Índice de Capítulo

    Tradução: Nimsay


    Ting! A adaga saiu da minha mão esquerda e cravou-se no peito da santa.

    Aproveitando que ela estava tropeçando, me levantei do chão e recuei correndo. Eu não tinha tempo para lidar com eles, pois encontrar Pria era minha maior prioridade.

    ‘Todos eles estão no nível de um chefão.’

    Uma mulher que dispara magia como uma metralhadora, um Terian com força imensa e até uma santa com poderes estranhos.

    Eu os tinha visto como figuras importantes na cerimônia de Fomento, mas nunca imaginei que todos apareceriam aqui. Se fosse um por um, talvez, mas contra três, eu não poderia garantir a vitória.

    Caminhei em direção aos arredores do acampamento e olhei para trás.

    Parece que eles estão lidando primeiro com as tropas, pois não estavam mais me perseguindo.

    À distância, vi milhares de soldados sendo levados pela correnteza.

    Examinei a área. Além da colina onde ficava a entrada do acampamento, vi homens entre as bandeiras tremulando. Era o exército da igreja.

    ‘Talvez eles nunca tenham sido compatíveis desde o começo.’

    Pensei que poderiam ser úteis, mas a realidade é dolorosa. Estalei a língua levemente e aumentei a velocidade.

    Soldado do Exército da Igreja Nv.25】x 32

    Cavaleiro do Exército da Igreja Nv.28】x 2

    As tropas da igreja já haviam se infiltrado em toda a área.

    Saltei por cima de um soldado que vinha correndo em minha direção e apunhalei seu peito com minha espada. Então, cortei mais três em sucessão e fui para a tenda de Pria.

    Levantei a aba de entrada.

    ‘…Ela não está aqui.’

    O interior estava bem organizado. Não parecia que ela tinha estado aqui e ido embora.

    Isso significa que ela não estava na tenda quando a invasão ocorreu.

    ‘Para onde Pria poderia ter ido…’

    Só me veio à mente um lugar. Virei-me e segui em direção ao caminho que levava ao penhasco.

    — Ugh!

    — Salve-me! Por favor, salve-me!

    Lá também o massacre continuou. Soldados gritavam em desespero, brandindo suas espadas. Eles estavam matando e sendo mortos uns pelos outros, aterrorizados.

    Matando seus próprios aliados.

    < Que interessante, você está usando uma habilidade estranha. >

    No meio dos gritos e cadáveres espalhados, a santa se levantou. A cada brilho de luz violeta de seu olho esquerdo entreaberto, os movimentos dos soldados se tornavam mais intensos.

    < Eu sou Irene Icário1. A trigésima oitava Santa da Igreja de Tell Ikar… >

    Minha espada perfurou o coração da santa  e aproveitando a situação, joguei-a nos arbustos. Seu corpo, espirrando sangue, se contorceu na terra.

    O sangue espalhado estava se acumulando no buraco em seu coração.

    Eu havia perfurado seu ponto vital com uma lâmina, mas aqui estava ela, aparentemente ilesa.

    ‘Regeneração?’

    Cuspindo saliva misturada com sangue, corri novamente.

    Ainda bem que não desativei o Exceder, pois quase fui pego de novo. Sua técnica parecia ser um tipo de olho mágico. Provavelmente alguma forma de magia de controle.

    Vou ter isso em mente para quando eu a encontrar novamente mais tarde.

    Gradualmente, uma névoa se espalhou diante dos meus olhos. De dentro da neblina vinham sons de gritos e armas se chocando.

    Agarrei frouxamente o punho da minha espada manchada de sangue e pulei.

    — Uh!

    Pria, segurando um florete, lutava contra cinco soldados. Ela estava em óbvia desvantagem. 

    A lâmina grossa de uma lança roçou o antebraço dela. Pria gemeu e largou a espada. Várias armas miraram em seus pontos vitais.

    ‘…’

    Eu intervim naquele momento.

    Girei meu corpo enquanto me aproximava dela. O golpe circular da espada partiu duas lanças e um machado ao meio. Logo após isso, chutei um que estava prestes a esfaquear Pria com uma adaga e balancei minha mão esquerda, pegando a espada mirando no pescoço dela. Puxando a espada em minha direção, desarmei o soldado.

    Depois de alguns minutos, os cinco soldados caíram simultaneamente, com seus corpos despedaçados.

    — Uuuu.

    Apertei minha mão esquerda. Estava saindo sangue da parte externa da minha mão.

    — Han…!

    — Por que está tão surpresa? Não é a primeira vez. Pule as saudações. Só de olhar, você pode dizer que a situação não está boa.

    — O que está acontecendo?

    — O exército da igreja invadiu e está causando caos. Estamos sendo esmigalhados.

    Eu estabilizei minha respiração.

