava na minha frente.

    O palácio, antes em ruínas, agora parecia como se nada tivesse acontecido.

    O layout da mesa permaneceu inalterado. O jovem loiro à frente, os chefes e líderes das várias raças ao redor, os oficiais da Igreja e até mesmo Pria no canto.

    ‘Tudo está alinhado.’

    Mas uma questão não resolvida permaneceu. A cena que acabei de testemunhar não poderia ser explicada.

    Acima de tudo, meus instintos, aprimorados através de incontáveis ​​encontros com a morte, estavam me alarmando. Foi muito calmo, muito pacífico para alguém que foi traído tantas vezes como eu.

    Com um som de chiado, o barulho alto e o que estava bloqueando minha visão se dispersou.

    Sentei-me na cadeira vazia à mesa mais uma vez.

    — Não aceitarei tal final!

    Vamos ver como a situação vai se desenrolar…

    Pria levantou-se abruptamente, protestando apaixonadamente.

    — Desfrutar de um banquete juntos e depois deixar tudo acabar? Isso é um absurdo! Nossos guerreiros ainda estão derramando sangue lá fora!

    — Então, o que você propõe que façamos, Alteza?

    Hum. Esta parte parece familiar. Não mudou muito, por enquanto.

    Escutei a conversa que se seguiu, com a mão apoiada na mesa.

    O fluxo da discussão não foi diferente do que eu acabara de ver. Pria ficou furiosa, e tanto a maga quanto o velho cavaleiro tentaram acalmá-la, sugerindo que deveriam aceitar a situação já que não restava outra opção. E então Pria falou novamente.

    — Mas… Há mais um caminho. — O olhar de Pria mudou para a Santa. — Santa, a deusa não enviou uma profecia? Ouvi dizer que contém uma pista crucial para salvar o continente. Então por que manter isso em segredo?

    Examinei a Santa sentada à esquerda da mesa.

    Uma jovem vestida com uma túnica branca com a insígnia da igreja, envolta em uma capa lilás. Sua expressão carregava uma calma que desmentia sua aparência jovem.

    O fluxo subsequente foi semelhante.

    A Santa argumentou que não esconderia a profecia, rebatida pelo cavaleiro, e Pria retrucou.

    — Você está enganada. Eu ouvi claramente. A deusa nos deu uma chance… Uma chance de começar de novo.

    — Princesa, o que você quer dizer?

    — Devemos voltar no tempo. Há vários anos no passado.

    — Voltar no tempo.

    — Se pudéssemos voltar a essa época, talvez um resultado diferente fosse possível. Não é muito triste sentar-nos resignadamente, sem saber de nada, nem mesmo a identidade do nosso inimigo? Eu não posso aceitar isso. Mesmo que a chance seja pequena, não deveríamos tentar?

    — Isso é verdade?

    — A deusa realmente enviou tal profecia…

    — Por que você escondeu isso?

    — Mas…

    É aqui que tudo começa.

    Respirei fundo.

    — Pria.

    Mas a próxima pessoa a falar não foi a Santa, foi o jovem que estava à cabeceira da mesa.

    Pria olhou para o jovem.

    — Sua Alteza, meu irmão, você também sabia disso?

    — Sim, eu sabia.

    — Então por que…!?

    — Você entende do que teríamos que desistir?

    Agora sim. Uma reviravolta diferente nos acontecimentos se desenrolou.

    — Se fosse realmente possível salvar o nosso povo e o continente, eu teria hesitado? Responda-me. Eu… Pareço tão insignificante para você?

    — Mas…!

    — A profecia é verdadeira. De fato, nos foi dada a opção de voltar no tempo. — O rosto do jovem estava esculpido de angústia. — Por uma chance, você empurraria toda a vida no continente para o abismo do inferno?

    — O que você quer dizer?

    — Princesa, há um preço a pagar. — A Santa balançou a cabeça. — Nossas deusas não são criadoras onipotentes. Para realizar um milagre, são necessários sacrifícios e restrições.

    — …

    — Eu vi. — A Santa mordeu o lábio. — Era como se tornar uma marionete, presa em um sofrimento sem fim, nem morta nem viva. Todo o continente seria dilacerado e tanto o passado como o futuro perderiam o sentido. Nos tornaríamos meros escravos.

    — Isso… Isso…

    Ficar preso como uma marionete, nem morto nem vivo. Sofrer sem parar, perdendo todo o significado do passado e do futuro.

    Lembrei-me dos monstros presos na torre. Eles revivem não importa quantas vezes sejam mortos, servindo como alimento precioso para a experiência dos heróis. De certa forma, os heróis não eram diferentes.

    Em última análise, seja monstro ou herói, somos apenas brinquedos para os mestres.