    Han (★★★★) desativou o Exceder

    Cambaleando, consegui suprimir a dor e a tontura.

    — Então devemos contra-atacar! Onde está Lorde Delphin…!?

    — Me siga.

    — Ai!

    Não houve tempo para explicar. Agarrei o pulso de Pria e a levei para fora dali.

    Se pegássemos o caminho da esquerda do acampamento, chegaríamos à zona de pouso. Eu planejava sequestrar uma embarcação aérea e escapar voando.

    ‘Mas…’

    Eu segurei minha testa.

    À distância, chamas subiam da zona de pouso. Alguns dirigíveis que haviam decolado também estavam se transformando em bolas de fogo e caindo.

    ‘Droga.’

    — Ei!

    Então para onde devemos ir? Se sairmos por outra parte do acampamento, chegaremos às planícies.

    Embora espaçoso, é totalmente aberto e não é adequado para fugas.

    ‘Não há outra escolha?’

    Com a zona de pouso bloqueada, as planícies eram a única opção.

    Puxei o pulso de Pria e mudei de direção.

    — Eu disse para soltar minha mão. Eu te seguirei.

    — Hum.

    Soltei ela. Pria esfregou o pulso, com lágrimas nos olhos, e olhou para mim.

    — Você tem as chaves, certo?

    — Eu sempre às mantenho comigo.

    — Fique perto de mim.

    As tropas do exército da igreja parecia ter entrado no acampamento também. Onde quer que fôssemos, havia sangue e gritos.

    Era um massacre unilateral.

    Eu me movi, escondendo meu corpo entre as árvores e arbustos. Pria me seguiu desajeitadamente.

    — O que está acontecendo…?

    < Ahaha! Morra, morra! >

    Persene estava disparando balas mágicas do céu.

    O rosto de Pria ficou pálido.

    — Aquela é…

    — Ficou feliz em vê-la novamente?

    — A calma e composta, senhora Persene, está… Mm!

    Cobri a boca de Pria.

    Os soldados da igreja estavam bloqueando a saída que levava para fora do acampamento. Na frente deles estava um homem robusto de meia-idade. O Rei Teriantropo, Kiadni.

    ‘Caramba.’

    Mudei de direção novamente de volta a saída à esquerda. Mas a santa vestida de branco estava lá.

    Atrás dela, eu podia ver os Cavaleiros Sagrados esplendidamente blindados.

    < Não há para onde correr, Herói. >

    Persene desceu do céu para o chão.

    — …

    A esquerda, a direita e a frente estavam todas bloqueadas.

    Atrás do acampamento havia um penhasco que levava a uma queda livre.

    — O que deveríamos fazer…? — Pria engoliu em seco, olhando para mim.

    Avançar pela frente? Não dá, a chance de sucesso era muito baixa. Talvez fosse possível sozinho, mas Pria estava comigo.

    Havia outra maneira?

    — …Droga.

    Fechei meus olhos.

    Ontem à noite, fiquei olhando para o mapa da ilha flutuante a noite toda. Não demorou muito para chegar a uma conclusão.

    — Pria, siga-me.

    — Onde você está planejando ir?

    — Para o penhasco.

    — Mas lá… — Fiquei em silêncio. Pria, olhando para mim, assentiu. — Entendi. Eu confio em você.

    — Não confie muito em mim.

    Pria e eu fomos em direção ao penhasco atrás do acampamento.

    As forças da igreja sabiam nossa localização, então não havia necessidade de nos esconder.

    Até mesmo o vento estava nos empurrando. Firmei meus pés no chão e olhei para trás. Além do penhasco íngreme, eu podia ver o chão distante.

    Pria agarrou-se firmemente ao meu casaco.

    Eu ri e girei minha espada.

    Centenas de soldados e dezenas de cavaleiros.

    Três líderes estavam se aproximando de mim de direções diferentes.

    — Herói, se você fosse correr, deveria tê-la deixado para trás. Poderíamos ter deixado você ir — Persene sorriu.

    — Eu queria lutar com você de forma justa como um guerreiro, mas é uma pena. — Kiadni se aproximou de braços cruzados.

    < … >

    A santa aproximou-se silenciosamente, com os olhos fechados.

    ‘Isso está certo?’

    Uma missão solo que só pode ser realizada por uma pessoa. A dificuldade estava aumentando a ponto de ultrapassar o absurdo. 

    Essa empresa não tem qualquer consciência. Não que seja a primeira vez.

    — Entregue essa mulher — Persene disse.

    — Senhora Persene!

    — Não quero ouvir sua voz, então fique quieta.

    — Espere, por favor, escute! Eu…

    — Eu disse para você ficar quieta! — Persene gritou, seus olhos injetados de sangue encarando Pria.

    Pria ficou em silêncio com uma expressão triste, como se tivesse levado um tapa.