    Afinal, é apenas um jogo.

    — Pria.

    O jovem olhou para Pria com uma expressão gentil.

    — Eu entendo você. Eu realmente entendo. Como eu poderia não ficar com raiva? Depois de todo o sangue e suor que derramamos, terminar assim… Como poderíamos simplesmente aceitar isso? — O jovem fechou os olhos. — Nada é eterno. Nem humanos, nem outras raças, nem impérios, nem mesmo este continente ou o próprio universo. Tudo o que começa deve terminar. Acontece que o fim chegou até nós.

    — …

    — Não vamos ariscar tudo por um momento de auto-satisfação, .

    Pria ficou em silêncio. Sua expressão se distorceu quando ela se sentou novamente, baixando a cabeça profundamente.

    — Então… É assim que termina? — Sua voz falhou, ao soluçar. — As pessoas do império, as vidas de outras raças, as crianças…

    — Quem poderia aceitar isso, princesa?

    O velho sábio ao lado do jovem falou.

    A janela acima de sua cabeça dizia ‘Chefe de Lantia’.

    — Se fosse possível, eu gostaria de salvá-los. Mas se recorrermos a tais ações, o que seria dos muitos heróis que sacrificaram as suas vidas pelo continente? Podemos ter perdido a guerra, mas não o nosso orgulho. Esse orgulho é tudo que podemos levar conosco. Além disso, Sua Alteza Real.

    — Fale.

    — Você não está planejando terminar assim, não é?

    O jovem sorriu.

    — É claro que não. Ainda temos nosso orgulho. Devemos desferir um último golpe. — O jovem levantou-se, com o casaco dourado esvoaçando. — Que fique claro que já existimos aqui, que vivemos cada dia ferozmente e que não perdemos o orgulho nem na morte.

    — Sim! Eu estive esperando, Alteza Real!

    O Rei Teriantropo cerrou o punho e se levantou.

    — Perséfone! Como estão as coisas lá embaixo abaixo? Todas as mulheres e crianças foram evacuadas com segurança?

    — Sim, todos foram evacuados.

    — Fechem os portões subterrâneos. Resistiremos até o fim.

    O jovem ergueu sua bainha dourada.

    — Não morreremos facilmente! Nossa carne será dilacerada, nossos ossos quebrarão e nossas entranhas mancharão o chão. Mas até o último de nós, mostraremos a eles a nossa vontade. Vocês estão todos comigo? Estão prontos para morrer com nossa amada Taoni?

    — Até o fim.

    Os três chefes se ajoelharam juntos.

    A Santa e os cavaleiros da igreja curvaram-se profundamente.

    Os líderes das várias raças riram muito.

    — Que melhor morte poderia haver? Afinal, todos morreremos um dia. Você prefere morrer como um velho enrugado em um quarto pequeno ou como um herói que será lembrado na história? Respondam-me, humanos! Vocês, seres de outras raças! Vocês morrerão de medo ou de orgulho?

    A atmosfera mudou dramaticamente.

    Os rostos dos humanos e monstros perto da mesa, que tremiam de medo, começaram a mudar.

    Os goblins sacaram suas adagas trêmulos, os ogros seguraram seus machados com as duas mãos, os cavaleiros humanos desembainharam suas espadas e lanças e o povo lagarto agitaram seus cajados.

    — Não tenha medo. Serei o primeiro a morrer. Abrirei um caminho glorioso para a vida após a morte para os heróis.

    Quando o jovem terminou de falar, todo o palácio tremeu violentamente.

    Perséfone, a maga, curvou-se diante do jovem.

    — Os Cavaleiros Assinis acabaram de ser aniquilados.

    — Nós somos os próximos. Preparem-se.

    A reunião terminou.

    O palácio anteriormente silencioso estava agora repleto de vários sons.

    Soldados e monstros verificaram suas armas e armaduras, cavaleiros acalmaram seus cavalos e entraram em formações de ataque, magos refinaram seus feitiços e sacerdotes concederam bênçãos aos guerreiros.

    ‘Então é assim que tudo termina.’

    Essas pessoas não eram os covardes que a falsa Pria afirmava que eram. Não houve tremores entre eles. Todos os olhos deles brilharam com determinação.

    — Minha querida irmã, Pria.

    No meio dos preparativos para a batalha, o jovem se aproximou de Pria, que estava agachada num canto da mesa.

    Pria ficou ali sentada, tremendo.

    — Lamento não ter conseguido resolver suas queixas.

    — …Não, Alteza.

    — Chegamos até aqui e você ainda me chama de Sua Alteza? É muito formal. Me chame de irmão.

    — Mas… Isso é…

    — Mesmo agora, no final, você ainda me chamará de Sua Alteza?