    Persene olhou para mim e sorriu.

    — Herói, vamos conversar de novo. Você realmente acha que pode vencer? Se quiser manter sua vida, faça a escolha certa.

    < O príncipe herdeiro valoriza muito você. >

    A santa deu um passo à frente.

    — Você, um guerreiro de tamanha excelência, é digno de se juntar à nossa grande causa. Entregue essa garota e junte-se a nós, guerreiro — falou o Rei dos Teriantropos.

    Pensei um pouco antes de falar.

    — Se eu entregar Pria, o que acontecerá com ela?

    — Bem…

    Persene levantou a mão direita.

    Swoosh! Um vento semelhante a uma lâmina girou.

    — Nós retribuiremos o sofrimento dela muitas vezes. Nós faremos com que ela não possa viver ou morrer. Nós a faremos sentir o gosto de cada dor do mundo. Ela implorará pela morte, chorando para que a matemos.

    — Uma traidora merece uma punição adequada.

    < Eu concordo. >

    Eu me virei e olhei para trás.

    — …Han.

    Pria estava olhando para mim com os olhos marejados. Não havia nenhum senso de graça que uma princesa deveria ter em seu olhar. Era apenas uma garota assustada, aterrorizada pelo que estava por vir.

    — S-se você sobreviver… está t-tu-tudo bem. Vo-você pode me entregar…

    — Você está gaguejando.

    Dei um tapinha gentil na testa de Pria.

    Então olhei para frente novamente.

    < Herói, temos uma grande causa. Salvar todos que sofrem neste mundo. Você sabe que o que está acontecendo neste mundo é errado. >

    A voz da santa ecoou na minha cabeça.

    Sua voz continha magia.

    — Sim, uma grande causa. Para destruir este mundo distorcido e trazer paz a todos. Vou lhe contar uma verdade que você não sabia. O que passamos, por que nos tornamos assim. A verdadeira natureza daquela vadia traidora, a verdade desconhecida, a dura realidade…

    — Que grande besteira. — O rosto de Persene endureceu em um instante. — A verdade desconhecida? A dura realidade?

    Soltei uma sincera gargalhada. Tentei segurar, mas não consegui. Ela simplesmente saiu sem controle.

    Não sei como eles eram antes, mas agora, eles são apenas…

    — Por que eu deveria me juntar a um bando de imbecis patéticos?

    — …O que você disse?

    Torci minha boca num sorriso irônico.

    — Vocês acham que são os únicos que passaram por momentos difíceis? Vocês acham que são os únicos que passaram por  toda essa merda?

    — …

    — Há muitas pessoas que são arrastadas para coisas com as quais não tinham nada a ver em primeiro lugar, sangram e quase morrem várias vezes, e ainda assim rastejam na terra.

    Cada dia era uma batalha e um inferno. Dias de agonia, pairando entre a vida e a morte.

    Eu matei inúmeros inimigos e vi camaradas morrerem inúmeras vezes.

    — Mas mesmo passando por tudo isso não desconto minha raiva nos outros.

    Eles provavelmente descobriram que Pria estava apenas sendo usada pelo Tel.

    ‘Retribuindo a dor que você recebeu? Que bando de baboseira.’

    Mesmo estando nessa situação de merda, não arrastei ninguém comigo.

    O infortúnio vai terminar comigo, porque eu o superei.

    — Diga ao seu chefe que pare de mentir e que lave bem o pescoço para o dia em que ele vai ser cortado.

    — …

    Os três não disseram nada, apenas me encararam com olhos frios.

    Sorri abertamente. É óbvio que tipo de causa esses caras estão falando.

    — Essas foram suas últimas palavras? — Persene murmurou num tom sem emoção e sem qualquer inflexão.

    Não respondi e me virei.

    — Pria — sussurrei suavemente. — Segure firme. Não solte.

    — Ah, tá bom. — Pria assentiu.

    Ela agarrou-se firmemente à minha manga.

    Girei minha espada uma vez e olhei para frente novamente.

    Os três estavam se aproximando lentamente de mim.

    — Vocês também deveriam pensar nisso. Em que tipo de grito vocês vão dar quando suas cabeças voarem.

    — Seu maluco desgraçado!

    Persene estendeu sua mão em minha direção e eu respondi estendendo meu dedo médio.

    Nisso agarrei Pria e me joguei do penhasco.


    1. É, pelo visto o nome da Santa mudou mesmo.[]

    … Han mandou um belíssimo dedo do meio para os inimigos e pulou. Simples assim. Como quem não quer nada. Como se uma piscina estivesse ali para amortecer a queda. Ele só foi.

    Enfim, não se esqueçam de ir ao Discord da Illusia caso encontrem um erro, queiram apoiar os autores/tradutores ou conversar com outros leitores!

    Até a próxima~~

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