    — Irmão…

    — Muito melhor.

    O jovem sorriu.

    Ele examinou o rosto de Pria, que ainda apresentava manchas de lágrimas, e então abraçou seus ombros.

    — Se eu não estivesse nesta posição, sentiria o mesmo que você. Honestamente, não me importo com orgulho. Se fosse possível salvar a todos, para ter uma chance, eu até venderia minha alma para um demônio. Mas não posso fazer isso. Você entende, certo?

    — …Sim.

    O jovem olhou ao redor de brincadeira para ter certeza de que ninguém estava olhando e então sussurrou no ouvido de Pria.

    — Se você não consegue se livrar da raiva no final… Não há problema em aceitar a proposta.

    — O que?

    — Eu sempre apoiarei você.

    — O que você está dizendo…!

    — Sua Alteza, tenho algo a relatar.

    — Já vou.

    O jovem sorriu para a intrigada Pria antes de seguir seu ajudante.

    Deixada sozinha, Pria estava com uma expressão atordoada enquanto observava a figura do jovem recuando.

    ‘Não resta muito tempo.’

    As vibrações do palácio ficaram mais intensas.

    As grandes portas que davam para fora também começaram a chacoalhar ameaçadoramente.

    Uma última resistência nobre seguida por um final glorioso. Foi o tipo de episódio dramático que normalmente apareceria em um filme.

    Recostei-me na cadeira, esperando o fim do banquete se aproximar.

    ‘Ele teria sido um protagonista melhor.’

    Pensei que se esse jovem fosse o personagem não jogável principal de Taoni, a história poderia ter progredido de forma mais tranquila.

    Resmunguei, sem reclamar, enquanto observava Pria. Lágrimas ainda escorriam de seus olhos dourados enquanto ela soluçava.

    ‘Ela foi considerada uma bruxa, uma traidora.’

    Lembrei-me das várias acusações e maldições que foram lançadas contra Pria.

    Pelo que pude ver, ela não traiu exatamente ninguém. A aura de comando que ela inicialmente tinha desapareceu. Agora, restava apenas a imagem de uma menina vulnerável. Ela parecia ter desistido.

    ‘Se ele fosse realmente o protagonista.’

    Olhei para o jovem.

    Eu já tinha ouvido falar dele antes. Ele era o primeiro na linha de sucessão ao trono, o verdadeiro herdeiro aparente.

    — Vossa Alteza.

    — Pare. Não vou mais mencionar a profecia da deusa.

    Várias pessoas se aproximaram de Pria, mas ela apenas olhou fixamente em resposta antes de ficar em silêncio.

    Pria estava pensando em seguir o jovem? Ela também carregava uma espada.

    E então chegou o momento. O jovem, vestido com uma armadura, ficou no centro do tapete vermelho. Ao seu redor, um grupo heterogêneo de várias raças e gêneros estava de pé, com os olhos brilhando ferozmente.

    O jovem desembainhou a espada com um olhar frio.

    — Esta é a nossa última batalha. Vamos mostrar um final digno.

    Ninguém falou. Eles simplesmente ergueram suas armas. Pria também estava entre eles.

    — Obrigado por aguentar.

    O jovem sussurrou como se fosse para Pria. Ela fechou os olhos silenciosamente.

    Com batuques e ruídos cada vez mais altos, os portões prateados do palácio começaram a tremer.

    Pedras e lascas de madeira voaram enquanto partes da porta dobravam com força.

    O jovem ergueu a espada.

    — Esta é a nossa última batalha!

    — Uooooh!

    — Exército de Taoni! Preparem-se…

    Antes que o jovem pudesse empurrar a espada para frente, a estátua das deusas atrás do trono quebrou inesperadamente.

    Em meio a uma nuvem de poeira, uma sombra apareceu.

    Suspirei. Tão óbvio.

    Se este fosse realmente o fim e tivesse terminado aqui, o jogo nem teria começado.

    Eu não estaria sofrendo neste mundo.

    「A última batalha.」

    Uma voz arrepiante se espalhou por todo o palácio. Um tom áspero e arrepiante.

    Eu reconheci essa voz, pois ela ainda ecoava profundamente em minha mente.

    「Quem disse isso?」

    A voz riu.


    Olha aí, a verdade. A Tel sendo a grande desgraçada infeliz que tirou o livre arbítrio de seus seguidores e os condenou a um inferno. Agora, como resolver isso? Porque manter toda a farsa? Como quebra o que a cachorra da Tel fez?

    Enfim, não se esqueçam de ir ao Discord da Illusia caso encontrem um erro, queiram apoiar os autores/tradutores ou conversar com outros leitores!

    Até a próxima~~

    Apoie a tradutora no link abaixo!

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (3 votos)

    Nota